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033 - DIRA PAES Foto: acervo da atriz
De lá para cá a atriz já somou mais
de 20 filmes no currículo, dirigida por nomes veteranos como o próprio Lima Jr
e Silvio Tendler e outros quem vem sacudindo a cena cinematográfica, sem abrir
mão de polêmicas, como Sérgio Bianchi, Rosemberg Cariry e Cláudio Assis.
Dira Paes mostrou seu talento ainda em filmes de cineastas como Sérgio Silva,
Betse de Paula, Jorge Furtado, e atualmente estrela ao lado de Ângelo Antônio
o primeiro longa de Breno Silveira, “2 Filmes de Francisco”, sobre a vida da
dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. Os prêmios não foram poucos:
"Ele, O Boto” – Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Natal;
“Corisco & Dada” – Melhor Atriz nos Festivais de Brasília, Cuiabá e
Florianópolis; “Anahy de Las Missiones” – Melhor Atriz Coadjuvante no
Festival de Brasília e pela APCA; “O Casamento de Louise” – Melhor Atriz
nos Festivais de Cuiabá e Natal; “Noite de São João” – Melhor Atriz
Coadjuvante no Festival de Gramado; “Amarelo Manga” - Melhor Atriz no Cine
Ceará e no Festival de Santa Maria da Feira/Portugal; Prêmio Especial do Júri
no Festival de Brasília. Em conversa exclusiva com o Mulheres
pelo telefone de sua casa no Rio de Janeiro, Dira Paes repassa toda a sua trajetória
cinematográfica, comentando filme por filme. A atriz, nascida em 30 de junho de
1969, em Abaetetuba, Pará, fala do sucesso atual “2 Filhos de Francisco” e
também dos filmes ainda inéditos. Fala dos trabalhos na televisão, como o
sucesso de Solineuza em “A Diarista”, do Festival de Cinema no Pará que
coordena, e reafirma sua paixão arrebatadora pelo cinema nacional, “eu sou
muito fã do cinema brasileiro, eu acho que a gente faz um dos melhores cinemas
do mundo, olha que pretensão a minha. Eu gosto, eu curto, apesar de achar que
é muito difícil fazer um filme bom. Agora, a gente aprende muito com os erros,
às vezes o erro é mais interessante que o acerto, tem essa dicotomia, essa
contradição”.
Dira Paes: Olha, esse é um projeto que já
era encantador desde o roteiro, desde a primeira vez que eu li eu me encantei,
independente dele ser uma história sobre o Zezé di Camargo e Luciano, era uma
história muito emocionante. As filmagens foram maravilhosas e todas as pessoas
envolvidas fantástica. Tinha um grande amigo, que é o Ângelo Antônio, com
quem eu iria contracenar grande parte do tempo.
Eu já sabia do talento do Breno desde o início da carreira dele, então
foi um presente para mim. Agora, quando você mostra isso para o público é
diferente porque você nunca sabe como vai ser a reação, principalmente por
ser um filme onde tem diversas ressalvas, em princípio. No caso, eu me senti
extremamente feliz, e aí quando o filme é lançado e é esse sucesso absoluto,
porque não foi só uma pré-estréia, eu fui a cinco e a receptividade foi incrível.
Eu me senti presenteada e lisonjeada de
estar dentro de um projeto, que não significa muito só para nós que fizemos o
filme, dele ser bem-sucedido, mas também para o cinema brasileiro, a importância
dele nesse momento. Eu acho que ele vem casar um sentimento que nós precisamos
que é a superação das dificuldades. É um projeto que vem em um momento certo
para brindar o cinema brasileiro, que vem injetar um ânimo dentro do coração
das pessoas que vão assistir ao filme e vão perceber que o grande valor desse
filme é te deixar feliz e cheio de esperança em relação aos seus sonhos. Mulheres: Como foi fazer agora uma personagem contemporânea,
que existe, porque a Dada de “Corisco & Dada” (1996, Rosemberg Cariry)
foi uma mulher que existiu, mas no passado. Dira Paes: Eu me prendi ao personagem que eu
tinha lido no roteiro. Resolvi desvincular esse roteiro da história real, da
que realmente existiu. Eu pensei que a melhor coisa para eu perceber esse
personagem era indo fundo no roteiro. E foi o que eu fiz, eu parti dele para
compor a personagem. Eu me inspirei nas mães que eu conheço, porque na verdade
é um papel de mãe absoluta, aquela mãe que a gente conhece, a mãe que cuida,
que briga, que educa, que sustenta, que lava roupa, aquela coisa do trabalho braçal.
Eles só compravam querosene, sal e açúcar, o resto era tudo feito lá no sítio.
Então para mim tinha uma realidade ali no roteiro que já era suficiente para
compor essa personagem. Eu preferi fazer assim, que me inspirar na própria
Helena, porque eu achava que o tempo já tinha passado, então essa Helena que
eu iria conhecer não era mais aquela mulher, eu tinha que compor a minha Helena
Camargo, eu como mãe daquelas crianças todas.
O desafio para mim também foi fazer mãe
de adultos, eu ia dos 17 aos 47 anos dentro do filme. Então eu queria que isso
passasse com a interpretação, que a caracterização do passar do tempo fosse
muito discreta. Eu fiquei muito feliz com o resultado, as pessoas acreditam
nessa mãe, nesse pai, nesse casal do início até o final do filme. Mulheres: Você conheceu a Helena depois ou ainda durante as
filmagens? Dira Paes: Foi no penúltimo dia de filmagem
em Goiânia. O nosso encontro foi lindo, ela me olhou, eu estava vestida de
personagem. Ela me abraçou, a gente se abraçou durante uns três minutos, ela
ficou muito emocionada também. Depois, quando a gente saiu do abraço, a gente
viu que, coincidentemente, estávamos com o mesmo penteado. Daí, ela virou para
a filha Marlene e disse que ela era assim, sequinha, moreninha. Que agora, por
morar em apartamento, está branquinha, mas que era assim, como eu. Nós fomos
descendo a rua de braços dados até onde o Breno estava com a equipe filmando,
e foi aí que ele nos viu pela primeira vez juntas. Ele ficou encantado, porque
nem ele tinha se dado conta do quanto nós éramos parecidas. Mulheres: É claro que na sua filmografia, além sua história
pessoal, você já tem esse contato com personagens ligadas à terra. Tem “A
Floresta das Esmeraldas” (1985, John Boorman), “Ele, o Boto” (1987, Walter
Lima Jr), “Lendas Amazônicas” (1999, Ronaldo Passarinho Filho e Moisés
Magalhães), “Corisco & Dada”, “Anahy de Las Missiones” (1997, Sérgio
Silva), entre outros. Mas esse filme, “2 Filhos de Francisco”, te trouxe
algum outro tipo de conhecimento para esse tema? O que ele te trouxe como
contribuição nesse seu processo de trabalho como atriz? Dira Paes:
Olha, todo trabalho contribui, independente do tipo de personagem, do
lugar. Em todos eles tem uma coisa, e que é do cinema, que é o momento único
que você está filmando. É o momento em que você tem ali o instante, nos 24
quadros por segundo são 24 quadros especiais. Eu posso dizer que esse
personagem tinha uma novidade que era contracenar com criança de uma maneira
intensa, com tragédia também. Eu já tinha feito “O Casamento de Louise”
(2001, Betse de Paula), que tinha duas crianças, mas era uma comédia, então não
tinha esse peso. Ter contato com esse universo da criança, que tem essa, como
eu posso dizer, espontaneidade da não interpretação, basicamente, foi o meu
grande desafio do trabalho. Você tinha ali a frente toda uma espontaneidade à
flor da pele, todos os sentimentos, a vivacidade da criança, o que te faz
buscar também essa não interpretação, chegar a esse nível. Eu sempre
pensava nisso, que eu tinha que me inspirar nessas crianças, porque senão nós
seríamos engolidas por elas. Mulheres: E essa abordagem que fiz para você, você acha que
tem a ver ou não? Por que eu acho curioso que em grande parte de seus filmes a
geografia é muito importante. Dira Paes: Eu tive umas pontuações na
minha carreira, mas tem uma palavra, não seria estereótipo...
é que os personagens femininos levam consigo um certo traço em comum e
um deles é a questão de serem as provedoras, as mães, aquelas que são as
guerreiras, as que sustentam. Geralmente, isso tem sido um componente nas
mulheres dos filmes. Nos filmes que eu fiz isso vem pontuando de alguma maneira.
Eu fiz muitos filmes de exterior, de paisagem, de estar inserida no contexto do
espaço, do lugar, onde a gente estava filmando. O que é uma coisa fantástica,
porque você acaba mergulhando num universo e acreditando nele, vivenciando-o
realmente durante o tempo das filmagens. Mas eu também tive personagens que
romperam com isso, como a Amanda de “Cronicamente Inviável” (2000, Sérgio
Bianchi). Ela era aquela mulher fria que conseguia fazer negócios
inescrupulosos de uma maneira como se fosse digna, ela não se sentia culpada de
estar fazendo aquilo. Tem outras também, como em “O Casamento de Louise”,
que é uma comédia rasgada, o “Celeste e Estrela”, em que faço uma
cineasta. Mulheres: Na verdade, nessa abordagem, eu nem vejo como estereótipo
não, o que eu acho é que você tem propriedade para fazer essas personagens.
Assim como em outros casos, como a Liv Ullmann fazendo Bergman, a Betty Faria
fazendo personagens populares, eu vejo uma propriedade da atriz com aquele tema.
Eu vejo isso muito em você. É claro que você vem fazendo personagens
diferenciados, mas eu acho que esse outro conjunto de filmes, ele não reforça
nenhum tipo de estereótipo. Ao contrário, ele dá uma carga de verdade que
ultrapassa qualquer estereótipo, na verdade acrescenta. Dira Paes: Quando eu estava me referindo
anteriormente, era sobre perfil de personagem, como nos personagens masculinos,
quase sempre relacionados ao herói. A mulher tem esse outro em relação à
terra, eu estava me relacionando a isso. Quando eu citei os outros foi
justamente para dizer que existem alguns que não têm essa característica, que
tem outra leveza. Agora, eu realmente passei por algumas terras, eu fiz filmes
totalmente ligados ao lugar, indo de “A Floresta das Esmeraldas”, “Ele, O
Boto”, “Corisco & Dada”, “Anahy de Las Missiones”. O “Amarelo
Manga” (2002, Cláudio Assis) eu não diria. E tem agora o “2 Filhos de
Francisco”. É engraçado, é uma trajetória que eu falo dela, às vezes,
como se não fosse minha. Eu tenho um certo distanciamento, é engraçado. Mulheres: No “A Floresta das Esmeraldas” você era novíssima,
e é claro que a gente sabe que esse filme mudou sua vida completamente. Mas você
vai na sua carreira, de “A Floresta das Esmeraldas”, uma grande produção
americana a filmes baratíssimos, como por exemplo “O Casamento de Louise”. Dira Paes: O próprio “Amarelo Manga”. Mulheres: E isso, parece-me, é também, porque você tem essa
possibilidade, no cinema brasileiro, de transitar por diferentes formas de produção. Dira Paes: É, eu sempre fui atrás de bons
personagens. A minha ousadia era a de que eu conseguisse, na minha carreira,
realizar bons personagens. Como eu comecei no cinema, minha ambição nunca foi
fazer a novela das oito, e sim ter ótimos personagens. Eu sabia que isso era um
desafio, até por causa do meu perfil físico mesmo, de ser uma brasileira. Então
eu sempre fui em busca disso, não importa onde eles estivessem. E eu acho que
eu acertei, porque eu apostei também junto com várias pessoas, eu fiz vários
primeiros filmes de diretores. Quando você aposta junto acaba que o projeto é
um pouco seu também, eu fui produtora associada de vários projetos. E isso é
ótimo porque acaba que você fica um pouco dono mesmo de sua trajetória, você
tem a opção de escolher. Isso somado, agora que o tempo passou, o que parecia
ser uma carreira alternativa, você vê então que aquilo eram tijolos que
formaram um alicerce, são trabalhos que depois de somados são consistentes. Mulheres: Você se lembra o que sentiu ao pisar pela primeira
vez em um set de cinema? Como foi em “A Floresta da Esmeraldas” e depois, a
seguir, em “Ele, O Boto”? Dira Paes: Olha, eu tinha quinze anos. Eu
pisei primeiro através dos testes, e eu sempre fui muito espontânea, eu sempre
fui muito autêntica. Eu me lembro que era uma coisa que as pessoas sempre
falavam de mim, que eu era extrovertida. Mas isso não quer dizer que eu saia
cantando e pulando não, eu só sempre fui comunicativa. Desde o meu primeiro
teste eu agi naturalmente, com segurança, e eu acho que isso foi uma característica
da minha personalidade. Porque já no primeiro dia de filmagem, a minha sensação
é que eu tinha feito aquilo de alguma forma, eu não estava em algum lugar
estranho. Também, a gente teve toda a uma preparação, teve ensaios. Eu era
uma adolescente e nessa época você se adapta muito rápido às coisas. E eu
achei tudo fantástico, era uma superprodução, eu era uma “starlet” ali
naquele meio, eu tinha o meu trailler, todo um tratamento diferenciado. Eu fui
inserida dentro de um conto de fada, tinha
um pouco isso, de ser um ambiente de conto de fadas. Mulheres: E em “Ele, O Boto”? É curioso você dizer isso
porque quando eu assisti a esse filme, depois de vê-la em “A Floresta”, eu
tive a impressão, e você falou agora de forma mais clara, de que você já
estivesse desde sempre no cinema. Dira Paes: Mas o “Boto” foi incrível.
Quando eu filmei “A Floresta” eu tinha quinze anos, e em “O Boto”,
dezessete. Foi quando eu decidi vir para o Rio para ser atriz. Entrei na CAL,
Casa de Artes de Laranjeiras, e com dois meses lá eu fui chamada para fazer o
teste e passei. A diferença em relação ao anterior é que no “Floresta”
eu tinha espontaneidade, mas eu seguia as instruções do diretor. A minha
espontaneidade e a minha intuição me permitiam fazer as coisas do meu jeito,
mas eu tinha sempre o olhar do Borman (John Borman), a gente se relacionando,
ele falando o que ele queria. No “Boto” eu me senti mais autoral
do personagem, ali eu já vi que eu tinha uma sagacidade da experiência
anterior, e o Walter (Lima Jr) também tinha um outro jeito. Ali eu senti que eu
levei muita coisa, eu estava falando de um universo que eu conhecia, porque
quando eu era criança, ao invés de ouvir histórias de Cinderela, muitas vezes
o que eu ouvia eram lendas e, inclusive, a lenda do boto. Mulheres: Em “Corisco & Dada” já há uma plenitude,
é impressionante isso. Dira Paes: Pois é, eu já vinha de outros
trabalhos, filmes para a televisão francesa e para a BBC de Londres, teve
“Corpo em Delito” (1990) do Nuno César Abreu, com o Lima Duarte e a Regina
Dourado, que é um filme maravilhoso. Ele só ficou dois dias em cartaz porque
veio o Plano Collor e ele parou de ser exibido. Foi quando eu fiz minha primeira
novela, que foi “Araponga” (1990), fiz teatro no Rio, “Capitães da
Areia” (1992), dirigido pelo Roberto Bomtempo. Nesta peça, eu fazia assistência
de direção e atuava, foi uma experiência maravilhosa. E aí, na época da Retomada do Cinema
Brasileiro, teve concursos de roteiro que o Ministério da Cultura fez. E aí teve “Corisco & Dada”, e eu fui convidada para
fazer. Quando eu li o roteiro eu fiquei encantada, e vi que ali tinha um super
personagem, que ia ser um personagem maravilhoso. Esse filme foi um encontro
total entre diretor, atores, equipe, cenário. A questão da terra que você
falou, o sertão como personagem, a realidade pulsando a nossa volta. Foi engraçado, porque eu sai do
“Corisco & Dada” e fui fazer “Irmãos Coragem” (1996) na TV Globo, a
segunda versão, dirigida pelo Luiz Fernando Carvalho, em que eu fazia a Potira.
Daí fui fazer “Anahy de Las Missiones” em seguida. Os dois roteiros tinham
sido premiados nesse concurso. E o pampa, eu estou fazendo um parêntesis aqui,
era muito parecido com o sertão. Porque aí eu vivi parecido com a sua pergunta
lá atrás que é a questão terra. Esses personagens eram muito fortes, e em
alguns lugares parecia que o tempo não passou, porque você não tinha nenhuma
referência urbana. No sertão era tudo parado, tinha uma imanência, você
sentia ali a presença de algo muito maior que você.
E esse filme teve esse ambiente. Eu e o Chico estudamos juntos, nós
fomos atrás de tudo sobre o cangaço. Eu fiquei impressionada com a Dada porque
ela era a memória do cangaço. Era uma mulher que tinha um sexto sentido, que
teve uma trajetória incrível. Ela foi estuprada pelo Corisco aos doze anos,
ela o odiava, e depois esse ódio transformou-se em um amor por demais, como ela
falava. Durante muito tempo ela foi a memória do cangaço, ela lembrava do
perfume, da cor da blusa, da data, do dia, da hora, ela tinha isso. Foi um
personagem magnífico, que me deu uma projeção, as pessoas prestaram atenção
em mim, eu recebi muitos prêmios e isso me rendeu outros papéis no cinema. Mulheres: Esses trabalhos que você falou, feitos para fora do
Brasil, foram o quê? Dira Paes: O primeiro filme que eu fiz foi
“Au Bout du Rouleau (1988), que é do Gilles Béhart, um diretor francês que
fez esse filme para a televisão francesa. O outro foi para a BBC de Londres, um
filme chamado “Land” (1988), do David Wheatley, também com o Eduardo Conde
e a Maria Padilha. Foi um filme rodado em Rondônia sobre conflitos de terra que
acontecem nessa região. Mulheres: O “Anahy de Las Missiones” é um filme muito
bonito. Dira Paes: O “Anahy” é lindo, é uma
paisagem. Mulheres: Fale sobre o “Lendas Amazônicas”, que é um
filme que eu não conheço. Dira Paes: É um documentário que tem
algumas cenas de ficção. Eu acho que são quatro assuntos, cada um contando
uma lenda, eu faço parte de uma delas. É
um filme que não chegou a estrear, ele é em 16mm, direção do Passarinho e do
Moisés Magalhães. É um filme dividido entres entrevistas sobre as lendas amazônicas
e essas cenas de ficção. Eu faço uma, o Cacá Carvalho faz outra... Mulheres: Tem o “Castro Alves – Retrato Falado do Poeta”
(1998, Sílvio Tendler). Dira Paes: O Retrato Falado de Castro Alves
foi um prazer porque eu me apaixonei por esse personagem, eu fiquei apaixonada
pelo Castro Alves, de verdade (risos). Eu gostaria de ter conhecido ele, eu
ficava imaginando ele o tempo todo. A minha participação não era muito
grande, eu fazia a Leocádia, eu tinha poucas cenas. O Bruno Garcia faz
magistralmente o personagem, eu adoro esse filme, tenho o maior carinho por ele.
Além, claro, de ter sido fotografada pelo Dib (Luft). Pra isso é que vale
fazer cinema, encontrar pessoas geniais como ele. Mulheres: E aí tem uma personagem diferente de tudo o que você
vinha fazendo que é a de “Cronicamente Inviável”. O Sérgio Bianchi é um
dos nossos cineastas mais autorais, e eu gostaria que você nos contasse como
foi trabalhar com ele. Dira Paes: O “Cronicamente Inviável”
impressionava pela inteligência do roteiro, pela costura, pela acidez e por uma
visão clara, uma opinião crítica sobre os problemas crônicos que a gente tem
nesse país. O “Cronicamente Inviável” é um filme que não é fácil de
ser realizado, porque tem inúmeras locações, além de ter aquele corpo que é
o restaurante onde toda a trama acontecia em volta daqueles personagens, dos
quais eu fazia parte. A Amanda foi uma personagem muito diferente do que eu
vinha fazendo, ela me trouxe uma coisa que eu gostei muito que foi, como eu
poderia definir... Ela tinha um cinismo por trás do olhar, por trás da
simpatia, que foi onde eu me baseei. Eu a achava uma loba em pele de cordeiro, e
aí eu procurei deixá-la bem sem excessos e toda a agressividade dela eu levei
para a ponta das unhas. Ela tinha umas unhas enormes, vermelhas, uma coisa que
eu jamais usaria, e eu deixava como se ela fosse uma bruxa, que a maldade dela
estivesse na mão. Mulheres: E tinha a forma também dela falar, um acento
diferente e sutil. Pela forma dela
falar, a gente via que por trás tinham milhões de coisas. Dira Paes: É, havia um deboche. Ali tinham
detalhes da construção da Amanda que talvez o público não perceba, mas que
para mim era maravilhoso. Primeiro, ela tinha um colar feito de bracinhos,
pezinhos, mãozinhas, pois ela traficava órgãos. Então o colar dela tinha
esses detalhes. Ela tinha também um jeito de bater as unhas. Foi um personagem
todo construído. O Bianchi era surpreendente, porque ele tem uma personalidade
fortíssima, que todo mundo sabe, a fama dele já é notória, ele assume isso.
Mas ele é muito seguro dos propósitos dele, ele sabe o que ele quer, e quando
às vezes não sabe, ele assume e pára pra pensar. Nós nos demos muito bem, para mim foi
maravilhoso ter feito esse filme, eu sinto um orgulho enorme de ter participado
de um filme que suscitou tantas discussões. Todo mundo me parava para falar que
estava discutindo o “Cronicamente Inviável” na roda de amigos, no colégio
tinham discussões. Eu acho que foi um filme muito importante para o cenário do
cinema brasileiro e eu acho que é o melhor filme do Sérgio Bianchi. Mulheres: Tem “Vida e Obra de Ramiro Rodrigues” (2002), da
Alvarina Souza Silva. Dira Paes: Nesse eu fiz uma participação.
Eu acho que esse filme só estreou em São Paulo. É um filme de baixíssimo orçamento
e eu faço uma participação como uma apresentadora. Mulheres: Fale sobre “O Casamento de Louise”. Dira Paes: “O Casamento de Louise”
foi a minha primeira comédia e uma surpresa incrível porque as pessoas amaram
a Luzia. Eu recebi retorno que eu nem esperava, tanto da crítica quanto do público,
de terem gostado do jeito dela, da brasilidade, da alegria. Eu me senti muito
feliz e tenho que agradecer a Betse de Paula porque ela tirou isso de dentro de
mim, eu nem sabia que dava para fazer um personagem tão ousado assim no cinema.
Porque cinema amplia tudo. Se já é uma responsabilidade muito grande fazer
para a televisão, imagine para o cinema que fica em um tamanho gigantesco? Mulheres: Uma personagem como a Luzia, por exemplo, tem um
perigo muito grande de cair no caricato, e no filme isso não acontece. Dira Paes: Ela é de verdade, ela tem essa
força. Eu me sentia muita à vontade ali naquele set, do lado da Sílvia
Buarque, minha amiga, do Marquinhos Palmeira. Ou seja, quando você também está
se sentindo em casa já é meio caminho andado, todas as pessoas ali falavam a
mesma língua. Mulheres: Você e a Sílvia já são meio que musas da Betse
de Paula, não é? Dira Paes: É, somos, ainda bem, porque nós
duas acabamos fazendo uma parceria mesmo. E parcerias vitoriosas porque os dois
filmes foram extremamente bem recebidos, tanto “O Casamento de Louise”
quanto “Celeste e Estrela” (2002, Betse de Paula). Nesse último dá para
ver um amadurecimento, da nossa relação e na forma de fazer humor, que é mais
difícil, pois é para o romântico. É um personagem que idealiza também, que
está correndo atrás para realizar seus sonhos. Mulheres: Tem o “Lua Cambará – Nas Escadarias do Palácio”
(2002), Rosemberg Cariry . Dira Paes: Que é o outro filme do Rosemberg
Cariry. É um filme que está pronto, mas que ainda não tem distribuição. Eu
acho que ele só foi lançado no Ceará e passou em uma mostra no Banco do
Brasil aqui no Rio. Participou também de alguns festivais. Mulheres: Bom, e aí tem o acontecimento “Amarelo Manga”. Dira Paes: Um filme que marcou pela sua
ousadia, ele é extremamente bem feito. Ele acontece, é um filme que acontece
na tela, ele explode, ele pulsa, ele tem cheiro, ele tem vida, ele sai da tela.
Eu, quando vi, levei um susto. Eu li o roteiro e vi que tinha que fazer aquele
filme, porque eu não sei, mas eu tinha que fazer, só pensava isso. Me sentia o
tempo todo desafiada, porque eu não sabia como ia ser direito. Eu não conhecia
o Cláudio (Assis) intimamente para saber, mas eu sabia também que as pessoas
envolvidas eram pessoas que eu admirava. E fiquei também muito feliz com a
possibilidade de fazer um personagem que tem uma virada dentro do próprio
filme, de certa forma eu fiz dois personagens, dois em um. Então, para mim também
foi um presente ter feito a cena final, a cena que fala o nome do filme, isso eu
achei muito bacana. Foi um filme que me deu muitas alegrias. Teve um tempo, e
isso pode parecer mentira, mas todos os dias alguém vinha me falar de
“Amarelo Manga”. Isso acontece até hoje, não mais todos os dias, mas na época
que estava em cartaz todos os dias alguém me falava sobre ele. Mulheres: Ele foi um acontecimento mesmo, na verdade ele é um
acontecimento já que é um dos filmes de maior sucesso em DVD. Dira Paes: Sim, é um dos maiores sucessos.
Eu fico feliz porque é um filme que é ousado, ou seja, ele poderia ter dado
errado mesmo, ele poderia ter sido uma outra coisa, então tinha ali um risco,
mas o risco foi fantástico porque deu super certo. Para mim foi uma sensação,
eu filmei muito sozinha, eu me lembro de filmar muito sozinha. Foi ótimo porque
eu tive uma concentração incrível durante as filmagens, e nas cenas que eu faço
com o Chico (Diaz), com o Jonas Bloch, com a Magdale (Alves), quando eu a mordo,
foram contracenas intensas. Foi mais um presente, e eu tenho certeza que a Kika
Canibal ficou durante muito tempo aí na cabeça das pessoas. Mulheres: Tem o “Noite de São João” (2003), do Sérgio
Silva. Dira Paes: Com esse filme eu ganhei o prêmio
de Atriz Coadjuvante. Ele é com o
Marcelo Serrado, que ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Gramado
2003. Ele ainda não foi lançado nacionalmente,
esteve também no festival do CCBB, foi lançado em Porto Alegre, e é o
mesmo caso do “Lua Cambará”, ainda não foi lançado no resto do Brasil. Mulheres: “Meu Tio Matou um Cara” (2004, Jorge Furtado)
tem esse jeito bem particular do cinema do Jorge Furtado. Você faz uma
personagem tão concentrada que parece gente encontrável nas ruas, você deu
uma humanidade para ela que eu gosto muito. Dira Paes: Primeiro é assim, eu tenho que
agradecer muito, porque, realmente, poder viver de cinema todo esse tempo e ter
a oportunidade de trabalhar com pessoas tão talentosas, tão inteligentes,
seres humanos maravilhosos. E no caso do Jorge Furtado você pode elevar isso à
enésima potência, ele é uma pessoa muito especial. Quando me convidou, ele me
confessou uma coisa que foi para mim um dos maiores elogios dos últimos tempos.
Ele disse que havia muito tempo que queria trabalhar comigo e que esse era o
primeiro personagem feminino bacana que ele tinha feito, que era uma mulher
bacana. As outras sempre tinham uma outra face e para essa ele tinha pensado em
mim e seria uma honra. Eu então disse para ele que só essa
escolha já era um presente que ele estava me dando. Foi uma filmagem junto com
“2 Filhos de Francisco”, praticamente, pegou o final de um e o início do
outro. Eu devo te dizer que foi uma delícia porque era uma mãe, mulher e
amiga, aquela mulher moderna, feliz no casamento de 15 anos, e que tinha um
filho lindo, uma casa ótima e a única coisa errada na vida dela era o cunhado
atrapalhado (risos). Era um personagem comum, como você falou, que a gente
encontra mesmo nas esquinas. E foi uma delícia fazer, uma delícia contracenar
com o Aílton (Graça), o Darlan (Cunha), nem preciso falar nada, Lázaro
(Ramos), Sophia Reis, enfim foi lindo, foi um trabalho maravilhoso. Mulheres: Aílton Graça é um grande ator, não é? Cada dia
eu fico mais impressionado com ele, ele cresce a cada trabalho. Dira Paes: Ele é impressionante, ele tem
uma verdade interior, uma sinceridade. Ele tem isso também nele, como pessoa, o
Aílton é aquela pessoa que parece que é padre (risos), no bom sentido. Ele
tem uma confiança nata, ele é uma pessoa que você pode confiar. Mulheres: Você está agora no “Mulheres do Brasil”, da
Malu di Martino, não é isso?. Dira Paes: Eu fiz um dos episódios, o meu
é com a Luana Carvalho. Acho que vai ser lançado no Dia da Mulher, dia 8. Mulheres: Esse é o último ou já tem mais algum por aí? Dira Paes: Eu fiz o “Incuráveis”, do
Gustavo Accioli. Rodamos em maio, eu e o Fernando Eiras como atores, foi ótimo.
Vamos ver como vai ser a receptividade das pessoas, porque é um projeto bem
ousado. A gente filmou durante quatro semanas em estúdio, noturna, é um filme
que se passa durante uma noite, ou não, o espectador pode criar o tempo que
achar que o filme tem, e só somos nós dois. É a primeira direção do Gustavo
Accioli, primeira fotografia de ficção do Lula Carvalho, e eu acho que é
filme pra se discutir, estou curiosa para ver como é que vai ficar. É um filme
de ator. Foi uma experiência incrível, e eu
pensei, pôxa, é uma oportunidade que eu tenho para experimentar. Eu acho que o
cinema tem também esse compromisso que a gente tem de acertar em fazer um
filme. Mas às vezes isso tem a ver com a sinceridade do projeto, de você estar
envolvida no projeto, do fato de que você também está se arriscando. E tanto
pode dar certo como pode dar errado, a gente sabe disso, mas eu te confesso que
uma das melhores coisas é poder experimentar. Mulheres: E curta-metragem, você gosta do formato? Dira Paes: Eu gosto, mas nunca fiz, né?
(risos). Mulheres: Por que? Dira Paes: Nunca deu certo, todas as vezes
que eu fui convidada, não deu, seja por problemas de tempo, ou horário. Eu fiz
um que nunca foi montado, que foi do André Matos. Mas eu acho que nunca é
tarde, né? (risos). Mas é engraçado mesmo, eu nunca fiz teatro infantil e
nunca fiz curta-metragem. Mulheres: Você está a frente de um festival de cinema no Pará. Dira Paes: A frente do Festival e do
Circuito Fest Belém de Cinema Brasileiro. Mulheres: O que te levou a essa empreitada? Foi paixão pelo
cinema? Dira Paes: Eu tenho um parceiro, eu não faço
tudo sozinha, tem uma pessoa que faz todo o escritório disso tudo que é o
Emanoel Freitas, meu parceiro-irmão. Desde que a gente se conheceu que temos
desenvolvendo projetos juntos. Eu filmei muito em 2002, eu tinha feito cinco
filmes entre 2002 e 2003, e eu percebi que as pessoas no Pará não tinham
conhecimento, eles achavam que eu não estava fazendo nada e eu tinha acabado de
fazer cinco longas. Aí eu fui fazer um levantamento. Eu já tinha participado
de alguns festivais de Belém, mas nenhum festival que tivesse tido
continuidade. Dos 94 festivais, mostras audiovisuais que tinha no Brasil em
2003, quando a gente fez o levantamento do projeto, não tinha nenhuma região
norte, e isso reunia os seis Estados, Amazônia, Pará, Rondônia, Roraima, Acre
e Amapá. Aí eu vi onde estava o problema. A gente não tem festival, temos uma
dificuldade de distribuição, então se você não tem um festival para fazer
uma ponte de comunicação entre a cultura audiovisual daqui com a que está
acontecendo no resto do Brasil não vai ter comunicação. Foi quando a gente
fez o projeto do Festival e foi super bem-sucedido, nós tivemos um selo de
qualidade dos Fóruns dos Festivais logo na primeira edição, tanto que a
segunda edição já foi um projeto convidado da Petrobrás, a segunda edição
do Festival de Belém do Cinema Brasileiro. Ao mesmo tempo eu não queria que essa
idéia ficasse nesse formato, que a gente já conhece de ir a todos os
festivais. Eu não queria que isso restringisse também a semana do festival,
então nós tivemos a Semana do Circuito Fest Belém, onde a gente tem uma
programação como, por exemplo, a desse ano, que vai de 19 de fevereiro até 19
de dezembro. A cada final de semana a gente mostra os filmes que participaram do
festival de cinema em município, ou numa ilha, ou num bairro de Belém. E também
fazemos uma sessão social que é para aquelas pessoas que não podem sair,
deslocar de seus espaços, então a gente vai até eles e faz uma sessão
digital. Para o público de ilha, bairro e município é sessão ao ar livre,
1500 cadeiras, uma tela 8 x 5 metros, som dolby, projetor 35 mm, e dois
pipoqueiros, claro. É um projeto maravilhoso, a gente está documentando tudo
isso e é um sucesso absoluto. Mulheres: Você é uma atriz essencialmente cinematográfica,
e, no entanto vem fazendo televisão desde a década de 90, claro que de uma
forma pontuada, mas já está presente na telinha desde essa época. Você tem
gostado, como agora em que está vivendo um sucesso como a Solineuza em “A
Diarista”. É um veículo que você gosta? Dira Paes: Olha, eu estou gostando muito
porque eu tive ótimos personagens na televisão, ótimos trabalhos. Eu fiz
parte de projetos muito legais, as minisséries, as novelas, tanto
“Araponga”, que era uma coisa nova, quanto “Irmãos Coragem”, que era um
remake, quanto “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1998), em que eu fazia um
personagem bem diferente também. E agora, nesse momento, em “A Diarista” é
uma coisa incrível, como caiu no gosto popular, um personagem que é aceito da
criança ao adulto, da classe A a Z. Ou seja, é popular, passa uma vez por
semana, mas parece que você está fazendo novela, todo mundo já te conhece,
todo mundo sabe. Ao mesmo tempo, eu tive a sorte de ser
um programa que está sendo dirigido por uma pessoa que também é de cinema,
que é o Alvarenga, José Alvarenga Jr., ele vem do cinema e tem uma equipe que
já trabalha com ele há sete anos. Então eu continuo me sentindo em um
ambiente de um set de filmagem, porque a gente tem uma equipe pequena. Nós
fazemos um especial, não é uma novela, então todo mundo se conhece. É bom
porque está sendo uma escola para mim. Eu falei para o Alvarenga que parece que
eu estou fazendo uma pós-graduação em comédia e está sendo muito bom. Mulheres: Cite um filme brasileiro que te marcou e o último
que você assistiu? Dira Paes: Vamos lá, tem inúmeros filmes,
eu sou muito fã do cinema brasileiro, eu acho que a gente faz um dos melhores
cinemas do mundo, olha que pretensão a minha. Mulheres: Eu concordo com você. Dira Paes:
Eu gosto, eu curto, apesar de achar que é muito difícil fazer um filme
bom. Agora, a gente aprende muito com os erros, às vezes o erro é mais
interessante que o acerto, tem essa dicotomia, essa contradição. Eu vou citar
um que eu sei que vai ser lançado em DVD e eu acho que esse filme é um marco
no cinema mundial, que é o “Iracema: Uma Transa Amazônica”, (1976, Jorge
Bodanzky e Orlando Senna). Eu tive a oportunidade de rever esse filme e, enfim,
eu acho que não foi feito nada igual naquela época, naquele momento, e muita
coisa depois veio dele. A ficção desse filme é uma coisa incrível, é uma
ficção e é um documento, e eu acho que é imperdível. Mulheres: Eu queria muito encontrar a Edna de Cássia para
fazer uma entrevista com ela. Dira Paes: Ela é encontrável, mas ela quer
distância um pouco, ela já declarou isso. Mulheres: E o último filme brasileiro que você viu? Dira Paes: Eu já vi quase todos... O último
filme que eu vi foi o “2 Filhos de Francisco” (risos). E gostei. Mulheres: Eu gostaria que você citasse alguma mulher do
cinema brasileiro, de qualquer área ou época, que você gosta e queira
homenagear aqui no Mulheres. A que lhe vem à cabeça. Dira Paes: São tantas maravilhosas... Tem
uma mulher que me persegue, e sempre que me fazem essa pergunta ela é a
primeira que me vem à cabeça, eu sempre respondo ela. Ela sempre vence todos
os prêmios quando a gente está concorrendo, ela é a Laura Cardoso,
maravilhosa. A Laura tem uma inteligência cênica única. Mas eu acho que nós
fomos brindados com muitas mulheres maravilhosas, muitas mesmo. Glauce Rocha,
Cacilda (Becker), amo a Cacilda em “Floradas na Serra”, amo, Eliane Lage,
Ruth de Souza, e fora aquelas que fizeram poucos trabalhos. Mulheres: Muito obrigado pela entrevista. Dira Paes: Muito obrigada. Entrevista realizada em agosto de 2005. |
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