Ano 10

Raquel Maia

Nascida em Anápolis, Goiás, em 15 de julho de 1978, Raquel Maia tem carreira entre dois mundos, aparentemente, distantes: o de atriz e o de médica.Graduada na Faculdade de Medicina de Petrópolis, a formação artística começou em Goiânia: “Eu fiz o curso de Música em Goiânia de 1993 a 95. Eu prestei vestibular para Medicina porque eu gostaria muito de continuar minha carreira como atriz, mas eu tinha 17 anos e vir para o Rio de Janeiro com essa idade... Meus pais têm uma mentalidade muito conservadora, não deixariam. Então, o que eu fiz? Prestei vestibular, passei, e falei ‘olha, pai, para fazer Medicina, um negócio muito complicado, muito difícil, muito sério, eu tenho que ir’. E aí eu vim, com 17 anos, para fazer a faculdade de Medicina, mas no fundo o que eu queria mesmo era estudar teatro”.

No Rio de Janeiro, desenvolve carreira atuante no teatro. A estreia no cinema se dá no visceral e ótimo Na carne e na alma, último filme do grande cineasta Alberto Salvá, falecido em 2011. O longa foi realizado em 2007, mas só lançado em 2012: “Eu sempre tive uma trajetória de teatro, eu nunca tinha me observado no vídeo, como as emoções se transmitem de uma forma diferente no vídeo. Então, trabalhar com o Salvá foi um aprendizado. Foi a primeira grande experiência no cinema e ele tinha muita paciência para dirigir ator, para conversar sobre o que era trabalhado nas emoções, sobre o que seria transmitido através dos gestos, dos olhares”.

Filme sem meios tons, Na carne e na alma exige de seus atores uma entrega sem pudores: “É muito passional, incomoda muito e foi muito difícil fazer, foi uma entrega. Eu tinha que me decidir entre fazer mais ou menos ou me entregar totalmente, e aí eu falei ‘não, eu não vou fazer mais ou menos, eu vou me entregar totalmente’. Então, como atriz, como ser humano, eu me entreguei totalmente para fazer o filme”. 

Raquel Maia esteve na 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em janeiro de 2012, para o lançamento do filme Na carne e na alma. Ela conversou com o site Mulheres do Cinema Brasileiro e falou sobre sua trajetória, a medicina e a carreira artística, o trabalho no teatro, o novo longa, o projeto Cinema Garagem e outros assuntos.



Mulheres do Cinema Brasileiro: Bom, para começar, sua origem, data de nascimento completa e formação.

Raquel Maia: Eu nasci em Anápolis, Goiás, no dia 15 de julho de 1978, e me formei, na verdade, na Faculdade de Medicina de Petrópolis (risos).

MCB: Quando?

RM: Em 2001. Estou fazendo agora especialização em Dermatologia no Hospital Mário Kroeff, na Penha. Mas minha formação como atriz começou no Música Centro de Artes Integradas de Goiânia, no curso profissionalizante. Depois, no Rio de Janeiro, eu prestei vestibular para Artes Cênicas, depois da Faculdade de Medicina.

MCB: Você começou a fazer o curso em Goiânia quando? E quando você veio para o Rio?

RM: Eu fiz o curso do Música em Goiânia de 1993 a 95. Eu prestei vestibular para Medicina porque eu gostaria muito de continuar minha carreira como atriz, mas eu tinha 17 anos e vir para o Rio de Janeiro com essa idade... Meus pais têm uma mentalidade muito conservadora, não deixariam. Então, o que eu fiz? Prestei vestibular, passei, e falei “olha, pai, para fazer Medicina, um negócio muito complicado, muito difícil, muito sério, eu tenho que ir”. E aí eu vim, com 17 anos, para fazer a faculdade de Medicina, mas no fundo o que eu queria mesmo era estudar teatro. Só que na vida a gente acaba fazendo mais de uma coisa, ou a gente acaba não fazendo exatamente aquilo que planeja. Eu não tive coragem de deixar a faculdade de Medicina, porque era uma coisa mais segura, e porque eu também gostava. Continuei estudando como atriz, fiz o curso do Daniel Hertz, na Casa de Cultura Laura Alvim.

MCB: Foi quando?

RM: Foi em 2002, 2003. Fiz um curso, prestei vestibular para Artes Cênicas na UniRio e fiz um ano, em 2003. Bom, como atriz minha formação foi essa, e trabalhei muito como atriz, me formei trabalhando também.

MCB: Antes de entrar no cinema, eu queria que você falasse um pouco dessa carreira no teatro.

RM: Bom, até porque a minha estreia no cinema foi mesmo com o Salvá (Alberto Salvá), e foi bem tarde. Na verdade, a minha trajetória toda passa pelo teatro. Eu trabalhei com o Rodrigo Portella numa peça sobre mulheres chamada  Aqui  jaz Afrodite, em 2004, com texto do França Júnior, numa peça chamada Amor com amor se paga, em 2004 também. Em 2005, com Michel Bercovitch, em Assim é se lhe parece, do Luigi Pirandello, e em 2006 em O beijo no asfalto, também com direção do Michel Bercovitch. Em 2009 em Dolores, a peça, com direção da Daniela Gracindo. Ah ... deixa eu pensar.... Acho que no teatro esses foram os principais trabalhos.

MCB: Você fez medicina, mas queria fazer teatro. E aí ele aconteceu durante o curso...

RM: Aconteceu concomitantemente.

MCB: Quando começou a fazer teatro, você chegou a pensar que era isso que realmente queria? Você se reconheceu?

RM: Pois é, até hoje eu me equilibro nos dois pilares, no pilar artístico e no pilar acadêmico, médico e científico. É uma maneira que eu tenho de me equilibrar emocionalmente e racionalmente na vida. 

MCB: Financeiramente também?

RM: Financeiramente também. Teve um momento em que eu realmente deixei a carreira de médica e falei “vou investir totalmente na carreira de atriz”. E aí eu me senti um pouco sem chão, um pouco perdida, muito pela incerteza do que viria como trabalho, pela incerteza financeira, por uma cobrança até minha mesmo de ter uma perspectiva real de pagar as minhas contas. Enfim, tem também esse lado racional que eu tenho de estudar, de ter uma coisa mais concreta, de colocar um tijolinho e sentir que eu estou construindo alguma coisa. 

A carreira artística tem isso de uma forma maravilhosa, mas é muito mais solta do que a carreira acadêmica, que é uma coisa mais compacta. Então eu sou uma pessoa que pisa nos dois mundos, um pezinho aqui e outro pezinho ali, e é isso que me equilibra. Uma vez, eu tentei também largar a carreira artística e ficar só no lado da medicina, e isso também foi enlouquecedor, não consegui.

MCB: Essas duas áreas que você persegue, ainda que elas funcionem para você, inclusive como equilíbrio, como você disse, não criam entraves para você desenvolver os trabalhos? Por exemplo, em teatro, a gente sabe que se ensaia muito...

RM: É, se ensaia bastante.

MCB: Tem a carreira, as viagens, isso não te limita, dificulta?

RM: Tem que haver um momento de conciliação. Por exemplo, hoje eu deveria estar no Hospital Mário Kroeff, na Penha (risos), fazendo a minha pós-graduação de Dermatologia, e estou aqui no festival de cinema. Não é impossível, dá para conciliar, tem que ceder um pouquinho, um lado cede um pouquinho, outro lado cede um pouquinho. E na relação médico-paciente isso me ajuda muito, ser atriz, saber lidar com o paciente de uma outra forma, com uma outra perspectiva. No mundo artístico, ser médica me ajuda também a ter um pouco mais de pé no chão, enfim, a ter uma visão um pouco diferenciada também. Eu acho que um lado ajuda o outro, sabia, mais do que atrapalha.

MCB: Não se deslumbrar?

RM: É. Saber que eu tenho uma outra coisa também, que me dá uma outra firmeza, um lado acaba ajudando o outro, mais do que atrapalhando.

MCB: O cinema foi um desejo de atriz ou foi um convite? Ou foi um acaso? Como aconteceu? Estava nos seus planos? 

RM: Começou como um desejo, que se transformou num convite e foi uma descoberta.

MCB: E como foi? 

RM: Foi justamente trabalhando com o Salvá, que é esse diretor que produziu coisas interessantíssimas numa gama de estilos muito grande. Eu sempre tive uma trajetória de teatro, eu nunca tinha me observado no vídeo, como as emoções se transmitem de uma forma diferente no vídeo. Então, trabalhar com o Salvá foi um aprendizado. Foi a primeira grande experiência no cinema e ele tinha muita paciência para dirigir ator, para conversar sobre o que era trabalhado nas emoções, sobre o que seria transmitido através dos gestos, dos olhares. Enfim, como essa linguagem funcionava no vídeo, que é um pouco diferente do teatro, sim, e o Salvá foi um professor nesse sentido.

MCB: Como ele te descobriu?

RM: Através do Saulo (Moretzsohn), produtor do filme. O Saulo eu já conhecia e ele me falou sobre o filme, daí eu fui fazer um teste. No dia do teste, ele olhou para mim e falou: “Olha, você não é nada do que eu tinha pensado para a personagem, mas olha que é você”. E aí eu pensei assim, “será que ele está falando sério ou ele está brincando comigo?”. Alguns meses depois, ele me ligou e falou “olha, a gente vai fazer o filme, você ainda quer fazer?”. E eu aceitei, apesar de ser um filme muito desafiador. Eu já tinha lido o roteiro, eu sabia que era um filme difícil, até hoje as respostas que eu tenho do filme são muito passionais, tanto no sentido de que “gostei muito, é uma coisa muito boa”, quanto no sentido de que “odiei, foi totalmente desnecessário”.

MCB: E como foi estar no cinema? Você consegue recuperar a sensação de quando chegou ao set?

RM: Quando eu cheguei ao set para filmar? Foi a sensação de recomeço, de “vou começar uma etapa nova na minha vida de atriz”. Eu comecei a observar muito, porque eu sou muito curiosa, então eu queria saber como era feita essa coisa, essa magia do cinema, que é diferente do artesanato do teatro. Essa coisa de repetir milhares de vezes, pegar de um ângulo, pegar de outro. Depois, na hora da montagem, você vê como a coisa se transforma também, o que se filma e o que se monta parecem coisas diferentes, porque montar também é uma forma de contar história. Então, a sensação que eu tive foi de recomeço. “Eu estou aqui para aprender uma coisa totalmente nova na minha vida, meu Deus, e agora?”.

MCB: Vamos falar agora sobre o filme Na carne e na alma, do Alberto Salvá, e também sobre a sua personagem.

RM: O filme é muito autobiográfico, no sentido de que o Salvá escreveu muito sobre questões das quais ele gostaria de falar, sobre o ser humano, sobre as relações homem-mulher, sobre as relações entre as pessoas de uma forma geral. O Salvá era uma pessoa que não tinha papas na língua, ele falava exatamente o que pensava, sempre, então o filme é como ele dizia, é sem eufemismos. Ele não contorna para dizer a coisa de uma forma mais agradável, ele diz o que ele quer dizer. Então é como se, por exemplo, eu pudesse escolher, se eu fosse fazer um filme sobre educação, ao invés de ensinar a pessoa a não jogar o papel na rua e jogar na latinha de lixo, eu faria um filme diametralmente oposto, sobre uma coisa totalmente suja, imunda, justamente para levar a pessoa a uma reflexão através do lado oposto. Eu acho que foi um pouco essa a perspectiva do filme, pois não é um filme que ensina você a pegar o papelzinho e jogar no lixo, é um filme que vai pelo lado oposto, é muito passional, incomoda muito e foi muito difícil fazer, foi uma entrega. Eu tinha que me decidir entre fazer mais ou menos ou me entregar totalmente, e aí eu falei “não, eu não vou fazer mais ou menos, eu vou me entregar totalmente”. Então, como atriz, como ser humano, eu me entreguei totalmente para fazer o filme. 

MCB: E a relação com o Salvá durante as filmagens, como foi?

RM: Era ótima (risos). O Salvá era uma pessoa maravilhosa. Ele sempre tinha uma piadinha infame para tirar do bolso. Ele tinha o dom de transformar um momento muito difícil, muito complicado, num momento leve, tranquilo e bom. Então a convivência com ele foi um privilégio, foi uma alegria, porque ele tinha esse dom.

MCB: E como você teve que se relacionar com essa questão, de fazer o filme e depois ele não ser lançado, já tem um tempinho que está aí parado. Como lidar com uma expectativa frustrada nesse sentido? Como é isso para você?

RM: A expectativa é sempre difícil, é uma coisa difícil de lidar. O filme foi filmado em 2007 e a gente agora está em 2012. No início, me falavam “olha, Raquel, você faz o filme, você esquece, porque demora mesmo para editar”. Mas acontece que o filme ficou pronto e eles não tinham como fazer um lançamento. Então, por um lado foi uma frustração, mas aí entra aquela outra coisa que eu te falei, como eu tenho um outro pilar em que eu me sustento, eu vejo a coisa assim, foi maravilhoso fazer e tudo que veio até agora já foi lucro. Eu acho que mesmo que ele não seja lançado, já valeu a pena, já valeu muito a pena.

MCB: Você tem um projeto chamado Cinema de Garagem, não é?

RM: É verdade.

MCB: Eu queria que você falasse sobre isso. Como e quando surgiu? 

RM: Cinema de Garagem foi uma ideia que surgiu entre Andreia Neves, eu e a Rosanne Mulholland. Nós três somos amigas, aí a gente resolveu se juntar, fazer uma coisa em que a gente pudesse contar as nossas histórias de uma maneira simples, sem pretensão, e aprendendo a fazer cinema. Nós somos atrizes, ninguém tem curso de cinema, ninguém fez faculdade de cinema, então ninguém sabe exatamente como operar uma câmera, como fazer uma luz, como captar som. A gente se propôs a aprender tudo fazendo. Então, acabou que a Rosanne foi fazer outros projetos e acabou se afastando um pouquinho. Assim, acabou ficando mais nas minhas mãos e nas mãos da Andreia. A gente acabou gerenciando isso, convidamos vários outros atores para se juntar a nós. A ideia era aprender na prática, aí eu aprendi a editar, aprendi os princípios básicos de edição, a captar som, a dublar, dublar não só voz como sons de objetos. Eu achei isso maravilhoso. É um outro tipo de artesanato, é um artesanato virtual. O nosso último filme foi o Madrinha, que eu fiz com a Daniela Gracindo e que conta a história de uma mulher que tem um afilhado. Ele começa a questionar se ela acredita em Deus realmente. Enfim, é uma forma de fazer poesia com imagens.

MCB: Você falou do último, mas qual foi o primeiro?

RM: O primeiro foi o É o sol, de 2009. As estrelas (risos) são eu e a Andreia Neves. A linguagem do filme surgiu em consequência dos acontecimentos, nós não tínhamos quem filmasse, daí a gente resolveu que uma filmaria a outra, e tudo que eu dissesse estaria sendo visto na expressão do rosto dela, e vice-versa. Então, se você observar bem no filme, ninguém tem falas diretas, é tudo indireto, e foi em decorrência de uma necessidade que a gente tinha. A gente não tinha quem filmasse, então a gente resolveu começar um projeto na cara e na coragem, com os recursos e com as pessoas que a gente tinha no momento, ou seja, eu e ela.

MCB: A Rosanne não chegou a fazer?

RM: A Rosanne fez um filme, foi o Tudo aconteceu naquela noite, que está em cartaz lá no Cinema de Garagem. Na verdade, foi o primeiro que a gente filmou, antes de organizar realmente todas as ideias, de “ah, vamos fazer um site chamado Cinema de Garagem. A gente tinha resolvido fazer um curta-metragem aproveitando os cenários que estavam em exposição no CCBB do Michel Gondry, do Rebobine por favor, e nós filmamos tudo em um dia. A proposta era fazer uma coisa num dia só, aprendendo, fazendo nós mesmas, fazendo com os recursos disponíveis. Mas a gente não tinha isso organizado, na ideia do Cinema de Garagem. Esse foi o filme que a Rosanne fez, depois ela fez um outro com a Andreia, que ainda não entrou em cartaz no Cinema de Garagem, ainda está em edição.

MCB: Imagino que esse projeto seja um instrumento também para vocês...

RM: Sim, para mostrar o trabalho.

MCB: Vocês ampliaram o domínio na área, mas acredito que o veículo propicia, inclusive, que vocês exercitem o ofício de atriz, não é?

RM: Com certeza. Exercitar o ofício de atriz, de escritora, de diretora. Na verdade, eu falo isso brincando, porque o nosso ofício é de atriz. Mas eu acho que quando a gente exerce outras funções que não são as nossas, como de direção, fotografia, captação de som, a gente aprimora o nosso ofício de ator, porque você tem uma ideia de como funciona o todo.

MCB: Como está funcionando o projeto? A recepção?  Ele está no tamanho que você queria? Está maior ou menor?

RM: Na verdade, ele está menor do que a gente gostaria, mas nós tivemos uma pausa desde junho do ano passado até agora, foi há pouco que a gente colocou o último filme no site. O projeto ficou parado, muito por questões pessoais da Andreia, minhas. As nossas vidas pessoais acabaram se desencontrando, então o projeto acabou ficando um pouco parado. Mas agora a gente está retomando com força total.

MCB: E como está o momento atual da atriz? Está aqui cuidando do lançamento do Na carne e na alma...

 RM: Pois é, eu estou aqui com esse longa na Mostra de Tiradentes, uma honra maravilhosa. Eu nunca tinha pensado em participar do Festival de Tiradentes, estou achando isso maravilhoso. Tem o Cinema de Garagem como perspectiva e tem uma possibilidade de fazer uma peça de teatro dentro de um apartamento, num projeto mais alternativo, uma coisa para dez pessoas no máximo, de cada vez. Eu estou escrevendo, mas não tem ainda uma data prevista para lançamento.

MCB: As únicas duas perguntas fixas do site: qual o último filme brasileiro a que você assistiu?

RM: O último filme brasileiro?

MCB: E qual mulher do cinema brasileiro, de qualquer época e de qualquer área, você quer homenagear aqui na sua entrevista? 

RM: Nossa! Mulher do cinema brasileiro, de qualquer área e de qualquer época. Bom, eu vou responder à primeira pergunta. O último filme brasileiro a que eu assisti foi O palhaço (direção de Selton Mello). Essa é fácil. Eu admiro tantas mulheres. Olha, eu vou deixar aqui a minha admiração pela Marieta Severo, uma grande atriz.

MCB: Ok, muito obrigado pela entrevista.


Entrevista realizada na 15a Mostra de Cinema de Tiradentes, em janeiro de 2012.

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Sala 
 Sala Dina Sfat
Atriz intensa nas telas e de personalidade forte, com falas polêmicas.