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Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 2
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Brasileiro

Sala Isabel Ribeiro
Atrizes


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Aqui, uma abordagem inédita: críticas a partir dos trabalhos das atrizes e/ou das cineastas, e não a partir do filme.
Sempre que cada sala for atualizada, o conteúdo anterior irá para a Sala Darlene Glória - Arquivo Geral.

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023 - CINEOP - 1ª MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO


Fernanda Hallak, Raquel Hallak e Quintino Vargas
Foto: Leonardo Lara

 

CINEOP VEIO PARA FICAR

Público estimado em 24.100 pessoas.
44 obras, entre longas, curtas e vídeos exibidos.
8 oficinas, com 220 participantes.
3 seminários
175 convidados, sendo 55 jornalistas. 
 

Realizada pela Universo Produção, que tem à frente Raquel Hallak, Quintino Vargas e Fernanda Hallak, o mesmo trio da Mostra de Tiradentes, a CINEOP – 1a Mostra de Cinema de Ouro Preto chegou para ficar. Foi impressionante ver, já em uma primeira edição, uma mostra reunir tanta gente, com sessões de cinema lotadas, além da grande participação nas oficinas e seminários. A CINEOP exibiu 44 filmes, entre longas, curtas e vídeos, de 14 a 18 de junho, mas o grande diferencial foi mesmo o tema do evento, Preservação, Restauração e Memória, tendo Ouro Preto como cenário perfeito. 

A CINEOP reservou três dias para seminários que discutiram a restauração, preservação e memória do cinema brasileiro. Entre os presentes, um verdadeiro quem é quem da área, dentre eles, Carlos Magalhães e Patrícia de Fillipi, da Cinemateca Brasileira; Hernani Heffner, da Cinemateca do MAM; Clóvis Molinari, do Arquivo Nacional; Myrna Brandão, do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro; e José Tavares Barros, professor e pesquisador. 

O seminário reuniu ainda os herdeiros de quatro mestres do cinema brasileiro: Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman e Rogério Sganzerla. Paloma Rocha, Maria de Andrade, Maria Hirszman e Helena Ignez, respectivamente, estão à frente da restauração da obra de cada um dos cineastas, e, no seminário, contaram para o público sobre as experiências individuais diante do difícil trabalho. 

O Mulheres acompanhou boa parte das mesas dos dois primeiros seminários, o primeiro sobre resultados dos projetos de restauração e o segundo sobre rumos da política estatal e privada para o setor. O terceiro seminário foi sobre novas tecnologias aplicadas à restauração e recuperação de filmes, além de discussão sobre aspectos éticos e estéticos das técnicas de restauro. 

O que mais impressionou foi saber que, na verdade, não existe uma política de fato para a preservação e restauração da nossa memória cinematográfica. É alarmante descobrir que mais de 70% dos filmes realizados antes da década de 60 desapareceram para sempre. Mais alarmante ainda, descobrir que filmes recentes estão indo para o mesmo caminho, como obras de Eduardo Coutinho e David Neves. 

As representantes dos projetos de Glauber, Joaquim, Leon e Sganzerla contaram, e detalharam, a via-crúcis percorrida para garantirem a integridade da filmografia dos nossos mestres. E não deixaram de lamentar a ausência do Estado nessa responsabilidade. Porém, como elas mesmas disseram, já que o Estado não faz, as famílias fazem, o que não pode é assistir de camarote o desaparecimento de boa parte da memória do cinema, e, conseqüentemente, da história brasileira. 

Já virou senso comum, muitas vezes até sem razão, dizer que o Brasil e/ou o brasileiro não tem memória. Tem hora que dá raiva ouvir isso tão rotineiramente, já que há muitos pesquisadores suando bicas para tentar resgatar o nosso passado. Mas é difícil não querer fazer coro à essas vozes quando se vê tal estado de coisas. Por isso, ver uma mostra de cinema focada nesse tema e sendo realizada em uma cidade que é patrimônio mundial, só faz mesmo encher os olhos. 

Passaram também pela CINEOP nomes fundamentais do cinema e das artes cênicas brasileiras como o ator e diretor Paulo José em belíssimo encontro com o ator Milton Gonçalves para a exibição em cópia restaurada de “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade, filme de abertura da Mostra. Marcou presença também o cineasta Vladimir Carvalho, que prestigiou a exibição de seu curta clássico “A Bolandera”, de 1967, também restaurado. Cineastas como Fábio Carbalho, Isabel Lacerda, Paula Gaitán também participaram da Mostra. 

Os filme inéditos exibidos vieram  com delegações, como Lírio Ferreira com “Árido Movie”; Joffre Rodrigues com “Vestido de Noiva”; José Jofilly com “Achados e Perdidos”; Erik Rocha com “Intervalo Clandestino”; Toni Venturi com “Dia de Festa”; e Otto Guerra com “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock N´Roll”. 

De Joaquim Pedro de Andrade, um dos homenageados da CINEOP, foram exibidos, além de “Macunaíma”, os longas “O Padre e a Moça” e “Os Inconfidentes”, e o curtas “O Poeta do Castelo” e “O Aleijadinho”. Os outros homenageados do CINEOP foram Salvador Trópia, fundador do Cine Vila Rica, e o projecionista Seu Adão Soares Gomes, em comemoração aos 50 anos dedicados à profissão no Cine Vila Rica. 

O CINEOP – 1a Mostra de Cinema de Tiradentes apresentou sua programação no Cine Vila Rica, no Cine-Praça montado na Praça Tiradentes e no Centro de Convenções. Foi montada também uma agenda de shows com Maurício Tizumba, Vander Lee e Marina Machado no Centro de Convenções, além da apresentação do musical “O Homem da Gravata Florida”, com Regina Spósito e Marina Machado sob a direção de Chico Pelúcio, na Praça Tiradentes. Cortejos com o Tambor Mineiro e o Cortejo Brasil animaram as ruas de Ouro Preto e deram um colorido especial à CINEOP.

 

   *O Mulheres do Cinema Brasileiro viajou a convite do CINEOP.

 

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