Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Nacional

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LÚCIA MURAT por TONI VENTURI

Foto: Mulheres do Cinema Brasileiro


Parabéns pelo site, pela idéia, pela iniciativa, porque essa questão para mim é central. Se você for ver, com exceção de “O Velho”, em que o centro do filme era o Prestes, naturalmente, no “Latitude Zero”, o próprio “Cabra- Cega”, a trajetória da militante que gira em torno do personagem principal, e agora o “Dia de Festa”, a mulher tem um papel muito ativo nos meus filmes. Ela tem um percurso muito determinante.

No “Latitude” ela vai da bestialidade à humanidade, é o percurso dela durante o filme. No “Cabra-cega” ela vai da timidez, do segundo plano, para uma posição ativa, ela quase toma controle da situação, ela evita catrástofes, ela que está dando o tom no final do filme quando eles estão já cercados pela polícia, pela repressão, no apartamento ao lado. E o “Dia de Festa” também, é evidente, em que são quatro mulheres.

Então a questão da mulher e o universo feminino é muito importante para mim, porque eu acho que as mulheres estão mais ligadas, pelo fato de parir filhos, à terra, então elas guerreiam menos do que os homens. Eu acredito que é muito importante a emancipação da mulher, faz o mundo menos violento, possivelmente mais justo. Imagina, você não tem um excesso de mulheres no Iraque agora. Então eu espero mesmo que cada vez mais a mulher tome o seu papel na sociedade.

Uma mulher do cinema brasileiro... eu podia pensar nas atrizes, que eu gosto muito, mas eu vou homenagear minhas colegas diretoras. E a mulher no cinema brasileiro que eu admiro profundamente é a Lúcia Murat. Pelo que ela representa, pelo que ela passou, esteve engajada na luta política no Brasil, foi presa, foi torturada, saiu depois da prisão, reconstruiu sua vida. Fez o primeiro filme brasileiro sobre a questão da tortura com a Irene Ravache, que é outra atriz que eu admiro, estou homenageando duas na mesma tacada, dois em um.

Eu queria deixar essa palavra à Lúcia Murat, que tem uma carreira cinematográfica muito importante. Voltou, no ano passado, com “Quase Dois Irmãos”, voltando à questão da ditadura militar, da tortura, um filme excelente.


Toni Venturi é cineasta e produtor.
A estréia como diretor em longa-metragem foi com o documentário
"O Velho - A História de Luis Carlos Prestes", em 1997.
Depois, dirigiu as ficções "Latitude Zero", em 2000, e
"Cabra-cega", em 2004. Em 2006 voltou ao documentário
em "Dia de Festa".


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