Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
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Marília Carneiro

 Foto: fonte/Livro "No Camarim das Oito" 
(bastidores de "Xangô de Baker Street", de Miguel Faria, 1998)


Assim como os outros componentes de cena, o figurino tem uma importância fundamental para dar veracidade ao mostrado. Se nos filmes de época ele chama a atenção de cara, em trabalhos com enredos atuais ele demanda  uma atenção especial para não ficar aquela impressão de descuido. Entre os figurinistas do cinema brasileiro está o talento de Marília Carneiro.

 Nascida no Rio de Janeiro, Marília Carneiro desenvolveu uma carreira importante como figurinista em várias novelas da Rede Globo. Segundo  depoimento no seu livro “No Camarim das Oito”, quem a levou para a tv foi a atriz Dina Sfat, que na época era cliente da butique que Marília tinha em Ipanema. A inesquecível atriz ia protagonizar a novela “Os Ossos do Barão” (1973) e pediu para o diretor Daniel Filho  contratar Marília para vestir sua personagem. Pronto, nascia aí uma figurinista de sucesso e prestigiada e uma parceria para sempre com Daniel Filho, em novelas de sucesso como “Dancin Days” e “O Dono do Mundo” e seriados como “Malu Mulher” e “A Vida Como Ela É”.

 Na tela do Globo, Marília Carneiro assinaria ainda o figurino de momentos luminosos como as novelas “O Rebu”, “Gabriela” e “Saramandaia”, minisséries como “Lampião e Maria Bonita”,  “Rabo de Saia” e “Anos Rebeldes”,  seriados como “Malu Mulher”, “Ciranda Cirandinha” e “Mulher,  e o inesquecível “TV Pirata”.

 No palco, além de peças teatrais, assinou shows de grandes nomes como Tom Jobim, Gal Costa e Roberto Carlos.

 Filha de banqueiro, Marília Carneiro é irmã da atriz Maria Lúcia Dahl e foi casada com o cineasta e iluminador Mário Carneiro. Com formação em História da Arte, Marília Carneiro tornou-se um nome de ponta no seu ofício e já vão mais de 30 anos que bate o ponto em produções importantes da Globo.

 No cinema, Marília Carneiro estreou como atriz no filme “Capitu”, dirigido por Paulo César Saraceni em 1968. Foi sua única experiência na arte da interpretação, já que no filme seguinte, “O Homem que comprou o mundo” (1969), de Eduardo Coutinho, faz sua estréia como figurinista. No livro “No Camarim das Oito”, Marília, que além da tv fez inúmeros trabalhos também para o teatro, revela que “o figurino cinematográfico é o mais difícil de todos”.

 No mesmo livro, Marília conta a passagem da morte de seu pai durante a tarde do Reveillon de 1966, em que ela reagiu contra o terno que vestiram nele e o vestiu de jeans, camiseta e alpargatas. “Eu havia tomado o comando daquela cena triste. Foi o meu primeiro figurino”.

 Em 1975 Marília Carneiro dá sequência a carreira no cinema e assina o figurino para Mário Carneiro no ótimo e pouco visto “Gordos e Magros”. Já em 1977 ajuda a eternizar Sônia Braga nas telas de todo o país como a irresistível “Dama do Lotação”, de Neville D’Almeida. Aliás, Sônia Braga vestida de vermelho é uma imagem inesquecível e colada para sempre nas retinas cinéfilas.

 Na década de 80, Marília Carneiro é a figurinista do primeiro longa de Walter Salles, “A Grande Arte” (1987), e também da produção americana com locações no Brasil ”Luar Sobre o Parador” (1986), de Paul Mazursky.

 Já na década de 90,  assina o figurino de dois trabalhos de sua predileção na telona, os filmes de época  “Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão” (1997), a cinebiografia do genial compositor dirigida por Zelito Viana;  e “Xangô de Baker Street” (1998), adaptação do best-seller de Jô Soares, dirigida por Miguel Faria.

 Marília Carneiro vem marcando presença também nos títulos da Globo Filmes. Está em “A Partilha” (2001), de Daniel Filho, e em “Sexo, Amor e Traição” (2003), de Jorge Fernando. Outro filme em que trabalhou nesses anos 2000 é “Harmada” (2003), de Maurice Capovilla.

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