Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
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CINEOP – 2ª MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO - UM BALANÇO

Raquel Hallack
Foto: Alexandre C. Mota
www.cineop.com.br


A CINEOP – 2ª Mostra de Cinema de Ouro Preto, realizada de 14 a 19 de julho, confirmou, nesta segunda edição, o interesse despertado no ano passado. O grande chamariz da Mostra está no tema completamente apropriado e fundamental: a preservação da memória do audiovisual brasileiro. Neste ano o foco foi o cinema dos anos 50.

Raquel Hallack, Quintino Vargas e Fernanda Hallack – da Universo Produção - trouxeram toda a bagagem adquirida na realização da Mostra de Tiradentes, que neste ano chegou à décima edição, para fazer da CINEOP um acontecimento relevante e já confirmado no calendário oficial de Minas Gerais.

O Mulheres participou da programação do final de semana da Mostra e pode confirmar o interesse tanto da comunidade como das personalidades que circularam por lá. Nomes como José Carlos Avellar, Inácio Araújo, Rodolfo Nani, Cláudio Assis, Renato Ciasca, Walter Carvalho e Antônio Leão participaram da Mostra, seja em delegações de seus filmes ou como convidados da série de debates promovidos. Cléber Eduardo, da Revista Cinética, foi o curador da 2ª CINEOP.

Um dos debates que o Mulheres acompanhou, “Anos 50 – Transição para o moderno – da Vera Cruz ao Rio 40, Graus”, reuniu, dentre outros, o escritor, teórico e crítico de cinema José Carlos Avellar, o professor e crítico Daniel Caetano e o professor e crítico Inácio Araújo. Discutiu-se muito a declaração de Nelson Pereira dos Santos, homenageado da Mostra, em que ele disse que “não é Cinema Novo”. A bombástica declaração do cineasta, o maior diretor brasileiro vivo, rendeu várias discussões e apreciações. Outro ponto interessante também foi a fala de Inácio Araújo, que disse achar o cinema do mestre Alberto Cavalcanti, do clássico “Simão, o Caolho” (1952), de “cinema frouxo”.

Uma mostra de peso precisa promover fórum de debates e também apresentar filmes relevantes. A Cineop não frustrou em nenhum dos dois casos. Durante o final de semana em que o Mulheres esteve lá foram apresentados vários filmes, dentre eles as sensações “Baixio das Bestas”, de Cláudio Assis, que em apresentação fez discurso de protesto contra a ocupação das salas de cinema no Brasil por filmes americanos; “Cão Sem Dono”, primeiro longa que reúne os cineastas Beto Brant e Renato Ciasca na direção, depois do curta “Aurora” (1987), e de vários trabalhos em que Brant dirigiu e Ciasca produziu. E o maravilhoso “Santiago”, de João Moreira Salles, momento luminoso na história do documentário brasileiro e da CINEOP.

Como a 2ª CINEOP discutiu o cinema dos anos 50, foi experiência deliciosa assistir “Tudo Azul”, produção da Flama dirigida por Moacyr Fenelon em 1952, com um ótimo trabalho de atriz da cantora Marlene. Delicioso também foi rever cantores do rádio como Dalva de Oliveira e Linda Batista em números musicais no filme.

Vida longa à CINEOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto.

 

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