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006
– HELENA IGNEZ Foto: Mulheres do Cinema Braaileiro
E
foi para uma dessas conversas que o Seminário trouxe a musa absoluta do Cinema
Marginal, a inesquecível Helena
Ignez. A atriz, que começou no cinema com
Glauber Rocha - com quem foi casada e teve a filha Paloma, brilhou no Cinema
Novo, em filmes como “Assalto ao Trem Pagador” (1962), de Roberto Faria,
e “O Padre e a Moça”,
(1965), de Joaquim Pedro de Andrade. Depois, tornou-se musa do Cinema Marginal,
com atuações inesquecíveis em filmes de Júlio Bressane, com quem namorou, e
com Rogério Sganzerla, com quem foi a casada até a morte dele nesse ano. A
Janete Jane, de “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) e a Ângela Carne e Osso
de “A Mulher de Todos” (1969), ambos de Sganzerla,
são alguns de seus clássicos. É sobre essa trajetória, desde o começo na Faculdade de Teatro na Bahia até “O Signo do Caos”, derradeiro filme de Rogério Sganzerla, e passando pelos encontros com Glauber, Joaquim Pedro, Bressane e Sganzerla, que Helena Ignez conversou em entrevista exclusiva ao Mulheres. A atriz fala também sobre o roteiro “Luz nas Trevas”, de autoria de Sganzerla, que ela vai dirigir. Mulheres: Helena, você começou sua carreira no teatro, na Faculdade
de Teatro, na Bahia, onde você encenava peças de vanguarda. Desde o início,
esse olhar mais experimental da arte te fascinou? Helena
Ignez: Não, não, na Escola
de Teatro eu não diria que eram peças de vanguarda. Eram grandes clássicos
que foram montados nessa época, como “A Ópera dos Três Vinténs”, de
Brecht, com cenário de Lina Bo Bardi; “Calígula”, do Camus, com Sérgio
Cardoso; “ Senhorita Júlia”, de Strindberg; quer dizer, não era um teatro
experimental, era um teatro tradicional feito com todos os recursos que se podia
ter. Mulheres:
Mas a própria presença da Lina já era um diferencial, era um olhar mais
contemporâneo, não? Helena
Ignez: É, a presença da
Lina era uma presença que se mesclava entre outras presenças lá, essas
pessoas que sempre cito, Gianni Ratto, Martin Gonçalves, que era o diretor da
escola, Eda Adler, uma grande atriz que trabalhava fora do Brasil na época. Então,
o que diferenciava era a inteligência, a qualidade criativa intelectual, mas não
a experimentação em si, ali a palavra não cabe, acho que não cabe, nesse início,
que era muito mainstrean mesmo, era o tradicional de alto nível. Mulheres:
Mas que já começa com o curta, não é? Quando você foi fazer “O Pátio”
(1958) com o Glauber Rocha, que você conheceu na Faculdade, nos corredores. Helena
Ignez: É, conheci,
exatamente. Pois é, aí entrou o Glauber. Mas o Glauber e a Escola de Teatro,
apesar de se darem muito bem, eram
duas entidades diferentes. Glauber se dava maravilhosamente bem com essas
pessoas, tornou-se um grande amigo
de Lina Bo Bardi, uma interlocutora absoluta mesmo do Glauber. Mas aí entrou
ele, né? Com uma idéia na cabeça de fazer um novo cinema no Brasil, porque
ele não gostava do que estava sendo feito, a Vera Cruz, e, principalmente,
Glauber não gostava de chanchada. Mulheres:
Quando você fez “ O Pátio” com ele, você tinha noção da importância
que esse curta viria ter na história do cinema brasileiro, do tamanho que o
Glauber Rocha ia ter no cinema brasileiro, e do seu próprio tamanho nesse
cinema? Helena
Ignez: É, de uma forma
natural, sim, natural sim, não é? Porque Glauber, ele tinha uma inteligência
estonteante. Não era comum. Apesar de eu ser muito jovem já diferenciava uma
coisa da outra. E quanto a mim eu sempre fui muito solta. Eu acho que eu tenho,
de uma certa maneira, uma trajetória particular, não é? Porque, se o trabalho
também tem qualidade, originalidade, e ficou, porque já ficou, eu não
preciso mais defendê-lo, por outro lado eu nunca fui apegada demais a isso.
Talvez por isso tenha qualidades também maiores. É, muito CDF, no sentido de
fazer bem o que tava sendo feito, mas depois desligava, desligava. E gostava da
vida, de diversas faces da vida, não só essa como atriz, gostava de muitas e
muitas coisas. Isso, talvez, até deu uma particularidade também à minha
vida, não me arrependo nem um pouco dela ser assim, mas me tirou também algum
poder de produção que eu gostaria de ter mais forte. Mulheres:
O seu primeiro longa, “ A Grande Feira” (1961), é considerado um clássico
do ciclo do cinema baiano, ao lado de “Bahia de Todos os Santos” (1960 –
Trigueirinho Neto) e de “
Barravento” (1962 - Glauber Rocha). Como foi esse momento de efervescência
cinematográfica na Bahia? Helena
Ignez: Pois é, aí eu
estava entrando numa turma, né? O Roberto já existia, Roberto mais velho que a
gente, 10 ou 12 anos mais velho, já tinha feito “ Redenção”. E eu conheci
Roberto através do Glauber, foi Glauber que produziu “A Grande Feira”, e eu
entrei por causa do Glauber. Porque nessa época, como não tinha cinema, eu não
me interessava por cinema. Eu perdi, inclusive, coisas boas para fazer, mas
porque não tinha mesmo muito interesse. Por exemplo, o Anselmo Duarte me chamou
para fazer “ O Pagador de Promessas”, o que seria o papel da Norma, ou o da
outra, eu nem me lembro mais, o da Glória Menezes, não sei. É, era o da Glória
Menezes, exatamente, porque Anamaria Dias, que ia fazer originalmente, tinha tido
um problema, de pneumonia, e ele estava procurando essa atriz. E foi lá em
casa, nos Barris, e tal, e conversou comigo; é assim engraçado, como eu me
lembro como se fosse agora, na entrada da casa, sentado num batentizinho, muito
intimamente. Mas eu não dei muita bola, preferi não fazer “ não, não vou não,
porque estou fazendo uma peça aqui, vou ficar”. Não fiz, Glauber também não
incentivou a fazer. Mas nesse período apareceu “A Grande Feira”, e como ele era produtor, eu disse “ vou fazer”, e fiz. E gostei muito do Roberto, apesar de ver que o Roberto e o Glauber eram diferentes, todos dois eram muito de cinema, mas cada um na sua. E Roberto mais tradicional, e ali também o Glauber ainda não tinha se manifestado. Porque “Barravento”, que eu poderia também ter feito, fiquei grávida, estava grávida da Paloma, não fiz. E aí foi indo. Nessa época o teatro tinha um peso muito maior na minha vida do que o cinema. Mulheres:
Seu filme seguinte, já é outro clássico. Como foi o convite para você vir
ao Rio para fazer “Assalto ao Trem Pagador” (1962 – Roberto Faria)? Helena
Ignez:
É, o “Assalto”. Ficou muito bom “A Grande Feira”, tinha
acontecido no meio cinematográfico, o Luiz Carlos (Barreto) gostou, e me
convidou para fazer. Também já tinha me visto no teatro. Foi na época da
separação do Glauber, foi uma fase de rompimento. Minha vida é muito assim,
de rompimentos, é uma coisa muito feminina, inclusive, sabe, e sofrida, né?
Porque as mulheres, para elas conseguirem essa liberação que elas vêm
conseguindo pouco a pouco, seu lugar, seu espaço, foi duro, não foi entregue a
gente isso. E, naquele momento, você tá separado, você é uma mulher
desquitada, com uma filha, romper com uma sociedade... porque eu viva em
Salvador, para ir para o Rio, fazer cinema, é um processo de rompimento, e meio
doloroso mesmo. Mulheres:
Depois você tem um encontro fundamental com o Joaquim Pedro de Andrade, que
resulta em “ O Padre e a Moça” (1965), um dos filmes mais belos do cinema
brasileiro. Como foi esse encontro com Joaquim Pedro? Helena
Ignez: O Joaquim me conheceu
muito cedo, me conheceu no “Pátio”,
nessa época do “ Pátio”, 58, 59. Nós tínhamos casado, estávamos no Rio
e Glauber fez uma exibição na casa de Ligia Pape e lá estava o Joaquim. Nisso
o Joaquim disse que eu tinha uma nuca que era um objeto cênico muito bom,
fotografa muito bem, aquelas coisas. Ele disse que já estava pensando em mim
desde aquela época, mas só aconteceu em 63. Mulheres:
E que te projetou internacionalmente, um filme belíssimo. Helena
Ignez: Foi, teve uma projeção
internacional, o filme estreou e foi para Berlim. Mulheres:
Pouco depois você faz o “Cara a Cara” (1967), do Júlio Bressane, que é
outro momento importante, a hora em que Júlio Bressane está começando a sua
carreira, primeiro filme. Helena
Ignez: Foram dois anos, um
ano e meio depois, 67, né? E também Júlio foi assistir uma peça de teatro
que eu estava fazendo em Ipanema, teatro de bolso, com direção de um espanhol
que estava na moda. Ele foi assistir a peça e me conheceu lá, foi com o pai e
depois voltou mais uma vez sozinho, e me convidou para fazer “Cara a Cara”.
E o Júlio já se conhecia, sabia que ele era um menino inteligente, ele estava
ligado ao Glauber, né? Acompanhava “Terra em Transe”, tanto é que “Cara
a Cara” é bem influenciado por “Terra em Transe”. E por aí nasceu uma
parceria, um entendimento intelectual, e também um namoro. Mas o que
caracterizou mesmo foi essa identidade intelectual. Mulheres:
Na metade dos anos 50, final dos anos 60, a crítica e o público levaram
pelo menos três sustos: primeiro “Rio, 40 Graus” (1955), do Nelson Pereira
dos Santos; depois “ Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1963), de Glauber
Rocha; e depois “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), do Rogério Sganzerla.
Esse encontro fabuloso com o Rogério, como foi que aconteceu? Helena
Ignez: Esse encontro
fabuloso foi fabuloso mesmo. Porque ele veio com uma crítica. A primeira vez
que eu falei com o Rogério ele era muito jovem, tinha 22 anos, 21 para 22 anos,
e era crítico muito bem situado, do “Estado de São Paulo”, né? Escrevia
muitíssimo bem, e no Rio já estava se ouvindo falar muito dele, aquele menino
paulista, e vez em quando, ele também vinha ao Rio para encontrar alguns
amigos; Júlio (Bressane) já estava se aproximando, o Cacá
(Carlos Diegues) também foi um dos primeiros que ele conheceu. Cacá,
inclusive, deu as latas para ele fazer o documentário, e é uma coisa que o Rogério
sempre foi grato ao Cacá nesse sentido. Então, aí ele me mostrou essa crítica
de “O Padre e a Moça”, e disse “olha, tem um filme que eu quero fazer com
você, e vou lhe trazer o roteiro”. Foi em casa, me deu o roteiro, alguns
meses depois começou o filme, não foi logo depois, uns 6 ou 7 meses antes. Aí
eu me comprometi pra fazer o filme, e continuei o meu trabalho normal da época,
fazia televisão também, teatro, e viajei, sai do Brasil, fui a festivais, fui
à Cuba, e voltei para fazer “ O Bandido”. Mulheres:
Televisão você fez menos. Você sempre privilegiou o teatro e o cinema. Helena
Ignez: No começo eu fiz
muito televisão, antes da Globo, muito menina. Fiz no Rio, a TV Rio, a
Excelsior em São Paulo, Record. Fiz os programas mais famosos da época, tá
entendendo? Tinha um programa no domingo, na TV Rio, que era um “Fantástico”,
onde eu apresentava um quadro que era com um diretor muito interessante, Carlos
Alberto, uma figura que morreu jovem. Quer dizer, tinha esse lado popular
mesmo da televisão. Mulheres:
Nos anos 70 vocês montam a produtor Bel-Air e tem um recorde, faz seis
filmes em poucos meses, e que são clássicos, filmes de referência. Você é
citada como a musa absoluta desse período, e outra musa também é a
Maria
Gladys. Você tem esse
reconhecimento inquestionável, quanto a Maria Gladys eu acho que ela ainda não
teve a dimensão que ela merece, do papel dela nesse período. Como foi a convivência
com a Maria Gladys? Helena
Ignez: A Maria Gladys já
era minha amiga, foi a primeira pessoa que conheci no Rio quando cheguei,
garota, numa festa. Sempre tem umas histórias estranhas, porque depois não
teve significado nenhum, mas no momento foi muito forte. Ela namorava o Cecil
Thiré, e fez “Os Fuzis” (1963), do Ruy Guerra e viajou com ele para Berlim.
Nós éramos superamigas, e aconteceu de eu namorar o Cecil porque a gente
estava fazendo uma peça e acabou virando namoro. Quando ela chegou, deu-se o
rompimento, tudo assim complicado, e eu acho que a Gladys foi me perdoar há
poucos anos (risos). A Gladys é uma atriz maravilhosa, maravilhosa, e eu acho
que ela tem sim seu reconhecimento completo. Eu acho que eu fiz mais filmes do
que ela. A Gladys também é hoje de tv, ela tem diretores que sempre quando
fazem suas novelas a chamam, ela tem lá seu papelzinho fixo. Eu não, eu fiz
mais cinema, e tive mesmo, talvez, acho que sim, sem nada a ver com modéstia ou
falsa modéstia, uma atuação mais autoral dentro do cinema, tive essa sorte de
trabalhar com pessoas que me permitiram isso, ao ator, permitiram aos atores,
que foi o caso da Bel-Air. Mulheres:
A Odete Lara afastou-se do cinema por alguns motivos pessoais que ela já
relatou e acabou se encontrando na filosofia oriental. Você, quando afastou-se
um pouco das telas, apesar de fazer teatro, você já foi fazer esses estudos ou
isso foi resultado de suas buscas? Helena
Ignez: Os dois ao mesmo
tempo. Não sei se eu falei aqui, mas os anos 80 me deixaram completamente
desinteressada de cinema, muito, absolutamente. E o teatro, eu achava que
faltava um pouco de inteligência. Preferia o cinema, mas as pessoas que eu
tinha conhecido já tinham se dispersado, acabou tendo que fugir
pra lá e pra cá. Os que ficaram eram os mais acomodados, e os que
fizeram filmes e fizeram sucesso foram os piores. Jamais me submeteria àquele
ritmo de atriz. Assistindo agora uma entrevista do Carlos Mossy (ator, diretor,
e produtor de pornochanchadas, comédias eróticas dos anos 70 e 80), que é
engraçada, tem que ver que tem o seu humor – não estou fazendo nenhuma crítica
nesse sentido – mas o jeito que ele falava... Primeiro ele ficou procurando o
percentual de meninas e atrizes que ele namorou. Depois ele foi se aperfeiçoando
e falou: “Acho que foi 98%”. Mulheres:
Foi no programa do Selton (Mello – Programa “Tarja Preta”, no Canal
Brasil), não é? Helena
Ignez: É. Aí, era muito
divertido porque eu estava assistindo com minha filha, e toda vez que aparecia
mulher: - “Essa aqui é uma delas”. É uma coisa, né? Não tem nada a ver
comigo aquilo. Eu até ficava feliz e pensava “tomara que eu envelheça logo
pra sair dessa e poder fazer o meu trabalho, que eu quero fazer, ficar
isenta”. Mulheres:
Você citou sua filha. Suas filhas também estão se enveredando no caminho
do cinema, não é isso? Produção, tem uma que é atriz... Helena
Ignez: E outra, que é a
Paloma. Quer dizer, a Paloma é uma diretora, uma montadora nata. Ela é incrível,
quando ela lida com isso como o resultado é bom. Ela é ótima e fez oito anos
também na tv Globo aprendendo tudo de assistência. Então tá muito
competente, Paloma já tem 44 anos e agora ela está com a obra do pai, de
restauração. Fez também um documentário, dizem que é muito bonito,
“Depois do Transe”, que passou agora no Festival de Cannes. Essa é, desde
menina, enfronhada, também é atriz, etc. A Djin, que é atriz, também típica
atriz, não sei se vai fazer outras coisas a mais, se vai dirigir ou não. Ela
é atriz, estudou em Londres, bastante, se dedicou, tem sempre projetos, e gosta
muito de televisão. Ela é muito de imagem, ela tem um resultado maravilhoso na
imagem. E a outra minha filha, que é a primeira nossa, minha e de Rogério, não
tem nada a ver com isso, é música-terapêuta e gosta muito de música, tanto
é que ajudou o pai, ela fez a assistência dele na trilha de “O Signo do
Caos”. Mulheres:
Os filmes do Cinema Marginal são muito falados e pouco vistos. Agora, o público
de Belo Horizonte está tendo a oportunidade, com o Seminário e Mostra Cinema
Marginal: um cinema de invenção, não só de ver os filmes, mas também
refletir sobre eles. Qual a importância que você vê em um evento como esse
para o desenvolvimento da cultura cinematográfica? Helena
Ignez: Essa coisa estraçalhada,
da linguagem, que foi muito característica do Cinema Marginal, mesmo que eu, em
alguns momentos, não defenderia, isso é uma fonte riquíssima. Os filmes são
fonte de inspiração, exemplo de originalidade, pensamento também sobre arte,
original. E foi um cinema político, um ato político, perigoso até de ser
exercido. Eu acho extremamente importante, saber que as coisas não começaram
agora, com a televisão, com Globosat, existia intensamente, uma cultura
brasileira original que até poderia ter um resultado mais rico. Hoje eu até
prefiro o cinema argentino ao cinema brasileiro. Ele é mais humanista, pelo
menos, uma qualidade mais delicada. Eu acho que, pela televisão, a gente perdeu
muito. Mulheres:
Eu já ia te perguntar isso, tem algum filme brasileiro atual que você goste
mesmo, dessa produção recente, tem algum que você citaria, que você viu e
gostou? Helena
Ignez: Tem, tem filmes que eu gosto sim. Filmes, né? Porque essas pessoas
que fazem esses filmes, por exemplo, elas fazem outros filmes que eu não gosto.
Então não é autor, tem vários filmes que eu acho interessante, vários
filmes. Mulheres:
Você está agora trabalhando na divulgação de “O Signo do Caos”, não
é? Helena
Ignez: É, no lançamento. Mulheres:
O filme tem tido críticas belíssimas, é um momento especial mesmo de
realização. Você está trabalhando em um roteiro que o Rogério deixou, não
é isso? Helena
Ignez: É, esse roteiro,
basicamente, já está trabalhado. Foi feito por ele e o que eu fiz foi editar,
colocar numa ordem que não estava, por exemplo, as páginas não eram
numeradas, então tinham sequências separadas. Tinha muito material, porque ele
começou a escrever em 92, são 12 anos que ele vinha escrevendo, junto com
outras coisas. Ia fazendo e escrevendo essa Revolta de Luz Vermelha, que depois
se chamou “Luz nas Trevas”, ele que deu o nome. E hoje é a coisa mais
importante que eu possa fazer no momento pra mim, fonte de felicidade, de
alegria, de contribuição. O que eu possa dar na maturidade vem através desse
filme, acredito que sim. Por
outro lado eu também faço teatro, estou no “Sete Afluentes do Rio Otta”,
que eu adoro fazer. E acho bonito também a posição da Monique (Gardenberg),
porque tudo que a Monique faz ela faz bem. Você pode até achar que não é tão bom, mas tem um nível, uma qualidade,
um bom gosto, um acerto. Eu acho que isso vem da personalidade dela, como ser
humano, total, como mulher, até mais do que como artista. Mulheres:
Vê-la aqui em Belo Horizonte é uma honra e um prazer enorme. A gente
agradece ao Seminário e a Mostra e agora é torcer para que a peça venha a BH
para que a gente possa vê-la no palco. Helena
Ignez: Muito obrigada. Eu
espero também vir a Belo Horizonte até antes do “Rio Otta”, trazendo “O
Signo do Caos”. Se ele vai ser lançado em setembro, talvez a gente já venha
aqui em outubro. Tem que ver com o distribuidor, que é a Riofilme, a Petrobrás,
as datas, mas vai ser logo logo. E também quero agradecer muito à Mostra, a
Belo Horizonte, toda essa cultura que eu amo muito, as pessoas que me
convidaram, ao Ricardo (Alves Jr, coordenador do Seminário e da Mostra), que eu
tive o prazer de conhecer, que
realmente é um menino prodígio. Mulheres:
Pode ter certeza que a gente quer muito vê-la na tela e no palco. Vamos
aguardar. Helena
Ignez: Muito obrigada,
obrigada a você, ao seu site, com muito carinho, viu? E tudo de bom, com muita
cultura, muita sensibilidade aqui para nós todos. Mulheres:
Obrigado! Helena
Ignez: Saúde! |
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