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LIANA
DUVAL

Foto:com
Beth Goulart em cena de "Joelma, 23º Andar" (1979),
de Clery Cunha
A
paulista Liana Duval é uma das mais importantes atrizes do cinema
brasileiro. Durante sua trajetória nas telas, que começou
com o grande sucesso de Mazzaropi, “Sai da Frente”, dirigido por Tom Payne
e Abílio Pereira de Almeida, em 1952, a atriz atuou em mais de
cinqüenta filmes. Com currículo invejável para qualquer
atriz, passou por diferentes modelos de produção no Brasil,
como a Vera Cruz, a Multifilmes, as chanchadas, o Cinema Marginal, as
pornochanchadas, o cinema dos anos 80. A atriz foi dirigida por muitos
dos mais importantes diretores de cinema no Brasil: Luciano Salce, José
Carlos Burle, Carlos Hugo Christensen, Flávio Tambellini, João
Callegaro, Ody Fraga, Jean Garret, Alfredo Sternheim, Rubem Biáfora,
Roberto Santos, Denoy de Oliveira, Carlos Reichenbach, Roberto Santos,
Guilherme de Almeida Prado, Sérgio Toledo, e muitos outros.
Liana Duval construiu carreira marcante também no teatro, atuando
em marcos como o Arena e o Oficina – participou de montagens históricas
como “Rei da Vela”, “Gota D’água” e “Galileu, Galilei”. Na televisão,
participou de novelas na Tupi, Manchete, TV Cultura e Globo: “Mas quando
eu me lembro, outro dia estava lembrando, Meu Deus, como eu trabalhei,
mas não é possível uma coisa dessas (risos)”.
Depois de 50 anos de intensa atividade, Liana Duval resolveu abandonar
a carreira. Paralelamente à carreira, iniciou intensa busca espiritual,
passando por várias religiões: “Pois é. Eu achei
que justamente, todos aqueles cinqüenta anos foram assim, um rio
que passou. Uma bobagem diante da eternidade, diante de Deus, diante do
amor ao próximo, diante da beleza da natureza, diante do silêncio,
diante de tudo que eu estou passando agora. Eu moro sozinha com sete gatos
e uma cachorrinha. E nunca fui tão em paz, tão feliz e tão
tranqüila”. Liana Duval vive em uma comunidade rural fundada por
Trigueirinho Neto no interior de Minas Gerais. E foi de lá que
conversou com o Mulheres por telefone de sua casa e repassou uma das mais
intensas e importantes trajetórias no cinema brasileiro, como também
no teatro e no rádio.
Mulheres: Você começou sua carreira pelos
palcos, não é?
Liana Duval: É. Eu comecei fazendo curso na Escola
de Arte Dramática de São Paulo, sob a direção
do Alfredo Mesquita, que era o dono da escola. Eu fiz três anos
junto com a mãe da Christiane Torloni (Monah Delacy), o pai (Geraldo
Matheus) e o Leonardo Villar, que foram os artistas que continuaram; porque
o resto, acho que devia ter umas trinta ou quarenta pessoas na escola
no primeiro ano que eu estava estudando lá. Depois continuou a
ir muitos artistas, todos os artistas que estão na Globo agora
passaram pela Escola de Arte Dramática de São Paulo, a EAD,
que foi a primeira de São Paulo.
Inclusive eu tive aulas com Marcel Marcel, de mímica, quando ele
veio para o Teatro Municipal para fazer espetáculo. Ele é
o maior mímico que já pisou neste planeta. E ele me convidou
pra ir com ele para a França, para ser discípula dele, mas
eu não quis me arriscar não.
Mulheres: Esse curso que você fez foi quando? Que
ano?
Liana Duval: Foi em 1949.
Mulheres: Em qual momento da sua vida você decidiu
que queria ser atriz?
Liana Duval: Olha, a primeira vez que eu pisei num teatro
para assistir uma peça, que foi do Abílio Pereira, foi uma
comédia no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia). Eu comecei
a ser atriz quando eu vim do interior de São Paulo para a capital
para estudar jornalismo. Eu queira ser jornalista. E, então, eu
li um anúncio no jornal convocando as pessoas para fazerem teste
para fazer escola de arte dramática. E eu nunca tinha lido uma
peça na vida, nunca tinha pisado num teatro na vida, tinha vindo
do interior, e eu de curiosidade falei “vou ver o quê que é.”
Eu assistia muito cinema no interior. Porque no interior não tinha
teatro, né? Onde eu morava não tinha teatro. Eu vim pra
São Paulo com vinte e um anos e nunca tinha pisado num teatro na
minha vida.
Mulheres: Você nasceu onde?
Liana Duval: Eu nasci numa fazenda em Paraguaçu
Paulista, e depois, com onze anos, eu fui para Presidente Prudente. Eu
estudei até o curso secundário e saí de lá
com vinte e um anos para São Paulo, onde minha irmã já
morava. Eu fui para estudar jornalismo, só que ao invés
de jornalismo eu fiz curso de arte dramática. Foi assim que começou
a minha carreira.
Mulheres: Você nasceu em seis de junho de 1927,
não é isso?
Liana Duval: Exatamente.
Mulheres: Ai você fez o curso e tomou paixão?
Porque foi uma mudança.
Liana Duval: Você sabia que eu passei em segundo
lugar? Um colega meu que ficou em primeiro. Eu passei em segundo lugar.
Ele fez Shakespeare. Eu nem sabia quem era Shakespeare nessa altura dos
acontecimentos. E, mesmo assim, eu passei em segundo lugar com louvor.
Quer dizer que eu, sem querer eu tinha... mas eu nunca pensei em ser atriz.
Mulheres: Você já tinha descoberto, sem
querer, que seu destino era ser atriz.
Liana Duval: Isso mesmo. É o destino. Você
disse certo. É o destino.
Mulheres: Agora, como que foi conviver com o Marcel Marcel?
Liana Duval: Ele era um doce de criatura, um amor de
pessoa. de uma capacidade... um homem maravilhoso. Nossa... eu até
acho que rolou assim uma paixonite dele por mim (risos). Além de
ele achar que eu tinha talento pra mímica, ele achava que eu era
ótima aluna, ele também tinha uma certa quedinha por mim.
Cada vez que ele vinha fazer espetáculo, ele me chamava de Marriá,
ele sempre me perguntava: “Quando é que você que ir para
a França?”. E eu com medo, pensava: “Quê que eu vou fazer
lá? Não tenho ninguém conhecido. Só ele, de
repente... como é que eu fico lá?” Eu não podia ficar
morando com ele. Ele não me pediu em casamento, então eu
não fui.
Mulheres: E com o Mesquita?
Liana Duval: o Alfredo Mesquita era uma pessoa maravilhosa.
Ele fez a Escola de Arte Dramática com o dinheiro dele, sem ajuda
do governo. Naquela época era uma coisa particular dele. E ele
dedicou a vida inteira para essa escola. Até que ele veio a falecer.
Mas a maior parte dos atores, desses antigos, passou pela escola. A Aracy
Balabanian... uma porção.
Mulheres: Qual foi o seu primeiro espetáculo?
Liana Duval: O primeiro espetáculo foi no Teatro
Municipal. A mãe da Christiane Torloni (Monah Delacy) fazia o papel
de minha mãe, e o Leonardo Vilar fazia o papel de meu pai. Era
uma peça Tcheca. E foi no teatro municipal.
Mulheres: E isso foi em que ano?
Liana Duval: ah! Isso foi 1950, 1951, por ai.
Mulheres: Você fez uma carreira importante no teatro.
Liana Duval: Eu fiz quarenta e seis peças de teatro.
Mulheres: E grandes marcos. “Rei da Vela”, “Gota D’água”...
Liana Duval: Eu fiquei praticamente uns cinco anos no
Teatro Oficina. Fiz “Galileu, Galilei”, eu fiz várias peças
lá.
Mulheres: O Oficina é uma referência na
cultura brasileira. Como foi pra você participar desse momento histórico
das artes cênicas brasileiras.
Liana Duval: Bom. Naquele momento era como se fosse o
TBC, que foi a maior escola, com Cacilda Becker, e tudo isso. Depois foi
o Teatro Oficina e foi o Teatro Arena, que foram a base do teatro paulista.
Mulheres: Entre as tantas peças, qual você
destacaria, que te venha à memória, ao coração,
que você achou importante participar?
Liana Duval: Foi uma peça do Gorki, “Pequenos
Burgueses” (direção de José Celso Martinez Correia),
pra mim foi o máximo. Tanto como papel importante quanto como peça,
ficou dois anos em cartaz, foi uma peça muito importante. E o “Rei
da Vela”. Foi com o “Rei da Vela” que nós fomos para a França
e para a Itália. No Festival de Teatro Vinance, e de Florença.
Mulheres: Você também teve um outro momento
importante como vedete, não é?
Liana Duval: Não, não, não. Isso
é engano das pessoas, completamente
Mulheres: Não? É porque é uma coisa
que sempre se fala de você.
Liana Duval: Mas não, não é verdade.
Eu só fiz dois espetáculos. Um deles foi um espetáculo
que eu fiz a convite. Como eu fiz um filme com aquele grande ator que
ficou na Globo depois com o Chico Anísio, Como é que ele
se chamava? (Walter D´Ávila, talvez) ... Minha cabeça
está meio esquecida.... O filme chamava-se “João Gangorra”,
foi um filme que eu fiz como estrela, estrelando .
Mulheres: Que é do Alberto Pieralisi.
Liana Duval: E então ele me convidou pra ser uma
atriz convidada na peça de revista, pois depois que acabou o filme
ele ia fazer essa peça. Eu fui convidada assim, como atriz convidada,
porque a vedete era uma outra.
Mulheres: Você se lembra do nome da peça?
Liana Duval: Pois é... eu não me lembro
não.
Mulheres: Foram duas?
Liana Duval: A outra não foi peça no teatro,
foi numa boate, “No País dos Cadillacs” do Silveira Sampaio. Eu
fazia uma vedete. Tinha duas vedetes, uma crioula e uma francesa, a francesa
era eu. Então foi na Boate Glória, lá no Rio de Janeiro.
Mulheres: Essa história de você ser vedete
é talvez porque sempre se fala da sua beleza.
Liana Duval: Porque eu fui das Dez Mais do Lalau, do
Stanislaw Ponte Preta. Eu fui das dez mulheres mais certinhas do Brasil.
Mulheres: É porque tem várias fontes que
falam dessa passagem sua como vedete.
Liana Duval: Mas eu não fui vedete. Eu fui atriz
convidada nas duas vezes que o Silveira Sampaio me convidou, porque eu
fui substituir uma atriz que era a vedete e que adoeceu, teve um problema
sério, foi operada e tudo. E ele me convidou pra fazer, para substituí-la.
Mulheres: Entendi.
Liana Duval: Ai eu fiz a temporada toda, acabei ficando
a temporada toda. Aliás, o Silveira Sampaio era uma pessoa fantástica.
“No País dos Cadillacs” foi um show, sabe? Era um verdadeiro show.
Mulheres: Antes de a gente entrar mais especificamente
no cinema, vamos falar um pouco da televisão. O seu primeiro trabalho
na televisão foi na novela “Marcados pelo Amor”, em 1964?
Liana Duval: Foi. O Cuoco (Francisco) também estava
participando dela. Ele era o galã e era a primeira novela dele
também. E da Miriam Mehler. Era o Cuoco, a Miriam e eu.
Mulheres: A partir daí você fez várias
outras ...
Liana Duval: Eu também fiz alguns programas lá
na Record. Assim... um programa que eu fiz, um espetáculo com Aguinaldo
Rayol, aquela ópera da japonesa que era apaixonada pelo americano...
Mulheres: Butterfly
Liana Duval: Isso, eu fazia a ama da Butterfly. Isso
ninguém nunca soube, porque é uma coisa que ficou tão
escondida no tempo e no espaço que ninguém sabia. Eu era
contratada da Record. Foi o primeiro contrato de televisão, depois
eu fui pra TV Paulista, que hoje é a Globo, mas na base experimental.
Eu era uma espécie de garota propaganda.
Depois eu fui para o teatro, eu deixei a TV, eu achei melhor fazer teatro.
Eu achava que televisão era uma coisa menor. Eu queria fazer cinema
e teatro, televisão não. Sabe... uma vez eu dei uma entrevista,
foi por isso que eu demorei muito para fazer televisão. Eu falei
que televisão só ia ser uma coisa boa daí a cem anos,
porque até então eu achava que era uma coisa menor. E ai
nunca me convidaram. Eu era muito metida. (risos).
Mulheres: Mas você participou de alguns marcos.
Liana Duval: Eu fiz várias novelas na Tupi.
Mulheres: Fez o “Nino, O Italianino”
Liana Duval: Participei, participei de várias
novelas.
Mulheres: É uma carreira longa. Há pouco
tempo você estava, inclusive, participando da novela de Silvio de
Abreu, “A Próxima Vítima”.
Liana Duval: “A Próxima Vítima” não
foi a primeira novela que eu fiz na Globo. Foi “Tieta”. Eu estava na Manchete
fazendo uma novela da Glória Peres, com a Lucélia Santos
de estrela (“Carmem” - 1987). Então eu fiz um papel em que eu tive
uma crítica, eu nunca vi uma atriz ter uma crítica como
eu tive, nessa novela.
Mulheres: O que dizia?
Liana Duval: Eu precisava, de alguma maneira, mostrar
ara você essa crítica que eu tive. E depois o Luiz Fernando
me convidou para fazer a “Tieta”.
Mulheres: Foi crítica em jornal?
Liana Duval: Não, essa crítica foi da Revista
Contigo. Olha, dizia que ele não me conhecia, ele pedia desculpas
por não saber da minha existência. Mas ele falou que de todas
as atrizes famosas, que eu, naquele simples papel de uma mãe suburbana,
no jeito de andar, no falar, no olhar, tudo que eu fazia, ele achou que
era uma coisa tão perfeita, que se ele tivesse que pensar numa
outra atriz para fazer esse papel, ele não saberia escolher.
Mulheres: Que maravilha.
Liana Duval: Mas do jeito que eu estou falando não
tem nem um milésimo do jeito que ele falou na crítica.
Mulheres: Era uma novela que tinha um elenco importante,
Beatriz Segal, Darlene Glória, Paulo Betti.
Liana Duval: Wilker (José). Era uma novela com
aquela lá que fazia o papel de má, fazia a minha rival,
aquela que ficou famosa como atriz maldosa, cm personagem maldoso.
Mulheres: Beatriz Segal.
Liana Duval: Beatriz Segal. Até que a Beatriz
brigou no meio da novela e saiu. Aí até teve que mudar o
final por causa dela.
Mulheres: E “A Próxima Vítima”, que foi
uma novela de muito sucesso.
Liana Duval: O meu papel era praticamente insignificante,
porque eu estava o tempo todo numa cadeira de rodas, sem falar, né?
Mulheres: Mas era um papel importante dentro da trama,
você foi uma das vítimas do misterioso assassino.
Liana Duval: Eu tive crítica desse jeito também.
Que eu, como quem diz, como muda, só no olhar, só na presença,
dizia mais do que as outras pessoas falando. Era uma coisa assim a crítica.
Foram dois trabalhos que eu fiz e que eu tive críticas muito boas.
Mulheres: Agora o cinema. Você disse que o “João
Gangorra” foi o primeiro filme que você estrelou. Mas antes disso
você participou do “Sai da Frente” (1952 – Tom Payne e Abílio
Pereira de Almeida).
Liana Duval: O “Sai da Frente” foi o Abílio que
me botou, ele queria fazer um teste comigo. Tanto que meu nome não
sai nos letreiros. Eu só faço uma cena, como um teste, para
depois fazer o “Nadando em Dinheiro” (1952 – Abílio Pereira de
Almeida – Carlos Thiré) em que eu fazia um papel muito importante,
já era uma papel bonzinho.
Mulheres: Você consegue recuperar na memória como
foi entrar num set de cinema?
Liana Duval: É, eu estive na Multifilmes, estive
na Vera Cruz, né?
Mulheres: Sim, isso a gente vai falar, porque você
passou por todos os momentos do cinema brasileiro. Mas eu falo do início,
lá no primeiro e segundo filme, você se lembra como era estar
fazendo cinema ali, nos anos 50?
Liana Duval: Olha, eu era uma garota na época.
Eu era uma garota praticamente inexperiente. Aquilo para mim era uma festa,
era quase uma brincadeira. Conviver com todo aquele pessoal, o diretor
era italiano, o maquiador era russo, era uma coisa muito extravagante.
Era uma coisa, assim, de sonho. Era uma verdadeira coisa de sonho.
Mulheres: Na Vera cruz você participa de um grande
clássico, “Floradas na Serra” (1954 – Luciano Salce). Como foi
trabalhar na Vera Cruz?
Liana Duval: “Floradas”, com a Cacilda. Era uma Hollywood
brasileira. Era o que tinha de mais moderno.
Mulheres: Você participou também de outro
estúdio paulista, a Multifilmes, onde você fez “A Pensão
de Dona Estela” (1956 – Ferenc Fekete – Alfredo Palácios), não
é isso?
Liana Duval: Fiz “A Pensão de Dona Estela”, “Uma
Vida para Dois” (1953 – Armando de Miranda). Fiz também um filme
com uma diretora italiana (““ O Pão que o diabo amassou” – 1957,
Maria Basaglia). Eu fazia o papel principal, com o Jaime Costa. Eu já
havia feito teatro com o Jaime Costa, fiz fiz duas peças com ele.
Olha, eu participei de tudo. Eu realmente tenho uma bagagem. Eu estava
outro dia pensando: “nossa, a gente não tem noção
da coisa, puxa, depois de tudo isso eu vim acabar praticamente vivendo
num monastério, fazendo sopa para os carentes, costurando, visitando
os doentes, essa coisa toda. Depois de tudo isso, toda essa bagagem, esses
anos todos. Foram cinqüenta anos de lutas, eu participei de vários
filmes daqueles pornográficos. A Vera Fischer começou também
comigo, eu fiz dois filmes com ela. Teve a época das pornochanchadas,
eu participei bastante, porque eu precisava sobreviver na selva da cidade,
então eu tive que entrar em certas, mas sempre fazendo a mãe,
ou a tia, ou a governanta.
Mulheres: É, e também em filmes que são
importantes hoje.
Liana Duval: Tinha o Reinchenbach (Carlos) , era pornochanchada,
mas com classe, com talento. O Carlos é um grande diretor. Eu já
fiz filme com todo mundo, toda hora eu estava fazendo uma pornochanchada.
Mulheres: Você falou sobre essa trajetória
artística intensa, cinqüenta anos, e agora está aqui
em um monastério. Como seu deu essa escolha, essa mudança?
Liana Duval: Pois é. Eu achei que justamente,
todos aqueles cinqüenta anos foram assim, um rio que passou. Uma
bobagem diante da eternidade, diante de Deus, diante do amor ao próximo,
diante da beleza da natureza, diante do silêncio, diante de tudo
que eu estou passando agora. Eu moro sozinha com sete gatos e uma cachorrinha.
E nunca fui tão em paz, tão feliz e tão tranqüila.
Mulheres: Mas você tem noção também
que participou dessa construção do teatro brasileiro, do
cinema brasileiro. Que você tem uma passagem importante pelas artes
cênicas.
Liana Duval: Eu não sei se foi importante realmente.
Mulheres: Bom, eu acho. Tanto que eu queria muito entrevista-la.
Liana Duval: Obrigada (risos)
Mulheres: Eu acho que você tem uma carreira das
mais impressionantes.
Liana Duval: Não foi das piores não (risos).
Eu estou aqui há quinze anos. Eu participei de um coral durante
uns três anos aqui, uns três ou quatro anos. O tempo passa
rápido. Mas eu sempre busquei. Eu fui pro Japão três
vezes, fazer cursos, conheci um monte de templos budistas. Dessas religiões
modernas. agora no Japão tem muita religião que não
é budista. Que é mais ara o lado do xintuísmo, um
xintuísmo modernizado. Então lá eu fiz cursos de
quebana, de meditação. Freqüentei vários templos,
lá.
Mulheres: Isso foi quando?
Liana Duval: Isso foi em 1970. Nos anos 70 eu vendi um
apartamento no Guarujá para ir para o Japão, numa caravana
religiosa. Depois eu fui em 72 e fui em 78, fui três vezes ao Japão.
Quer dizer que eu já estava buscando há muito tempo. Freqüentei
com a Nicete Bruno e com o Paulo Goulart, um ano de espiritismo. Fui da
Rosa Cruz, fiz um ano de Rosa Cruz. E depois eu fui para a Messiânica,
que é uma religião japonesa, eu viajei para Japão
duas vezes em caravana com eles. Depois eu fui para a ra sei-cho-noe,
fiquei vinte anos na sei-cho-noe. Depois vim para cá e estou aí,
na meditação, na oração, no silêncio,
foi onde eu encontrei realmente uma paz que eu nunca tive. Eu nunca tive
uma paz na realidade, era muita luta, muita correria, muita coisa, né?
Mulheres: Que é uma mudança radical a Odete
Lara também fez.
Liana Duval: Pois é. A Odete esteve aqui, ela
esteve aqui uma vez. Mas nessa época eu ainda não estava
aqui. Cada vez que eu encontro com a Odete, nós duas morremos de
rir das loucuras (risos). Uma vez ela telefonou para mim às duas
horas da manhã, que ela ia morrer, ela ia se atirar pela janela,
ia suicidar-se. Eu falei “espera um pouco. Parada. Fica quieta ai que
eu já vou pra ai. Não vá se suicidar-se antes de
eu chegar , hein!” Ai eu peguei um fusca que eu tinha, ás duas
horas da manhã me toquei lá para a casa dela e dormi lá.
Ela estava em crise.
Mulheres: É. E ela também fez esse movimento,
muito parecido com o seu. Ela largou a carreira.
Liana Duval: É, você vê que coisa.
Só que ela é a fundadora. Eu não fundei nada. Quando
vim já estava tudo pronto.
Mulheres: Você participou de um momento muito importante
no cinema brasileiro, muito criativo, que foi o Cinema Marginal. Você
fez filmes importantes, como “O Pornógrafo” (1970 – João
Callegaro,” Em Cada Coração um Punhal” (1970 – episódio
de Sebastião de Souza).
Liana Duval: Pois é, esses dois oram filmes underground,
eram filmes que não passavam. Ninguém queria passar, porque
é um filme completamente maluco.
Mulheres: É. No “O Pornógrafo” tem fotos
ótimas suas.
Liana Duval: É no “Em Cada Coração
um Punhal” também. Eu gostaria de assistir, foi muito gostoso de
fazer, eu adorava fazer, só eu mesmo. No “Em Cada Coração
Um Punhal” tem uma cena em que eu ficava nua, numa atitude... Quando eu
penso que eu fiz isso hoje em dia... eu penso “mas como eu consegui fazer
isso” (risos). Mas era assim, eu era completamente aberta para o novo.
Mulheres: E são filmes importantes, referência
para muita gente.
Liana Duval: Sim.
Mulheres: Eu gostaria que você falasse de dois
filmes do Carlos Reichenbach que você fez, “Amor Palavra Prostituta”
(1982) e “Filme Demência” (1986).
Liana Duval: O Carlão é um gentleman, é
um garotão. Sabe o que é um menino grande? É o Carlão,
adorável, maravilhoso, gentil, inteligente, um amor. Foi uma experiência
muito boa, tanto que eu fiz dois filmes com ele.
Mulheres: É impressionante sua carreira, você
foi dirigida por Abílio Pereira de Almeida, Luciano Salce, José
Carlos Burle, Carlos Hugo Christensen...
Liana Duval: Eu trabalhei com o Grande Otelo, eu fiz
a esposa do Oscarito. Eu fiz “O Galo sou Eu” (1958 – Aloísio T.
Carvalho), com o Ronaldo Lupo Fiz também um filme do Lupo (“Só
Naquela Base” – 1960, direção de Ronaldo Lupo), em que eu
fazia o papel principal, eu e a Dercy Gonçalves.
Foi com a Dercy Gonçalves, ela era tão maluca, mas tão
maluca. Tinha uma cena, eu era a patroa dela, eu era a milionária
e era a minha secretária. Eu tinha um complexo de que os homens
só gostavam de mim pelo meu dinheiro. Então, ela, como secretária,
falou para irmos para o Rio de Janeiro, e que chegando lá era para
trocarmos de papel. Daí, quem quisesse casar comigo não
saberia que eu tinha dinheiro, e seria então por amor
Ai apareceu o Ronaldo Lupo, que foi o produtor de “O Galo Sou Eu”. Era
um cara que não tinha nada a ver com cinema, mas que tinha uma
paixão por cinema e queria fazer o papel principal, então
ele produziu o filme. No “Só Naquela Base” tem uma cena em que
ele começa a arrastar a asa para cima de mim, antes de conhecer
a Dercy. Quando a Dercy vai me apresentar como sua secretária,
quando ele vê que a Dercy era a minha patroa, com um brilhantão
enorme no dedo, que era o meu brilhante que eu dava para ela se passar
por mim, ele foi beijar a mão dela. Aí ela virou para mim,
no meu ouvido, e falou assim “Liana, esse cara é bicha” (risos).
E ficou assim, porque ou foi para economizar ou porque ele não
ouviu, já que cada vez que se repetia era filme que gastava, era
uma economia louca que eles faziam, o filme foi feito com pouco dinheiro.
Mulheres: Você trabalhou com outro grande mestre,
que é considerado um dos maiores cineastas do cinema brasileiro,
que é o Roberto Santos. Você atuou em “Os Amantes da Chuva”
(1979) e “Nasce uma Mulher” (1983). Como foi trabalhar com ele?
Liana Duval: Ele era um paizão, uma coisa, uma
calma, uma tranqüilidade, uma beleza, uma poesia, aquele era um poeta,
né? Realmente foi uma alegria fazer.
Mulheres: Você falou anteriormente sobre o período
da pornochanchada, que você fez muitos filmes.
Liana Duval: Muitos.
Mulheres: Você trabalhou com vários diretores
do período: Jean Garret, Ody Fraga, Clery Cunha, Antônio
Meliande, Adriano Stuart. As pornochanchadas são revistas hoje
como um momento importante do cinema brasileiro, inclusive, empregou muita
gente. Deu continuidade ao cinema brasileiro.
Liana Duval: Demais.
Mulheres: Como é sua lembrança desse período?
Liana Duval: Uma lembrança terrível que
eu tive, que eu fiquei assim meio horrorizada, era de um filme de um chinês
como diretor, John Dôo (“Pornô” – 1981, episódio “O
Gafanhoto”. Era uma cena que tinha uma mulher fazendo amor com um inseto,
então eu fazia a governanta da casa. Aí, quando eu apareço.
olho e vejo aquela cena, aí o diretor gritou “corta, corta, corta,
vamos fazer de novo”. E eu perguntei “mas o que aconteceu?”. Aí
ele falou assim, “Liana, você tem que fazer cara de espanto, não
é cara de nojo” (risos).
Imagina a cara quando eu abro a porta, eu não estava sabendo o
que está acontecendo, ele não deixou eu saber o que estava
acontecendo. Eu abro a porta (risos), olho aquilo (risos), eu fiquei com
tanto nojo. Mas olha, todas essas vedetes, todas elas, essas que fizeram,
eu trabalhei com elas, eu fiquei amiga delas, conselheira. Com a Vera
Fischer eu fiz dois filmes.
Mulheres: Você fez “O Anjo Loiro” (1973 – Alfredo
Sternheim) e “Macho e Fêmea” (1974 – Ody Fraga). Você fez
também um clássico da pornochanchada que é “Ariella”
(1980), do John Herbert.
Liana Duval: Justamente, com a Torloni (Christiane).
Ela ficava nua também.
Mulheres: Foram várias, Vera Fischer, Helena Ramos,
Nicole Puzzi, Matilde Mastrangi.
Liana Duval: Moças lindas, maravilhosas e talentosas,
sabe? E eu fiquei muito amiga delas. Eu sou amiga delas até hoje,
só que a gente não se vê, naturalmente, mas quando
a gente se encontrava, antes de eu vir pra cá, eu sempre me encontrava
com uma delas, e agente ria muito, era muito interessante.
Mulheres: Outro dia eu vi um filme seu, anterior a este
período, eu gostei muito, que é “O Beijo” (1965 – Flávio
Tambellini).
Liana Duval: É, do Tambelini, eu fazia uma ponta.
Mulheres: Mas é tão expressivo, a cena
é lá´na repartição, onde o personagem
Arandir trabalha.
Liana Duval: Eu gostaria de assistir tudo outra vez.
Porque eu não faço idéia, há muitos anos que
não assisto, agora, com a minha visão de hoje, assistir
as fitas que eu fiz seria importante, para ver como é. A única
que eu tenho cópia é “A Pensão da D. Estela” (1956
– Ferenc Fekete e Alfredo Palácios).
Tem “O Craque”, com a Eva Wilma, você se lembra desse?
Mulheres: Sim, do Burle. (1953 – José Carlos Burle).
Liana Duval: È. Mas quando eu me lembro, outro
dia estava lembrando, “Meu Deus, como eu trabalhei, mas não é
possível uma coisa dessas” (risos).
Mulheres: Foram muitos filmes.
Liana Duval: Não só filmes, muitas coisas.
Mulheres: É, fora a televisão e o teatro.
Liana Duval: Você se lembra de um filme que se
passava em uma estrada, tinha uma chuva torrencial, e vários caminhões
entalados?
Mulheres: Sim, eu já ia falar sobre esse filme.
Eu gostaria que você falasse sobre outro cineasta que já
se foi, que o Denoy de Oliveira. O filme é “O Encalhe –Sete Dias
de Agonia” 1982).
Liana Duval: Um diretor fantástico. Ele não
queria que eu fizesse o filme de jeito nenhum, ele não queria.
Ele convidou a Lélia Bramo para fazer o papel da cafetina. A cafetina
alugava um ônibus e ia lá com as prostitutas pára
faturar naquele lugar que ninguém podia sair. Ele não queria
que eu fizesse o papel. Aí, a Ruthinéa de Moraes, que era
muito minha amiga, viu que eu estava precisando muito de dinheiro, naquela
época, eu estava precisando trabalhar. Ela era uma das prostitutas,
ela até ganhou um prêmio com esse papel. Ela fazia genialmente
a prostituta.
Ela falou para ele que tinha eu, que eu estava sem emprego, precisando,
que eu podia fazer o papel. O Denoy falou que ela estava louca, que imagina
se Liana Duval ia fazer esse papel? Ela só faz papel de boazinha
ou de gostosa, não vai fazer um papel assim, de uma cafetina má,
de um ser assim horroroso. Mas a Ruthinéa insistiu dizendo ele
me conhecia, que eu fazia qualquer papel, que não se preocupasse,
mas ele disse “não, não, não e não”.
Mas acontece que a nossa amiga estava fazendo uma novela na Globo na época,
e a Globo não a liberou, que não dava para dispensá-la
para viajar. E, na última hora, quem é que ele ia arrumar.
E a Ruthinéia, “a Liana lá”.
Você sabe que ele telefonou assim, à noite, lá pelas
nove e meia da noite, para gravar já no dia seguinte, às
sete da manhã. Pois eu arranjei uma roupa, peguei um turbante verde
que eu tinha, de veludo verde, umas meias rendadas, aqueles sapatos antigos,
sabe? Fiz assim um tipo, uma maquiagem, que quando ele me viu, ele não
me reconheceu.
Eu fiz o papel. Ele adorou, porque eu fiz uma cafetina esculhambada. Daqueles
tipos bem esculhambados, mas muito cômico. Ao invés de mau,
ficou cômico, mas ficou forte. E ele, Puxa Ruthinéa... é,
de fato, ela foi capaz de fazer.
Mulheres: E é um filme tão importante.
Agora, que atriz maravilhosa era a Ruthinéa, não é?
Liana Duval: Nossa Senhora! Ruthinéa fazia qualquer
papel. Nós fizemos uma novela (“Antônio dos Milagres” – 1996),
em um convento ali, perto de Jundiaí. Tinha um convento lá,
de um padre americano que fundou, onde se fez várias novelas. A
primeira foi com a Mirian Rios ("Irmã Catarina - 1996). Depois
a segunda foi essa sobre a vida de Santo Antônio.
Mirian Rios fez a primeira novela e depois eu fiz a segunda. Então
eu trabalhei com vários atores, também, que foram da Globo.
E ele me convidou pra ficar lá, morando no convento. Mas eu respondi
que eu já estava num convento, num monastério. Eu já
estava aqui quando eu fui convidada para fazer, e ai eu fui fazer. Eu
fiquei quatro meses gravando. Essa novela andou reprisando, mas eu não
assisti a reprise não.
Ah! Outra coisa importante. Eu trabalhei também na TV cultura.
Fiz uma novelinha, até hoje eles estão passando. Eu, o Fagundes
(Antônio), A Lucinha Lins, a Laura Cardoso, vários atores.
Era uma novelinha chamada “O Mundo da Lua” (1991). Eu fiquei um ano na
TV Cultura fazendo essa novelinha.
Depois de um ano, o Fagundes foi contratado pela Globo. Ele não
quis mais fazer, então ele foi pra Globo e a gente não pode
mais fazer.
Teve também “O Machão”, que durou um ano também.
A novela maior da Tupi, mais famosa. Eu fazia um dos papeis principais.
O Antônio Fagundes era o Petruchio e a Maria Izabel de Lizandra
era a Catarina. Eu era a advogada.
Mulheres: No cinema você trabalhou com outro diretor
e crítico importante que é o Ruben Biáfora, em “A
Casa das Tentações” (1975).
Liana Duval: E ainda dublei um filme em que a moça
ganhou o prêmio Saci. Aliás, eu ganhei o Saci também,
de cinema. Mas ela ganhou o Saci por minha causa. Porque quando eles filmaram,
ela era muito bonita, loirinha, de olho azul. Ele gostava, adorava moça
de olho azul. Era coisa do Biáfora, aquela coisa tênue, aquela
coisa frágil. Mas quando ela abria a boca... ela era catarinense,
mas olha, era uma coisa de doer, (risos) era de doer aquela interpretação,
cara de pau, cara de pedra. Ela ganhou o prêmio e eu fiquei louca
de raiva. Puxa vida! Eu não ganhei o prêmio e ela ganhou.
Mulheres: O Saci que você ganhou foi por qual filme?
Liana Duval: Acho que foi por “O Craque”, com a Eva Wilma.
Mulheres: Nos anos oitenta, você vai participar
de filmes de diretores novos e que são filmes muito importantes:
“A Dama do Cine Xangai” (1987), do Guilherme de Almeida Prado, e o “Vera”
(1987), do Sérgio Toledo.
Liana Duval: Eles eram jovens e talentosos. “A Dama do
Cine Xangai” era uma fita, um filme muito diferente da época. Cada
época tinha um. A Vera Cruz era uma coisa, depois a Multifilmes,
mais ou menos parecida com a Vera Cruz, depois a pornografia que era diferente
e depois essa outra parte recuperando, saindo da pornografia e já
entrando numa coisa, como o Reichembach, que começou a fazer uma
fita pornográfica, mas de categoria.
Mulheres: E chanchada, você fez alguma da Atlântida?
Liana Duval: Da Atlântida não. Esse filme
com Oscarito e Grande Otelo era uma coisa particular. Era um diretor italiano.
Eu não participei da Atlântida, nessa época eu nem
ia para o Rio de Janeiro, essa época está bem antes.
Mulheres: Os últimos filmes que você fez
são esses curtas dos anos noventa? “Dudu Nasceu”, do João
Batista de Andrade, e “Coentro e Quiabo na Carne de Sol”, do Eduardo Abad?
Liana Duval: Foi sim.
Mulheres: Em que momento você decidiu que queria
abandonar a carreira?
Liana Duval: Na realidade foi depois que eu comecei nessas
religiões orientais e depois que eu vim para cá, nesses
quinze anos. Foi nesses quinze anos que eu achei melhor deixar definitivamente,
porque até então eu ainda não podia, eu não
estava aposentada.
Mulheres: Você não pensa em voltar?
Liana Duval: Não, não penso. Já
me chamaram na Globo, me chamaram para fazer “Chiquinha Gonzaga” (1999).
Ah, eu fiz uma novela (“A História de Ana Raio e Zé Trovão”
– 1990) com o filho da Maysa, o Jayme Monjardim, que foi o maior diretor
que eu já encontrei na minha vida. Ele e o Luiz Fernando de Carvalho
foram os grandes diretores de todos. Olha que eu fui da época,
eu peguei diretores italianos, argentinos. Mas ninguém como o Monjardim,
ele é um negócio, não dá para explicar, eu
não tenho palavras. (em “Ana Raio”) eu fiz uma ponta, um papel
pequeno, porque o personagem morria logo, eu era uma fazendeira e deixava
toda a fortuna para a Ana Raio. Foi amor à primeira vista, eu fiquei
tão encantada, eu nunca tive um diretor na vida que arranca da
sua alma, não é do seu corpo, tem interpretação
corporal e interpretação espiritual, interpretação
de alma.
O Luiz Fernando, um maluco, maravilhoso. Olha, eu só não
trabalho na Globo porque eu não quero, porque esses dois diretores,
e os outros também que eu fiz amizade, que me adoram. Mas com esses
dois, era só eu dizer um a, que eles me chamariam na hora. Com
O Luiz Fernando eu fiz “Tieta”, na Globo, que ele me chamou, e eu já
tinha trabalhado com ele na Manchete.
Mulheres: Você não pensa mesmo em voltar?
Liana Duval: Não, não penso.
Mulheres: Eu sempre peço para minhas convidadas
homenagear uma mulher do cinema brasileiro de qualquer época e
área. Quem você gostaria de homenagear?
Liana Duval: Eu acho que é a Vera Fischer, a Vera
é uma pessoa encantadora. Está a cada dia melhor atriz.
E saiu de uma, né? Do fundo do poço.
Mulheres: Muitíssimo obrigado pela entrevista.
Liana
Duval: obrigada a você, querido.
Entrevista
realizada em abril de 2006
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