|
|
|
|
|
|
|
041 - ÉRIKA BAUER
Foto:
Mulheres do Cinema Brasileiro Com
importante e pulsante carreira em vídeos e curtas, entre eles, “Bela Estranha”
e “Bom Dia Senhoras”, Érika Bauer, nascida em Belo Horizonte - MG, chegou
ao longa com um personagem fascinante: Dom Hélder Câmara. O resultado
foi o premiado “Dom Hélder Câmara – O Santo Rebelde”, belo documentário
apresentado em festivais e projetos especiais. Para
o próximo longa, Érika Bauer está se debruçando sobre outro personagem
singular, o religioso Dom Pedro Casaldaglia: “Eu
quero até o final do ano, a minha idéia é essa. Eu quero fazer esse filme
o mais rápido possível porque Casaldaglia está num momento muito frágil,
a voz já está começando a ficar mais fraca. É uma conquista minha e dele,
porque ele é muito difícil, muito teimoso. É um catalão dificílimo, tem
dois anos que a gente está no embate. Eu e ele”. Érika Bauer esteve na 9a Mostra de Tiradentes e concedeu entrevista exclusiva ao Mulheres. A cineasta e professora de cinema fala sobre a sua trajetória, conta sobre o processo de trabalho de seu longa de estréia, e comenta sobre o seu próximo filme. Mulheres: No ano passado você esteve aqui na Mostra de
Tiradentes exibindo o seu filme “Dom Élder Câmara - O Santo Rebelde”. Érika Bauer: e com chuva. Mulheres: É, eu estava aqui. O filme ganhou muitos prêmios,
muitos festivais, e eu já quero começar a nossa conversa falando dele, que foi
a sua estréia em longa. Como foi estrear em longas, depois de uma carreira
extensa em vídeos, e como é lidar com essa repercussão que o “Dom Elder Câmara”
teve nos festivais internacionais junto à crítica e também junto ao público? Érika Bauer: O Dom Elder foi um personagem
que, quando eu li a biografia, eu vi de cara que ali tinha um filme, tinha um
tema muito importante não só para Brasil, mas para a igreja e para o mundo.
Foi um grande desafio. Eu comecei com um personagem muito grande e fui tentando
desconstruí-lo e chegar no simples. Eu acho que esse foi o grande processo do
filme, e do trabalho de pesquisa. Tirar o mito, ganhando um pouco do ser humano.
Eu já imaginava que a cobrança ia ser
muito grande. Aliás, aonde eu passava e falava do Dom Elder, havia uma certa
expectativa muito grande, e cobrança. E fui percebendo que no Brasil o tema não
se esgotava, que havia muito pouca informação. Havia uma certa idolatria e não
se tocava em pontos delicados como o fascismo, o integralismo, como também essa
relação dele com o poder, um pouco complexa. E imagens dos anos setenta também
não havia. Daí, eu só podia continuar com o filme se eu pudesse completar
essa trajetória. Foi ai que eu tive a idéia, importantíssima, de ir para
fora. Eu fiz todo o percurso que o Dom Elder
fez, fui à França, Alemanha, e, graças à internet e aos contatos e amigos,
fui descobrindo essa rede que me levou a vários lugares. Eu fui descobrindo o
potencial do filme ai. Esse
potencial foi se concretizando quando eu comecei a ver imagens dele numa
cinemateca na Alemanha falando sobre o Integralismo, sobre a morte, e que estão
no filme. Fala da relação dele com o país, com os militares. Cenas dele lá
na rádio Olinda, fato que todo mundo falava, mas ninguém podia mostrar imagens
nem fotos. Quando eu fui à cinemateca Vaticana,
eu vi imagens do Dom Elder, de 1967, quando ele acreditava, quando ele era o próprio
messiânico falando da mudança de mundo. Porque o Dom Elder não pensava na
mudança em Recife, nem no Rio, nem em Brasília. Ele falava de mundo. Então
ele dá uma entrevista maravilhosa quando ele estava no auge da esperança e
acreditava mesmo que ele estava mudando o mundo. De fato isso aconteceu com
essas idéias que ele implantou até hoje, mas, enfim... Fui também à
cinemateca de Paris e lá também encontrei imagens. Quando eu voltei ao Brasil foi que eu
descobri que o buraco era mais embaixo, porque cada imagem dessa era um preço
exorbitante. E a cinemateca Vaticana foi tirada totalmente do mapa porque eles não
me cederam de maneira alguma. Mas eu descobri o potencial, sabia que esse filme
ia ter repercussão, porque eu sofri certa pressão da igreja. Não queriam que
eu colocasse certas imagens, certos depoimentos. Principalmente com relação ao
Papa. Mas como eles não me financiavam e eu não tinha uma relação
institucional com a igreja, eu fui em frente. Tem uma carta dele também sobre a política
vaticana, de tomada de poder novamente para não deixar que essas idéias
latino-americanas tivessem esse fôlego. Pedi
permissão para algumas pessoas que me cederam. Então eu sabia que ia ter uma
certa repercussão política. Um ponto importantíssimo do filme é que Dom
Elder está muito presente. Então quando eu percebi isso, que 70% do filme era
Dom Elder, aí eu sabia que ele ia ter mesmo uma força. Ele não é um
personagem qualquer. Mulheres: Essa pressão que você disse que sofreu, inclusive
da igreja. Além de financiamento, da cessão de documentos, houve também uma
pressão formal? Por exemplo: “eu não queria que você fizesse esse filme”? Érika Bauer: Eu acho que não, isso não. Mas
as dificuldades foram sendo colocadas, porque a igreja tem uma política muito
inteligente. E essa política é a de que você vai até um certo ponto, e a
partir dele você começa encontrar certas dificuldades. Avança-se esse ponto
as dificuldades vão ficando mais complexas, mais difíceis. Por exemplo, a
imagem da cinemateca era fundamental. Até para mostrar o quê que era esse ímpeto,
essa força do Concílio Vaticano II, e o quê que virou depois, como essas idéias
foram sendo reduzidas. Isso ficava mais claro, mas a Igreja não pode ir tão
longe assim porque existem outras forças ali. E Dom Elder não falou só para a
Igreja. É claro que o filme não passa em
certos lugares. O prêmio Margarida de Prata (concedido pela CNBB), foi
dividido. Não passou o filme, as imagens que eles mostraram no dia da premiação
foram as imagens mais boazinhas de Dom Élder. Mulheres: Eu já ia te perguntar: Mas e o Margarida de Prata? Érika Bauer: É. Então! É muito interessante
observar esses meandros da Igreja, que hoje eu compreendo melhor. E, se havia
antes uma igreja progressista e outra mais conservadora, hoje ela é
conservadora num todo. Existe um ou outro representante, mas que não tem força.
É como o Casadáglia, lá no Araguaia, ele fala ainda, mas fala como um Dom
Quixote. Ele fala como um Dom
Quixote querendo mudar o mundo, mas como um louco, com aquela espada em riste e
com um cavalo, ninguém o leva a sério. É o meu próximo projeto.
É assim que a Igreja faz: ela vai cortando seus elos de ligação com o
poder. Mulheres: O filme foi muito bem nos festivais. Ele foi
premiado também em Brasília e no Ceará, não é isso? Érika Bauer: Foi. Eu gostei muito desse festival. Ele foi também para o
Festival de Bogotá, teve uma mostra lá, e o filme foi super bem recebido até
por pessoas ligadas à Igreja Latino-americana. Tinha um historiador lá que
gostou muito, aliás, eu tenho até que mandar esse filme para lá. O filme foi
muito bem, e o que é mais interessante é que o público jovem veio conversar
comigo. Há um pedaço da história que eles desconhecem, e cada vez desconhecem
mais, pois hoje você tem muita informação, mas não tem a profundidade.
Você não sabe de onde veio aquela informação, e porque ela se dá
assim. Mulheres: Tem informação, mas não tem conhecimento. Érika Bauer: É, e não tem conhecimento pra
entender, pra fazer a ligação dos fatos. E eu acho que o filme percorre um
pouco essa história. E não tinha outra forma de apresentar Dom Elder.
Eu não podia quebrar, fazer a
descontração do personagem, da sua história. Então foi a forma que
encontrei. E depois cada um faz o lado que quiser da loucura de Dom Elder,
porque ele também tinha loucura. Ainda bem. Era um poeta. Mulheres: O filme está sendo apresentado? Érika Bauer: Sim. Teve aquele circuito dos
cineclubes simultâneos. Que passou no dia 27 de agosto (se não me engano) em
todos os lugares e pequenos lugares do Brasil. Isso foi muito interessante. Com
retorno. Houve cartas. Mulheres: Você lembra mais ou menos do número de quantas
cidades? Érika Bauer: Olha! A idéia era 27 apresentações,
vinte e sete estados brasileiros. E nesses estados, quatro cidades. Então você
multiplica ai e você tem o resultado. No Sul, por exemplo, Dom apresentou. No
Rio de Janeiro teve o Dom Valdir Calheiros, que é parente do Renan. Depois em
Belo Horizonte teve a presença também pessoas interessantes. O filme é
apresentado e seguido de debates, isso que é maravilhoso, eu tenho participado
de debates ótimos. E continua sendo apresentado, não parou, tem pessoas
pedindo para apresentar em certos lugares, nas comunidades de base. Mulheres: E DVD? Érika Bauer: O DVD a gente ta preparando para
esse ano, tem muito depoimento que não entrou. Mulheres: E é um documento, porque tem, inclusive, imagens
inéditas.. Érika Bauer: É verdade! É verdade! Então é
um filme que eu acho muito importante, porque a pesquisa no documentário é
fundamental. Não adianta você querer fazer um documentário que trate de um
tema desse com ansiedade. Você não pode desistir, você só pode apresentar um
filme assim quando você tem todos os instrumentos, todo o seu material à
disposição pra fazer uma montagem decente. E foi muito bom, o processo de
montagem foi maravilhoso. Eu acho que o grande mérito também é da montagem,
porque a gente pode experimentar muito na montagem, na ordem dos fatos, tentar
dar um encaminhamento. Mulheres: A gente sabe que a montagem é a alma do cinema, mas
no documentário ela ocupa um papel fundamental porque senão muda-se tudo.
Muda-se até a história. Érika Bauer: E o documentário é a construção
mesmo, do seu objeto. É onde você se surpreende com o casamento de uma cena
com a outra. E quando você inova, você reconstrói. E foi maravilhoso. A gente
passou quatro meses assim, constantes, muitos intensos na montagem. Eu parei com
tudo que eu estava fazendo para me dedicar. E eu tive um montador maravilhoso lá
de Brasília, inquieto, que me questionava o tempo todo.
Porque que tá assim?.... ta faltando? ... Dom Elder era assim? ...
Isso foi muito bom porque você não só conduz as cenas, mas também se
questiona. Mulheres: Qual é o nome do montador? Érika Bauer: Sérgio Raposo. O processo de
montagem foi muito feliz, foi muito bom. E teve horas, claro, que eu ficava
insegura, eu achava que não estava se completando, mas aí a gente refazia. Eu
recebi um material maravilhoso, há dois anos eu tentava conquistar a pessoa que
tinha esse material. Porque ele acompanhou Dom Elder com super oito, tem as
cenas do super oito, “Give me love”, por exemplo. Ele era um fã
incondicional, exageradamente fã. Ele botou o nome da filha de Elder Câmara
– Gabriele Elder Câmara. Teve uma pessoa muito forte dentro desse processo
que o convenceu de nos ceder, então quando eu estava entrando para a sala de
montagem, ele enviou essas fitas. Isso foi assim, o grande momento do filme,
inclusive com essa inspiração do “Give me love”.
Essa cena veio à minha cabeça quando eu vi e depois escutei, por acaso,
George Harrison. Mulheres: Para chegar a esse resultado com Dom Elder você
teve uma trajetória muito forte, com os vídeos, curtas e vídeos
experimentais. Eu queria que você resgatasse um pouco essa trajetória anterior
para deixarmos registrado no site. Érika Bauer: Tá bom. Na minha trajetória é importante
destacar meu contato com Carlos Alberto Prates Correia, com quem eu trabalhei.
Foi o meu primeiro contato com cinema, “Noites do Sertão”. Foi quando
eu descobri que cinema era uma coisa muito séria, muito séria e que tinha
de vir de dentro. O Prates era uma pessoa que trabalhava com o tema do
norte de Minas, com Guimarães Rosa. Eu ficava muito impressionada como
ele passava as noites dele olhando pro céu, estudando, trazendo o silêncio.
Eu fiz a continuidade do filme e fiquei muito próxima dele. Logo em seguida eu tive a sorte de
conseguir uma bolsa e depois consegui entrar para a escola, lá de Munique. Eu
tenho uma mãe alemã, e eu acho que a Alemanha foi também algo muito forte na
minha vida porque me fez refletir dentro da solidão. Eu fiz um filme lá, fiz
alguns curtas. Isso foi em 87. Na
Alemanha eu realizei três trabalhos. Um foi um documentário sobre um garoto
que estava preso num sistema diferente do penitenciário, um sistema livre. Ele
tinha matado o pai. Isso me chocou um pouco, esse contato com esse garoto. E fiz
dois filmes um é o “Bela Estranha”, que passou aqui nos festivais. O
“Bela Estranha” até ganhou prêmio de contribuição à montagem, á
linguagem cinematográfica. Eu pude experimentar porque eu estava numa escola,
eu tinha dinheiro, tinha tudo, e não tinha compromisso com nada. Esse filme era
sobre três brasileiras e três elementos: água, fogo e terra. É de 94. Depois eu fiz vários documentários em
Belo Horizonte com a Intervalo, fiz outros trabalhos e todos eles foram de muita
entrega. Com eles eu aprendi muito a lidar com documentário, e me apaixonei. Aí
fiz um curta que é o “Bom Dia Senhoras”, em 1998. É a história de uma
tia-avó minha. Eu tinha que botar essa história em algum momento, eu tinha que
botar minha mineirice pra fora, que era essas três senhoras dentro do casarão.
Bom, eu acho que pra mim o mais importante disso tudo foi o “Bom Dia
Senhoras”, porque me fez ver que o buraco é mais embaixo. Não adianta você
fazer um filme amamentando, cuidando de família e achar que vai dar tudo certo.
Pra
mim foi um fiasco, porque eu não estava inteira, eu não me entreguei.
E fiz um filme feliz. E não dá pra você fazer tudo ao mesmo tempo, você
não é perfeito. A partir daí eu resolvi me entregar à minha família, às
minhas filhas. Primeiro ser mãe, criar essas filhas. E passei uma crise enorme,
tipo o quê eu quero. Se é cinema, se eu tenho alguma aptidão. Isso foi o
momento mais importante para mim. E foi a partir daí, desse isolamento, que
veio o “Dom Elder”. Mulheres:
No “Bom Dia Senhoras” você trabalhou com a Vanda Lacerda, Neuza Rocha e Lígia
Lira. Ótimas atrizes. Érika
Bauer:
Foi maravilhoso o trabalho com elas. E também com o Ezequias Marques. Foi lindo
ver os quatro no camarim, relembrando momentos. Eu gosto muito de trabalhar com
velhos, com pessoas mais idosas e o tema da mulher sempre foi muito presente. E
agora o tema “batina”. O universo feminino e o da batina me interessam
muito, que é essa experiência dessas almas assim, que tem uma certa busca,
essa experiência de vida. Enfim, o trabalho com eles em “Bom dia Senhoras”
foi muito bom, muito gratificante, mas eu confesso que eu tive muito pouco tempo
pra me dedicar. Principalmente na montagem. Eu montei amamentando, viajando com
minha filha, e esqueci um pouco, eu deixei de lado a montagem. Mulheres:
O curta é de 98, já o longa veio quase dez anos depois .... Érika
Bauer:
Eu comecei a trabalhar no “Dom Elder” em 199. O curta é de 98, mas ele saiu
bem depois. Eu fui pra terapia, tava muito mal, muito mal. Porque eu achava que
esse filme ia ser um filme maravilhoso, e não é por ai, não é tão simples,
não é só fazer e achar que vai ganhar o mundo tão fácil assim. Mas eu acho
importantíssimo uma experiência dessa, para mim foi fundamental porque meu ego
caiu assim, quebrou em vários pedaços. E eu acho que quando isso acontece é a
melhor coisa do mundo, que ai você começa simples, você vira uma pessoa mais
inteira. Mulheres:
E é interessante e bacana porque você tem esse momento de questionamento de
identidade no cinema e faz o “Dom Elder”. Érika
Bauer:
É verdade. Eu me lembro que eu me encontrei com Coutinho, ele estava
apresentando o filme “Santo Forte”. Eu precisava conversar com alguém, eu
estava ainda com dificuldade do que fazer com esse personagem tão grande. Ele
falou: “Seja simples. Veja ele do seu tamanho. Seja do tamanho dele ou bote
ele do seu tamanho”. Isso foi fundamental para mim, porque ai eu comecei a
dialogar com Dom Elder, a olhá-lo como uma pessoa comum, que tinha sonhos como
todo mundo. E ai eu acho que andou melhor. Mulheres:
Você dá aula lá na faculdade de Brasília, não é isso? De cinema?
Quanto tempo? Érika
Bauer:
Sim, é de cinema. Dou aula desde que me casei, agora me separei. Já tem dez
anos. Mulheres:
E é bacana? Érika
Bauer:
Muito, muito, muito. Adoro. Porque
me renova. O contato com esses meninos é uma das coisas mais prazerosas que eu
tenho. Eu tenho alunos talentosíssimos, mas que precisam, por exemplo,
trabalhar tanta coisa dentro deles, precisam cair no chão primeiro. E é uma
relação muito bonita que eu tenho com eles, eu gosto muito de escutá-los e
isso me inspira. A gente tem um diálogo interessante dentro da sala, eu falo de
argumento, de roteiro, eu acompanho muito o processo de criação deles. Ás
vezes é doloroso, mas depois vale a pena. E tem a história do cinema que eu
revisito, todas as escolas, e a cada semestre é uma descoberta nova com eles. Mulheres:
E esse projeto novo? Em que pé que está? Érika
Bauer:
Nossa! Esse projeto novo está no roteiro. Eu já estou terminando o projeto,
e daí eu devo colocar no Minc. Eu não botei na Petrobrás porque eu achei
que o roteiro ainda estava verde, eu estou fechando ele agora. É sobre
o Casaldaglia, mas muito mais que sobre o Casaldaglia, é a minha busca,
é um diálogo que eu tenho com minhas filhas, sobre os sonhos de ontem
e o mundo de hoje. É um momento em que elas me perguntam quando é que
eu vou fazer um filme normal, um filme que elas vão ver no shopping com
as amigas. O filme começa ai, tentando dialogar com elas. Mulheres:
Você imagina esse projeto para quando? Érika
Bauer:
Eu quero até o final do ano, a minha idéia é essa. Eu quero fazer esse filme
o mais rápido possível porque Casaldaglia está num momento muito frágil, a
voz já está começando a ficar mais fraca. É uma conquista minha e dele,
porque ele é muito difícil, muito teimoso. É um catalão dificílimo, tem
dois anos que a gente está no embate. Eu e ele. Mulheres:
Qual a importância que você vê na mostra de Tiradentes, agora chegando à
9º edição? Você que já apresentou trabalhos aqui. Érika
Bauer:
Eu já estive aqui até como curadora, em 99 ou 2000. A Mostra cresceu muito em
importância, eu estou muito surpresa com o tamanho dela, com a relação da
mostra com a cidade e com o público. Eu achei que o público cresceu e ela se
integrou à cidade. A cada ano que passa eu me surpreendo ainda mais. Mulheres:
Agora um momento tradicional. Eu sempre peço para as minhas entrevistadas, se
elas quiserem, claro, que façam uma homenagem à uma mulher da história do
cinema. Pode ser do cinema mudo até o atual, qualquer uma e em qualquer área
do cinema brasileiro. Tem uma mulher que você gostaria .... Érika
Bauer:
Ana Carolina. Mulheres:
E por que? Érika
Bauer:
Porque eu acho ela louca, sensível, inteligente e visceral. Mulheres:
Alguma coisa que eu não te perguntei e que você gostaria de acrescentar? Érika
Bauer:
Não, não. Eu acho que eu falei demais. Mulheres:
Muito obrigado pela entrevista. Érika
Bauer:
Obrigada.
|
|