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– EDNA DE CÁSSIA
*Pará

Foto: cena de
"Iracema - Uma Transa Amazônica"(1975),
de Jorge Bodanzky
Segundo depoimento do cineasta Jorge Bodanzky, Edna Cássia não quis dar
continuidade à sua carreira por não se considerar uma atriz. Pena, seu
desempenho no ótimo ‘Iracema, Uma Transa Amazônica’ é maravilhoso e
contribuiu para o impacto causado por esse clássico do Cinema Nacional.
Em ‘Iracema, Uma Transa Amazônica’, os cineastas Jorge Bodanzky e Orlando
Senna focaram suas lentes para um dos grandes orgulhos do regime militar, a
Rodovia Transamazônica. Se a obra era divulgada como representante do Brasil
moderno, aos cineastas interessaram focar os grandes problemas causados por ela:
ocupação desordenada, trabalho escravo, destruição ambiental, prostituição.
Bem distante da índia Iracema do romance de José de Alencar, a do filme é uma
cabocla que se prostitui às margens da rodovia e perambula por ela com o
caminhoneiro interpretado pelo grande ator Paulo César Pereio. Edna de Cássia
tinha apenas 14 anos quando foi descoberta pela produção do filme. Bodanzki
queria uma atriz com as características próprias da personagem e acabou
descobrindo Edna num programa de auditório. Em entrevista ao jornal O Liberal
em 2002, o cineasta conta que foi procurar sua mãe, que era dona de uma
barraca, para fazer um teste com a garota, e que ela teria ficado brava com a
filha por estar matando aula.
A dupla Edna de Cássia e Paulo César Pereio funcionaram perfeitamente na tela,
e ‘Iracema, Uma transa Amazônica’, que mistura ficção e realidade, já
nasceu clássico. Interditado pelo regime militar, o filme só chegou aos
cinemas em 1980, quando ganha o Candango de Melhor Filme no Festival de Brasília.
Co-produção Brasil/Alemanha, antes de seu lançamento comercial, o filme fez
premiada carreira internacional. Infelizmente, ‘Iracema, Uma Transa Amazônica’
é seu único filme.
- ´Iracema, Uma Transa Amazônica’
(1975), de Jorge Bodanzky
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