|
|
|
|
|
|
|
Idê Lacreta
Foto:
Carlos Mancini (publicação "Quem é Quem no Cinema)
“Seleção e coordenação dos planos, das tomadas e das seqüências dum
filme para que este se apresente como realização coerente e definitiva”.
Assim o velho Aurélio define a montagem, o que já
explica de cara a importância fundamental que o montador tem no resultado
de um filme. Em entrevista ao Mulheres, a atriz Fernanda Montenegro diz que no
cinema o ator terceiriza o seu talento e ressalta a importância do montador,
que junto ao diretor, define o que fica e o que não fica no final das
filmagens. A montagem é uma arte, e não à toa,
os cineastas escolhem a dedo seus montadores. Muitos deles, inclusive, optam por
trabalhar com apenas um montador anos e obras a fio, pois sabem que o montador
é seu parceiro íntimo e capaz de ajudar a dar forma ao pretendido. Na trajetória do Cinema Nacional foram
inúmeras vezes que, ao subir o letreiro da ficha técnica ao final do filme,
encontramos o nome de Idê Lacreta. Nascida em São Paulo, Idê Lacreta iniciou
sua trajetória cinematográfica nos anos 70, época em que atua como continuísta
e assistente de direção, em filmes como “Encarnação” (1976), dirigido
por sua irmã Rose Lacreta, “Coronel Delmiro Gouveia” (1978), de Geraldo
Sarno, “A Lira do Delírio” (1978), de Walter Lima Jr. Em 1980, Idê Lacreta assina sua
primeira montagem em grande estilo, em “Cabaret Mineiro”, de Carlos Alberto
Prates Correia, um dos filmes mais inventivos da década. A parceria se repete
quatro anos depois em “Noite do Sertão”, a bela adaptação que o cineasta
mineiro fez da novela “Buritis”, de João Guimarães Rosa.
Daí para frente Idê
Lacreta participa de filmes importantes como “ A Hora da Estrela”
(1985), de Suzana Amaral, “ A Ópera do Malandro” (1986), de Ruy
Guerra e “ O País dos Tenentes” (1987),
de João Batista de Andrade. Na década de 90, Idê Lacreta tem
mais um encontro importante, dessa vez com a cineasta
Tata Amaral, no surpreendente “Um Céu de Estrelas” (1996). A
parceria dá tão certo que as duas repetem a parceria no segundo filme da
diretora, o não menos belo “Através da Janela” (2000). E é ainda nos anos
90 que ela vai assinar a montagem de mais dois filmes vigorosos, “Kenoma”,
de Eliane Caffé, e “Um Copo de Cólera”, de Aluízio Abranches. Com uma carreira premiada
em vários festivais de cinema, seja no formato longa, média ou curta
(como em “Glauces – Estudo de um Rosto”, de Joel Pimentel; Melhor Montagem
no “34º Festival de Brasília”), Idê Lacreta está também na estréia de
Paulo Sacramento em longa, o vigoroso “ O Prisioneiro da Grade de Ferro”
(2003). |
|