DEA
SELVA por JULIANO CAZARRÉ

Foto:
cena de "Ganga Bruta" (1933),
de Humberto Mauro
Eu
quero falar sobre uma atriz que é muito importante na minha vida
e que eu não conheci, que eu ainda não consegui assisti-la,
que é a Dea Selva. A Dea Selva do “Ganga Bruta” e de vários
outros filmes que eu não tive acesso até hoje e que é
uma coisa que eu quero buscar um dia.
A
Dea Selva foi uma atriz que participou desse começo do cinema brasileiro,
do “Ganga Bruta”, que é um filme de arte bem lá de trás.
Ela foi casada com o Darcy Cazarré. E o Darcy era tio do meu avô.
Meu vô viu ele sair da cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul,
e virar um ator no Brasil, trabalhou junto com o Procópio Ferreira.
O Darcy Cazarré teve dois filhos, o Older e o Olney, que também
foram atores. Eu passei minha infância inteira escutando o meu avô
falar desses quatro, do Darcy e da Dea, e dos dois filhos, Older e Olney
- que são os filhos atores, porque ele teve mais filhos.
Eu acho que o meu vô ficou muito encantado com esse parente que
saiu do Rio Grande do Sul e virou ator, mas por contingências da
vida, meu vô não teve essa chance. Ele ficou lá, viveu
a vida dele no Rio Grande do Sul, com as dificuldades que vieram, mas
era um cara que tinha uma alma de artista, era muito criativo no seu cotidiano.
Eu sinto que ele gostaria de ter sido ator, e, de alguma maneira, ele
deixou isso inoculado no meu pai, essa coisa que eu não sei se
é veneno ou se é remédio. E o meu pai, eu que acho
que passou pra mim também, inconscientemente, esse desejo. Então
eu acho que eu sou ator hoje em dia por causa do Darcy Cazarré
e a influência que a vida dele toda teve para o meu avô, entendeu?
Então eu gostaria de citar a Dea Selva, que eu sei da importância
dela e espero em breve fechar essa lacuna conseguindo assistir aos filmes
que ela fez. Tem também um outro, que é o “Bonequinha de
Seda”. Eu vou tentar buscar isso.
Então a minha recomendação, o meu carinho pra Dea
Selva, uma parente distante.
Depoimento
ao Mulheres em janeiro/2008
na
"11a Mostra de Cinema de Tiradentes".
Juliano Cazarré
é ator.
Um dos protagonistas do filme "A Concepção" (2005),
de José Eduardo Belmonte, voltou a trabalhar com
o cineasta em "Meu Mundo em Perigo" (2007).
Juliano Cazarré atuou também em "O Magnata" (2007),
de Johnny Araújo; e no novo filme de Murilo Salles,
"Nome Próprio" (2007).
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