Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Nacional

ATRIZES
Sala Isabel Ribeiro

DIRETORAS
Sala Ana Carolina

POR TRÁS DAS CÂMERAS
Sala Betty Faria
ENTREVISTAS
Sala Dina Sfat
ELAS POR ELES
Sala Lilian Lemmertz
CRÍTICAS
Sala Adriana Prieto

Sala Zezé Macedo
Datas

Arquivo Geral
Referências
O Site
Comentários
Contato


 

HELENA IGNEZ por GERALDO VELOSO

 

Por Geraldo Veloso

Há atrizes que marcam o seu tempo. Outras fazem o seu tempo. Helena Ignez é uma destas que fazem o seu tempo. Atuam sobre ele. O cinema baiano surgiu em torno desta musa linda, elegante, inteligente, sofisticada e completamente entrosada com a sua geração. Glauber Rocha, seu primeiro marido, que lhe deu uma filha, Paloma – hoje também realizadora, a lançou em seus primeiros trabalhos em curta metragem ("O Pátio" e "Cruz na Praça"). Os baianos o acompanharam na projeção desta atriz empenhada, discípula de Martim Gonçalves, que fez uma revolução no teatro da Bahia, nos anos cinqüenta. Roberto Pires e Olney São Paulo a colocaram em seus filmes da época, realizados na Bahia.  

Pouco depois Helena veio para o Rio, onde trabalhou na televisão (com o gênio da TV contemporânea brasileira, Fernando Barbosa Lima, em seu inesquecível "Noite de Gala"). Roberto Farias chamou-a para o seu antológico "Assalto ao Trem Pagador".  

Mas por que Helena é minha referência? O seu trabalho mais empenhado, "O Padre e a Moça", marca a minha entrada no cinema profissional (no início de 1965). E é um filme que ela apostou e ganhou a batalha da competência e do carisma. 

Helena Ignez é magia pura. A alquimia (fortíssima) feminina a fez se aproximar do jovem cinema brasileiro que surgia, ao largo do cinema novo. Carlos Prates Correia utilizou o seu talento no seu "Guilherme", episódio do longa "Os Marginais". Logo em seguida casou-se com Júlio Bressane com quem fez uma série de filmes ("Cara a Cara", e algumas produções da famosa Belair, produtora de Júlio, Rogério Sganzerla e dela, Helena, como "Família do Barulho"). Depois de sua presença em "O Bandido da Luz Vermelha", casa-se com Rogério Sganzerla que vai escalá-la em uma série de filmes de sua autoria ("A Mulher de Todos", "Betty Bomba, a exibicionista", "Copacabana, mon amour" e outros). Inquieta, buscando sempre uma renovação de modelos de interpretação, é mãe de duas filhas de Rogério (Sinai e Djin), que já se enveredam pela realização cinematográfica. 

Por Helena vários momentos fundamentais do cinema brasileiro passaram. E ela viveu isto consciente, guerreira e talentosa. E continua o seu processo criativo, mais atenta que nunca aos movimentos do cinema poético, renovador e de experiência radical.
O cinema brasileiro deve muito a Helena Ignez.    

 

 Geraldo Veloso é cineasta, roteirista, montador, produtor e crítico de cinema. 
Integrante do Cinema Marginal, dirigiu os longas "Perdidos e Malditos" (1970)
e "Homo Sapiens" (1975.  Entre os inúmeros filmes que montou está a
obra-prima de Júlio Bressane, "Matou a Família e Foi ao Cinema" (1969).  Seu último
 trabalho como diretor até agora é em "O Circo das Qualidades Humanas" (2000), 
ao lado dos cineastas Jorge Moreno, Milton Alencar e Paulo Augusto Gomes.
Geraldo Veloso está também no programa "Cine Magazine".

 

sala indice arquivo homee