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HELENA IGNEZ por GERALDO VELOSO
Por Geraldo Veloso Há
atrizes que marcam o seu tempo. Outras fazem o seu tempo. Helena Ignez é uma
destas que fazem o seu tempo. Atuam sobre ele. O cinema baiano surgiu em torno
desta musa linda, elegante, inteligente, sofisticada e completamente entrosada
com a sua geração. Glauber Rocha, seu primeiro marido, que lhe deu uma filha,
Paloma – hoje também realizadora, a lançou em seus primeiros trabalhos em
curta metragem ("O Pátio" e "Cruz na Praça"). Os baianos o
acompanharam na projeção desta atriz empenhada, discípula de Martim Gonçalves,
que fez uma revolução no teatro da Bahia, nos anos cinqüenta. Roberto Pires e
Olney São Paulo a colocaram em seus filmes da época, realizados na Bahia.
Pouco
depois Helena veio para o Rio, onde trabalhou na televisão (com o gênio
da TV contemporânea brasileira, Fernando Barbosa Lima, em seu inesquecível
"Noite de Gala"). Roberto Farias chamou-a para o seu antológico
"Assalto ao Trem Pagador". Mas
por que Helena é minha referência? O seu trabalho mais empenhado, "O
Padre e a Moça", marca a minha entrada no cinema profissional (no início
de 1965). E é um filme que ela apostou e ganhou a batalha da competência
e do carisma. Helena
Ignez é magia pura. A alquimia (fortíssima) feminina a fez se aproximar do
jovem cinema brasileiro que surgia, ao largo do cinema novo. Carlos Prates
Correia utilizou o seu talento no seu "Guilherme", episódio do longa
"Os Marginais". Logo em seguida casou-se com Júlio Bressane com quem
fez uma série de filmes ("Cara a Cara", e algumas produções da
famosa Belair, produtora de Júlio, Rogério Sganzerla e dela, Helena, como
"Família do Barulho"). Depois de sua presença em "O Bandido da
Luz Vermelha", casa-se com Rogério Sganzerla que vai escalá-la em uma série
de filmes de sua autoria ("A Mulher de Todos", "Betty Bomba, a
exibicionista", "Copacabana, mon amour" e outros). Inquieta,
buscando sempre uma renovação de modelos de interpretação, é mãe de
duas filhas de Rogério (Sinai e Djin), que já se enveredam pela realização
cinematográfica. Por
Helena vários momentos fundamentais do cinema brasileiro passaram. E ela
viveu isto consciente, guerreira e talentosa. E continua o seu processo
criativo, mais atenta que nunca aos movimentos do cinema poético, renovador e
de experiência radical.
Geraldo Veloso é
cineasta, roteirista, montador, produtor e crítico de cinema.
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