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012 - MALU MADER por FRANCISCO CÉSAR FILHO
Foto: cena de "Dedé Mamata" (1988), de Rodolfo Brandão)
A
minha escolha é pela importância dessa figura, para mim, pessoalmente. Eu
tinha até pensado em fazer essa homenagem pelo cinema brasileiro, achei mais
responsável, mas depois, no fundo, no fundo, eu vi que precisava retratar
aquilo que foi caro a mim e à minha geração. E aí tem uma atriz, que por sua
carreira e por sua personalidade, é a que eu achei que merecia ser homenageada
por mim no site: Malu Mader. A
Malu é meio um símbolo, um ícone de uma geração, de mais de uma geração,
não sei, por conta da sua presença, do seu carisma, da sua personalidade magnética.
Na tela ela sempre está muito forte, mas também, com o passar dos anos, ela
ganhou outros contornos, além da plasticidade, da fotogenia e da qualidade
enquanto atriz. A Malu tem marcado a sua trajetória por conta da sua
personalidade também, por conta dela conseguir ter mesmo na televisão, na
coisa de telenovelas etc, uma dignidade, uma integridade profissional raras
vezes vista. Hoje
a Malu é um ídolo, mas é um ídolo que preserva essa dignidade a ponto de ter
uma vida familiar, mas sem concessões à indústria da mídia, a indústria das
fofocas. E isso mesmo estando dentro das telenovelas. Eu acho que isso tudo
sinaliza um caráter excepcional. E
tem a Malu no cinema, que é o nosso assunto aqui. Ela fez filmes nos anos 80
que foram muito importantes ao retratar os jovens, filmes dirigidos por
cineastas jovens, com temática jovem. E ela estava ali. Então, a gente pode
lembrar, por exemplo, do filme do Rodolfo Brandão, Dodô Brandão, chamado
“Dedé Mamata”, que é um filme que hoje é um pouco obscurecido, não é
muito citado quando se trata do período, mas é um filme que todo mundo que
assistiu naquela altura, que estava na casa entre os 20 e os 30 anos, se
identificou. “Dedé Mamata” é um filme que colocava o jovem que veio pós-ditadura,
com os seus dilemas, as suas angústias e a sua perplexidade acima de tudo, de
uma maneira muito sincera, uma maneira também engraçada, tragicômica etc. A
Malu teve ali uma participação muito importante, ela era o lado feminino da
coisa toda. E
aí a gente pode puxar até os filmes recentes, “O Invasor”, no qual ela tem
uma participação super importante e outros filmes que ela tem feito por aí,
sempre com um discernimento na escolha dos personagens. Ela é mãe de família,
ela escolhe os personagens dela na televisão com muito discernimento, mas no
cinema ela vai e faz um papel de prostituta expondo o que ela acha que deve
expor do corpo dela, enfim, da personalidade dela ali, com muita integridade. Então
essa homenagem é por conta do talento dela como atriz, por conta do extraordinário
magnetismo e fotogenia que ela tem. Do meu ponto de vista, na tela, ela é
linda, maravilhosa. Ela, realmente, é uma mulher cujos traços não se
enquadram exatamente em nenhum dos estereótipos do que seria uma mulher bonita
vigentes, né? Ela tem as sobrancelhas grossas, ela não tem um corpo
escultural, na maneira que a gente entende isso atualmente, ma ela é lindíssima
e maravilhosa. Mas, acima de tudo, pela dignidade e integridade que ela tem como
pessoa e que ela transmite ao longo das escolhas que ela fez na carreira dela.
Então por conta de tudo isso, Malu Mader é a mulher do cinema brasileiro que
eu elejo. Francisco
César Filho Francisco
César Filho, conhecido como Chiquinho, é cineasta, curador,
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