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LEANDRA
LEAL por MURILO SALLES

Foto:
cena de "Nome Próprio" (2007),
de Murilo Salles
Então,
eu quero prestar minha homenagem no site Mulheres do Cinema Brasileiro
para uma grande, fulgurante e brilhante atriz, que se chama Leandra Leal.
Eu
tive três experiências com a Leandra. Primeiro, ela me proporcionou
uma experiência muito única, o belo filme do Walter Lima
Jr, “A Ostra e O Vento”. Aquela menininha lá, dominando um filme
com atores enormes do cinema brasileiro. Um filme maravilhoso, e a Leandra
fazendo um solo sensível e delicado, criança e infantil
entregue aquele filme, já mostrando a atriz que ela é, e
que cada vez mais se tornará. Eu aposto muito nela.
Depois
tivemos uma cruzada rápida numa escolha de elenco de um filme,
do Guilherme Fontes, o “Chatô”, que o Guilherme me chamou para assessorar
na escolha do elenco. Eu trabalhei com o Guilherme dois meses fazendo
isso, e fiz os testes com a Leandra, para uma filha de uma mulher do Chatô.
E fiquei muito impressionado com ela, na época tinha uns 17 pra
18 anos já. O filme do Guilherme travou né? E travou o cinema
brasileiro, infelizmente. Mas nesses testes eu disse: nossa, essa menina
é realmente um talento.
E
quando eu fui fazer o meu novo filme, o “Nome Próprio”, que é
um filme de uma história de uma menina blogueira, que quer escrever,
que escreve no blog dela, mas quer virar escritora; e pela própria
essência do projeto, de ser um projeto que eu ia fazer em digital,
que é uma coisa que tem a ver com essa estranha relação
do Brasil com a Internet, né? Eu queria fazer todo com um elenco
desconhecido. E comecei a fazer a pesquisa de elenco para o filme.
Foi
quando eu já estava há seis meses fazendo essa pesquisa,
um dia cruzo com a Leandra Leal num bar, ela olha pra mim e diz assim
“eu vou fazer o seu filme” (risos). E aí eu disse assim: “ah, tá
bom Leandra”. Porque eu ainda tinha uma imagem da Leandra jovem, da Leandra
um pouco atriz da Globo, que faz as menininhas inteligentes, sapecas e
legais. Mas ainda sempre uma imagem um pouco mais adolescente, né?
Eu disse, olha, tudo bem, a minha personagem não é uma mulher
adulta, mas é uma mulher já de 21, 22 anos, sei lá.
Vamos fazer um teste.
E
aí a Leandra topou, veio fazer o teste e nossa senhora! Vocês
vão ver na tela o “Nome Próprio”. E, eu acho, principalmente
porque eu a homenageio, porque a Leandra é uma pessoa que não
faz nada do sistema, que envolve o glamour do ato de ser uma atriz, de
ser uma estrela. Porque ela é uma estrela, além de uma atriz
ela é uma estrela, porque ela tem uma estrela.
A
Leandra não joga esse jogo fácil e traiçoeiro. E
também as meninas que jogam esse jogo, em geral, o fim dessas histórias
não é um happy end como os filmes de Hollywood o são
todos. Então a Leandra, ela desconstrói um pouco o glamour,
do ato glamouroso de ser atriz, dando uma prova também da inteligência
e do caráter dela. E a Leandra leva isso porque ela tem isso no
sangue, né? Ela tem uma pegada de se jogar no personagem, de inteligência
de perceber, e de técnica, porque ela é uma das atrizes
mais técnicas com quem eu já trabalhei, apesar da idade
dela.
Ela
é surpreendente. Então ela é surpreendente não
porque ela é Leandra Leal, é surpreendente porque ela é
uma mulher muito inteligente, muito diferenciada. É uma mulher
que assume para a sua alma e para o seu corpo todas as decisões
importantes para a sua vida.
Depoimento
ao Mulheres em janeiro/2008
na
"11a Mostra de Cinema de Tiradentes".
Murilo Salles é
cineasta, produtor, roteirista e diretor de fotografia.
Um dos diretores de fotografia mais premiados e requisitados,
assinou as de filmes como "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976);
"Cabaret Mineiro" (1980); "Eu Te Amo" 91981) "Tabu"
(1982) e
"Árido Movie" (2004) Como cineasta, dirigiu ótimos
e premiados
filmes como "Nunca Fomos Tão Felizes" (1984);
"Faca de Dois Gumes" (1989); e "Como Nascem os Anjos"
(1996);
Seu novo filme "É Nome Próprio" (2007).
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