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– LÉLIA ABRAMO
8 de fevereiro de 1911 – 9 de abril de 2004 *São Paulo, SP

Foto: cena de
"O Caso dos Irmãos Naves" (1967), de Luís Sérgio Person
Algumas atrizes atingem um grau de interpretação tão sofisticado, aliam emoção
e técnica de forma tão perfeita, que cada trabalho é um momento luminoso nas
artes cênicas brasileiras. Assim é a grande Lélia Abramo, uma das grandes
perdas para as artes cênicas desse ano de 2004. E não bastasse esse fato, ela
foi também uma das atrizes mais politizadas do país.
Filha de imigrantes italianos, Lélia Abramo é neta de avô anarquista –
vindo daí, talvez, sua sensibilidade paras as questões políticas, o que fez
com que ela militasse nesse meio em várias instâncias. Com destaque para a sua
gestão à frente do Sindicato de Artistas e Técnicos em Espetáculos–
Sated-SP, onde militou com nobreza para a regulamentação da profissão. A
atriz teve problema com o Dops durante a ditadura, participou da fundação do
PT – Partido dos Trabalhadores – e das Diretas Já - possivelmente foram
esses fatos que diminuíram seu espaço na tv, sobretudo na Globo, onde chegou a
ser demitida enquanto atuava na novela ‘Pai Herói’, de Janete Clair, em
1979. Desde criança Lélia Abramo queria ser atriz, mas só consegue dar início
a sua carreira depois de passar 12 anos na Itália, retida pela Segunda Guerra
Mundial. De volta ao Brasil, em 1956 ingressa no teatro profissional - atua no
Arena e na companhia de Cacilda Becker e Walmor Chagas - onde se tornará uma de
nossas grandes Damas, arrebatando os prêmios mais importantes como o Saci, o
Roquete Pinto, o Moliére e o APCA. Chega às novelas em 1961 para uma carreira
importante e estréia no cinema em 1960, no filme ‘Cidade Ameaçada’, de
Roberto Farias.
Nos anos 60 Lélia Abramo atua em dois filmes fundamentais no Cinema Nacional:
‘Vereda da Salvação’, de Anselmo Duarte; e ‘O Caso dos Irmãos Naves’,
de Luís Sérgio Person. Nos anos 70 participa do belo ‘Joanna Francesa’, de
Carlos Diegues e em 80 arrebata o público em ‘Eles não usam Black-tie’,
obra-prima de Leon Hirszman adaptada da peça de Gianfrancesco Guarnieri – na
qual ela atuou no teatro – e que reuniu na tela um elenco inesquecível
formado por Lélia, Fernanda Montenegro, Guarnieri, Beth Mendes e Ricelli. A
atriz conta a sua trajetória no autobiográfico ‘Vida e Arte – Memórias de
Lélia Abramo’.
- ‘Cidade Ameaçada’ (1960), de
Roberto Farias;
- ‘Vereda da Salvação’ (1964), de Anselmo Duarte;
- ‘O Caso dos Irmãos Naves’ (1967), de Luis Sérgio Person;
- ‘O Anjo Assassino’ (1967), de Dionísio Azevedo;
- ‘O Quarto’ (1968), de Rubem Biáfora;
- ‘Cléo e Daniel’ (1970), de Roberto Freire;
- ‘Beto Rockfeller’ (1970), de Olivier Perroy;
- ‘Joanna Francesa’ (1973), de Carlos Diegues;
- ‘O Comprador de Fazendas’ (1974), de Alberto Pieralisi;
- `O Sonho não Acabou’ (1980), de Cláudio Kahns;
- ‘Eles Não Usam Black-Tie’ (1981), de Leon Hirszman;
- ‘Janete’ (1983), de Chico Botelho;
- ‘Mil e Uma’ (1994), de Susana de Moraes.
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