Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Nacional

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090 – LÉA GARCIA
11 de maio de 1935, * Rio de Janeiro, RJ

Foto: cena de "Filhas do Vento" (2004), de Joel Zito Araújo


Infelizmente, nas artes cênicas prevalece o que se vê em outros segmentos: a discriminação dos negros. Poucas vezes o Cinema Nacional reservou para os atores negros grandes papéis de destaque, a não ser quando o tema é o próprio negro. Poucas atrizes conseguiram construir uma carreira de grande repercussão no cinema brasileiro; Ruth de Souza, Luíza Maranhão, Chica Xavier e Zezé Motta são alguns exemplos vitoriosos - a última tem um belo projeto, o Cidan, site de registro de atores e atrizes negras. E nessa galeria de atrizes que se destacaram não pode faltar jamais o nome de Léa Garcia.

Léa Garcia começou sua carreira no Teatro Experimental do Negro - fundado no Rio de Janeiro em 1949 - momento de vanguarda , onde atores negros protagonizavam grandes e importantes montagens. Seu primeiro grande sucesso se dá em 1959, ao interpretar Serafina em `Orfeu Negro´, dirigido pelo francês Marcel Camus, filme vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A seguir tem outro momento luminoso em 1964, em ‘Ganga Zumba´, de Carlos Diegues, cineasta que mais focaliza a cultura negra e/ou escala atores negros independente dos temas de seus filmes. No final da década estréia em novelas e depois causa frisson como a malvada Rosa no marco internacional ‘A Escrava Isaura´.

Léa Garcia marca presença constante nas telas na década de 70, atuando em filmes importantes como ‘ Ladrões de Cinema´, ‘ A Deusa Negra´ e ´A Noiva da Cidade´. Nos anos 80 volta a trabalhar com Carlos Diegues, em ‘ Quilombo´, parceria renovada em 1991 em ‘ Orfeu´. ‘Filhas do Vento’, de Joel Zito Araújo, lhe valeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado 2004, dividido com a companheira de elenco, Ruth de Souza.

 - ‘ Orfeu do Carnaval´ (1959), de Marcel Camus;
- `Os Bandeirantes’ (1960), de Marcel Camus;
- `Ganga Zumba´ (1964), de Carlos Diegues;
- `O Santo Módico´ (1964), de Robert Mazoyer;
- `O Forte` (1974), de Olney São Paulo;
- `Em Compasso de Espera´ (1975), de Antunes Filho;
- `Ladrões de Cinema` (1977), de Fernando Cony Campos;
- ‘ A Deusa Negra´ (1978), de Olá Balogun;
- ‘ A Noiva da Cidade´ (1978), de Alex Viany;
- ‘ Quilombo´ (1984), de Carlos Diegues;
- ‘ Orfeu´ (1991), de Carlos Diegues;
- ´Cruz e Souza - O Poeta do Desterro´ (1998), de Sylvio Back;

- `Viva Sapato’ (2002), de Luiz Carlos Lacerda;
- `Filhas do Vento’ (2004), de Joel Zito Araújo
;
- "Mulheres do Brasil" (2006), de Malu di Martino;
- "Memórias da Chibata" (2006), curta de Marcos Manhães Marins;
- "O Maior Amor do Mundo" (2006). de Carlos Diegues.

 

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