Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Nacional

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HELENA IGNEZ por GUSTAVO SPOLIDORO

Eu ia muito ao cinema e aí um dia eu vi um filme que me marcou e que me marca até hoje, eu acho que é o filme mais moderno que eu vi no cinema brasileiro, que é “O Bandido da Luz Vermelha”. E naquele filme está aquela musa inexplicável, que é a Helena Ignez. E aí aconteceu que alguns anos atrás eu pude ver “A Mulher de Todos”, que eu ainda não tinha visto. E cara, é tu ver o que era a paixão do Sganzerla por aquela mulher, aqueles closes dela.

E eu pensava assim, quando eu vi “O Bandido”: mas onde andará Helena Ignez? Porque essa mulher não fez mais filmes e de repente ela volta agora. Ela não é mais aquela garotinha de vinte e poucos anos, mas é uma pessoa sensacional, que eu pude conhecer. E eu acho que no cinema brasileiro, porque esse é o cinema que eu mais me identifico, que é o cinema do Rogério, o cinema daquela turma chamada Cinema Marginal. E a Helena foi uma musa de muitos desses caras.

Então eu acho que ela é uma pessoa que merece todos os louros pelo que ela fez pelo cinema e pelo que ela está fazendo. Porque ela tá fazendo agora o longa dela, também, digamos, uma continuação do “Bandido da Luz Vermelha”. E ela participa de filmes com jovens, ela participa de vários filmes. Ela voltou, digamos, com todo esse tesão que ela teve. E é também aquela pessoa tranqüila daquela época da questão zen, que ela tem. É uma pessoa de extrema lida, uma pessoa carinhosa, educada, que aprecia o trabalho dos jovens.

Então, ela não é só uma atriz, ela não é só uma musa, ela é uma pessoa que tá fazendo cinema junto com muita gente que também tá com o mesmo tesão. E ela tá lá com aquele tesão quase adolescente pra fazer também os trabalhos.

Então, Helena Ignez é a pessoa, é a mulher. Eu diria que é a Mulher de Todos né? De todos nós que fazemos cinema.


Depoimento ao Mulheres em janeiro/2008
na "11a Mostra de Cinema de Tiradentes".



Gustavo Spolidoro é cineasta, roteirista e produtor.
Premiado diretor de curtas, dirigiu no formato os filmes
"Velinhas" (1998), "Outros" (2000), "Amanhã" (2000),
"Final" (2001), "Domingo" (2002), "Início do Fim" (2005).
Em 2007, o cineasta estreou em longas com o filme
"Ainda Orangotangos", todo filmado em um
único plano-sequência.

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