HELENA
IGNEZ por GUILHERME DE ALMEIDA PRADO

A primeira mulher do cinema brasileiro que me marcou profundamente, e
que, de certa maneira, acho que influenciou até a minha obra, foi
a Helena Ignez. Até porque a primeira filmagem que eu assisti na
vida foi uma filmagem de “A Mulher de Todos”, em Itanhaem. Eu tinha, sei
lá o quê, uns 13, 14 anos, no máximo. Eles estavam
filmando em Itanhaem com a Helena, eu assisti essa filmagem. Obviamente,
fiquei interessadíssimo em ver o filme, quer dizer, eu acho que
até aquele momento talvez não me passasse pela idéia
de que se pudesse fazer filme no Brasil. A gente tinha sempre aquela noção
que filme era um negócio que já vinha pronto do exterior,
que não era uma coisa que a gente fazia.
E
eu me lembro de ter visto essas filmagens em Itanhaem e ficar esperando
longamente para assistir o filme. Obviamente, o filme era 18 anos. Eu
dei um jeito de entrar no cinema, Cine Pedro II, em Ribeirão Preto,
que hoje é um teatro, foi reformado. E vi Helena Ignez, aquela
maravilha, aquela mulher assim, você imagina para um adolescente
(risos), o que era aquela "Mulher de Todos" (risos) ali na tela
enorme, aquilo que eu tinha visto lá na praia. Isso me marcou profundamente,
tanto porque, de repente, eu vi que era possível se fazer cinema
no Brasil, que eu poderia eventualmente vir a fazer cinema no Brasil.
Isso me deixou duplamente excitado e, enfim, esse é um filme que
até hoje eu vejo quando tenho oportunidade.
Depois
eu tive a oportunidade de trabalhar com a Helena rapidamente numa seqüência
do “Perfume de Gardênia”, com ela e o Paulo Villaça, de um
outro filme que também eu vi naquela época, que era “O Bandido
da Luz Vermelha”. Um filme que realmente influenciou, pra mim, totalmente.
Eu revi o filme agora recentemente em DVD e é incrível como
você copia até sem saber que está copiando (risos),
ou quando você tenta copiar (risos) sem saber.
Então,
a Helena pra mim é... Vamos dizer, existem várias atrizes
maravilhosas, tanto no cinema brasileiro de ontem como no de hoje, mas
a Helena Ignez, realmente, pra mim, é um ícone. Um símbolo
assim, que de certa forma, eu busco em todas as louras que eu coloco em
meus filmes.
Depoimento
ao Mulheres em janeiro/2008
na
"11a Mostra de Cinema de Tiradentes".
Guilherme de Almeida
Prado é cineasta,
roteirista e produtor.
Em 1981, estreou como diretor no longa em episódios,
"As Taras de Todos Nós" (1981).
"A Flor do Desejo" seu filme seguinte, chamou a atenção
da crítica, mas foi seu terceiro longa,
"A Dama do Cinema Shangai" (19870, que o consagrou
O cineasta dirigiu ainda os longas "Perfume de Gardênia"
(1992),
"A Hora Mágica" (1998) e "Onde Andará Dulce
Veiga?" (2007),
além do curta "Glaura" (1997).
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