|
|
|
|
|
|
|
012 - GUTA STRESSER Sucesso em todo o Brasil como a Bebel
de “A Grande Família”, Guta Stresser é uma atriz que veio do teatro, veículo
onde tem uma carreira consagrada. Já recebeu um prêmio Shell e foi indicada
mais duas vezes, conforme conta nessa entrevista. Agora, com “Nina”, primeiro
longa-metragem do cineasta Heitor Dhalia, Guta Stresser encarna sus primeira
protagonista, em filme livremente inspirado no clássico “Crime e Castigo”,
do escritor russo Fiodor Dostoievski. Nessa entrevista exclusiva para o Mulheres,
durante o lançamento de “Nina” em Belo Horizonte, Guta Stresser fala do
novo trabalho nesse filme premiado nos Festivais de Moscou e Lima, fala
de “A Grande Família”, para ela “um oásis na teledramaturgia que se faz
hoje em dia”, dos seus trabalhos no teatro e em outros filmes e de sua
admiração por astros internacionais como Giulieta Masina e também
por atrizes brasileiras como Fernanda Montenegro, Marieta Severo,
Renata Sorrah e Andréa Beltrão. Fala também de seus novos projetos para
os palcos e para as telas. Mulheres: Você é uma atriz
que veio do teatro. Eu tive a oportunidade de assisti-la na peça “Mais
Perto”, que eu acho um dos espetáculos mais bonitos que eu vi nos últimos
anos. Guta Stresser: Obrigada,
que bom, muito obrigada. Mulheres: Eu li no material
de divulgação do filme “Nina” que você já estava no projeto desde antes
de surgir para o grande público em “A Grande Família”. Guta Stresser: É, o Heitor (Dhalia)
me viu no “Mais Perto”, e foi por isso que ele me chamou. Foi a Alice
do “Mais Perto”, a Janis Jones,
que fez o Heitor se apaixonar pelo meu trabalho como atriz. E ele
sempre diz isso, “quando te vi no “Mais Perto” eu não conseguia tirar
os olhos de você, eu quero filmar com essa menina um dia, eu quero trabalhar
com ela no cinema”. Mulheres: Já havia essa intenção
sua de trabalhar no cinema? Guta Stresser: Já, já. Eu sou
apaixonada por cinema, gosto muito de ver, e as
poucas experiências que eu tive, eu gostei muito de fazer também.
E assim, espero que a produção cinematográfica brasileira cada vez mais
cresça para que nós atores possamos sempre estar trafegando pelo cinema.
Porque pra gente é muito bacana. Eu costumo dizer que é a única condição
de imortalidade para o ator, porque o teatro é muito efêmero. O “Mais
Perto”, por exemplo, eu morro de saudade, mas quando você vê um registro
da peça já não é a arte teatral,
já é outra coisa. Televisão é uma coisa super fugaz, o público lembra
do episódio da semana, mas dali a duas semanas já não se lembra mais o
que passou na semana passada. Então eu acho que o cinema para o ator é
muito bacana, porque é isso, quando você gosta
de um filme, ou quando você gosta muito de um ator que já morreu,
você vai lá e pega o filme do cara e mata a saudade, de um
Marlon Brando, (Marcelo) Mastroianni, Giulieta Masina. Eles ficaram imortais
porque o cinema deu essa condição a eles. Mulheres: Ouvindo você falar
sobre a Giulieta Masina, sobre a emoção em ver a Giulieta Masina, aqui
no Brasil tem atrizes que te emocionam? Mulheres: Você fez uma participação
em “A Partilha” (2001 - Daniel Filho), não é isso? Guta Stresser: hã hã....
ah, esqueci de falar da Andréa Beltrão, que em “A Prova” era uma coisa
do outro mundo.. Mulheres: Tem alguma experiência
sua em curtas? Guta Stresser: Tem, eu fiz
dois curtas antes de fazer longa, chamam-se “Barbabel” e “O Esôfago da
Mesopotãnia”. Mulheres: De quem são? Guta Stresser: “O Esôfago”
é do Isaac Cheke, carioca, “Bar Babel” é do curitibano Antônio Augusto
Freitas. Aí depois eu fiz “Bellini
e a Esfinge” (2001 - Roberto Santucci), que foi o primeiro longa que eu
rodei, mas ele só foi estrear depois de “A Partilha”. Aí foi “Bellini
e a Esfinge”, “A Partilha”, “ O Redentor” e “Nina”, quer dizer, “Nina”
e “O Redentor” (2004 - Cláudio Torres). Mulheres: Nessas exibições
em festivais de “Nina”, você acompanhou alguma? Guta Stresser: Fui para Moscou
e fui para Lima. Foram os que eu consegui ir por causa da gravação (de
“A Grande Família”). Mulheres: Você acompanhou também
as reações do público? Guta Stresser: Acompanhei. Achei
ótimo. O Heitor até falou desse negócio de autógrafos. Em Moscou eu dei
vários autógrafos, fiz várias fotos, quer dizer, lá eles me conheceram
pela Nina, não tem essa de “A Grande Família”. Aqui no Brasil já estou
mais acostumada com esse assédio por causa da televisão. Lá foi realmente
pelo filme, o que eu achei muito legal. E principalmente por um público
jovem, que chegava para mim e dizia “muito obrigado pelo filme, obrigado
pela Nina, me identifiquei muito com ela, foi uma lição para mim”, como
agora em São Paulo, onde eles adoraram. Eu não acho que “Nina” seja um
filme de jovens, mas acho que com a Nina o público jovem tem um canal
direto ali, entendem o lado “gauche” da Nina, o lado inadequado dela. Guta Stresser: É, eu adoro fazer,
é um oásis . No meio do que é a teledramaturgia hoje em dia eu considero
um oásis o nosso programa. Mulheres: E esse público que
te vê na televisão e no cinema tem que te ver também no teatro, porque
você é uma grande atriz. No teatro você já recebeu um prêmio Shell, não
é isso? Qual o nome do espetáculo? Guta Stresser: Muito obrigada.
Foi pelo “O Casamento”, do Nelson Rodrigues, e teve também o “Tudo no
Time”, pelo qual eu fui indicada. Fui indicada também esse ano pelo “Mais
Uma Vez Amor”, que eu entrei substituindo a Luana Piovani. Mulheres: E como está sua carreira
no teatro agora? Esse espetáculo, ele está em turnê? Guta Stresser: Na verdade, eu
acabei de sair do espetáculo porque eles foram para Portugal e eu não
pude ir por causa das gravações de “A Grande Família”. A Ana Beatriz Nogueira,
maravilhosa, que entrou no meu lugar, e eles estão lá em Portugal arrasando,
fazendo o maior sucesso. Se o espetáculo voltar a ser apresentado no Brasil
a gente deve dividir o personagem, uma faz em algumas praças e outra faz
em outras. E agora vou começar um projeto com o
Domingos de Oliveira, que eu estou super animada, super empolgada, eu
adoro o Domingos, é um texto dele e da Maria Gladys, chama “Rita Formiga”.
Não é infantil, muita gente às vezes acha que é, mas não é, é uma ode
a boemia carioca do final dos anos 60. É genial o texto, um texto que
o Domingos nunca montou e agora me procurou recentemente dizendo “eu achei
a sua cara, queria fazer com você”. A gente já fez umas duas leituras
e eu quero, inclusive, produzir esse espetáculo, começar a produzir porque
eu acho que o ator no Brasil tem que ir para a produção porque senão ele
vai ficar sempre esperando convites que nem sempre são exatamente o que
ele quer fazer, o que ele quer falar. Então eu vou produzir esse espetáculo,
eu junto com o meu sócio, Diogo. Estamos começando a captar e a gente
está com planos de estrear no final de março, começo de abril, por aí. Guta Stresser:
Tem o longa de “Grande Família”, que vai rolar em 2005, provavelmente
no segundo semestre., tá começando a haver uma organização para que isso
aconteça. Eles estão trabalhando no roteiro, o Guel Arraes e o Miguel
de Paiva. E fora isso “O Deserto Feliz”, que deve ser rodado ali por maio,
em Recife, que é um filme do Paulo Caldas, cineasta pernambucano, de “O
Baile Perfumado” e do “Rap do Pequeno Príncipe”. Eu vou fazer uma prostituta,
a Pamela. Mulheres: Para finalizar, tem
algum filme ou mais de um filme brasileiro que você citaria, seja antigo
ou novo, que você goste realmente? Mulheres: Tem alguma diretora... Guta Stresser: ah, “Cidade de
Deus”, claro. Mulheres: Por exemplo, a Myriam
Muniz eu acho uma atriz fabulosa... Guta Stresser: Fabulosa. Mulheres: ... e eu acho uma
atriz pouco explorada pelo cinema, talvez com exceção da Ana Carolina
que fez trabalhos lindos com ela. Tem alguma cineasta brasileira que te
pega? Guta Stresser: A própria Ana Carolina,
admiro muito, gosto muito do trabalho dela. Gosto da Laís Bondanski. Guta Stresser: De nada, obrigada
a você.
Entrevista realizada em novembro de 2004 |
|