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Kátia Machado
Foto:
Cid Horta
A produtora Kátia Machado
esteve em Belo Horizonte para o lançamento do filme “O Outro Lado da
Rua”, de Marcos Bernstein, junto com o cineasta e com os atores Fernanda
Montenegro e Raul Cortez. Aparentando
tranquilidade, feito nem
sempre muito comum quando os produtores mostram e conversam com a imprensa sobre
seus filmes, Kátia Machado, na conversa com o Mulheres, repetiu a palavra maravilhosa
cinco vezes ao falar sobre sua experiência como produtora do filme. Seu
contentamento com o resultado da produção é visível e ela fez questão de
ressaltar a trajetória do filme – até agora, participou de 6 festivais,
recebeu 8 prêmios, em quatro países diferentes; o último foi no Festival Film
Tribeca, fundado por Robert De Niro após os atentados do 11 de setembro, que
concedeu à Fernanda Montenegro o prêmio de Melhor Atriz. Nascida no Brasil, Kátia Machado
vive na França desde 1986. Após 13 anos de cooperação com empresas européias
e americanas, funda em Paris a produtora independente Pássaro Filmes em 2001
com a Escazal Films. “O Outro
Lado da Rua” é seu primeiro filme no Brasil: “realmente é uma experiência
para mim muito emocionante. Não é só o primeiro filme do Marcos (Bernstein)
como cineasta, mas é minha primeira produção de longa-metragem no Brasil. A
minha empresa é francesa na realidade, agora é uma empresa franco-brasileira
porque a Pássaro Filmes também tem seu escritório aqui.” O filme “O Outro Lado da Rua”
é a estréia de Marcos Bernstein como cineasta, depois de uma bem-sucedida
trajetória como roteirista – “Terra Estrangeira” e “Central do
Brasil”, ambos de Walter Salles ( o primeiro. co-dirigido por Daniela Thomas)
foram co-roteirizados por ele, além de outros como o “Xangô de Baker Street”,
de Francisco Ramalho Jr. Segundo Kátia Machado, seu objetivo na Pássaro é ser
uma plataforma para novos talentos, “eu acho que alguém tem que ajudá-los e
eu adoro esse entusiasmo do cineasta estreante.” Além do cineasta, Kátia diz ter
adorado a união de dois atores do peso de Fernanda Montenegro e Raul Cortez.
“A Fernanda é realmente a única atriz brasileira conhecida
internacionalmente. Quando eu digo conhecida é realmente conhecida, todos,
todos os profissionais, em todos os países. a Fernanda é uma pessoa estimada,
ela é uma grande atriz, uma grande atriz internacional”. E sobre o Raul, diz
que ele teve seu momento em Berlim, “descobriram o Raul lá fora. Tenho
certeza que temos hoje grandes atores aqui,
que, cinematograficamente, podem ser maravilhosos. São ainda poucos
explorados, porque não existe uma indústria de volume no Brasil, tá começando
agora. Enfim, tem muitos talentos neste país.” O filme “O Outro Lado da Rua”
é um legítimo representante do filão das co-produções – bem-sucedido
modelo de viabilização de projetos em vários países, mas ainda pouco
acionado no Brasil. “Vir para cá foi muito bom, e vim com o apoio do cinema
francês, que é um cinema, que é um país que acolhe muito o cinema
estrangeiro. Graças à França muitos filmes, muitos diretores estrangeiros
conseguiram ser quem são hoje, como Lars Von Trier, Amos Gitai, Kusturica.
Todas essas pessoas começaram no
cinema graças a França, e nós
tivemos essa sorte, o Marcos teve essa sorte privilegiada de ter como parceira a
Arte, que é co-produtora desses cineastas que acabei de citar. Ele é o
primeiro brasileiro a entrar nesse grupo e eu só posso desejar agora que o público
realmente ame essa história, se sensibilize com essa história e abra caminho
também para um outro tipo de cinema que é o cinema de personagem” Sobre o orçamento de quatro milhões
e meio de reais empregados no filme, Kátia Machado diz que “é sempre difícil
levantar grana, principalmente com cinema estrangeiro, estrangeiro pra mim no
caso porque a minha empresa é francesa, a empresa que produziu não foi a
empresa brasileira, mas a empresa
francesa. E convencer um investidor
de colocar uma soma de dinheiro importante, mesmo que o orçamento não seja
enorme, num estreante é muito complicado. Mas nós tínhamos um roteiro
maravilhoso, muito bem escrito, ele (Marcos Bernstein) já tinha feito sua prova
como roteirista, já reconhecido pelo “Central do Brasil” lá fora. E em
seguida, quando a Fernanda disse que entrava deu-se um impulso de qualidade no
projeto. A co-produção é mais uma alternativa para financiamento. É sempre
difícil, mas por uma razão ou por outra esse projeto fluiu, eu não posso
dizer que foi difícil.” |
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