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Pepê Schettino Mineira, Lúcia Fares começou sua carreira no audiovisual em Belo Horizonte, atuando na esfera do vídeo. Sua trajetória cinematográfica se deu em 1987, quando se envolve com as produções “Jorge, Um Brasileiro”, de Paulo Thiago, e “ O Grande Mentecapto”, de Oswaldo Caldeira. Anos depois integra a equipe de “ Menino Maluquinho”, de Helvécio Ratton, marcando seu encontro com o produtor Tarcísio Vidigal e o Grupo Novo de Cinema e TV. É sobre esses e outros assuntos, como a “ Brazilian Cinema Promotion, onde ocupa o cargo de Diretora Executiva, que Lúcia Fares conversa com o Mulheres, em entrevista por e-mail. Mulheres: Como começou sua trajetória no Cinema Nacional e como foi
seu encontro com o produtor Tarcisio Vidigal e seu ingresso no Grupo Novo de
Cinema e tV? Lúcia Fares: Embora graduada em jornalismo,
trabalhei com publicidade, produção e roteiros de vídeos institucionais antes
de ter meu primeiro contato com o cinema que aconteceu
em 1987, em Belo Horizonte . Naquele ano, excepcionalmente, dois cineastas
mineiros que viviam no Rio foram filmar em BH. Nessa oportunidade
trabalhei pela primeira vez como produtora de figuração no longa -metragem
“Jorge um Brasileiro”, de Paulo Thiago .e logo em seguida fiz a produção
do elenco de apoio e figuração do outro longa Ö Grande Mentecapto de Oswaldo
Caldeira. Infelizmente, a pretendida continuidade da
carreira foi interrompida pelas medidas anticinema do Governo Collor.
Somente em 1993, com a dita
retomada, tive a oportunidade de integrar a equipe de produção do filme o
“Menino Maluquinho” de Helvécio Ratton produzido pelo Grupo Novo de Cinema
e TV. A partir deste trabalho, mudei-me
para o Rio onde fui convidada por
Tarcísio Vidigal para dividir a produção executiva do Menino Maluquinho 2
dirigido por Fernando Meirelles e Fabrizia Pinto -
uma experiência determinante para mim
por ter tido a oportunidade de estar totalmente envolvida em todas as
instâncias da realização de um
filme e também por constatar que minha escolha
era definitiva. Depois do lançamento de Menino
Maluquinho 2, continuei trabalhando com Tarcisio Vidigal , na execução de
todos os projetos realizados pelo Grupo Novo de Cinema (“Rocha que Voa” de
Erik Rocha “Filme de Amor”de Julio Bressane “O Homem de Lagoa Santa” de
Renato Meneses “1972”deJosé Emílio Rondeau “Lula, A trajetória de um
Vencedor”(Cosme Coelho) Ao longo destes 9 anos, participei também da implementação
do pioneiro projeto de distribuição internacional do Grupo Novo de Cinema e
atualmente ocupo o cargo de Diretora Executiva da Brazilian Cinema Promotion. Mulheres: Você, que teve experiências
destacadas com cineastas mineiros, como Paulo Thiago, Oswaldo Caldeira e Helvécio
Ratton, como vê a regionalização do cinema brasileiro hoje? Lúcia Fares:
Historicamente a atividade cinematográfica sempre se concentrou no eixo sul
agregando as mais tradicionais produtoras de cinema e um grande número de técnicos,
prestadores de serviços, estúdios, laboratórios. Esta concentração também
se refletiu na destinação de
recursos das grandes empresas localizadas na região. Para mim, é inadmissível
que um país com a diversidade cultural
do Brasil não consiga implementar essa descentralização
de recursos privando grandes talentos da realização cinematográfica e
limitando o crescimento de uma industria que se possa chamar de genuinamente
nacional. Prefiro acreditar que estamos caminhando, ainda que muito lentamente,
no sentido de reverter este panorama para que todas as regiões tenham a
oportunidade, de formar técnicos, produzir e distribuir seus filmes. Mulheres:
E a Brazilian Cinema Promotion, qual o seu papel no panorama
cinematográfico? Lúcia Fares: A Brazilian Cinema Promotion
tem um papel precursor e fundamental na
promoção do nosso cinema no mercado externo. Fruto de um trabalho
ininterrupto, em meio a tantas limitações, saímos da estaca zero e
conquistamos uma rara visibilidade para o cinema brasileiro no exterior
revertendo positivamente para o mercado interno. Temos tido uma média de
participação em 100 eventos por ano, nos mais diferentes países – como
China, Filipinas, Croácia, Eslováquia, além de marcar presença festivais das
Américas, Europa e Ásia. Mulheres: O cinema brasileiro tem avançado
sua penetração no mercado internacional? Em prêmios dá para acompanhar, mas
como está em exibição? Lúcia Fares: Somente o
Programa de Promoção Internacional do Cinema Brasileiro executado pela
Brazilian Cinema Promotion e o Grupo Novo de Cinema e TV realizou o feito inédito
de lançar 20 títulos brasileiros em 14 capitais do mundo. Este ano lançamos 3
filmes em DVD nos Estados Unidos (Homem do Ano, Crônicamente Inviável e Amores
Possíveis) .Podemos afirmar que a crescente inserção do cinema brasileiro no
mundo nas mais diversas mídias (cabo, satélite e DVD) é uma realidade. Mulheres: Quais são as dores e as delícias
de produzir filmes brasileiros? Lúcia Fares: Para mim que estou envolvida desde
o primeiro passo do projeto de um filme, considero
a “grande delícia” vê-lo pronto e principalmente exibido. Acho que isto é
uma satisfação ímpar. As
dificuldades ou as dores de uma produção cinematográfica são
inerentes ao processo e as considero completamente compatíveis com as
dificuldades encontradas na execução
de projetos em diferentes setores no Brasil. Mulheres: O Grupo Novo de Cinema e TV deu
um passo importantíssimo e louvável ao produzir o “Filme de Amor” dirigido
por um cineasta fundamental para a história do Cinema Nacional, que é o Júlio
Bressane? Como foi, e como está sendo essa experiência? Lúcia Fares: O Grupo Novo vem caminhando no
sentido de buscar projetos que garantam uma variedade de filmes de qualidade.
Produzir projetos comerciais para poder produzir filmes de arte. Investir nos
jovens talentos e valorizar os diretores experientes. Portanto produzir um filme
de Julio Bressane representou de
fato um passo importantíssimo nesse sentido. Acho que ele é um dos raros diretores que pela importância
e marca autoral e investigativa de seu trabalho deveria ter
sempre um produtor para poupá-lo das desgastantes questões cotidianas
de uma produção Mas o Júlio autor, um verdadeiro intelectual, jamais se
eximiu das questões de produção
- ao contrário, trouxe
para nós o melhor de sua enorme experiência na realização de seus
filmes. Costumo dizer que trabalhando com o Julio tivemos
a rara oportunidade de vivenciar somente o lado bom da produção de um
filme. O caminho natural agora é o de repetir essa experiência e por isso
produziremos seu próximo longa, Cleópatra. Mulheres: Quais são os novos projetos? Lúcia Fares: Estamos envolvidos em muitos projetos que se encontram em diferentes fases. Estamos finalizando o “1972“de José Emílio Rondeau e o Homem de Lagoa Santa de Renato Menezes. Este ano iniciaremos a produção de Cléopatra de Júlio Bressane e a do longa metragem de Rafael Conde , “Zé”. Filmaremos no segundo semestre o longa do “veterano Geraldo Sarno “Gavião, o cangaceiro que perdeu a cabeça”. Ainda em fase de captação, temos o documentário Balzac também dirigido por Geraldo Sarno
Entrevista realizada em junho de 2004 |
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