Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
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Tizuka Yamasaki

 

 

Depois de nomes como Cleo de Verberena, Carmen Santos e Gilda de Abreu, nas décadas de 30 e 40 , é nos anos 70 que o Cinema Nacional vai revelar algumas de nossas mais interessantes cineastas. Se os 60 foram quase que uma década extremamente masculina, nos 70, diretoras interessantíssimas como Ana Carolina, Teresa Trautman e Suzana Amaral vão dar nova cor ao panorama cinematográfico brasileiro. E entre elas está  a premiada Tizuka Yamasaki. 

Nascida no Rio Grande do Sul, mas criada em São Paulo, Tizuka Yamasaki é uma das cineastas que vão sair das escolas de cinema. Antes de assumir a direção, ela passa por várias etapas, atuando em diferentes  áreas: continuísta, roteirista, cenógrafa,  assistente de direção, montadora, produtora executiva.

 Suas primeiras experiências são no curta, em 16mm: “Mouros e Cristãos” (1974); “ Bom Dori” (1975); “ Viva 24 de maio” (1978 – co-direção de  Edgar Moura).

 No formato longa-metragem, Tizuka Yamasaki faz importantes trabalhos como assistente de direção com dois verdadeiros mestres: Nelson Pereira dos Santos – “O Amuleto de Ogum”  e “Tenda dos Milagres”;  Glauber Rocha – “Jorjamado no Cinema”  e  “A Idade da Terra”.

 Em 1980 Tizuka Yamasaki estréia como cineasta em grande estilo: o arrebatador “ Gaijin – Caminhos da Liberdade”. A diretora estreante volta sua câmera para o seu quintal e discute sua identidade, focalizando e homenageando os primeiros imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil. O resultado é impressionante, lançando Tizuka para primeiro time das nossas realizadoras.

 Em seu segundo filme, realizado em 1983, Tizuka Yamasaki escala Tânia Alves para protagonizar “ Parahyba Mulher Macho”, baseado na história real da poetisa e feminista Anayde Beatriz, amante de João Dantas, homem que assassinou o político João Pessoa.

 E é a política, novamente, que marcará seu terceiro longa, dessa vez ocupando o centro da questão em “Patriamada”, filmado em 1984, e protagonizado por Débora Bloch, Buza Ferraz e Walmor Chagas. O filme registra, em tempo real e unindo ficção e realidade, os movimentos políticos reivindicatórios das Diretas Já.

 A cineasta entra os anos 90 mudando radicalmente seu foco de atuação, e assina a direção de “Lua de Cristal” (1990), um filme-veículo para a apresentadora infantil Xuxa Meneghel. O filme é sucesso de bilheteria, uma marca dos filmes que Xuxa fará a seguir .

 A experiência com Xuxa e a faixa etária de seu público vai marcar, de certa forma, os próximos filmes da cineasta. Em 1996, Tizuka Yamasaki dirige “Fica Comigo”, tendo como foco o universo dos adolescentes – em depoimentos, a diretora diz que a adoção de seu filho, um  adolescente na época das filmagens, determinou a escolha do projeto.

 Nos anos seguintes, os baixinhos e seus ídolos, Renata Aragão e Xuxa Mengehel, vão protagonizar seus trabalhos: o trapalhão Renato Aragão em “ O Noviço Rebelde”  (1997); Xuxa em “ Xuxa Requebra” (1999)  e “Xuxa Pop Star”  (2000) – todos eles sucesso de público.

 Agora, Tizuka Yamasaki volta sua lente para o tema de seu primeiro longa, e produz “Gaijin 2”, um dos filmes mais aguardados pela crítica e pelo público. A cineasta será homenageada na próxima edição do Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino, que acontece  de 16 a 21 de agosto de 2004.

Foto: Fonte/ Livro "Tizuka Yamasaki - A Vida Invade o Cinema", de Inimá Simões

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