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034 - ANDRÉA BELTRÃO
Foto: cena de "Pequeno Dicionário Amoroso" (1997), de Sandra Werneck
“Armação Ilimitada” carimbou o
passaporte para o cinema com temática jovem, onde a atriz atua em alguns títulos
do gênero, como “Garota Dourada” (1984), de Antonio Calmon,
“Bete Balanço” (1984), e “Rock Estrela” (1986), ambos de Lael
Rodrigues. É nos 80 também que Andréa Beltrão vai encontrar o “Terrir”
– terror + rir – de Ivan Cardoso, atuando nos deliciosos “As Sete
Vampiras” (1986) e “O Escorpião
Escarlate” (1990). Depois de atuar no importante “A Cor do Seu Destino”
(1986), de Jorge Duran, a atriz vai protagonizar, ao lado de José Dumont, o
pouco visto e delicioso filme “Minas, Texas” (1989), de Carlos Alberto
Prates Correia. Os anos 90 vão marcar outra parceria importante na carreira da
atriz, dessa vez com a cineasta
Sandra Werneck, com quem já rodou dois filmes, “Pequeno Dicionário
Amoroso” (1997) e “Cazuza, O Tempo Não Pára” (2004, co-dirigido com
Walter Carvalho). A atriz entra os anos 2000 atuando no sucesso “A Partilha”
(2001), de Daniel Filho”, e depois de “Cazuza” está agora em “O Coronel
e o Lobisomem” (2005), de Maurício Farias. Andréa Beltrão esteve em Belo
Horizonte para o lançamento de “O Coronel e o Lobisomem”, de Maurício
Farias, e concedeu entrevista
exclusiva para o Mulheres. Linda e bem-humorada, Andréa Beltrão fala sobre o
papel do cinema em sua carreira; sobre o cinema de Ivan Cardoso; o belo, mas
pouco visto, “Minas,Texas”, de Carlos Alberto Prates Correia, “Ele (o
filme) é a minha paixão”, declara; fala das bem sucedidas parcerias com
Sandra Werneck e Guel Arraes; sobre os trabalhos autorais na televisão; e
homenageia Marieta Severo, “minha parceira, minha irmã”. Mulheres: Você fez vários filmes. Você tem uma carreira
consagrada no teatro, com trabalhos importantes como “A Prova”, por exemplo.
Tem carreira importante na televisão também. Durante sua trajetória você fez
também muitos filmes. Qual é o lugar que tem o cinema no seu coração e na
sua carreira como atriz? Andréa Beltrão: Tem um lugar enorme. Os convites
que eu recebo para filmar não são assim centenas, eu não recebo centenas de
convites. Mas sempre que alguém me convida para fazer um filme eu vou
imediatamente. Eu tenho paixão por filmar, eu adoro set de filmagem, a mecânica
do funcionamento das filmagens, tudo. O cinema tem um lugar muito especial no
meu coração. Mulheres: Você disse que não faz tantos filmes, mas atuou
com alguns dos nossos mais importantes cineastas, como Ivan Cardoso, por
exemplo. Andréa Beltrão: É, sim. Eu acho que eu tenho uma
carreira bem digna no cinema, mas eu gostaria de fazer bem mais (risos). Mulheres: Você se adequou perfeitamente na estética do Ivan
Cardoso. Andréa Beltrão: É, eu adoro. Eu adorei fazer os
dois filmes que fiz com ele, “As Sete Vampiras” e “O Escorpião
Escarlate”. Adorei. Passou na televisão há pouco tempo e aí eu pude rever,
porque eu não tenho o material em fita, nada, não tenho nenhum registro desses
filmes. E passaram muito pouco tempo no cinema, ou nem passaram. Por exemplo, o
“Minas, Texas”, nem passou. Mulheres: Eu já ia citar esse filme. Andréa Beltrão: Ele é a minha paixão. Mulheres: O “Minas, Texas” é um trabalho primoroso. Andréa Beltrão: Carlos Alberto Prates,
maravilhoso. Mulheres: E é um filme que muita gente não viu. Como foi
construir aquela personagem deliciosa. Andréa Beltrão: Foi maravilhoso. Maravilhoso
conviver com o Carlos Alberto, com o pessoal daqui (Minas Gerais). Eu fiquei uns
três meses por aqui, andei por Minas, lugares lindos, eu fiquei encantada. Mulheres: Existem duas parcerias muito fortes na sua carreira:
Guel Arraes e a Sandra Werneck. Andréa Beltrão: A Sandra é uma mulher
maravilhosa, uma grande empreendedora, muito sensível, grande artista. Eu tive
a sorte de trabalhar no primeiro longa de ficção dela. Então eu tenho muito
carinho por ela, gostaria de trabalhar com ela novamente. Já o Guel é uma
parceria que começou quando eu tinha 20 anos de idade, eu estou agora com 42, e
nunca mais parou. A gente tem uma afinidade artística grande e eu acho que a
gente vai seguir trabalhando por essa vida afora. Mulheres: Tem algum, ou mais de um filme na sua carreira que
você destaca, que você gosta do seu trabalho de atriz? Andréa Beltrão: Olha, eu destaco o filme do
Prates, porque eu gostaria que ele tivesse sido visto. O José Dumont faz um
trabalho impecável, assim como todos os outros atores. É um filme lindo,
lindo, ele deveria ter um lugar de destaque. Mulheres: Na televisão você começou com o “Armação
Limitada”, que marcou toda uma geração, e agora está em “A Grande Família”.
São dois momentos especiais, não é? Andréa Beltrão: É uma honra para mim, eu adoro,
eu sou uma felizarda, de poder fazer televisão com essas pessoas, fazer
programas com essa qualidade, eu fico muito feliz de estar ali. Mulheres: E como espectadora, você assiste muitos filmes
brasileiros? Andréa Beltrão: Assisto. Na verdade, eu sou uma péssima
espectadora, porque eu tenho três filhos pequenos, e como eu trabalho muito,
quando eu não estou trabalhando eu quero ficar em casa. Então, eu não saio
para lugar nenhum (risos), eu só vejo mesmo quando sai em DVD. Mulheres: Qual foi o último filme que você viu? Andréa Beltrão: “Os Incríveis” (gargalhada). Mulheres: E brasileiro? Andréa Beltrão: Brasileiro... espera aí, porque
eu tenho uma memória péssima. Eu não vi ainda “2 Filhos de Francisco”,
para você ver como eu vou pouco ao cinema. Não vi ainda “Casa de Areia”...
O último filme brasileiro que eu vi foi “O Coronel e O Lobisomem” (risos). Mulheres: Tem alguma mulher, de qualquer época... Andréa Beltrão: Giulieta Masina (enfática). Mulheres: Do cinema brasileiro, de qualquer época e área que
você gostaria de homenagear aqui? Andréa Beltrão: Marieta Severo. Marieta Severo,
minha parceira, minha irmã, a gente tem um teatro juntas agora, lá no Rio, e
que vai de vento em popa. Qualquer homenagem será para ela. Mulheres: E agora, depois de “O Coronel e o Lobisomem”,
você já tem algum convite para o cinema? Andréa Beltrão: Tem “A Grande Família”, vai
virar filme. Mulheres: A Guta Stresser, em entrevista ao Mulheres, falou
sobre essa produção. Quer dizer que está vindo por aí mesmo? Será no ano
que vem? Andréa Beltrão: Achamos que sim. Mulheres: Muito obrigado pela entrevista. Andréa Beltrão: Obrigada.
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