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Sala Adriana Prieto A Sala Adriana Prieto é reservada para registros e resenhas. O que se verá aqui são registros e resenhas a partir do trabalho das mulheres, mais especificamente sobre as atrizes e cineastas. A sala abrirá espaço também para eventos realizados por mulheres e para aqueles em que elas têm representatividade. A cada atualização, o registro anterior vai para o arquivo e poderá ser acessado tanto pelo índice como pelo arquivo geral - os links estão ao pé desta página. **************** A CIDADE É UMA SÓ?, DE ADIRLEY QUEIRÓS, GANHA O PRÊMIO AURORA
Foto: Adirley Queirós e equipe recebem o Prêmio da Crítica na Mostra Aurora
Chegou ao final a 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes, pelo menos com uma unanimidade no Prêmio Aurora concedido pela crítica, já que foi filme também ovacionado pelo público: A Cidade é uma só?, de Adirley Queirós. Ao mirar seu foco para Ceilândia, no Distrito Federal, o cineasta trouxe para a tela uma periferia dura, mas por onde também transitam conscientização política e ternura, valendo-se de personagens irresistíveis. A Mostra Aurora, voltada para primeiros e segundos longas de diretores, contava ainda com filmes que não fariam feio se tivessem ganhado o prêmio. E aí estou falando sobretudo de As Horas Vulgares, de Rodrigo de Oliveira e Vitor Graize, e Strovengah – Amor Torto, de André Sampaio. Quanto ao Júri Popular, mais uma vez é consagrado um filme exibido na praça, dessa vez consagrando o doc em longa O Mineiro e o Queijo, de Helvécio Ratton. Como o recorte do Mulheres do Cinema Brasileiro é, pelo menos atualmente, voltado ao formato longa-metragem, as exibições dos filmes em curta não foram acompanhados. Segundo a organização, a 15a Mostra de Cinema de Tiradentes teve um público estimado em cerca de 35 mil pessoas. Abaixo, os filmes premiados: Júri da Crítica Júri Popular
***************** COBERTURA PARTE 8 MOSTRA AURORA EXIBE MAIS DOIS GRANDES FILMES
Foto: A Cidade é uma só?, de Adirley Queirós
Depois de As Horas Vulgares, de Rodrigo de Oliveira e Vitor Graize, a Mostra Aurora exibiu mais dos grandes filmes na noite de sexta-feira: Strovengah – Amor Torto, de André Sampaio, e A Cidade é uma só?, de Adirley Queirós. Strovengah – Amor Torto traz para as telas argumento original do cineasta Luiz Paulino dos Santos – objeto de doc de Sampaio em O Estafeta - escrito há cerca de 30 anos. Em uma floresta, um escritor e sua mulher dividem o cotidiano com bonecos que representam personagens da vida real dele e com habitantes do entorno, como os caseiros evangélicos, um pastor, um louco e seu pai. Muito bem dirigido, o filme se vale principalmente pela presença forte de Otoniel Serra, ator ícone do Cinema Marginal, e da entrega absoluta da atriz Rose Abdallah, estupenda em cena – caso tivesse o prêmio de Melhor Atriz, ela e Denise Fraga – por Hoje, de Tata Amaral -, disputariam a estatueta em pé de igualdade. Já A Cidade é uma só?, de Adirley Queiróz, foi ovacionado pelo público e com justíssima razão: é filme absolutamente sensacional. O cineasta focalizou a comunidade de Ceilândia, na periferia do Distrito Federal, trazendo para a cena personagens irresistíveis: uma cantora que participou do jingle da campanha que transferiu moradores do Distrito Federal para a periferia nos anos 1960 prometendo mundo e fundos, mas sem cumprir a promessa e transformando a Ceilândia em geografia comum no noticiário da violência e da pobreza; um faxineiro candidato às eleições distritais que tenta no corpo a corpo vencer seu objetivo em campanha política artesanal e sem recursos; e seu cunhado que o acompanha na campanha e está em busca de um imóvel para comprar na região. Como em outros momentos, como as exibições de As Hiper Mulheres, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikiro, e O Homem que não Dormia, de Edgar Navarro, A Cidade é uma só? Iluminou mais uma vez a tela do Cine-Tenda nesta 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Durante o dia, o debate sobre o do doc O Entorno da Beleza, de Dácia Ibiapina, e a mesa Panorama Crítico da Crítica – Edição 2 movimentaram as discussões.
***************** COBERTURA PARTE 7 O HOMEM QUE NÃO DORMIA, DE EDGAR NAVARRO, ILUMINA A
Foto: Edgar Navarro recebe placa de participação na 15a Mostra de Cinema de Tiradentes
A noite de quinta-feira na 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes foi um dos momentos máximos da programação. Isso porque o Cine-Tenda exibiu para uma plateia lotada o último filme do cineasta baiano, Edgar Navarro, O Homem que não dormia. Sensacional! O adjetivo superlativo cabe como uma luva para esse petardo delicioso de Navarro, que o coloca anos-luz a frente de muitas gentes do cinema brasileiro atual - sobretudo no chamado novíssimo cinema brasileiro - que quer ser moderna, mas cujo status quo fica apenas no discurso. Aliando com maestria o arcaico e o moderno, Navarro faz puro cinema com seus personagens que trafegam em geografia de danação. E que personagens! E que elenco! Em sua trajetória, o cinema brasileiro seduz pela cartela múltipla de realizadores e olhares, mas é assistindo a filmes como O Homem que não dormia que fica nítido o quanto muitos que se autoproclamam os reis da cocada preta precisam comer muito feijão quando se vê uma força telúrica do porte do cinema navarriano, maravilhosamente encarnado nesse seu novo trabalho – crítica em breve. Já o documentário HU, de Pedro Urano e Joana Traub Cseko, ainda que cresça em sua parte final e tenha alguns bons momentos - como nas falas da professora de arquitetura -, propõe montagem a la Eisenstein, com cenas interligadas por símbolos/metáforas que ligam umas às outras, mas cujo resultado faz incômodo crescente a cada vez que o recurso irrompe na tela. Algumas discussões interessantes marcaram a mesma quinta durante o dia. No Encontro com a Crítica, Diretor e público, a equipe de Corpo Presente – formada pelos diretores Marcelo Toledo e Paolo Gregori, e os atores Raissa Gregori e Marat Descartes – mais o crítico Paulo Santos Lima e o mediador Francisco César Filho discutiram e apresentaram o filme ao público. Como o próprio título aponta, permeou as discussões a questão das linguagens do corpo presentes no filme, e a incorporação delas pelos atores. Falou-se muito também da utilização e representação da cidade de São Paulo como geografia de circulação e espelhamento/opressão daqueles corpos e daqueles personagens. Como o cineasta Carlos Reinchenbach é um dos cineastas que mais assinaram uma estética personalíssima ao focalizar a cidade, seu nome veio à mesa de imediato. Toledo e Gregori disseram que é mesmo impossível não pensar no cineasta quando se filma a cidade, mas que o registro que eles perseguem é outro. A identificação é porque a objeto é similar, mas que o cinema que eles praticam não é o de uma continuidade do cinema de Carlão: “não somos um novo Carlos Reichenbach”, assinalaram. Outra mesa de debates que movimentou o Centro Cultural Yves Alves, onde funciona o Cine-Tenda, um dos espaços da Mostra, foi a mesa Panorama Crítico da Crítica – edição 1. Luiz Carlos Merten, Eduardo Escorel e Fábio Andrade, mediados por Francis Vogner dos Reis, discutiram o papel da crítica atual, notadamente marcada pelo recorte digital. Ainda que o foco de discussão tenha se perdido um pouco lá pelas tantas, foi interessante ouvir críticos de diferentes linhagens e modelos falarem sobre si e sobre seu ofício, sobretudo as colocações um tanto apocalípticas, mas sempre com elegância e sobriedade, de Eduardo Escorel.
A 15a Mostra de Cinema de Tiradentes focaliza o cinema brasileiro contemporâneo e tem como tema O Ator em Expansão. Produzida pela Universo Produção - Raquel Hallak, Fernanda Hallak e Quintino Vargas -, a Mostra de Tiradentes vai exibir durante esse período, gratuitamente, 116 filmes - 31 longas, 1 média e 84 curtas. A programação apresenta ainda o 15o Seminário de Cinema Brasileiro, formado por 19 encontros da crítica, diretor e público, mais sete debates temáticos. Haverá também atividades como Mostrinha de Cinema, oficinas, exposição, shows, lançamentos de livros e cortejo de arte. Todas as atrações acontecerão no Cine-Tenda, Cine-Praça e no Cine-Teatro.
***************** COBERTURA PARTE 6 MOSTRA AURORA EXIBE CORPO PRESENTE
Foto: equipe do filme Corpo Presente - ator Marat Descartes lê manifesto contra a repressão policial na desocupação de Pinheirinho, em São Paulo. Crédito: Daniel Iglesias/Universo Produção
O sexto dia da 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes abriu com o Encontro com a Crítica, Diretor e Público sobre o filme As Horas Vulgares, de Rodrigo de Oliveira e Vitor Graize, e reuniu os cineastas, os atores Rômulo Braga e Tayana Dantas, e o crítico César Guimarães mediado por Francisco Cesar Filho. César Guimarães fez interessante leitura sobre a busca do sagrado e a impossibilidade dele a partir da composição da trama e dos personagens. E ainda que tenha registrado sobre a presença da libido em cena, a forte sexualidade que permeia a relação daquela turma de amigo não foi explorada no debate. Da plateia, o professor Denilson Lopes colocou seu incômodo com alguns diálogos, que para ele transitam em esfera do discurso e de frases Freitas, mas já o crítico Francis Vogner ressaltou que viu muito positivamente esse risco assumido pelos cineastas, uma vez que muitos realizadores tentam resolver em imagens o que não conta no uso da palavra. Se no dia anterior, a entrevista feita foi com a cineasta Claudia Priscila, que dirigiu o doc Olhe para mim de novo com Kiko Goifman – também seu marido -, na tarde dessa terça foi a vez de conversar com a jovem atriz Tayana Dantas, uma das expressivas atrizes de As Horas Vulgares. À noite, Corpo Presente foi o terceiro filme apresentado na Mostra Aurora. Dirigido por Marcelo Toledo e Paolo Gregori, o filme coloca em cena três personagens que transitam em chave de marginalidade existencial por uma São Paulo como metrópole impiedosa e massacrante. Marat Descarts, como um funcionário de uma funerária viciado em drogas sintéticas, Raissa Gregori como uma operária de fábrica e mãe solteira, e Simone Iliescu como uma dançarina de inferninho que também trabalha como manicure e como prostituta compõem uma aquarela sombria, em filme que ainda conta com participação singularíssimas, como David Cardoso, Alfredo Sternhein, Neide Ribeiro, Selma Egrei e Darlene Glória – crítica em breve. Na abertura de apresentação do filme pela equipe, Marat Descartes leu manifesto contra a repressão policial na desocupação em Pinheirinho, em São Paulo.
A 15a Mostra de Cinema de Tiradentes focaliza o cinema brasileiro contemporâneo e tem como tema O Ator em Expansão. Produzida pela Universo Produção - Raquel Hallak, Fernanda Hallak e Quintino Vargas -, a Mostra de Tiradentes vai exibir durante esse período, gratuitamente, 116 filmes - 31 longas, 1 média e 84 curtas. A programação apresenta ainda o 15o Seminário de Cinema Brasileiro, formado por 19 encontros da crítica, diretor e público, mais sete debates temáticos. Haverá também atividades como Mostrinha de Cinema, oficinas, exposição, shows, lançamentos de livros e cortejo de arte. Todas as atrações acontecerão no Cine-Tenda, Cine-Praça e no Cine-Teatro.
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COBERTURA PARTE 5 AS HORAS VULGARES JÁ É DESTAQUE NA MOSTRA AURORA
Foto: Entrega de placa "As Horas Vulgares"
A terça-feira foi de muitas atividades na programação da 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Ao longo do dia, foi uma agenda ampla, com seminários, lançamento da Carta de Tiradentes e lançamento de livros. A mesa de Encontro com a Crítica, diretor e público do filme Balança mas não cai reuniu o cineasta Leonardo Barcelos, o roteirista Sérgio Borges, a montadora Marina Meliande e o crítico/pesquisador Ataídes Braga, mediada por Francisco César Filho. Alguns filmes, quando vistos em uma noite e debatidos no outro, crescem em perspectiva, já que esses encontros costumam revelar pensamentos e análises interessantes sobre o visto, aumentando nosso repertório e desafiando nossa percepção. Só que esse não foi o caso, de jeito nenhum, o que aconteceu com o filme Balança mas não cai. Vale dizer que não foi por causa da reflexão crítica proposta sobre ele, mas sim sobre uma certa de falta de norte que o realizador evidenciou na condução de seu filme. Mais de uma vez falou-se sobre “coisas soltas”, “cenas soltas”, e a ideia que pairou, sobretudo, foi a de uma frouxidão, inclusive, na proposição de apresentação do filme. Se o debate de Balança mas não cai frustrou, o mesmo não aconteceu com a mesa que discutiu o tema "O Curta na Era Digital", e que reuniu os cineastas Cavi Borges e Eduardo Valente – que foi curador de curtas da Mostra entre 2007 e 2011 -, o Presidente da Associação Curta Minas Marco Aurélio Ribeiro, e o Curador do Festival Internacional de Curtas de São Paulo, mediada pelo crítico Cássio Starling Carlos. Eduardo Valente colocou em cheque o tema, pois não acredita mais na denominação “o curta na era digital”, pois já estamos nela e ela veio para ficar. Não comporta mais um recorte de tempo específico. Já Cavi Borges roubou a cena com seu modelo personalíssimo de trabalhar o cinema em várias frentes, seja na Cavídeo, locadora cultuada no Rio de Janeiro, seja como produtor de cinema, seja como entende a forma de inserir o cinema no mercado, cabendo aí tanto o diálogo com camelôs de filmes piratas, seja como venda dos vídeos de seus filmes de forma direta. A participação de Cavi foi engraçadíssima, sem deixar de propor reflexões interessantes sobre esse novo mercado digital. Ainda na agenda da tarde de terça-feira, Francisco César filho, Raquel Hallak e outros representantes do Fórum dos Festivais leram a "Carta de Tiradentes", nomeada “Pela diversidade e fortalecimento do circuito dos festivais”. A Carta propõe algumas diretrizes para 2012, sendo duas delas a de reivindicar e acompanhar do PRONAF – Programa Nacional de Apoio aos Festivais, junto ao MINC/SAV, e a de avaliar os impactos da LDO 2011 e acompanhar a formulação e tramitação da LDO 2012. Um dado interessante discutido no encontro é a retração dos festivais de cinema no país e de cinema brasileiro no exterior, já que de 265 festivais o número caiu no último ano para 239. Segundo o Fórum, esses festivais movimentam um público em torno de 3 milhões e precisam ser quantificados pelo poder público. Para fechar o dia, foram lançados o Dicionário de Filmes Brasileiros – Curta e média-metragem, do pesquisador Antonio Leão da Silva Neto; o Catálogo da Programadora Brasil; uma edição especial da Filme Cultura dedicada ao cineasta, recentemente falecido, Gustavo Dahl; e o livro “Cinema sem Fronteiras – 15 anos da Mostra de Cinema de Tiradentes Reflexões sobre o Cinema Brasileiro – 1998-2012, da Universo Produção. À noite foi a vez de conferir mais um título da Mostra Aurora, que dessa vez apresentou um filme de múltiplas leituras interessantes e pertinentes: As Horas Vulgares, de Rodrigo de Oliveira e Vitor Graize. O filme é uma boa surpresa produzida no Espírito Santo, que depois de uma tentativa de implantação de um polo de cinema na década de 1990, do qual surgiram filmes como Vagas para Moças de Fina Trato (1993), de Paulo Thiago, viu sua produção de longas desaparecer.
A 15a Mostra de Cinema de Tiradentes focaliza o cinema brasileiro contemporâneo e tem como tema O Ator em Expansão. Produzida pela Universo Produção - Raquel Hallak, Fernanda Hallak e Quintino Vargas -, a Mostra de Tiradentes vai exibir durante esse período, gratuitamente, 116 filmes - 31 longas, 1 média e 84 curtas. A programação apresenta ainda o 15o Seminário de Cinema Brasileiro, formado por 19 encontros da crítica, diretor e público, mais sete debates temáticos. Haverá também atividades como Mostrinha de Cinema, oficinas, exposição, shows, lançamentos de livros e cortejo de arte. Todas as atrações acontecerão no Cine-Tenda, Cine-Praça e no Cine-Teatro.
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COBERTURA PARTE 4 COMEÇOU A MOSTRA AURORA
Foto: sessão de exibição de Balança mas não cai na abertura da Mostra Aurora
A Mostra Aurora é um recorte dentro da Mostra de Cinema de Tiradentes que contempla primeiros e segundos filmes, e que, além disso, é a única competitiva em longas dentro da vasta programação – fora os premiados pelo Júri Popular. Ontem o público conferiu Balança mas não cai, documentário de Leonardo Barcelos, da produtora Teia. Como muitos outros docs feitos atualmente, o filme flerta também com a ficção, inserindo em seu bojo cenas encenadas e ficcionais. Balança mas não cai é um prédio famoso em Belo Horizonte, pois ficou abandonado por mais de 20 anos e está localizado em pleno centro nervoso da capital. Com sua presença fantasmagórica, sempre marcou o espaço urbano, despertando curiosidade e assombro. O filme se detém muito menos em documentar seu objeto e mais em criar e recriar tempos de memória e atmosferas, em que o pretendido parece nunca ser alcançado, esvaziando o interesse – crítica em breve. Se a abertura da Mostra Aurora, que até o final da Mostra vai exibir mais quatro filmes, à noite frustrou algumas expectativas, o mesmo não pode ser dito em relação aos seminários debates que ocuparam o Cine-Teatro ao longo do dia. As Hiper Mulheres reuniu um dos diretores do filme, Leonardo Sette, e o crítico Leandro Saraiva em mesa mediada por Francisco César Filho, também mediador dos outros encontros na sequência. As Hiper Mulheres, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro, é, desde já, um dos grandes momentos dessa 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes, e a possibilidade de ouvir o realizador fazer suas considerações sobre o filme enriqueceu ainda mais o visto, como por exemplo o fato de que eles mesmos nem sabiam se o projeto resultaria em um longa; que não sabiam nem mesmo se o ritual da Hiper Mulheres, festa que não acontecia na aldeia há duas décadas ia realmente se efetivar, em função da grande movimentação que teria que se organizar para isso. Vendo o magnífico resultado nas telas, em que As Hiper Mulheres se revela um verdadeira épico, é muito impressionante saber sobre esses acontecimentos de bastidores. A mesa de Girimunho também foi interessante pela inteligência da abordagem do crítico convidado, Luiz Carlos Oliveira Jr, e da presença majestosa de Bastu, a protagonista do filme, que respondeu sobre a recepção do filme em seu meio: “teve gente que gostou do filme, teve gente que não gostou. Mas não tô nem aí”. A mesa de Girimunho reuniu grande equipe do filme, com a presença, dentre outros, dos diretores Hélvécio Marins e Clarissa Campolina, o roteirista Felipe Bragança, a montadora Marina Meliande, e das atrizes Branca e Izadora Fernandes. Por fim, Olhe para mim de novo, de Cláudia Priscila e Kiko Goifmann, foi o terceiro debate assistido, em que foi comentado não só sobre a produção, mas sobre a polêmica recepção ao filme em outro debate, mas esse acontecido no Festival de Gramado no ano passado, em que alguns ficaram incomodados com a postura machista do personagem do filme, o transexual masculino Syllvio Luccio. Goifman foi perfeito em sua defesa ao dizer que história é essa de que um transexual tem que ser bonzinho, leve e politicamente correto? Nesta segunda-feira, foi momento também de fazer entrevista com a atriz Izadora Fernandes, protagonista feminina do filme Mutum e que faz participação em Girimunho, e colher depoimento do jornalista Daniel Schenker.
A 15a Mostra de Cinema de Tiradentes focaliza o cinema brasileiro contemporâneo e tem como tema O Ator em Expansão. Produzida pela Universo Produção - Raquel Hallak, Fernanda Hallak e Quintino Vargas -, a Mostra de Tiradentes vai exibir durante esse período, gratuitamente, 116 filmes - 31 longas, 1 média e 84 curtas. A programação apresenta ainda o 15o Seminário de Cinema Brasileiro, formado por 19 encontros da crítica, diretor e público, mais sete debates temáticos. Haverá também atividades como Mostrinha de Cinema, oficinas, exposição, shows, lançamentos de livros e cortejo de arte. Todas as atrações acontecerão no Cine-Tenda, Cine-Praça e no Cine-Teatro.
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COBERTURA PARTE 3
VOU RIFAR MEU CORAÇÃO E HOJE NA MESA DE DEBATES, E EXIBIÇÕES DE OLHE PARA MIM DE NOVO, AS HIPER MULHERES E GIRIMUNHO
Foto: Encontro com a Crítica, Diretor e Público
Neste domingo, foi a vez de conferir dois debates, fazer três entrevistas e assistir três filmes. O Seminário Encontro com a Crítica, Diretor e Público abriu sua temporada na 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes com os a equipe dos filmes Vou Rifar meu Coração e Hoje. A mesa de Vou Rifar meu Coração reuniu a diretora Ana Riper, a produtora Suzana Amado e o Crítico Heitor Augusto, com mediação de Francisco César Filho, o Chiquinho. Heitor Augusto, que é crítico de cinema e de música, fez ótimas considerações sobre o filme e uma delas revelou esclarecimento importante, que é sobre a quase total falta de mulheres entre os artistas elencados, já que temos nomes como Diana e Carmen Silva, que são totalmente identificadas com o gênero música romântica popular – e que a nova onda chama de música brega. Ana Rieper respondeu dizendo que ter a Diana no filme era grande desejo, pois além de gostar da cantora a considera de grande importância para aquele recorte de Vou Rifar meu Coração. Daí contou que teve várias conversas com a Diana – relembrando que ela e Odair José, que está no filme, foram casados e hoje não se bicam de jeito nenhum -, vários encontros com ela, mas que na última hora a cantora resolveu que para participar deveria ser paga em 25 mil reais. E que por isso ficou de fora. Questionada se o fato do público rir de muitas pessoas que estão no filme não iria contra a um filme que se apresenta como a lançar um olhar respeitoso para aquele universo, a diretora explicou que não entende porque as pessoas acham tanta graça, como, por exemplo, no personagem que tem duas mulheres. Disse que teve muita dificuldade com ele e que chegou a pensar em não deixa-lo no filme, mas resolveu por fim não julgar. E que essa reação da plateia era, enfim, um caso da esfera da recepção. A mesa sobre o filme Hoje reuniu a diretora Tata Amaral, o roteirista Jea-Claude Bernardet, a atriz Claudia Assunção e o crítico José Geraldo Couto, com mediação também de Francisco César Filho. José Geraldo Couto fez interessante link entre Hoje e o primeiro filme da cineasta, Um Céu de Estrelas, sobre os personagens masculinos de ambos tentarem bloquear o desejo feminino de procurar novos caminhos, provocando interessante reflexão de Bernardet. Roteirista citou uma cena forte de Hoje em que o personagem masculino sangra seu rosto com uma faca e que quando foi rever Um Céu de Estrelas viu que lá a personagem feminina encostava a faca no rosto do parceiro, mas não cortava. E daí ele se deu conta de que foi preciso mais de 15 anos para aquela bochecha sangrasse. Ainda à tarde foi a vez de fazer mais três entrevistas para o Mulheres, com a produtora Suzana Amado e as cineastas Ana Rieper e Tata Amaral. Os filmes assistidos foram Olhe para mim de novo, de Cláudia Priscilla e Kiko Goifman; As Hiper Mulheres, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kukuro; e Girimunho, de Helvécio Marins e Clarissa Campolina. Essa programação de ontem foi realmente especial, pois são três filmes de grande impacto: Olhe para mim de novo pelo tema de alta combustão; As Hiper Mulheres pela beleza de um verdadeiro épico; e Girimunho pela sintonia entre estética e conteúdo – em breve, críticas do filme.
A 15a Mostra de Cinema de Tiradentes focaliza o cinema brasileiro contemporâneo e tem como tema O Ator em Expansão. Produzida pela Universo Produção - Raquel Hallak, Fernanda Hallak e Quintino Vargas -, a Mostra de Tiradentes vai exibir durante esse período, gratuitamente, 116 filmes - 31 longas, 1 média e 84 curtas. A programação apresenta ainda o 15o Seminário de Cinema Brasileiro, formado por 19 encontros da crítica, diretor e público, mais sete debates temáticos. Haverá também atividades como Mostrinha de Cinema, oficinas, exposição, shows, lançamentos de livros e cortejo de arte. Todas as atrações acontecerão no Cine-Tenda, Cine-Praça e no Cine-Teatro.
********************** COBERTURA PARTE 2
NO SEGUNDO DIA DA MOSTRA, SEMINÁRIOS DEBATES SOBRE O ATOR E EXIBIÇÃO DE "VOU RIFAR MEU CORAÇÃO" e "HOJE"
Mesa: O "O Ator em Expansão"
A 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes iniciou ontem a dinâmica que a caracteriza e a diferencia, que é uma agenda de programação de seminários debates e exibições de filmes aliados a, posteriormente, encontros que reúnem diretores e elencos, crítica e público. O ofício do ator esteve no centro das discussões de duas mesas: a primeira, "O Ator em Expansão" – tema geral da Mostra, que reuniu os atores Karine Teles, Marat Descartes e Irandhir Santos, com medição de Pedro Maciel Guimarães; a segunda, A Política do Ator no Percurso de Selton Mello, com Selton, o diretor José Eduardo Belmonte e a produtora Vânia Catani, mediados por Denilson Lopes. Na primeira, o tema quente foi a questão dos preparadores de elenco. Karine Teles, protagonista premiada do ótimo Riscado, de Gustavo Pizzi, disse que nunca passou pela experiência, mas que não deixa de ver um certo estranhamento na utilização do recurso. Disse que o ator tem seus recursos e sua inteligência para chegar ao personagem sem ter que passar necessariamente pelas mãos de um preparador. Disse que esse recurso é muito utilizado com não-atores, mas fica pé da vida com esse tipo de escalação: “Tem tanto ator! Chama a gente”, indignou-se divertida, arrancando risos da plateia. Marat Descartes, protagonista de Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi, foi mais contundente. Disse que há uma certa moda no expediente, e que acha a preparação válida quando realmente é necessária. : “não vejo sentido ficar me arrastando pelo chão feito verme, levando porrada”. Já Irandhir Santos contemporizou, dizendo que há pontos negativos e positivos, quejá passou por esses processos, como em Tropa de Elite 2, de José Padilha, e foi interessante. O assunto Preparador de elenco voltou à tona na segunda mesa, e Selton Mello foi enfático ao falar da relação entre diretores e atores: “eu posso contar nos dedos de uma mão o número de diretores que sabem lidar com ator. Eles não fazem a mínima ideia do que é um ator”. Vânia Catani disse que até agora só trabalhou com diretores que gostam de trabalhar com ator, e citou Belmonte: “o barato dele mesmo era estar com os atores, não era quando tínhamos que tratar de outros assuntos”. Selton Mello divertiu a plateia quando perguntado se tinha interesse em fazer carreira internacional. Falou que tem vontade sim, pois sua formação, inclusive, foi vendo filmes de Hollywood, mas que não tem o pique de Rodrigo Santoro. Que admira muito o colega pela persistência, que faz vários testes e se dedica a essa carreira internacional e que está conseguindo ótimos resultados. Daí fez confidência, pois não tinha contado nem para a sua produtora Vânia Catani, na mesa, que foi convidado pela produção do Star Trek, que eles gostavam do trabalho dele e queria tê-lo no elenco. Só que a única rubrica sobre seu personagem é que ele estaria na nave. Disse que é a forma como eles trabalham, que só depois de topar é que eles abrem mais sobre o projeto, mas que resolveu não aceitar não. Que era bem capaz de ao vestir a roupa, ficar lá na nave deprimido. Claro, a plateia riu muito da história. Ainda à tarde, foi a vez de fazer entrevista com a atriz Karine Teles, que falou sobre sua trajetória artística, com informações sobre sua experiência como assistente de Karim Ainouz, a participação na produção estrangeira que viria desaguar no roteiro de Riscado, e outras coisas mais - em breve aqui no Mulheres. À noite foi a vez de conferir dois filmes: Vou rifar meu coração, de Ana Rieper, e Hoje, de Tata Amaral. Eu Vou Rifar meu Coração é documentário que mira seu foco na música popular, cunhada de forma pejorativa, não pelo filme, como música brega. É filme interessante, quente, mas com alguns resultados de montagem que podem cair em armadilhas. O universo é tão atraente que o diálogo se estabelece de imediato, ainda que risadas insistentes diante do mostrado cause desconforto – crítica em breve. Já Hoje é um trabalho de altíssima maturidade de Tata Amaral, desde sempre uma das maiores diretoras brasileiras. O filme mira seu foco na personagem de Denise Fraga, soberba, em rito de passagem marcado por culpa e memória, em trama que traz para a cena o universo em suspensão dos desaparecidos políticos da ditadura militar e daquele que sobreviveram marcados por essa tragédia – crítica em breve
A 15a Mostra de Cinema de Tiradentes focaliza o cinema brasileiro contemporâneo e tem como tema O Ator em Expansão. Produzida pela Universo Produção - Raquel Hallak, Fernanda Hallak e Quintino Vargas -, a Mostra de Tiradentes vai exibir durante esse período, gratuitamente, 116 filmes - 31 longas, 1 média e 84 curtas. A programação apresenta ainda o 15o Seminário de Cinema Brasileiro, formado por 19 encontros da crítica, diretor e público, mais sete debates temáticos. Haverá também atividades como Mostrinha de Cinema, oficinas, exposição, shows, lançamentos de livros e cortejo de arte. Todas as atrações acontecerão no Cine-Tenda, Cine-Praça e no Cine-Teatro.
********************** COBERTURA PARTE 1 PRE-ESTREIA DE "BILLI PIG", DE JOSÉ EDUARDO BELMONTE, MARCA ABERTURA DA 15ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES
Foto: Selton Mello se emociona na aberta da Mostra -
Foto: Raquel Hallak mostra publicação -
A emoção marcou o discurso de agradecimento de Selton Mello, o grande homenageado da 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes, na noite de abertura ontem à noite. O ator subiu ao palco duas veze. A primeira para receber seu troféu Barroco de homenageado, ao lado de Vãnia Catani, produtora de seus dois filmes como cineasta, Feliz Natal e O Palhaço, o roteirista Marcelo Vindicattoe Manoel Rangel , da Ancine A segunda vez foi como um dos protagonistas do novo filme de José Eduardo Belmonte, Billi Pig. Ao seu lado, estavam também o cineasta, os atores Grazi Massafera - que causou furou na plateia com o marido Cauã Reymond - Milton Gonçalves, Murilo Grossi e, mais uma vez Vânia Catani. Com 38 de anos de idade, e já com 30 de carreira, Selton disse que o que faz como ator tem origem na infância, que era usar a imaginação para alargar a vida. Com dificuldade de falar por causa do choro, disse que o vídeo que tinha acabado de ser exibido, produzido pela Universo e com vários personagens de sua carreira, tinha lhe quebrado ao meio. Lembrou-se ainda da outra vez que tinha estado na Mostra com Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho, filme divisor de águas em sua vida. A emoção também já tinha marcado anteriormente o discurso de abertura oficial da organizadora da Mostra, Raquel Hallak, que fez pronuncimento duro sobre o processo penoso de captação de patrocínio mesmo depois de 15 anos da Mostra e ao anunciar a publicação do livro, com recursos próprios, Cinema Sem Fronteiras, 15 Anos da Mostra de Cinema de Tiradentes – Reflexões sobre o Cinema Brasileiro 1998-2012. Anunciou ainda abertura de uma sala de cinema em Tiradentes, que ainda que sedie a Mostra há 15 anos não contava uma, em parceria com o Sistema SESI/FIEMG e a ser instalada no Centro Cultural Yves Alves. Coube ao músico mineiro Marcus Vianna fazer a apresentação artística da abertura conduzida com elegãncia pela jornalista Daniela Zuppo. Na sequência, o cinema lotado recebeu a pre-estreia de Billi Pig, em que Belmonte, conhecido por filmes radicais como A Concepção e o belíssimo Meu Mundo em Perigo, apostou, segundo a produção, na chamada terceira via do cinema, que é a de fazer filmes comerciais mais elaborados - prática muito adotada na história do cinema brasileiro, mas que ultimamente anda, em grande medida, marcada por filmes comerciais de apelo fácil de um lado e autorais de outro. A comédia anárquica Billi Pig se sustenta basicamente no ótimo elenco, sobretudo Milton Gonçalves que está sensacional como um falso padre milagreiro. E além de Selton Mello, tem atuações bacanas de Grazi Massafera e de Murilo Grossi - publicação de crítica do filme em breve. A 15a Mostra de Cinema de Tiradentes focaliza o cinema brasileiro contemporâneo e tem como tema O Ator em Expansão. Produzida pela Universo Produção - Raquel Hallak, Fernanda Hallak e Quintino Vargas -, a Mostra de Tiradentes vai exibir durante esse período, gratuitamente, 116 filmes - 31 longas, 1 média e 84 curtas. A programação apresenta ainda o 15o Seminário de Cinema Brasileiro, formado por 19 encontros da crítica, diretor e público, mais sete debates temáticos. Haverá também atividades como Mostrinha de Cinema, oficinas, exposição, shows, lançamentos de livros e cortejo de arte. Todas as atrações acontecerão no Cine-Tenda, Cine-Praça e no Cine-Teatro. Leia também: 15a Mostra de Cinema de Tiradentes
Durante a Mostra, o Site Mulheres do Cinema Brasileiro fará a cobertura completa. Acompanhe aqui. ********************************************************* Programação completa 15 a Mostra de Cinema de Tiradentes: **********************************************************
Informações pelo telefone: (31) 3282-2366 - com Débora Lucas Assessoria de Imprensa: Universo Produção – imprensa@universoproducao.com.br
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