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023 - RAQUEL FREIRE ZANGRANDI
Coordenadora
de produção da VideoFilmes e diretora de produção de vários filmes produzidos
por lá, Raquel Freire Zangrandi esteve em Belo Horizonte acompanhando
o lançamento dos filmes “Peões”, de Eduardo Coutinho, e “Entreatos”, de
João Moreira Salles. Raquel acompanhou de perto a realização dos dois
documentários desde o início, prática
complexa que vem exercendo com paixão
nesses 11 anos na VideoFilmes, uma das produtoras mais importantes
do país, fundada pelos irmãos João e Walter Salles.
Atenta
e ligada, mas doce e generosa, Raquel Freire Zangrandi concedeu entrevista
exclusiva ao Mulheres durante a exibição dos filmes. Na conversa, ela
refaz sua trajetória desde a faculdade de publicidade na UFRJ até seu
trabalho atual, passando pelo primeiro estágio, pelos trabalhos na Conspiração
Filmes e pela sua profunda paixão pelo documentário, gênero de filme com
o qual mais tem trabalhado. Raquel
esmiuça os meandros da sua atividade e esclarece as diferenças entre os
vários tipos de produção. Ela conta também os bastidores da realização
de um documentário, repassando todos os processos desde a idéia até a
exibição do filme nas telas. Fala, claro, sobre “Peões” e “Entreatos”,
e homenageia Carla Camurati e Jordana Berg.
Mulheres:
Como você chegou ao cinema e como e quando fez dele seu ofício
e sua profissão?
Raquel Zangrandi: Eu sou de Campo Grande, Mato Grosso
do Sul. Passei no vestibular da UFRJ e comecei a fazer publicidade. Quando
chegou o final da faculdade, que era a época de fazer estágio,
eu cheguei a procurar trabalho em algumas agências de publicidade.
Trabalhei em uma pequenininha e aí pintou um curso na Fundição
Progresso, onde tem um núcleo de vídeo. Então lá
eu fiz um curso que para mim foi um divisor de águas, de escolher
a profissão. Um curso de seis meses, noturno, em que cada aluno
aprendia todas as etapas de produção de vídeo. Todo
mundo passava pela experiência do roteiro, da pré-produção,
da produção, da direção, do figurino, e da
pós produção também. Cada aluno participava
dos trabalhos dos outros e também produzia seu próprio trabalho.
Quando eu terminei, em vez de ficar procurando trabalho nas agências,
eu fui procurar as produtoras de vídeo. E aí fui trabalhar
na atual Yes.
Mulheres: Isso foi quando?
Raquel Zangrandi: Isso foi em janeiro de 91. Eu fui bater
lá numa sexta-feira, levei meu currículo, que não
tinha nada, apenas o trabalho da faculdade. Levei o vídeo que eu
tinha feito no curso como meu cartão de visita, porque era a única
coisa que eu tinha para mostrar, em que eu tinha feito tudo. Quem me atendeu,
Ronaldo Soares, falou que não tinha vaga para estágio, mas
que se pintasse uma oportunidade eles entrariam em contato. Quando eu
estava no ponto do ônibus, ele veio correndo no ponto atrás
de mim gritando “volta aqui”. Eu voltei e ele me disse que a estagiária
tinha ido embora naquele dia e me perguntou se eu queria começar
na segunda-feira.
Mulheres: Isso é que estar no lugar certo na hora
certa.
Raquel Zangrandi: É. Daí ele me disse que
eles não poderiam me pagar nada, e eu disse que valia como experiência.
Foi na primeira segunda-feira útil do ano. Eu fiquei três
anos e meio nessa produtora. Foi um estágio que para mim valeu
como uma escolinha. Lá eu trabalhei como estagiária de assistente
de direção de arte, depois assistente de produção,
e depois assistente de direção.
A produção de um comercial de tv é uma mini-escola
de trabalho para cinema. Você tem uma mini-estrutura de trabalho,
um resumo do que seria um filme de longa-metragem. Geralmente, a produção
de um comercial acontece em uma semana, da aprovação do
roteiro até o filme estar na tela da televisão. E você
tem a estrutura de elenco, figurino, assistente de direção,
produção, técnicos de som, edição,
efeitos especiais. Então, está tudo ali naquele micro-universo.
A produção de publicidade é ótima escola porque
é onde você trabalha com condições ideais,
de dinheiro, de equipe e de equipamento. Por exemplo, para o comercial
da coca-cola tem dinheiro, então você vai trabalhar com os
melhores modelos, com o melhor câmera, com o melhor editor de publicidade,
com o melhor equipamento.
Então, depois, quando você vai fazer os curtas de graça
para os amigos, o primeiro filme para alguém, sempre tem limitações
técnicas, limitações de dinheiro, limitações
de equipe. Você quer trabalhar com o fotógrafo melhor, mas
você não pode e aí trabalha com um menos bom, e assim
em tudo. Nem sempre um longa trabalha com as condições ideais
que a publicidade. Você enxerga o que é um nível de
excelência, de técnica, de pessoal e de orçamento.
Eu me lembro que no primeiro trabalho que eu fui fazer, eu queria fazer
tudo. Eu não sabia o que eu tinha que fazer, então eu achava
que era que nem no meu curso, que eu tinha que preocupar com tudo. Eu
me preocupava se o estúdio estava limpo, se tinha que varrer, se
o ator estava olhando para a câmera, com a continuidade. Eu achava
que eu, como estagiária, tinha que me preocupar com tudo. Ninguém
me falou que não era assim, então eu fazia. E aí
eles acharam engraçado, eu era uma formiguinha correndo para cima
e para baixo. Com o tempo eu fui entendendo que tinha gente para fazer
cada coisa. E fui também entendo o processo, incorporando isso,
trabalhava muito e adorava. Depois de três anos eu saí de
lá e virei freelancer. Lá no Rio tinha a Conspiração
que estava começando a nascer, aí fiz alguns clipes lá.
Mulheres: Quando foi isso?
Raquel Zangrandi. Foi em julho de 94. Comecei a trabalhar
na Conspiração e peguei um trabalho na VideoFilmes como
assistente de produção. Eu tinha um amigo que era diretor
de produção de lá, Beto Bruno, que me chamou para
fazer um trabalho. Eles não tinham um coordenador de produção
fixo, e aí me chamaram.
Mulheres: Nesse período, tanto na Conspiração
quanto na VideoFilmes, ainda eram comerciais?
Raquel Zangrandi: Aí já tinha um pouco
de tudo. Tinha curta, publicidade e também clipe. Nessa época
a Conspiração ainda fazia muito clipe.
Mulheres: Você se lembra qual foi o primeiro curta?
Raquel Zangrandi: O primeiro curta que eu trabalhei...
foi de um amigo da faculdade. É um grupo de amigos que se reúne,
você tem que conseguir tudo de graça, é sempre mais
difícil. E fiz alguns clipes, fiz um bacaníssimo da Marisa
Monte com o Carlinhos Brown, na Conspiração.
Mulheres: E aí você fez essa ponte entre
a Conspiração e a VideoFilmes?
Raquel Zangrandi: Durante uma época eu fiquei
trabalhando simultaneamente nas duas fazendo “free-lancer”, e depois a
Videofilmes me contratou. Estou lá desde 94 até hoje.
Mulheres:
Como coordenadora ou diretora de produção? Eu gostaria que
você explicasse qual a diferença.
Raquel Zangrandi: Tem uma diferença. Quando eu
estou lá, no dia-a-dia do escritório, eu faço a coordenação
de produção da VideoFilmes. Cuido das agendas, dos cronogramas,
do orçamento, da saída e entrada de equipamento, da saída
e entrada de pessoal. À vezes você fecha um pacote com uma
equipe para ela fazer vários trabalhos, então eu preciso
saber que o fotógrafo vai trabalhar na primeira semana no projeto
A, e na segunda no B, que a mesma câmera tem que chegar porque vai
sair outra equipe. E tem também uma demanda dos projetos da VideoFilmes
já terminados, filmes de dez anos atrás que estão
sendo convidados para um festival em algum lugar do mundo.
Mulheres: E como diretora de produção?
O que é dirigir uma produção especificamente? Porque
as pessoas fazem um pouco de confusão entre produtora, produção
executiva, direção de produção.
Raquel Zangrandi: Quando eu entrei na VideoFilmes tinha
um volume muito grande de publicidade, todo mundo da casa muito absorvido
com aquilo, e tudo em uma velocidade muito grande, muita gente entrando
e muita gente saindo.
Quando eu fazia produção na publicidade, era tudo muito
setorizado. O diretor de produção basicamente recebia o
roteiro de uma agência, tinha uma reunião com o diretor,
e definia-se a equipe, o fotógrafo, o figurinista, o editor. Aí,
chamávamos uma equipe grande. Contratávamos produtor de
locação, produtor de elenco, figurinista e assistente, diretor
de arte com produtor de objeto, cenógrafo, cenotécnico,
técnico de som, diretor de fotografia com assistente de câmera,
segundo assistente e operador de vt. Então, produtora em um filme
de publicidade eu ficava orquestrando tudo isso.
Já no documentário, que é o que eu tenho feito nesses
últimos anos, a equipe é muito pequenininha. A equipe não
pode ultrapassar o número de pessoas que caibam em uma van. Junto
com o motorista são seis pessoas de equipe. Aí, eu faço,
junto com o diretor, conforme o que ele pede, todo esse trabalho que faria
o produtor de locação, o produtor de elenco, acabo ajudando
na equipe de câmera, ajudando um pouquinho o cara do som.
Mulheres: Você viaja junto com a equipe o tempo
inteiro?
Raquel Zangrandi: Essa é a parte boa do trabalho
em documentário, estar com a equipe o tempo inteiro. É você
estar junto desde a concepção da primeira idéia,
da viabilidade dessa idéia, montar o projeto, colocar nas leis
de incentivo.
Quando ele é aprovado, vamos procurar o patrocinador, e quando
não entra o que a gente queria, a gente reorganiza tudo para a
realidade do patrocínio que a gente conseguiu.
Aí eu começo a contratação de equipe. Às
vezes, a gente contrata pesquisador, outras vezes eu mesma faço,
pesquisa de personagem, pesquisa histórica, pesquisa iconográfica,
pesquisa de imagem, pesquisa de fotos de época, o que for preciso
para o diretor entrar naquele assunto. Às vezes ele vai incorporar
esse material ao filme, noutras ele vai utilizar para definir melhor o
seu roteiro, o que ele quer filmar.
O diretor de produção de um longa é contratado para
pré-produção, para a fase de filmagem e depois ele
fica uma ou duas semanas fechando a produção, que a gente
chama de desprodução, que é fazer as prestação
de contas do dinheiro que foi gasto e passou pela mão dele; a devolução
das coisas que foram alugadas ou emprestadas. O diretor de produção
fica umas semaninhas a mais, depois que o filme termina. Dependendo, tem
também o produtor de finalização, que irá
acompanhar todo o processo de finalização de imagem.
Mulheres: Qual foi o seu primeiro longa na VideoFilmes?
Raquel Zangrandi: Foi “O Primeiro Dia”, do Waltinho.
Quando eu entrei, eles estavam filmando “O Primeiro Dia”. O filme era
para ser um média, mas foi ficando tão bom que eles resolveram
amplia-lo, pois se fosse um média ele não ia conseguir espaço
na grade de exibição.
Mulheres: Esse filme foi produzido para aquele projeto
que reuniu vários diretores com filmes sobre a passagem do milênio.
Raquel Zangrandi; Isso. O filme estava com quarenta minutos,
e para ser um longa ele precisaria no mínimo de setenta. Então,
eles refizeram o roteiro e o filme ganhou mais meia-hora para entrar nas
grades de programação dos cinemas.
Mulheres: Qual foi a sua função nesse filme?
Raquel Zangrandi: Eu fui produtora dessa segunda fase. Foi tudo feito
com custo mínimo, a equipe e os atores receberam um valor simbólico.
Praticamente tudo que foi filmado entrou no filme, não tinha gordurinha
para a ilha de edição, eles foram com uma coisa muito precisa
do que tinha que ser filmado.
Mulheres: E qual foi o filme que você pegou desde
o início?
Raquel Zangrandi: Foi o “Nelson Freire”, o primeiro longa
do João para cinema. Nesse, teve viagens para a França,
para a Rússia, para a Bélgica, e muitas viagens pelo Brasil,
já que ele acompanha, durante um ano, várias turnês
do Nelson; não todas, porque não daria para o nosso orçamento.
Apesar de ser um documentário, tinha uma equipe grande. Uma equipe
técnica para filmar os concertos e fazia tudo em película,
com duas câmeras. Não fui à viagens internacionais,
porque estava de licença maternidade. Normalmente, em documentário
não se filma tanto, mas nesse, através de um desconto especial
com a kodak, nós usamos mais ou menos quinhentas latas de negativo,
o que para um documentário é quase impensável, porque
sai muito caro. Como o filme acompanha a turnê do Nelson, era preciso
ter muito material para ir para a mesa de corte.
Mulheres: Em documentários, normalmente se usa
quanto de negativo?
Raquel Zangrandi: Para documentário, eu acho que,
com dinheiro, não passa de duzentas latas.
Mulheres: Você sabe, por alto, quantos filmes você
já tem no currículo?
Raquel Zangrandi: Eu acho que deve ter uns quinze filmes,
mais ou menos.
Mulheres: Nós já falamos do “Primeiro Dia”,
do “Nelson Freire”, você está aqui no lançamento do
“Peões” e do “Entreatos”. Você poderia falar de mais alguns
títulos?
Raquel Zangrandi: Teve uma série que foi lançada
no GNT, que foi uma produção de um ano e meio, “Seis Histórias
Brasileiras”. Foram seis documentários, sobre seis temas brasileiros.
Desde a primeira reunião até o filme ficar pronto durou
um ano e meio, de filmagens deve ter dado uns dez meses.
Mulheres: A direção foi de quem?
Raquel Zangrandi: Foram vários diretores. O João dirigiu
dois, o Arthur Fontes, da Conspiração, veio como convidado
e dirigiu mais dois, e a Izabel Jaguaribe, que fez depois o “Paulinho
da Viola” dirigiu mais dois. Todos eles co-dirigidos com jornalistas do
Rio e de São Paulo, que nunca tinham feito documentários
e que entraram primeiro para roteirizar junto aos diretores, mas acabaram
fazendo uma co-direção. Toda sexta-feira tinha reunião
de pauta de 17h até a meia-noite, em que todo mundo dava palpite
em todos os filmes, sobre os temas e os personagens.
Mulheres: Essa produção foi quando?
Raquel Zangrandi: de 99 para 2000.
Mulheres: Uma pergunta óbvia: você é
apaixonada pelo documentário, não é?
Raquel Zangrandi: Eu adoro documentário. No documentário,
como a equipe é pequena, trabalha-se mais. O técnico de
som está ali durante a gravação de uma entrevista,
mas ele está atento também à produção,
ele me dá toques. Todo mundo está atento a tudo, porque
é uma equipe mais orgânica.
Como a gente fala muito durante as viagens, os próprios motoristas
acabam dando palpite. Ele também é parte da equipe, ele
também participa. Todo mundo tem a visão geral. O fotógrafo,
o assistente de direção, o técnico de som e o produtor,
todos envolvidos 100% com o trabalho.
Na ficção é diferente. Terminam as filmagens do dia,
o figurinista vai para casa preocupado com as questões do figurino,
e também não é para ser diferente. Ele não
precisa se preocupar com a luz, com o som. Nesse sentido, com o documentário
você se envolve mais com o trabalho. Várias vezes eu mesma
entreguei o filme para o projecionista do cinema ou para a emissora. Então
a gente consegue acompanhar todo o processo mesmo.
Mulheres: O “Peões” e o “Entreatos” foram filmados
na mesma época. Como você atuou nos dois?
Raquel Zangrandi: Foram filmados simultaneamente. Eu
participei da pesquisa dos dois. Em “Os Peões” houve uma pesquisa
fotográfica, pois os personagens foram encontrados através
da fotos da época da greve. A gente queria que fossem pessoas anônimas
e que desse para a gente ver os rostos, para levar para os metalúrgicos,
que hoje estão aposentados, vinte anos depois, para que eles conseguissem
identificar. Esse foi o dispositivo do filme, e a partir daí chegamos
aos personagens. Eu fui para os principais jornais do Rio e de São
Paulo, fui para as redações, para os arquivos fotográficos
e fiquei pesquisando foto por foto. Eu cheguei mais ou menos a 800 fotos,
que viraram 500, e depois 250 que nós levamos para mostrar para
os metalúrgicos. Isso foi, mais ou menos, dois meses antes de começar
as filmagens.
Simultaneamente, eu fiz também a pesquisa para o “Entreatos”. A
gente começou a pesquisar sobre a vida do Lula, em jornais de época,
em livros, em matérias, em reportagens. A gente fez uma extensa
pesquisa nos arquivos de imagem, no CEDOC, na Cinemateca Brasileira, na
Cinemateca do MAM, no Arquivo Nacional, na TV Cultura. A gente deu uma
rastreada na vida dele. Então o João fez uma coisa muito
bacana, ele contratou pessoas para dar palestras para as duas equipes
sobre movimento operário e sobre a vida do Lula.
A gente juntou as duas equipes em cinco palestras com jornalistas, com
a biógrafa do Lula, Denise Paraná, que tinha acabado de
lançar a biografia, pessoas do jornalismo político, pessoas
ligadas ao movimento operário. Cinco palestras para todo mundo
entender o que estava fazendo.
Durante a pré-produção eu fiquei fazendo a pesquisa
para os dois filmes. Durante as filmagens, a Bete Formaggini, produtora
que já trabalhou com o Coutinho, foi a diretora de produção
de “Peões”, cuja base era em São Bernardo; eles ficaram
dois meses morando em um hotel lá. Eu fui com o João para
São Paulo, que era a nossa base, onde ficava o Comitê Central
do PT. Caso não tivesse acontecendo nada a gente ia para o Comitê,
porque lá era a base do Lula, o pessoal dele ficava lá.
Então, durante a fase de filmagem, eu fui produtora do filme do
João.
Quando passaram as filmagens e a gente começou a preparar o material
para ser editado, eu fui a coordenadora de pós-produção
dos dois filmes porque os dois foram editados na VideoFilmes. Os dois
prontos vão para o processo de acabamento de som e de imagem. Então
eu coordenei os dois. E depois o processo de transfer, porque foram captados
em vídeo e transferidos para película, em 35mm. Depois acompanhei
o lançamento dos dois filmes que estrearam em várias capitais
e agora aqui em Belo Horizonte.
Mulheres: Tem alguma mulher, ou mais de uma, na história
do cinema brasileiro que você quer homenagear aqui no Mulheres?
Raquel Zangrandi: Puxa, tem tanta gente legal.
Mulheres: Pode falar a primeira que vem à cabeça,
a idéia é essa mesma.
Raquel Zangrandi: A primeira pessoa que me vem à
cabeça e que tem a ver com a retomada do cinema brasileiro é
a Carla Camuratti. Nunca trabalhei com ela, mas ela fez o “Carlota Joaquina”
(Princesa do Brasil), ela produziu, ela dirigiu, ela fez tudo. Ela pegou
o filme e pôs debaixo do braço, se meteu a distribuir, que
é a coisa mais difícil. Mais difícil que produzir
é distribuir e lançar, é achar espaço nas
salas de cinema para seu filme, brigar pelo filme, e isso ela fez exemplarmente.
Então eu acho que ela é um modelo a ser seguido por isso.
Nós temos mulheres maravilhosas, nós temos a Jordana, que
é uma editora que trabalha com a gente. Nos últimos dez
anos ela tem editado todos os filmes do Coutinho. Jordana Berg, ela é
carioca, casada com o Sérgio Bloch, diretor de documentários.
Ela é excelente editora, muito discreta, aparece pouquíssimo
por aí, muita gente não a conhece. Ela é a pessoa
que dialoga com o Coutinho, porque os documentários acontecem na
ilha de edição, e o Coutinho é um cara inteligentíssimo,
um mestre do documentário. E ele sempre escolhe ela para montar
com ele.
É sempre muito importante prestar atenção em quem
os diretores de documentário escolhem para montar seus filmes,
porque são essas pessoas com quem eles dialogam, são essas
pessoas que eles ouvem. O diretor tem uma idéia, mas às
vezes é o editor que consegue vencer uma batalha. Então
a Jordana é importante por causa disso, ela é co-responsável
pelo valor dos filmes do Coutinho, o documentário acontece na ilha
de edição e ela é 50% responsável por isso.
Mulheres: Muito obrigado pela entrevista.
Raquel Zangrandi: Obrigada.
Entrevista
realizada em abril de 2005.
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