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Sala Adriana Prieto
A Sala Adriana
Prieto é reservada para registros e resenhas. O que se verá
aqui são registros e resenhas a partir do trabalho das mulheres,
mais especificamente sobre as atrizes e cineastas. A sala abrirá
espaço também para eventos realizados por mulheres. A cada
atualização, o registro anterior vai para o arquivo e poderá
ser acessado tanto pelo índice como pelo arquivo geral - os links
estão ao pé desta página.
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Cinema
e Literatura
Escritoras nas telas

Foto:
Marcélia Cartaxo em cena de "A Hora da Estrela" (1985)
de Suzana Amaral
Eu
tenho um quadro semanal na Rádio UFMG Educativa chamado "Cinema
e Literatura", em que faço um mapeamento do escritores que
foram adaptados e/ou que escreveram diretamente para o cinema. Abaixo,
uma seleção das escritoras já contempladas pelo quadro:
Adriana
Falcão
A carioca Adriana Falcão é nome de destaque na renovação
da literatura brasileira. Com formação em Arquitetura, Adriana
Falcão é romancista, cronista e roteirista de cinema. Em
1999 publicou “A Máquina”, obra que chamou atenção
para seu nome e foi adaptada para o teatro. A peça, dirigida pelo
marido da escritora, João Falcão, fez sucesso e destacou
atores como Wagner Moura e Lazaro Ramos. Os livros seguintes, o infantil
“Mania de Explicação”, em 2001, e o juvenil “Luna Clara
e Apolo Onze”, em 2002, confirmaram o talento da escritora. Adriana Falcão
escreveu trabalhos para a televisão, em episódios de seriados
importantes como “Comédia da Vida Privada” e “A Grande Família”.
Depois do teatro, João Falcão levou “A Máquina” também
para o cinema em 2006. Protagonizado por Gustavo Falcão, Mariana
Ximenes e Paulo Autran, o filme foi o vencedor do Júri Popular
no Festival do Rio.
Cassandra Rios
A paulista Cassandra Rios foi uma escritora polêmica e recordista
de vendas nos anos 1960 e 70. Cassandra Rios escreveu o primeiro livro
aos 16 anos, “Volúpia do Pecado”, publicado em 1948. Suas tramas
picantes focalizavam histórias com muito sexo, muitos deles envolvendo
homossexualismo feminino. A escritora foi muito censurada pelo regime
militar e incomodou a igreja e as famílias conservadoras. Dentre
seus livros estão “A Tara”, “Carne Em Delírio”, “Tessa,
a Gata” e “Crime de Honra”. Em 1980, o romance “A Paranóica” foi
levado ás telas com o título de “Ariella”. Dirigido por
John Herbert, o filme conta a história de uma garota que descobre
a sexualidade e trama uma vingança contra sua família. O
filme projetou sua protagonista, a atriz Nicole Puzzi, como uma das grandes
musas do cinema nacional. “Ariella” é um dos clássicos da
pornochanchada, produções de filmes eróticos das
décadas de 1970 e 80.
Cecília Meireles
A carioca Cecília Meireles é sinônimo de poesia em
seu mais alto padrão. Desde a estréia em 1919 com o livro
“Espectros”, que a escritora construiu uma obra de puro lirismo e que
marca o imaginário popular brasileiro. Também cronista,
tradutora e autora de peças teatrais, teve sua poesia traduzida
para vários idiomas, como o inglês, o francês, o italiano,
o alemão e o hindu. Autora de grandes livros como “Viagem”, “Vaga
Música” e “Mar Absoluto”, em 1953 escreveu o aclamado “Romanceiro
da Inconfidência”. Esses versos de Cecília Meireles foram
uma das bases para o cineasta Joaquim Pedro de Andrade realizar o filme
“Os Inconfidentes”, duas décadas depois, em 1972. Rodado em Ouro
Preto, o filme focaliza os protagonistas do movimento histórico,
e é o ator José Wilker que interpreta Tiradentes, o mártir
da Inconfidência Mineira.
Clarice Lispector
Clarice Lispector é um caso singular na literatura brasileira.
Dona de uma obra complexa e com alto teor de subjetividade, a escritora
é admirada pela crítica e tem leitores fiéis e apaixonados.
Na década de 1940, escreve seus primeiros contos e também
inicia carreira jornalística. Em 1943 publica seu primeiro romance
“Perto do Coração Selvagem”. Dentre os seus livros estão
os cultuados “A Paixão Segundo G.H.”, em 1964, “Água Viva”,
em 1973, e “A Hora da Estrela”. Publicado em 1977, “A Hora da Estrela”
é um de seus livros mais populares. A personagem central da história
é Macabéa, uma nordestina perdida em meio ao caos urbano.
Em 1985, “A Hora da Estrela” chegou ao cinema e marcou a estréia
da cineasta Suzana Amaral como diretora de longa-metragem e revelou a
atriz Marcélia Cartaxo. Por sua interpretação perfeita
de Macabéa, Marcélia Cartaxo recebeu o prêmio de Melhor
Atriz no Festival de Berlim. O filme tem ainda as marcantes presenças
de José Dumont, Tamara Taxman e Fernanda Montenegro.
Dinah Silveira de Queiróz
A paulista Dinah Silveira de Queiroz é um dos imortais da Academia
Brasileira de Letras. A obra da escritora é formada por romances,
crônicas, contos, artigos e dramaturgia. Durante sua trajetória,
ela recebeu prêmios importantes como o Machado de Assis pelo conjunto
da obra. Dinah Silveira de Queiroz estreou em romance em 1939 com o clássico
“Floradas na Serra”. Outro romance de grande sucesso é “A Muralha”,
publicado em 1954 e transformado décadas depois em minissérie
pela Rede Globo. Mas é “Floradas na Serra” que conquistou o público
com uma história de amor em um asilo de tuberculosos. Adaptado
para o cinema em 1954 pelo diretor Luciano Salce, “Floradas na Serra”
é protagonizado pela grande Dama do Teatro, Cacilda Becker e pelo
saudoso Jardel Filho.
Helena Jobim
A carioca Helena Jobim é um nome destaque na literatura brasileira.
Irmã do mestre Tom Jobim, Helena é romancista e poeta. A
estréia nas letras foi em 1968 com “A Chave do Poço do Abismo”,
em parceria com Vânia Reis. Começava aí uma carreira
literária marcada por livros sensíveis, como os romances
“O Vento da Encantação”, em 1987, e o livro de poesias “Os
Lábios Brancos de Medo”, em 1985. Helena Jobim escreveu também
a consagrada biografia do irmão, “Antonio Carlos Jobim, Um Homem
Iluminado”, em 1992. Entre seus romances está “A Trilogia do Assombro”,
de 1981, prêmio José Lins do Rego. Em 1985 o livro foi adaptado
para o cinema com o nome de “Fonte de Saudade”, dirigido por Marco Altberg.
“Fonte da Saudade” conta a história de três mulheres diferentes
às voltas com sentimentos como angústia e medo de enfrentar
a realidade. As três mulheres são interpretadas pela atriz
Lucélia Santos
Hilda Hilst
A paulista Hilda Hilst é dona de um estilo literário único,
moderno e intenso. Poeta, romancista e dramaturga, Hilda Hilst publicou
os primeiros livros de poesia na década de 1950. As obras são
“Presságio”, em 50, e “Balada de Alzira” em 51. Nos anos 1960 inicia
a publicação de oito peças de teatro, como “A Possessa”
e “O Verdugo”. Dentre seus livros mais famosos estão o primeiro
em prosa “Fluxo-Poema”, em 1970, e “Ficções”, em 1977. “Ficções”
deu a autora o prêmio APCA de melhor livro do ano. Outro destaque
é “Cantares de Perda e Predileção”, em 1983, que
lhe valeu o prêmio Jabuti. É também na década
de 1980 que Hilda Hilst escandaliza com livro de alto cunho erótico
sobre o diário de uma garota, “O Caderno Rosa de Lori Lamby”. O
livro foi adaptado para o teatro com direção de Bete Coelho
e protagonizado pela atriz Iara Jamra. Em 2005, “O Caderno Rosa de Lori
Lamby” chegou ao cinema em curta-metragem dirigido por Sung Sfai, e novamente
com a atriz Iara Jamra no elenco.
Lygia Fagundes Telles (dois quadros)
A paulista Lygia Fagundes Telles é um grande nome da moderna literatura
brasileira. Destaque no conto, sua primeira publicação no
formato foi em 1938, com o livro “Porão e Sobrado”. Nos anos seguintes
publicou livros de contos de muito sucesso como “Praia Viva”, em 1944,,
“O Jardim Selvagem”, em 1965, e “Seminário dos Ratos”, em 1977.
Lygia Fagundes Telles escreveu também grandes romances como “Ciranda
de Pedra”, em 1954, e “As Meninas”, em 1973, que foi adaptado para o cinema
em 1996, com a direção de Emiliano Ribeiro. Na década
de 1960, Lygia Fagundes Telles escreveu com seu marido, o intelectual
Paulo Emílio Salles Gomes um roteiro exclusivo para o cinema. Os
autores adaptaram a história da Capitu de Machado de Assis para
filme dirigido por Paulo César Saraceni em 1968. “Capitu” foi protagonizado
pela atriz Isabella
A paulista Lygia Fagundes Telles foi a vencedora do prêmio Camões
em 2005, o mais importante da literatura em língua portuguesa.
Um dos maiores nomes do conto no país, a escritora encontrou sucesso
de público e de crítica também em romances. Um dos
pontos máximos de sua carreira é o livro “As Meninas”, publicado
em 1973. O romance é uma obra corajosa e brilhante, inspirada na
ditadura do Brasil da época. A adaptação cinematográfica
era um projeto acalentado pelo diretor David Neves, que morreu antes de
concretizá-lo. Em 1995, o livro chegou finalmente ao cinema sob
a direção do cineasta Emiliano Ribeiro. O filme não
dá conta da complexidade do romance, mas é um retrato delicado
sobre as três amigas de internato, protagonizadas por Adriana Esteves,
Drica Moraes e Cláudia Liz.
Rachel
de Queiróz
A cearense Rachel de Queiróz foi a primeira mulher eleita para
a Academia Brasileira de Letras. Jornalista, romancista, dramaturga e
cronista, Rachel de Queiróz começou a escrever na imprensa
aos 19 anos e atua em vários veículos, inclusive na Revista
O Cruzeiro. A escritora estreou como romancista em 1930, com um livro
que já nasceu clássico, “O Quinze”. A história sobre
os dramas dos retirantes durante a seca de 1915, projetou a autora nacionalmente.
Em sua carreira, Rachel de Queiroz ganhou alguns dos prêmios mais
importantes da literatura brasileira e portuguesa, como o Machado de Assis,
o Juca Pato e o Camões. Dentre outros títulos de sucesso
da escritora estão “As Três Marias” e “Memorial de Maria
Moura”, ambos adaptados para a televisão. Outro romance aplaudido
é “Dôra Doralina”, publicado em 1975. O filme conta a história
de uma mulher marcante e foi adaptado para o cinema em 1981. “Dôra
Doralina” foi dirigido por Perry Salles e protagonizado por Vera Fischer.
Agosto/2008
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