RUTH DE
SOUZA por DI MORETTI

Foto:
com Danielle Ornelas (ao fundo) em cena de
"Filhas do Vento" (2005), de Joel Zito Araújo
Se
tivesse que destacar uma mulher, que eu posso dizer até que eu
convivi com ela na realidade e na ficção, é a Ruth
de Souza.
Eu fiz um filme chamado “Filhas do Vento” (2005 - Joel Zito Araújo),
eu escrevi, se passa perto de Ouro Preto, Lavras Novas. Quando o diretor
chegou para mim e me trouxe o argumento, ele me disse: “olha, a gente
tem que tomar muito cuidado, porque esse argumento é um pouco da
vida da Ruth de Souza”.
Meu
conhecimento sobre ela era absolutamente superficial. Quando eu comecei
a conviver com ela, e conhecer a história dela, este personagem,
esta mulher ganhou uma dimensão, que eu, falando como escritor,
nunca tinha me deparado. A luta dela para se tornar atriz, para se manter
atriz, para ser a primeira atriz negra a representar o Brasil no cinema
lá fora, enfim, não só me chocou como foi um grande
aprendizado de relacionamento humano.
Convivendo
com ela durante o processo do filme, eu pude aprender que a personagem
da Ruth de Souza se confunde muito com a pessoa Ruth de Souza. Ela tem
a grandeza que a personagem dela tem. Todos aqueles papéis em que
ela é a heroína, se destaca, tem muito da Ruth de Souza.
Então por isso, para mim, comentando assim rapidamente, nesses
últimos anos, de uma mulher que tenha se destacado, eu destacaria
ela sem dúvida nenhuma. Eu aprendi muito não só da
história que eu precisava contar, mas da história de uma
mulher brasileira como a Ruth de Souza.
Di
Moretti é jornalista , roteirista, professor de cinema
e dramaturgo. Roteirista de curtas e longas, entre os
longas que roteirizou estão "Latitude Zero" (2000), de
Toni venturi,
"As Vidas de Maria" (2005), de Renato Barbieri, e.
"As Filhas do Vento" 92005), de Joel Zito Araújo.
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