Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
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009 - FERNANDA MONTENEGRO -
16 de outubro de 1929, *Rio de Janeiro, RJ

Foto: cena de "A Falecida" (1965), de Leon Hirszman


Só a partir de ´Central do Brasil´ é que Fernanda Montenegro disse ter se sentido mais íntima com o cinema, e que o bichinho do cinema teria lhe pegado de vez. Essas palavras da nossa ´1ª Dama do Teatro´ revela muito do caráter dessa artista de primeira grandeza das artes cênicas brasileiras, que mesmo num momento em que os olhos do mundo inteiro se voltaram para ela, não fez disso trampulim para vaidade ou estrelismos.

Há mais de meio século que Fernanda Montenegro encanta as platéias nacionais. A atriz começou sua carreira aos 15 anos na Rádio Mec, onde trabalhou durante dez anos e conheceu seu marido, o ator Fernando Torres. Em 1950 estréia no teatro e, desde então, deu voz a personagens imortais em espetáculos memoráveis. No ano seguinte já estava na tv, sendo a primeira atriz contratada da TV Tupi, passando depois por várias emissoras. No cinema, Fernanda Montenegro não deixou por menos, com uma estréia arrebatadora no filme `A Falecida´, de Leon Hirzsmann, em 1965 – foi o próprio dramaturgo Nelson Rodrigues que a indicou para o papel. Nessa adaptação da peça de  Rodrigues, a atriz está emocionante na pele de Zulmira, e seu banho de chuva no quintal de sua casa é uma das cenas mais memoráveis do cinema brasileiro. Outro momento  inesquecível foi a sua Romana catando feijão ao lado de Gianfrancesco Guarnieri em `Eles não usam Balck-tie`, do mesmo diretor.

Fernanda Montenegro sempre privilegiou o teatro. Mesmo assim não se distanciou do público que não frequenta esse veículo, atuando em novelas e minisséries – a novela “Guerra dos Sexos” é um de seus grandes momentos na telinha. No cinema já atuou em quase duas dezenas e meia de filmes, e levou sua maestria e talento tanto para o drama como a para comédia, num estilo de interpretação apaixonado e apaixonante.

Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais, recebeu o Urso de Prata em Berlim por ´Central do Brasil´, sendo a primeira atriz brasileira a ser indicada ao Oscar - também por este trabalho. Agora, com “O Outro Lado da Rua”, foi novamente consagrada nos Estados Unidos, arrebatando o prêmio de Melhor Atriz no Festival Film Tribeca, fundado pelo ator Robert de Niro após os atentados do 11 de setembro. Sua Regina integra, ao lado da Dora de ´Central do Brasil`, Romana de “Eles não usam Blach-tie” e a Zulmira de “A Falecida”, algumas das personagens mais importantes do cinema nacional. 

 
- `A Falecida` (1965), de Leon Hirszman;
- `Pecado Mortal’ (1969), de Miguel Faria Jr.;
- `Minha Namorada’ (1970), de Zelito Vianna;
- `Em Família`(1970), de Paulo Porto;
- `A Vida de Jesus Cristo’ (1971), de José Regatieri;
- `Marília e Marina` (1976), de Luiz Fernando Goulart;
- `Tudo Bem` (1978), de Arnaldo Jabor;
- `Eles Não Usam Black-tie` (1981), de Leon Hirszman;
- ´A Hora da Estrela` (1985), de Suzana Amaral;
- `Fogo e Paixão’ (1987), de Isay Weinfeld e Márcio Kogan;
- ‘Trancado Por Dentro’ (1988), curta de Arthur Fontes;
- `Veja Esta Canção` (1994), de Carlos Diegues;
- `O Que É Isso, Companheiro?’ (1996), de Bruno Barreto;
- `Central do Brasil` (1998), de Walter Salles;
- ´Traição` (1998), de José Henrique Fonseca e Arthur Fontes;
- `Auto da Compadecida` (2000), de Guel Arraes;
- `O Outro Lado da Rua’ (2004), de Marcos Bernstein;
- `Olga´ (2005), de Jayme Monjardim;
-  `Redentor´ (2004), de Cláudio Torres;
- `Casa de Areia´ (2005), de Andrucha Waddington.

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