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015
- NOÊMIA DUARTE
“Tainá – Uma Aventura na Amazônia”
não foi apenas um dos maiores sucessos brasileiros do cinema infantil. O filme
marcou a estréia de uma garota apaixonante nas telas e nos bastidores uniu para
sempre a vida de duas mulheres: Eunice Baía e Noêmia Duarte. Eunice Baía foi selecionada
entre 3 mil candidatas para viver Tainá, a defensora da fauna e da flora da
exuberante Amazônia. Noêmia Duarte foi a diretora de elenco que ajudou a
encontrar, em uma epopéia que foi do Oiapoque ao Chuí, aquela que daria vida
à cativante guerreira. Responsável pelo “casting” e assistente de
direção de “Tainá, Uma Aventura na Amazônia”, de Tânia Lamarca, Noêmia
Duarte é também atriz e produtora. Com o filme tornou-se também mãe, já que
a pequena Eunice, então com apenas sete anos, a escolheu como tal durante as
filmagens. Agora, sete anos após o primeiro
filme, chegou às telas a seqüência do sucesso infantil,
“Tainá 2 – A Aventura Continua”. Eunice Baía e Noêmia Duarte
estão viajando pelas principais capitais para o lançamento do filme e
estiveram em Belo Horizonte. Em entrevista coletiva e também em entrevistas
individuais para o Mulheres, elas falam sobre as filmagens dos dois longas, do
encontro entre as duas, como
Noêmia, por escolha da garotinha Eunice, tornou-se sua tutora e como Eunice
trocou o Belém do Pará por São Paulo. Podemos também conhecer melhor o
universo do “casting” e os desafios dessa categoria. NOÊMIA
DUARTE
Mulheres: Onde você nasceu? Noêmia Duarte: Nasci no Recife, depois vim para
São Paulo, onde já estou há 25 anos. Tenho 42. Mulheres: Você começou sua carreira como atriz, não é
isso? Noêmia Duarte: Sim, comecei no teatro amador, em
teatro de grupo. Em 81/82 fiquei no Ivamba, depois fui para o CPC do Antunes
Filho, onde fiquei um ano, e em seguida fui para o Boi Voador, onde fiquei
quatro anos. Nos palcos sempre trabalhei com teatro de pesquisa. Mulheres: Como você chegou ao cinema? Noêmia Duarte: O Pedro Róvai estava fazendo uma
peça, “Corte Sapau”, e eu fazia a assistência de produção. Daí quando
ele foi fazer o filme “As Tranças de Maria” ele me convidou para fazer a
produção executiva. Mulheres: Como foi essa passagem, do teatro para o cinema? Noêmia Duarte: No início eu me sentia um peixe
fora d´àgua, eu não sabia nada sobre set. No cinema há uma hierarquia muito
grande, é um trabalho de equipe, mas cada um fazendo a sua parte. No final 1 +
1 dá o resultado final. No teatro, é claro, há as funções, mas você acaba
fazendo um pouco de tudo. Foi um choque, no cinema é tudo milimétrico, é
mesmo a sétima arte. Aprendi na marra, mas depois gostei muito, acho mágico. Mulheres: Além de ser a abertura de uma
nova frente de trabalho. Noêmia Duarte: Sim, e uma nova frente é sempre
muito bom. Mulheres: E a televisão? Você atuou em “A Indomada”. Noêmia Duarte: Sim, fazia a Betse. Fiz uma
participação também em “A Próxima Vítima”. Eu fiz uma mulher que
trabalhava no hospital em que a personagem da Gória Menezes freqüentava. Na
televisão tudo é muito rápido, é uma obra aberta, você vai trabalhando
diariamente e introjetando coisas suas. Mulheres: No “Tainá – Uma Aventura na Amazônia”,
você abre mais frentes de trabalho, “casting” e Assistência de Direção.
Como se deu esse processo? Noêmia Duarte: Primeiro o Rovai, que é o
produtor do filme, me convidou para fazer o casting. Eu fiquei responsável por
encontrar a garota protagonista do filme. Foi um trabalho imenso, rodei do
Oiapoque ao Chuí, para uma seleção entre 3 mil crianças. No final do
processo ficaram 10 e por fim uma, a Eunice. Mulheres: E como chegou à assistência de direção? Noêmia Duarte: A Fátima Toledo fazia a preparação
do elenco e eu ficava sempre por perto, cuidando das crianças. Daí a Tânia
Lamarca, diretora do filme, viu o meu jeito com as crianças e me convidou para
a função. Mulheres: Com o Tainá e seu encontro com a Eunice sua vida
mudou radicalmente, não é? Noêmia Duarte: Completamente, virei mãe. Foi
uma coisa de Deus, já que foi ela que me escolheu. Tive que pensar muito sobre
a minha vida, mas acabei trazendo-a para a minha casa em São Paulo e desde então
já se passaram sete anos. Mulheres: ‘Casting” e Direção de Elenco são a mesma
coisa, não é isso? Explica melhor essa função já que não é em todo filme
brasileiro que a encontramos. É uma característica forte do cinema americano. Noêmia Duarte: Sim, não é em todo filme
brasileiro. Fazer “casting” me fascina. Quando você procura alguém para
fazer um teste, você participa também da direção. Você estuda o roteiro e
ajuda o diretor do filme a procurar aquele que dará vida ao personagem. Você
procura uma pessoa com aquelas características e ajuda o diretor e o produtor
do filme naquilo que eles estão pedindo. Mulheres: Como se dá essa procura? Noêmia Duarte: No caso do Tainá 1 foram 3 mil
candidatas. Eu tinha que não só encontrar uma garota com as características físicas
da personagem, mas também uma garota que tivesse o olhar da guerreira. Eu devo
muito disso ao Róvai, foi ele que me ensinou. Fui do Oiapoque ao Chuí, visitei
tribos, rodei de barco o Rio Negro inteiro. Noêmia Duarte: Eu não ia participar do filme, já
que minha vida estava toda direcionada para o teatro. Acabei entrando no filme
para dar uma ajuda, fazer assistência de produção de elenco. Fiquei responsável
por selecionar o garoto (Vitor Morosini). Mulheres: Como se deu o processo? Noêmia Duarte: No filme anterior era bem específico,
você tinha que encontrar uma índia, ou descendente. Já para o filme atual, o
processo foi procurar em agências, ver fotos, fazer testes. Mulheres: Você agora está no “Mademoiselle Channel”,
com a Marília Pêra. Noêmia Duarte: Sim, como Diretora de Produção.
Fiz muito produção executiva no teatro, em trabalhos com José Possi Neto,
Jorge Takla, Ana Carolina, entre outros. No “Mademoiselle” sou Diretora de
Produção. Mulheres: Pretende deixar o cinema, o “casting”? Tem
algum projeto. Noêmia Duarte: Não, eu adoro. No momento meu
projeto é esse lançamento do Tainá 2. Mulheres: Por que Tânia Lamarca não está nesse filme? Noêmia Duarte: Não sei, acho que ela tinha
outros projetos. Daí, o Róvai, que é o produtor, chamou o Mauro Lima. Mulheres: E como foi essa mudança para você? Noêmia Duarte: São duas pessoas diferentes, eu
participei mesmo foi do primeiro filme, inclusive como atriz, mas todos dois são
ótimos. Com o Mauro eu atuei e fiz “casting” no filme “Deus Jr.” Mulheres: Você gosta dos filmes que são feitos em geral
para as crianças no Cinema Nacional? Noêmia Duarte: Muito não. Cinema para criança
no Brasil deveria ser melhor trabalhado. São poucas as produções preocupadas
com a criança do futuro. É difícil ver, por exemplo, um filme como “Shrek”.
Não estou falando sobre grande produção, estou dizendo sobre conteúdo. Nesse
filme há companheirismo, amor, conto de fadas, não há julgamentos. Mulheres: Mas não há nenhum filme infantil brasileiro que
você goste? Nem dos mais antigos? Noêmia Duarte: Sim, tem “Menino Maluquinho”,
tem “Castelo Rá-Tim-Bum”. O Didi de antigamente eu adorava. Mulheres: E das mulheres do cinema brasileiro, quem você
admira? Noêmia Duarte: Atrizes tem a Fernanda
Montenegro, a Marília Pêra. São duas divas. Mulheres: E diretoras? Com quem você gostaria de trabalhar
no cinema? Noêmia Duarte: Com a Ana Carolina, com quem
trabalhei no teatro, e com a Carla Camurati. Mulheres: E filmes que você goste? Noêmia Duarte: Gosto do “Central do Brasil”
e de “ Tainá, Uma Aventura na Amazônia”. Mulheres: Muito obrigado pela entrevista. Noêmia Duarte: Obrigada. Entrevistas realizadas em janeiro de 2005
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