Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Nacional

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010 - RUTH DE SOUZA 
12 de maio de 1921, *Rio de Janeiro, RJ


Foto: com Danielle Ornelas (ao fundo) em cena de
"Filhas do Vento" (2005), de Joel Zito Araújo

A mais importante atriz negra brasileira, ao lado de Léa Garcia e Zezé Motta, Ruth de Souza é um dos patrimônios das artes cênicas, com uma carreira importante no teatro, na televisão e no cinema. (até quando teremos que dizer atriz negra, como se fosse necessário dizer atriz branca).

Ruth de Souza estreou nos palcos em 1945 no TEN - Teatro Experimental do Negro, movimento importante na cena nacional, passando também pelo grupo Os Comediantes. Seu primeiro trabalho no cinema se dá três anos depois, no filme `Terra Violenta´, e daí não para mais até o final da década de 70, passando pela Atlântida, pela Vera Cruz e pela Maristela -três companhias de cinema, sendo a primeira carioca e as duas últimas paulistas - e outras produções independentes. Na Vera Cruz, Ruth de Souza integra o elenco fixo da companhia e brilha em quatro filmes, sendo premiada em `Terra é Sempre Terra´, `Angela` e ´Sinhá Moça´. Dos anos 80 em diante, diminuiu o ritmo de trabalho no cinema, intensificando sua atuação em novelas – marcou presença em várias durante a década de 70, sendo a primeira ainda nos anos 60, `A Deusa Vencida’ (1965).

Ruth de Souza empresta a cada personagem que interpreta uma dignidade que é antes de tudo sua, pois conseguiu ter uma trajetória brasileira das mais importantes, haja visto os pequenos papéis que são, frequentemente, reservados para os negros. Por sua comovente interpretação em `Sinhá Moça´, chegou a ser considerada para o prêmio de Melhor Atriz do Festival de Veneza na época, e soma na carreira prêmios importantes como o Saci e o Governador do Estado. Ruth de Souza recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado 2004 - ao lado de Léa Garcia - pelo filme `Filhas do Vento', de Joel Zito Araújo.

 - `Terra Violenta` (1948), de Edmond F. Bernoudy e Paulo Machado;
- `Falta Alguém no Manicômio’ (1948), de José Carlos Burle;
- `Também Somos Irmãos’ (1949), de José Carlos Burle;
- `A Sombra da Outra’ (1950), de Watson Macedo;
- ´Ângela´ (1951), de Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida;
- `Terra é Sempre Terra´(1952), de Tom Payne;
- `Sinhá Moça` (1953), de Tom Payne e Oswaldo Sampaio;
- `Candinho’ (1954), de Abílio Pereira de Almeida;
- `Quem Matou Anabela` (1956), de Dezso Ákos Hamza;
- `Osso, Amor e Papagaios’ (1957), de César Memolo e Carlos Alberto de Souza Barros;
- `Ravina` (1958), de Rubem Biáfora;
- `Fronteiras do Inferno` (1959), de Walter Hugo Khouri;
- `Favela’ (1960), de Armando Bo;
- `Bruma Seca’ (1960), de Mário Civelli;
- `A Morte Comanda o Cangaço` (1961), de Carlos Coimbra e Walter Guimarães Motta;
- `Assalto ao Trem Pagador` (1962), de Roberto Farias;
- `Gimba, Presidente dos Valentes’ (1963), de Flávio Rangel;
- `O Cabeleira’ (1963), de Milton Amaral;
- `As Cariocas’ (1966) – episódio de Roberto Santos;
- `O Homem Nú’ (1968), de Roberto Santos;
- `Um Homem Célebre’ (1974), de Miguel Faria Jr;
- `Pureza Proibida’ (1974), de Alfredo Sternheim;
- `Ana, A Libertina’ (1975), de Alberto Salvá;
- `Quem Matou Pacífico?’ (1977), de Renato Santos Pereira
- `Ladrões de Cinema’ (1977), de Fernando Coni Campos;
- ´Jubiabá` (1987), de Nelson Pereira dos Santos.
- `A Grande Arte’ (1991), de Walter Salles;
- `Boca de Ouro’ (1994), de Walter Avancini;
- `Um Copo de Cólera’ (1999), de Aluísio Abranches;
- `Aleijadinho, Glória e Suplício` (2003), de Geraldo Santos Pereira;
- `Filhas do Vento' (2004), de Joel Zito Araújo.

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