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CLAUDETTE
JOUBERT
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Foto:
Revista Cinema em Clouse-Up
Nos
anos 1970, o cinema popular e as comédias eróticas não
só produziram grandes sucessos de bilheteria. Eles lançaram
também musas inesquecíveis, como Marta Anderson, Helena
Ramos, Nicole Puzzi e Aldine Muller. Uma delas nasceu no Paraná,
mas foi em São Paulo que fez história, como musa absoluta
do cineasta Tony Vieira, e depois em Brasília, como musa de Affonso
Brazza. Seu nome é Claudette Joubert.
Claudette Joubert nasceu em Florinea,
cidade às margens do rio Paranapanema, na divisa com Londrina,
no Paraná. Mas foi em São Paulo que começou sua carreira
artística, primeiro como modelo e depois como atriz de cinema.
O primeiro filme é um clássico dirigido por Fauzi Mansur
em 1972, “Sinal Vermelho – As Fêmeas”, que lançou também
Vera Fischer no cinema. O cinema aconteceu por acaso na vida de Claudette
Joubert: “Na verdade, quem me levou (para o cinema) foi o Agnaldo Rayol.
É uma história. Eu era promotora de vendas em São
Paulo e um dia eu estava parada em um sinal, quando de repente abriu-se
a janela de um carro e ele foi logo me abordando. Eu estava no auge, na
adolescência, muita linda. Ele veio atrás de mim, me pediu
autógrafo, me disse que eu precisava trabalhar no cinema nacional,
que era muito linda, que ele ia me apresentar para um rapaz que era produtor”.
Depois do filme de Fauzi Mansur, Claudette Joubert inicia parceria nas
telas e na vida com o ator e cineasta Tony Vieira. Os dois se casam e
a atriz vira musa absoluta desse cineasta e de sua filmografia toda particular,
com filmes de aventura, ação e faroeste – eles fazem seis
filmes juntos. No final dos anos 70, os dois se separam, Claudette atua
em filmes de cineastas importantes, como Alfredo Sternhein e Antonio Meliande,
e, sobretudo, com o mestre Ozualdo Candeias, no filme “As Belas da Billings”
(1987). Nos anos 90, Claudette Joubert se torna musa outra vez de um cineasta,
Affonso Brazza, antigo assistente de Tony Vieira, com quem se casa e vive
em Brasília: “Eu conhecia, mas não tinha nada de amor nessa
época. Olha, dá até para fazer um filme sobre a nossa
história. O Brazza, inclusive, queria fazer um filme sobre a nossa
vida. Tem drama, tem romance.”
Com Affonso Brazza, Claudette Joubert fez cinco filmes, inclusive, o último
dela como atriz e o último dele como diretor, “Fuga sem Destino”
(2003). Brazza morreu em 2003, sem terminar o filme, finalizado por Pedro
Lacerda. Joubert abandonou o cinema e não pensa mais em retomar
a carreira: “Depois que o Brazza morreu, minha carreira foi enterrada
junto com ele”.
Claudette Joubert falou com o Mulheres por telefone de sua casa, em Brasília.
Em princípio, não queria muito fazer a entrevista: “Sobre
o quê você quer falar? Você sabe que eu não sou
mais atriz, não é?” Na entrevista, Claudette Joubert repassa
sua carreira, fala de Fauzi, Tony, Candeias, Brazza, e muito mais.
Mulheres: Você começou sua carreira como
modelo, não é isso?
Claudette Joubert: Sim, fiz vários comerciais,
muitas fotos. Eram fotos mais recatadas, não podia nem aparecer
nua.
Mulheres: E a chegada ao cinema? Foi mesmo o David Cardoso
que te levou até o Fauzi Mansur, diretor do seu primeiro filme
(“Sinal Vermelho – As Fêmeas” – 1972)?
Claudette Joubert: Na verdade, quem me levou (para o
cinema) foi o Agnaldo Rayol. É uma história. Eu era promotora
de vendas em São Paulo e um dia eu estava parada em um sinal, quando
de repente abriu-se a janela de um carro e ele foi logo me abordando.
Eu estava no auge, na adolescência, muita linda. Ele veio atrás
de mim, me pediu autógrafo, me disse que eu precisava trabalhar
no cinema nacional, que era muito linda, que ele ia me apresentar para
um rapaz que era produtor. É meio esquisito falar assim da gente
mesmo, mas ninguém nos conhece melhor do que a gente mesmo, não
é?
Esse produtor era o David Cardoso. O David então levou as minhas
fotos para o Fauzi Mansur, que aprovou na hora e me chamou para o filme
que ele estava fazendo, todo rodado em Americana. O filme tinha a Vera
Fischer, que estava começando.
Por ali estava também o Tony Vieira. O Tony então perguntou
para o Fauzi quem que tinha se saído melhor no filme, qual tinha
sido o melhor desempenho, e aí o auzi disse “foi a Claudete. Pode
contrata-la que você não vai se arrepender”.
Mulheres: E daí você virou a musa absoluta
do Tony Vieira.
Claudette Joubert: Pois é, a partir daí
fiz vários filmes com o Tony.
Mulheres: Você pensava em ser atriz? Você
chegou a imaginar que iria ter essa participação importante
no cinema brasileiro?
Claudette Joubert: Não, aconteceu de repente.
Muitos olheiros na rua me abordavam, queriam me fotografar. Meus pais
não deixavam de jeito nenhum, minha mãe corria atrás
dos fotógrafos. Eu queria mesmo era me formar, meus pais queriam
que eu me formasse. Eu queria me formar em veterinária. Eu sou
muito bicho do mato, viu? Eu tenho paixão por animais, por mato,
por natureza. Tem um condomínio perto de onde eu moro, onde tem
muito mato. Ás vezes eu vou para lá e fico por uns dias,
desestresso e depois volto para casa.
Mulheres: Durante um período você trabalhou
só com o Tony.
Claudette Jobert. É, muita gente queria filmar
comigo, mas o Tony não deixava. Ele dizia que não podia,
que eu era exclusiva.
Mulheres: Dos filmes que você fez com ele, dá
para você relembrar algum? Dos que você mais gostou?
Claudette Joubert: Eu gostei muito de fazer os filmes
com ele, principalmente quando era faroeste. O Tony caprichava, ele construía
cidades cenográficas bem parecidas com os filmes de faroeste, ele
fazia saloom, ele mandava fabricar cenários.
Mulheres: Existe uma parcela muito grande do público
que tem adoração pelos filmes do Tony Vieira, que procuram
pelos filmes dele. Você tinha noção dessa importância
naquela época?
Claudette Joubert: Não tinha não. Não
dava muito valor. Também eu era muito nova, né?
Mulheres: Tem algum filme dele que você destacaria?
Que você gostou muito de fazer?
Claudette Joubert: Gosto de “A Filha do Padre” (1975).
É um filme bem inocente, aquela professorinha do interior. Gosto
muito também de “Gringo – O Último Matador” (1973).
Mulheres: Você parou de fazer filmes com ele por
causa da separação?
Claudette Joubert: Sim, quando nos separamos, nos separamos
em tudo, do casamento e das produções.
Mulheres: Você fez muitos filmes nos anos 70, mas
não fez televisão?
Claudette Joubert: Eu não quis, fui chamada, fui
convidada, mas não quis.
Mulheres: Por que?
Claudette Joubert: Não quis, já tinha vontade
de morar no interior, e daí teve uma época em que fui morar
em Pinhedo, interior de São Paulo. Não me interessei por
televisão, minha vontade mesmo era morar no mato.
Mulheres: Depois do Tony, você trabalhou com diretores
importantes como Alfredo Sternhein, Ary Fernandes, Antonio Meliande. Você
trabalhou, inclusive, novamente com o Fauzi Mansur, diretor do seu primeiro
filme. Aliás, em “O Inseto do Amor”.
Claudette Joubert: foi ótimo reencontrar com o
Fauzi. Foi um filme rodado em Ilha Bela. Foi maravilhoso. O Fauzi é
muito simpático, um diretor responsável. Ele me disse assim
“Que bom Claudete, trabalharmos juntos de novo” e eu respondi que era
um prazer também para mim. O Fauzi é um homem de caráter.
Mulheres: Você trabalhou também com um cineasta
genial, que é o Ozualdo Candeias.
Claudette Joubert: Foi, em “As Belas da Billings” (1987).
Mulheres: Eu vi esse filme há mais ou menos um
ano e gostei muito. Como foi o convívio com o Candeias?
Claudette Joubert: O Candeias era muito responsável,
podia parecer que não, mas era. Sempre muito elegante, eu gostei
muito de fazer o filme.
Mulheres: E você gostou do resultado?
Claudette Joubert: Você acredita que eu nunca assisti
esse filme?
Mulheres: Mesmo?
Claudette Joubert: Nunca. E o que você achou, ficou
bom?
Mulheres: Eu gostei muito.
Claudette Joubert: Pois é, eu tenho muita vontade
de assistir.
Mulheres: Depois de ser musa do Tony Vieira, você
vira musa de outro cineasta especial, que é o Affonso Brazza. Ele
era assistente do Tony, não é isso? Foi assim que vocês
se conheceram?
Claudette Joubert: Era sim. Eu conhecia, mas não
tinha nada de amor nessa época. Olha, dá até para
fazer um filme sobre a nossa história. O Brazza, inclusive, queria
fazer um filme sobre a nossa vida. Tem drama, tem romance.
Mulheres: E não fez? Ou ele chegou a fazer pelo
menos o roteiro?
Claudette Joubert: Não, não fez, ficou
só na idéia. O Brazza era uma pessoa muito especial, diferente,
eu o amava muito como gente. Não é porque ele não
está mais aqui que eu falo isso, nas entrevistas que dei eu sempre
disse isso. Ele era uma pessoa boníssima, humilde, batalhador.
Ele sofreu demais para levar seus filmes para a tela, para ser considerado.
Mulheres: Você acha que ele já teve o reconhecimento
que merece?
Claudette Joubert: Acho que não, e nem sei se
terá algum dia.
Mulheres: Dos filmes que você fez com ele, qual
você destaca?
Claudette Joubert: Eu gosto muito de “Tortura Selvagem
– A Grade” (2001). É um filme de ação, tem ação
do começo ao fim. É uma produção muito bem
feita.
Mulheres: Por que você abandonou a carreira de
atriz?
Claudette Joubert: Eu sou testemunha de Jeová.
Tem muita gente que acha que a religião me proibiu, mas não
é assim. A gente tem livre arbítrio para escolher. Eu escolhi
ser testemunha de Jeová e não participar mais de filmes.
Mulheres: Você não sente falta do cinema,
da sua carreira de atriz?
Claudette Joubert: Não me interessa mais, não
tem mais aquele sabor. Não sinto falta, por incrível que
pareça. Depois que o Brazza morreu, minha carreira foi enterrada
junto com ele.
Mulheres: Você participou do lançamento
do último filme do Brazza, o “Fuga Sem Destino” (2003) em Brasília,
mas ele está inédito em muitas cidades. É uma forma
de contribuir para que a obra dele seja exibida?
Claudette Joubert: È também porque o filme
teve um custo muito grande, tem que dar retorno, nem que seja um troco.
O filme foi finalizado pelo Pedro Lacerda, o Brazza morreu sem terminar.
Na época em que ele fez, o filme ele já era caro, e depois
a finalização, com o Pedro, também ficou. O Brazza
fez sozinho e depois o Pedro também batalhou para finalizar.
Mulheres: Durante sua trajetória, você contracenou
com algumas atrizes muito especiais: Arlete Moreira, Helena Ramos, Aldine
Muller, Silvana Lopes, Zélia Diniz... Dá para você
comentar sobre algumas delas?
Claudette Joubert: A Arlete é minha irmã,
né?
Mulheres: Sua irmã? Não sabia.
Claudette Joubert: É minha irmãzinha. Ela
também abandonou a carreira, muito antes de mim.
Mulheres: Eu admiro muito o trabalho da Arlete. Realmente
não sabia que ela era sua irmã. Ela é outra atriz
importante do cinema nacional.
Claudette Joubert: A Silvana Lopes era uma amigona, uma
ótima pessoa, mas nunca mais a vi.
Mulheres: É mesmo incrível a quantidade
de atrizes notáveis do nosso cinema que anda afastada das telas.
A Silvana é outra ausência sentida.
Claudette Joubert: Eu não sei por onde ela anda.
Mulheres: Você abandonou a carreira de atriz, mas
e os filmes brasileiros, você também não assisti mais?
Claudette Joubert: Assisto, assisto sim.
Mulheres: Qual foi o último que você assistiu?
Claudette Joubert: Deixe me ver... Foi o “Lisbela”, “Lisbela
e O Prisioneiro” (2003 - Guel Arraes).
Mulheres: E gostou?
Claudette Joubert: Gostei muito. O Selton Mello se tornou
assim, entre aspas, um amigo. Para mim ele está entre os melhores
atores brasileiros. Ele é bom em tudo, como ator, como gente, o
Selton é 10. Eu gosto de tudo o que ele faz.
Mulheres: Quero te convidar para homenagear uma mulher
do cinema brasileiro que você goste aqui nesta entrevista. Pode
ser de qualquer época e de qualquer área.
Claudette Joubert: Uma mulher... uma mulher... Marieta
Severo. Eu gosto muito, ela é muito natural. Ela está, inclusive,
na televisão (no seriado“A Grande Família").
Mulheres: Muito obrigado pela entrevista.
Claudette Joubert: Muito obrigada.
Entrevista
realizada em agosto de 2007
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