Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
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Priscila Rozenbaum em "Carreiras"

Foto: cena de "Carreiras" (2005),de Domingos de Oliveira


No 33º Festival de Gramado, em 2005, o cineasta Domingos de Oliveira lançou seu manifesto BOAA – filmes de Baixo Orçamento e Alto Astral, com o filme “Carreiras”.

O filme exemplificava, naquela época, um modelo de produção oposto ao “Gaijin – Ama-me como Sou”, de Tizuka Yamasaki – o primeiro com orçamento na casa dos mil, e o segundo na casa dos milhões.

O Festival de Gramado acabou dando quatro prêmios para “Gaijin” – Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Aya Ono) e Melhor Trilha Sonora;
já “Carreiras” saiu com o prêmio de Melhor Atriz para Priscila Rozenbaum.


Assisti “Carreiras” na Mostra de Cinema de Tiradentes de 2005 e gostei muitíssimo do filme. Só agora, em 2007, ele está sendo lançado nos cinemas brasileiros.

“Carreiras” dá sequência ao modelo de pequenas produções realizadas por Domingos de Oliveira dos anos 1990 para cá – “Amores” (1998), “Separações” (2002), e “Feminices” (2004).

Até hoje o maior filme do cineasta é mesmo “Todas as Mulheres do Mundo”, com Leila Diniz e Paulo José, mas este clássico para sempre moderno não engessou Domingos de Oliveira, que vem dirigindo outros tantos filmes deliciosos desde então.

“Carreiras” é um tour de force de Priscila Rozenbaum, esposa de Domingos e atriz de seus longas desde “Amores” – e co-roterista deste e de “Separações”. O filme é como um grande monólogo da atriz, ainda que conte com a atuação de alguns outros, inclusive o próprio Domingos.

Em “Carreiras”, Priscila Rozenbaum é Ana Paula, uma jornalista de 40 anos em crise na profissão. Não necessariamente por sua causa, mas pela chefia de seu programa de televisão, em que atua como âncora, que a pretere por mulheres mais jovens.

O filme acompanha uma noite dessa explosiva mulher, ao mesmo tempo em xeque com sua carreira de jornalista e a ética – ou falta dela - que norteia a profissão, e com as intermináveis carreiras de cocaína que consome durante o período.

Priscila Rozenbaum é uma grande atriz e em “Carreiras” sua personagem lhe dá espaço para mostrar do que é capaz. E ela é capaz de muito: chora, enternece, enfurece, xinga, esbraveja, ironiza, desespera-se.

Sua premiação em Gramado foi merecidíssima, mesmo levando-se em conta todos os méritos do filme, que não são poucos, e vai desde o roteiro e direção de Domingos de Oliveira à fotografia do mestre Dib Luft.

Á parte tudo isso, e por causa de tudo isso, “Carreiras” é mesmo um filme de atriz, de uma grande atriz.

E Priscila Rozenbaum é uma delas.


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