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032-
ELIANE LAGE
Foto: cena de "Caiçara" (1950), de Adolfo Celi e Tom Payne
Belíssima,
Eliane Lage estreou nos cinemas pelas mãos de Tom Payne, cineasta inglês que Eliane
Lage conversou com o Mulheres pelo telefone de sua casa em Pirinópolis. Doce e
Mulheres:
Você nasceu na França, não é isso? Eliane
Lage: Sim, eu nasci em Paris, em 1928. Meu pai era brasileiro e a minha mãe
inglesa. Eu nasci em Paris simplesmente porque minha avó, a mãe de papai, era
francesa e morava em Paris. Meus pais eram muito jovens quando eu nasci e aí
eles correram para lá, em socorro. Eu vim para o Brasil com seis meses e sempre
morei aqui. Mulheres:
Em São Paulo? Eliane
Lage; Rio, São Paulo, Guarujá, Petrópolis. De Petrópolis eu vim para Goiás,
Pirenópolis, e estou aqui há vinte e oito anos. Mulheres:
Antes de você desenvolver carreira no cinema, você fazia trabalhos humanitários,
tanto no Brasil quanto fora do Brasil. Eliane Lage: Sim, eu trabalhei logo que eu saí do ginásio, digamos, eu fiz mais um ano, e depois fui trabalhar. Um trabalho leve, que não tinha muito significado, mas na Favela de Dona Marta, no Rio. E aí eu cheguei à conclusão que precisava ser feito muita coisa e que aquilo que eu estava fazendo não tinha repercussão nenhuma, nem valor. Como minha mãe estava viajando pela Europa eu fui junto e resolvi me aperfeiçoar para poder voltar e trabalhar na favela Dona Marta. Eu fiquei um ano na Inglaterra, em um colégio em que se aprendia a como cuidar de criança, desde o nascimento até aos quatro anos, idade de entrar para o maternal. Então eu fiz esse curso e de lá fui para a Grécia, onde minha mãe estava e onde eu trabalhei em um campo de concentração de crianças gregas. Foi na época da guerra civil entre os partidários do rei e os comunistas, era uma guerra civil na Grécia. Milhares de crianças do norte da Grécia, da Macedônia, haviam sido tiradas das famílias e levadas para Atenas e postas em casas onde eram tratadas e cuidadas. O que a rainha fez foi tirar todas as crianças do norte da Grécia, onde elas estavam sendo seqüestradas pelos comunistas do norte da Grécia. Bulgária, Albânia, tudo isso era comunista e eles roubavam os meninos que eram pastores nas montanhas e levavam para, depois de ensinar, de doutrinar, manda-las de volta como guias para os exércitos da Albânia e da Bulgária. Enfim, a rainha tirou todas as crianças de lá, numa faixa de 50 quilômetros do limite da Grécia entre os dois países, não haviam mais crianças entre cinco anos e doze, todos foram evacuados para o sul. Então eu fui trabalhar em um desses campos de concentração e foi uma experiência incrível realmente, para mim foi muito bom. Mulheres:
Quantos anos você tinha nessa época? Eliane
Lage: Eu tinha 20 anos, entre 19 e 20 anos Mulheres:
Quando retornou ao Brasil você continuou com o trabalho no Dona Marta? Eliane
Lage: Bom, a idéia era essa, eu voltei ao Brasil para fazer esse trabalho.
Voltei em 1950 e eu vim com a idéia de recomeçar o trabalho aqui. Só que fui
passar férias em São Paulo e em um almoço, em casa de Yolanda Penteado
Matarazzo e do Cicilo Matarazzo, eu conheci Tom Payne. Ele achou que eu era
muito fotogênica e sugeriu que eu fizesse o teste para “Caiçara”. Foi o
que eu fiz, eu passei nesse teste e fiz “Caiçara”, foi meu primeiro filme.
E aí eu realmente me apaixonei pelo Tom Payne, então a idéia de voltar para o
Rio e trabalhar na favela não vingou. Eu fui fazer cinema. Mulheres:
Quando o Tom Payne deu essa sugestão para você fazer o teste, o que você
sentiu naquele momento? Você sentiu que era possível? Eliane
Lage: Não, não, eu não queria de jeito nenhum, expliquei para ele que eu
tinha muitas coisas para fazer, eu tinha me preparado durante dois anos para
trabalhar na favela, que eu tinha os meus planos e que eu não ia fazer cinema.
Eu não achava graça nenhuma em trabalhar em cinema ou teatro, não era o que
eu queria fazer. Mas ele finalmente me convenceu. Me convenceu porque eu,
simplesmente, me apaixonei por ele. Eu voltar para o Rio seria me separar dele e
não o vê-lo mais. Mulheres:
Vocês se casaram nessa época? Eliane
Lage: Casamos um ano depois, em 1951. Mulheres:
Como era a Vera Cruz, quando você chegou lá para fazer o “Caiçara”? Como
foi participar desse início do estúdio
onde você se tornaria a principal estrela? Eliane
Lage: Bom, na época do teste só tinha um pequeno estúdio e um galinheiro
enorme, porque era uma chácara de galinhas, de criação de galinhas do Cicilo
Matarazzo. Ele entrou na Vera Cruz com esse terreno, que era enorme. Estavam
construindo, quer dizer, era uma loucura, tinha pedreiros e tratores, máquinas
para todo lado, não tinha tudo que se assemelhasse a estúdio. Tinha um galpão
pequeno, onde fizemos o teste, só. Mulheres:
Além da paixão Pelo Tom Payne, você também se apaixonou pelo cinema? Eliane
Lage: Não, na realidade não. Mais tarde, ao começar a filmar é que eu me
interessei realmente por isso, mas não a ponto de querer me dedicar toda a vida
ao cinema. Mulheres:
Quando você foi se integrar a Vera Cruz você tinha noção de que estava
participando de um momento histórico do cinema brasileiro? Eliane
Lage: Não, como te disse eu fui parar naquilo tudo da forma como te falei. Eu
fiquei apaixonada pelo Tom, a Yolanda era completamente contra, mas ainda assim
eu fui. Mulheres:
Por que ela foi contra? Eliane
Lage: A Yolanda me tratava como filha. Ela considerava o Tom um grande técnico,
mas o achava um aventureiro, ela não queria mesmo. E pensando bem, era uma tudo
uma loucura mesmo, “Angela”, por exemplo, foi filmado no sul do país, em
Pelotas, e fomos todos para lá, todas as máquinas, quando, na verdade, aquela
casa onde se passa o filme poderia ser em qualquer lugar. Mulheres:
Você ficou casada com o Tom Payne durante quantos anos? Eliane
Lage: 15 anos. Mulheres:
Então os temores de Yolanda foram infundados, porque 15 anos é uma história. Eliane
Lage: Eu considero que foi um casamento muito bem realizado, porque 15 anos é
como você diz, não é pouca coisa. Mulheres:
Você vai dando seqüência a sua carreira e a Vera Cruz já é uma realidade no
país e um modelo de industrialização no cinema brasileiro como até então não
tinha sido feito. Tinha as pessoas que gostavam e os que criticavam. Como você
viu aquele momento, defensores de um lado, detratores do outro, e você sendo a
principal estrela do estúdio? Eliane Lage: Você sabe, quando a gente está no meio da floresta a gente não vê as árvores muito bem, porque você está no meio da coisa. Eu estava trabalhando o tempo todo, a gente começava um filme e terminava outro e era muito trabalho mesmo. Então, depois é que eu comecei a ler as coisas sobre a Vera Cruz, porque na época realmente eu não tinha muito tempo. Terminei “Caiçara” e fui diretamente para o Rio Grande do Sul, Pelotas, fiquei completamente por fora. Naquela
época que eu estava lá o Cavalcanti (Alberto) brigou com o Zampari (Franco) e
saiu da companhia. O diretor de “Ângela”, filme que eu estava fazendo em
Pelotas, Eros Martins Gonçalves, também saiu, seguiu o Cavalcanti. Nós
ficamos parados lá, sem diretor, tudo parado, mas sem saber na realidade o que
estava acontecendo, porque a gente estava lá e eles aqui, e agente não sabia
de nada. E aí o Tom foi escolhido pelo Franco Zampari para continuar as
filmagens, ele foi para Pelotas, e com isso eu fiquei sabendo um pouco do que
estava acontecendo. Mesmo assim é difícil você saber o que se passa nos
bastidores de uma grande companhia, eram questões de dinheiro, questões de
influência, de italianos contra os amigos do Cavalcanti, então era tudo muito
complicado, eu realmente não fiquei sabendo exatamente. Mulheres:
E essa história que se fala, de que
quando você fez o teste para “Caiçara” o Cavalcanti não queria muito, é
verdade ou é lenda? Eliane
Lage: Ele não queria a principio, porque eu estava na casa de Yolanda, ela me
considerava como filha dela. Desde pequena eu sempre fui muito a fazenda, enfim,
meus pais eram muito amigos dela, era uma coisa de família, praticamente. Então,
o Cavalcanti achou que ia ser muito complicado uma pessoa que é praticamente
filha da dona da companhia, entende? E que ia ser complicado lidar comigo, eu
podia criar mil situações embaraçosas para eles, mas a coisa é que eu era
muito fotogênica e o teste saiu muito bom. Não que eu fosse boa atriz, saiu
bom porque eles escolheram a cena mais difícil do filme, que era uma cena com o
Carlinhos Vergueiro, em que ele chegava bêbado e se atracava comigo e eu tinha
que me defender, e falar meus diálogos, etc. Eu tinha pavor de bêbados, sempre
tive, então isso me ajudou, porque quando ele chegou todo suado, uma camisa
toda fedorenta, um cabelo desgrenhado e uma barba de três dias, eu não sabia
quem era, só vi que, de repente, tinha um bêbado na minha frente (risos). Eu
virei uma leoa. Não que eu fosse uma boa atriz, porque eu não estava nem
pensando em câmera nenhuma, eu estava lutando porque tinha um homem horroroso
me agarrando. E aí todo mundo me aplaudiu quando eu terminei o teste e passei,
porque as outras moças que fizeram com certeza não tinham medo de bêbado
(risos). Mulheres:
Além de linda, você também se revelou uma persona essencialmente cinematográfica.
Você tem uma presença em cena que é puro cinema. Eliane
Lage: Obrigada, eu sempre dizia para o Tom que eu não era atriz e ele dizia que
eu tinha presença, você está dizendo a mesma coisa. Mulheres:
Mas você é também uma boa atriz. Você tem uma coisa essencial para cinema,
porque ele é muito diferente dos outros veículos. Você é um daqueles casos
em que a câmera parece te procurar. Como foram al filmagens do “Terra É
Sempre Terra”? Eliane
Lage: Aí eu entrei realmente sem querer, porque era um fim de semana e eu fui
visitar o Tom, foi em uma cidadezinha perto de São Paulo, e eu fui lá visitá-lo.
Quando cheguei, uma moça que ia fazer uma ponta no filme, ia ser noiva do Mário
Sérgio, ela saiu a cavalo e quebrou a perna. Então, o Tom
me perguntou se eu não me importaria de fazer no lugar dela, que ia ser
rápido. Eu topei, quer dizer, eu fiz uma ponta, eu nunca digo que eu fiz nada
em “Terra é sempre Terra” porque realmente não contou. Eu simplesmente
mergulhei na piscina, saí do outro lado, falei umas três palavras e terminou.
Foi assim. Mulheres:
Depois você faz o filme que é um dos grandes momentos da Vera Cruz, “Sinhá
Moça”, um sucesso internacional. Como foi fazer o filme? Eliane
Lage: Isso foi interessante. O Tom recebeu o livro e fez o roteiro, ele
trabalhou desde o roteiro até ao final do filme. Então, foi muito interessante
porque era uma coisa que eu acompanhei enquanto estava sendo criada. Eu
participei porque quando ele chegava em casa a gente conversava sobre tudo o que
estava acontecendo. Então esse filme eu achei muito interessante, porque eu
tive uma participação bem maior. Mulheres:
E ele foi um sucesso em vários festivais. Você acompanhou? Eliane
Lage: Não, infelizmente na época eu não tive nem dinheiro nem possibilidades
de viajar. Mulheres:
Como foi o convívio com a atriz Ruth de Souza, pois “Sinhá Moça” é também
um grande momento da carreira dela. Eliane
Lage: Sim, foi, foi ótimo, éramos muito amigas. Ela estava em Pelotas, ela e
Maria Clara Machado, nós três tivemos uma grande amizade, eu gosto muito da
Ruth. É uma pessoa extremamente talentosa, essa sim é uma atriz incrível,
realmente, muito boa atriz. Mulheres:
A Vera Cruz teve esse elenco de estrelas, você foi a primeira, teve Ruth de
Souza, Tônia Carrero, Ilka Soares... Eliane
Lage: Marisa Prado.. Mulheres:
Marisa Prado. Como era a convivência entre essas mulheres, todas ícones do
nosso cinema? Eliane
Lage: Aí que tá, nós não nos encontrávamos. Tônia, por exemplo, estava
fazendo “Tico Tico no Fubá” e eu estava fazendo, parece-me, “Ângela”,
no sul. Daí, quando cheguei, Tônia ainda estava terminando o filme dela. Quer
dizer, a gente se encontrava, mas era assim, cada uma ia trabalhar, e depois se
encontrava. Eu conheci,inclusive, o
filho dela, o Cecil (Thiré), ele tinha uns dez anos, uma gracinha. E eu me
lembro de ter pensando, imagina, Tônia consegue ter um filho e trabalhar em
cinema, então eu também vou conseguir. Porque o meu sonho era começar a ter
minha família. Mulheres:
Você tem quantos filhos? Eliane
Lage: Eu tenho três. Mulheres:
Do seu casamento com o Tom? Eliane
Lage: Sim. Mulheres:
Depois você fica um tempo afastada e volta para fazer o “Ravina”. Você
gostou de participar desse filme? Você gosta do resultado dele? Eliane
Lage: Olha, do resultado eu acho muito bonito, assim, o lado clássico do filme,
a fotografia é muito bonita. Agora a história eu acho meio estranha, meio lúgrube
a coisa toda. Eu realmente não me entendia muito bem como o Rubem Biáfora, então
foi um pouco difícil. Realmente, a culpa não era dele, mas é porque nessa
altura eu já tinha as duas meninas, uma com três anos e outra com seis meses e
eu tinha que sair de casa às seis da manhã e voltar às nove e meia da noite.
Então isso me deixava muito estressada, eu
realmente fiquei muito estressada nessa época e a gente não se deu nada bem. Mulheres:
As filmagens foram onde? Eliane
Lage: A maioria no estúdio da Vera Cruz e um pouco em Campos do Jordão. Mulheres:
Você nunca fez televisão? Eliane
Lage: Fizemos, o Tom e eu, parte de um programa cômico, que durou exatamente
seis semanas.Era semanal, o Tom era o diretor, trabalhamos, inclusive, com Ruth
de Souza. O Tom desistiu porque ele achava que tinha muita bagunça, muita
confusão, e ele era muito perfeccionista como diretor. Mulheres:
Como chamou esse programa? Eliane
Lage: Você sabe que eu não me lembro. Foi em São Paulo, acho que na Tupi, em
1956, deve ter sido. Mulheres:
Novelas você nunca quis fazer? Eliane
Lage: Não existia na época, e nem eu teria querido fazer porque na época nós
ficamos com horror à televisão. Mulheres:
Teatro também não? Eliane
Lage: Também não. Mulheres:
Depois do “Ravina” você não faz mais filmes. Você não sentiu falta, não
sente falta? Eliane
Lage: Não, não. Porque realmente o que eu gostava de fazer, na realidade eu não
fui feita para o cinema (risos). Porque eu gosto de lugares bem sossegados,
ermos, inclusive, onde não tem muita gente. Quer dizer, eu nunca curti a noite,
ir à boates, esse tipo de coisa. E cinema tem tudo isso, tem muita gente, tem
muita vida noturna, e eu realmente nunca gostei disso. Durante “Sinhá Moça”
nós compramos um sítio perto do Imbu, em São Paulo, quinze quilômetos de São
Paulo. Fomos morar no sítio era um sítio que não tinha luz elétrica, era bem
roça mesmo. E a gente gostava muito. Então, eu não senti falta não. Depois,
quando a Vera Cruz foi a falência, nós fomos
morar em Guarujá, na Praia do Tombo, que era uma praia totalmente deserta, que
era como a gente gostava, Nós criamos um antiquário lá, foi uma época muito
bonita também, mas que não tinha nada a ver com cinema. Mulheres:
Você ficou com esse antiquário durante quanto tempo? Eliane
Lage: Durante uns quatro anos, eu penso. Mulheres:
Agora você mora em uma fazenda, não é? Eliane
Lage: Não, eu morei durante 20 anos em uma fazenda, em Pirinópolis, mas agora
eu estou morando na cidade. Eu já estou com 77 anos, a vida na fazenda dava
muito trabalho, ficou muito cansativo. Mulheres:
Você tem netos? Eliane
Lage: Tenho três netos, três filhos e três netos. Mulheres:
Em 2004 foi feito um vídeo, um documentário sobre você, você chegou a ver,
de Ana Maria Maciel e Caco Souza? Eliane
Lage: Sim, ficou muito bonito. Eu acho que a Globo tem, parece-me que ela
comprou deles. Mulheres:
Agora você lançou um livro autobiográfico. Eliane
Lage: Sim, chama-se “Ilhas, Veredas e Buritis”. Ilhas, porque minha vida de
criança, de infância, eu passei em uma ilha, na Baía de Guanabara. Veredas são
os caminhos que me trouxeram até aos Buritis, até a paz dos Buritis, que é
aqui, no centro-oeste, em Pirinópolis. Mulheres:
Nesse livro você conta toda a sua trajetória. Eliane
Lage: Sim, tudo. Ele vai ser lançado aqui em Pirinópolis, em primeiro lugar.
Bom, foi lançado na Bienal do Livro, no Rio, em maio. Em julho, aqui em Pirinópolis,
e depois, em agosto, será lançado no Rio, na livraria Travessa, em Ipanema, no
dia 26 de agosto, Em São Paulo será no dia 22 de agosto, na Livraria da Vila.
É da editora Brasiliense. Mulheres:
Foi prazeiroso fazer esse livro? Eliane
Lage: Foi, fui eu mesma que escrevi. Eu fiquei doente, fiquei cansada da
fazenda, e fui morar durante quatro a cinco anos em Minas, onde minha filha mais
vela morava, em Alfenas, na fazenda dela. Enquanto eu fiquei lá, eu comecei a
escrever, o que foi muito gostoso, foi muito bom. Mulheres:
Cinema brasileiro, você gosta? Eliane
Lage: Eu gosto, mas não tenho muita oportunidade porque aqui, na cidade, tem um
cinema, mas não passa filmes nacionais. Mulheres:
Você se lembra o último filme brasileiro que assistiu? Eliane
Lage: Vi um lindo, “Casa de Areia” . Mulheres:
É um filme recente, você está em dia. Eliane
Lage: É porque eu fui ao Rio para a Bienal do Livro e aí fui ao cinema, porque
quando eu vou a uma cidade grande eu vou ao cinema, naturalmente. Foi ótimo. Mulheres:
Eu gosto muito dos seus filmes. Você gosta deles? Eliane
Lage: Eu gosto. ”Ângela” eu não gosto muito, porque realmente eu sinto que
foi começado por um diretor e terminado por outro, e aí ficou meio capenga.
Mas eu gosto muito de “Sinhá Moça” e de “Caiçara” também. Mulheres:
Você quer homenagear alguma mulher do cinema brasileiro, de qualquer época ou
área? Eliane
Lage: Eu acho Ruth de Souza uma pessoa sensacional, mesmo, como pessoa humana.
Além de ser uma grande atriz, eu acho que como pessoa humana ela tem uma força
tremenda. Ela superou dificuldades muito grandes, é uma pessoa que o cinema
brasileiro tem que se orgulhar porque ela é uma atriz de mão cheia. Mulheres:
E você como atriz, nunca mais? Eliane
Lage: Não não (risos). Mulheres: Que pena. É curioso, tem algumas atrizes que são fundamentais para a história do cinema brasileiro, mas ainda assim o abandonaram. Você, Odete Lara... Eliane
Lage: Aliás, eu me encontrei com ela na Bienal, foi muito simpática, ela veio
ao meu stand da Basiliense e ficamos conversando um tempão, foi ótimo, foi
muito bom. E também estive com Renato Consorte, que eu adoro, muito amigo meu,
que também tinha vindo de São Paulo. Mulheres:
Fora ocasiões como essa, no lançamento do livro, você se relaciona com as
pessoas do cinema? Eliane
Lage: Não, porque aqui eu estou muito longe de tudo (risos). Realmente, não. Mulheres:
Mas você também não sente muita falta? Eliane
Lage: Não, não sinto. Eu tenho visto o Sérgio Mamberti, que é um amigão,
muito simpático, e como ele está morando em Brasília, ele muitas vezes vem
passar o final de semana aqui em Pirinópolis, aí nós vemos, é muito bom. Mulheres:
Muitíssimo obrigado pela entrevista. Eliane Lage: Obrigada a você Adilson.
Entrevista realizada em julho de 2005. |
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