Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Nacional

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Suzana Amaral

 

Já virou folclore o fato de alguns terem dito que Suzana Amaral, à época do estouro que foi o lançamento do filme “A Hora da Estrela” em 1985,  era uma dona de casa de 53 anos que  tinha virado cineasta e estava surpreendendo a todos com sua estréia espetacular. Na verdade, o que esse “boato”  revelou foi  uma grande ignorância sobre a diretora, já na ativa desde o início da década de 70 e tendo realizado curtas-metragens importantes. 

Suzana Amaral nasceu em São Paulo em 1932. Com formação em cinema pela Escola de Comunicação Social e Artes da USP, cursado entre 1968 e 1971. Sua estréia como diretora se deu em 1971 com o curta “Sua Majestade Piolim” sobre o famoso palhaço e suas ligações com o teatro popular; e com “Semana de 22”, um panorama da Semana de Arte Moderna. 

Suzana Amaral percorre a década de 70 realizando vários trabalhos: curtas como “Os Mortos Viram Terra” (1971); produções para a TV Cultura como “Érico Veríssimo” (1975), “Minha Vida Nossa Luta” (1979) e “Crescer Para Ser Quem?” (1979); trabalhos institucionais e comerciais, além de produções em Nova York, durante seu curso de mestrado nos Estados Unidos – “A Pair of Shoes” (1976), “Circularity” (1977) E “Views of My Father Weeping” (1978). 

Em 1985, Suzana Amaral estréia em longas de forma arrasadora na bela adaptação cinematográfica do livro homônimo de Clarice Lispector, “A Hora da Estrela”. O filme foi consagrado pela crítica e premiado no Festival de Brasília, revelou o talento da atriz Marcélia Cartaxo para o mundo e conquistou o Leão de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim. Suzana Amaral conseguiu de Marcélia Cartaxo uma composição inesquecível para a Macabéa, a heroína miserável e comovente de Lispector. 

“A Hora da Estrela”, que conta também com atuações marcantes de José Dumont, Fernanda Montenegro e Tâmara Taxman, fez sucesso em vários festivais internacionais levando a diretora a acompanhar exibições do filme em cerca de 25 países. 

Em 2001, Suzana Amaral voltar à direção com outra adaptação literária, e, novamente, de outra história quase minimalista, “Uma Vida de Menina”, de Autran Dourado. Também mais uma vez a cineasta revela outra ótima atriz, a enigmática Sabrina Greve como a interiorana Biela. 

“Uma Vida em Segredo” recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília e quatro prêmios no Cine Ceará: Melhor Filme, Melhor, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.

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