Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Nacional

ATRIZES
Sala Isabel Ribeiro

DIRETORAS
Sala Ana Carolina

POR TRÁS DAS CÂMERAS
Sala Betty Faria
ENTREVISTAS
Sala Dina Sfat
ELAS POR ELES
Sala Lilian Lemmertz
CRÍTICAS
Sala Adriana Prieto

Sala Zezé Macedo
Datas

Arquivo Geral
Referências
O Site
Comentários
Contato


 

Kátia Machado

Foto: Cid Horta 

 

A produtora Kátia Machado  esteve em Belo Horizonte para o lançamento do filme “O Outro Lado da Rua”, de Marcos Bernstein, junto com o cineasta e com os atores Fernanda Montenegro e Raul Cortez. 

Aparentando tranquilidade, feito nem sempre muito comum quando os produtores mostram e conversam com a imprensa sobre seus filmes, Kátia Machado, na conversa com o Mulheres, repetiu a palavra maravilhosa cinco vezes ao falar sobre sua experiência como produtora do filme. Seu contentamento com o resultado da produção é visível e ela fez questão de ressaltar a trajetória do filme – até agora, participou de 6 festivais, recebeu 8 prêmios, em quatro países diferentes; o último foi no Festival Film Tribeca, fundado por Robert De Niro após os atentados do 11 de setembro, que  concedeu à Fernanda Montenegro o prêmio de Melhor Atriz.

 Nascida no Brasil, Kátia Machado vive na França desde 1986. Após 13 anos de cooperação com empresas européias e americanas, funda em Paris a produtora independente Pássaro Filmes em 2001 com a Escazal Films.  “O Outro Lado da Rua” é seu primeiro filme no Brasil: “realmente é uma experiência para mim muito emocionante. Não é só o primeiro filme do Marcos (Bernstein) como cineasta, mas é minha primeira produção de longa-metragem no Brasil. A minha empresa é francesa na realidade, agora é uma empresa franco-brasileira porque a Pássaro Filmes também tem seu escritório aqui.”

 O filme “O Outro Lado da Rua” é a estréia de Marcos Bernstein como cineasta, depois de uma bem-sucedida trajetória como roteirista – “Terra Estrangeira” e “Central do Brasil”, ambos de Walter Salles ( o primeiro. co-dirigido por Daniela Thomas) foram co-roteirizados por ele, além de outros como o “Xangô de Baker Street”, de Francisco Ramalho Jr. Segundo Kátia Machado, seu objetivo na Pássaro é ser uma plataforma para novos talentos, “eu acho que alguém tem que ajudá-los e eu adoro esse entusiasmo do cineasta estreante.”

 Além do cineasta, Kátia diz ter adorado a união de dois atores do peso de Fernanda Montenegro e Raul Cortez. “A Fernanda é realmente a única atriz brasileira conhecida internacionalmente. Quando eu digo conhecida é realmente conhecida, todos, todos os profissionais, em todos os países. a Fernanda é uma pessoa estimada, ela é uma grande atriz, uma grande atriz internacional”. E sobre o Raul, diz que ele teve seu momento em Berlim, “descobriram o Raul lá fora. Tenho certeza que temos hoje grandes atores aqui,  que, cinematograficamente, podem ser maravilhosos. São ainda poucos explorados, porque não existe uma indústria de volume no Brasil, tá começando agora. Enfim, tem muitos talentos neste país.”

 O filme “O Outro Lado da Rua” é um legítimo representante do filão das co-produções – bem-sucedido modelo de viabilização de projetos em vários países, mas ainda pouco acionado no Brasil. “Vir para cá foi muito bom, e vim com o apoio do cinema francês, que é um cinema, que é um país que acolhe muito o cinema estrangeiro. Graças à França muitos filmes, muitos diretores estrangeiros conseguiram ser quem são hoje, como Lars Von Trier, Amos Gitai, Kusturica. Todas essas pessoas  começaram no cinema graças a França,  e nós tivemos essa sorte, o Marcos teve essa sorte privilegiada de ter como parceira a Arte, que é co-produtora desses cineastas que acabei de citar. Ele é o primeiro brasileiro a entrar nesse grupo e eu só posso desejar agora que o público realmente ame essa história, se sensibilize com essa história e abra caminho também para um outro tipo de cinema que é o cinema de personagem”

 Sobre o orçamento de quatro milhões e meio de reais empregados no filme, Kátia Machado diz que “é sempre difícil levantar grana, principalmente com cinema estrangeiro, estrangeiro pra mim no caso porque a minha empresa é francesa, a empresa que produziu não foi a empresa brasileira,  mas a empresa francesa. E convencer  um investidor de colocar uma soma de dinheiro importante, mesmo que o orçamento não seja enorme, num estreante é muito complicado. Mas nós tínhamos um roteiro maravilhoso, muito bem escrito, ele (Marcos Bernstein) já tinha feito sua prova como roteirista, já reconhecido pelo “Central do Brasil” lá fora. E em seguida, quando a Fernanda disse que entrava deu-se um impulso de qualidade no projeto. A co-produção é mais uma alternativa para financiamento. É sempre difícil, mas por uma razão ou por outra esse projeto fluiu, eu não posso dizer que foi difícil.”  

sala   indice arquivo   Home