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Sala Isabel
Ribeiro |
Espaço
para que as Mulheres do Cinema Brasileiro possam falar sobre suas carreiras e
trabalhos e para o internauta conhecê-las mais de perto. ******************************************************************************** 042 - ROSANNE HOLLAND
Foto:
Mulheres do Cinema Brasileiro A
jovem Rosanne Holland é uma atriz corajosa – aliás, coragem deve mesmo ser
uma característica de todo ator. A atriz é uma dos protagonistas do filme “A
Concepção”, dirigido por José Eduardo Belmonte, que conta ainda no elenco
com Matheus Nachtergaele, Milhen Cortaz, Juliano Cazarré, Murilo Grossi e
Gabrielle Lopez. No filme, que tem
como cenário Brasília, eles formam um grupo, “Os Concepcionistas”, que
desafia a ordem estabelecida. Dessa forma, eles queimam carteira de identidade,
trocam de papéis, e, mais que tudo, protagonizam cenas ousadas de sexo, regadas
por muitas drogas. Rosanne
Holland é uma bela presença em cena nesse polêmico e não menos corajoso
filme de José Belmonte. O filme está em cartaz nos cinemas, e o público tem a
oportunidade de vê-la em dose dupla nas telas, já que faz participação também
em “Araguaya – A Conspiração do Silêncio”, de Ronaldo Duque, outro
cineasta de Brasília, como o próprio Belmonte. Rosanne
Holland esteve na “9a Mostra de Cinema de Tiradentes”, onde
concedeu entrevista exclusiva ao Mulheres. Aqui, ela fala da sua carreira, do
trabalho na televisão e dos longas e curtas dos quais participou, com uma atenção
especial, claro, para “A Concepção”. A atriz descreve como recebeu o
convite de Belmonte para atuar no filme: “Pensei muito para fazer, pois eu não
sou uma pessoa que se expõe demais na vida. Então essa exposição para mim
era assustadora. Ai a gente conversou bastante, combinou algumas coisas e eu não
resisti.” Mulheres:
Eu gostei muito de “A Concepção”,
um filme importante nesse momento atual de produção do cinema
brasileiro, que é um cinema que esta apostando em propostas diferenciadas. Como você chegou até esse filme? Rosanne
Holland:
Bom, eu já tinha trabalhado com o Jose Eduardo (Belmonte) antes, fiz um
curta com ele e depois do curta a gente sempre se falava, fazia algum trabalho lá
em Brasília, e tal... Mulheres:
Qual o nome do curta? ... Rosanne
Holland:
“Dez Dias Felizes” (2002). Enquanto ele escrevia o roteiro, teve uma
época em que a gente estava fazendo umas leituras. Ele chamava alguns atores
que ele gostava e a gente fazia a leitura de alguns projetos. E aí a gente fez,
um dia, a leitura do “Concepção”. Não estava nem pronto ainda, e todo
mundo que leu ficou louco. Dizia-se: " que filme e esse?" Prendia,
dava vontade de saber o que ia acontecer depois. Com o passar do tempo, ele começou
a falar que queria que eu participasse, e ai eu me assustei. Porque é
diferente, você lê aquilo, de forma distante, mas depois se ver naquela situação,
me assustou um pouco. Pensei muito para fazer, pois eu não sou uma pessoa que
se expõe demais na vida. Então essa exposição para mim era assustadora. Ai a
gente conversou bastante, combinou algumas coisas e eu não resisti. Mulheres:
Então você foi a primeira escolha para essa personagem? Não teve teste? Foi a
partir do trabalho anterior? Rosanne
Holland: Acho que ele chegou a
fazer teste com o pessoal da produtora, mas ele enfiou na cabeça que queria que
fosse eu. Eu não sei muito bem porque até hoje. Mulheres:
Mas funcionou maravilhosamente bem, pelo menos na minha opinião. Rosanne
Holland:
Ah! que bom, muito obrigada. Mulheres:
Você começou a carreira no teatro, não é isso? Rosanne
Holland: Eu fiz teatro em Brasília
desde os doze anos, fiz durante minha adolescência inteira. Mulheres:
Você chegou a fazer curso de teatro? Rosanne
Holland: Fiz muitos cursos, e
também peças de final de curso. Tinha um grupo de teatro em Brasília, chamado Mais Cia. Eu saí porque me mudei para o Rio, estou ha dois
anos lá. Mulheres:
A sua estréia no cinema foi no curta do Belmonte. Você consegue rememorar o
primeiro prazer de estar num set de cinema? Rosanne
Holland: Foi muito bom, porque
o filme caiu do céu. Eu fiz dois comerciais com o Zé, e, de repente, eu nem o
conhecia direito e ele me botou no filme. Eu não sabia muito bem o que eu
estava fazendo ali, então para mim era “ai que barato, tô fazendo um
filme”. Foi tudo muito leve, eu ia lá e fazia. Parecia fácil, porque não me
cobrava, eu não tinha nenhuma pressão. E ele gostou. Foi bom, eu aprendi
muito, foi uma experiência diferente. Mulheres:
Você fez outros curtas? Rosanne
Holland: Eu fiz uma participação
num curta depois disso, “Madame Pessoa”, do Bruno Freitas. Mas, para ser
sincera, eu ainda não vi esse filme. Eu fiz um outro longa também, antes desse
segundo curta, que chama-se “Araguaya – A Conspiração do Silêncio”
(Ronaldo Duque). Meu primeiro longa foi esse, mas “A Concepção” foi
diferente, um papel maior. São experiências bem diferentes e foram um grande
aprendizado para mim. A minha participação em “Araguaya” foi menor, já em
“A Concepção” foi bem mais intenso. Mulheres:
E o trabalho na televisão, na minissérie “JK”? Rosanne
Holland: Antes disso, eu fiz
participações pequenas, de um capítulo: entra lá, fala duas falas e tchau.
Foi a primeira vez que eu peguei um papel na televisão. Mulheres:
Você considera esse trabalho sua estréia na televisão?
Rosanne
Holland: Sim. Mulheres:
O trabalho na televisão te seduz? Você pensa aliar ao trabalho na televisão o
cinema e o teatro? Rosanne
Holland: Eu gostei muito de
participar de todos eles, todos se complementam de alguma forma. Cada um te dá
uma coisa a mais para você usar nos outros também, é mais ferramenta para o
ator. Gosto muito dos três. Embora minha participação na televisão tenha
sido meu primeiro trabalho, ainda tenho muito para aprender, para ver como é
mesmo. Eu tenho interesse em participar de todos. Mulheres:
Me fale um pouco dessa participação em de “JK”. Rosanne
Holland: Bom, para entrar em
“JK” eu tive que fazer um teste. Eu já tinha feito vários testes. Na
televisão é um pouco estranho e diferente. Você vai, entra, gravou, acabou,
tudo muito rápido. As pessoas falam e é uma industria mesmo. Então eu me
senti um pouco assustada no principio, mas gravando uma cena depois da outra, a
gente vai se acostumando com o estúdio, com o efeito.
E eu gostei muito das pessoas que eu conheci lá, são pessoas bem
bacanas. O tempo que a gente espera a gente se diverte, gostei muito de ter
participado de “JK”. Mulheres:
Você tem interesse no cinema brasileiro como espectadora?
Você assiste filmes brasileiros? Rosanne
Holland: Assisto. Mulheres:
Qual foi o ultimo que você assistiu? Rosanne
Holland: Hum...
deixa eu pensar....O último filme que eu assisti... Minha memória e um
pouco lenta. Acho que foi “Eu me
Lembro” (Edgar Navarro), no
festival de Brasília. Mulheres:
Eu sempre peço para as minhas entrevistadas, se elas quiserem, claro, para
homenagearem uma outra mulher do cinema brasileiro. A escolha pode ser de
qualquer época e de qualquer área. Tem alguma mulher do cinema brasileiro que
você admira? Que você gostaria de citar? Rosanne
Holland: Eu admiro muito a Cláudia
Abreu, tanto no cinema quanto na tv. Desde a
minha adolescência que a admiro muito. Mulheres:
Você está envolvida em algum outro projeto? Rosanne
Holland: É, eu tenho alguns
projetos não fechados ainda, tenho algumas possibilidades. Mulheres:
Em cinema,, tv ou teatro? Rosanne
Holland:
É cinema. Tem alguma coisa de tv também, mas está tudo no ar ainda. Não
fechei nada ainda. Mulheres: obrigado pela entrevista.
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