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ROSANNE
MULHOLLAND por EUCIR DE SOUZA

Foto:
cena de "Falsa Loura (2007),
de Carlos Reichenbach
Eu
vou falar da Rosanne Mulholland.
Eu
conheci a Rosanne antes do “Meu Mundo em Perigo”, eu fiz um curta-metragem,
que chama-se “14 Bis”, que ela fazia também. E a gente se encontrou
rapidamente, eu fazia uma participação nesse curta, ela
também.
Quando
eu vi a Rosanne pela primeira vez eu achei ela linda demais, uma das mulheres
mais bonitas que eu já vi. Mas era isso que eu sabia, né?
Enfim, conheci, achei ela linda e admirei muito por isso e também
pela energia, pela força, tão jovem e tão focada,
tão centrada, era bacana de ver.
Mas
aí, quando eu fui conhecendo ela melhor, no “Meu Mundo em Perigo”,
eu tinha certeza que isso que tá acontecendo agora, dela já
tão jovem receber uma homenagem como atriz de cinema, era certeza
que isso aconteceria logo.
Porque
é incrível, o ator tem uma coisa muito estranha, o ator
tem uma coisa muito engraçada, que é você ter um produto
que é você mesmo. Então é uma loucura, porque
você faz um filme, por exemplo, e no dia seguinte as pessoas estão
comentando o filme e elas falam daquilo como se fosse uma coisa, um produto
como qualquer outro, e é você mesmo né? É como
se você fosse uma margarina, uma toalha, uma obra de arte que a
pessoa compra, consome, e aí ela tem o direito de falar sobre aquilo,
se ela gosta, se ela não gosta. Então é uma coisa
muito louca, é muito forte.
E
ela, a Rosanne, tem isso de tranqüilo assim, ela tem uma humildade,
uma tranqüilidade, ela não tem nenhum medo de aprender, ela
não tem vergonha de dizer que não sabe e não tem
medo de aprender. Então não tem muito erro, não tem
como errar, porque eu acho que o erro, às vezes, vem muito da presunção,
ele vem muito de você querer se pavonear, de fazer uma coisa que
você não tem capacidade pra aquilo, não aprendeu.
E ela não, ela chega tranquilinha assim. É louco ver a Rosanne
chegando em um set, inclusive, ela chega de óculos, uma calça
jeans, tênis, uma camisetinha, assim bem na dela, bem tranqüila.
Não parece que dali saem cenas iguais essas que eu vi no “Falsa
Loura”, no final do “Falsa Loura”, que é uma loucura de beleza
e intensidade.
E
é isso, eu acho ela um caso raro de atriz, é conciliar tanto
a beleza física quanto... porque ela também vai para os
lugares, ela não tem medo de se jogar, ela não tem medo
de ir pra densidade, de ir, se isso fosse possível, pro feio, pro
desmontado, pro desconstruído. Ela também não tem
medo disso. Isso tudo falando de um ponto de vista mais técnico,
de um ponto de vista de quem tá vendo de fora.
Agora,
pro companheiro de cena é um presente porque é só
doçura, só amor, é só educação,
companheirismo. Ela é uma pessoa muito fácil de lidar, ela
é uma pessoa muito simples nos hábitos e no comportamento,
nas conversas. É fácil chegar nela, é fácil
conversar com ela sobre assuntos variados.
Enfim,
eu fiquei completamente apaixonado, isso acontece também sempre
assim, ela chega no set e o set inteiro se apaixona porque é isso.
Tem uma piada da Mafalda, aquele quadrinho argentino, que o cara diz que
existem as pessoas bonitas por fora e as pessoas bonitas por dentro, e
aí tem o Miguelito, que fala: e existimos nós, os bonitos
da boldface (risos).
Eu
acho que, pra fechar, eu diria que ela é isso assim, é uma
beleza da boldface, uma pessoa incrível, uma pessoa que vale a
pena conhecer.
Depoimento
ao Mulheres em janeiro/2008
na
"11a Mostra de Cinema de Tiradentes".
Eucir de Souza é
ator.
Protagonista do impactante curta "Palíndromo" (2001),
de
Philippe Barcinski, atuou também em outros títulos no formato,
como "Jogo da Memória" (2005), de Moira Toledo,
"O Tempo dos Objetos" (2001), de Bruno Carneiro e "14 Bis"
(2006),
de André Ristum. Nos longas, atuou em "Soluços e Soluções"
(2000),
de Nereu Cerdeira e Edu Felistoque,"Através da Janela"
(2000);
de Tata Amara e"Fim da Linha", de Gustavo Steinberg.
. Eucir de Souza é o protagonista, ao lado de
Rosanne Mulholland em "Minha Vida em Perigo" (2007), de
José Eduardo Belmonte, pelo qual ganhou o Candando de
Melhor Ator no Festival de Brasília, em 2007.
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