Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
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013 – Ludmila Dayer, uma explosão de talento em
"VIDA DE MENINA"
 

 

Foto: Ludmila Dayer como Helena Morley

Exibido na 8a  Mostra de Cinema de Tiradentes, `Vida de Menina’ é o primeiro longa de ficção da documentarista Helena Solberg, que acompanhou a exibição ao lados dos atores Lolô Souza Pinto e Camilo Bevilacqua e do produtor David Meyer. 

Em entrevista ao Mulheres (ainda a ser publicada), Helena Solberg confessa que foi muito difícil levar o livro `O Diário de Helena Morley’ para o cinema. A cineasta descobriu o livro através de pesquisa sobre a poetisa americana Elizabeth Bishop, tradutora do diário. Helena conta que quando Bishop chegou ao Brasil e pediu uma indicação de livro brasileiro para  Rubem Braga ele prontamente  indicou o `Diário’. Helena Solberg também ficou fascinada, porém, por não ser literatura, mas impressões episódicas, sabia que o desafio para levá-lo ao cinema seria grande. A cineasta convidou Elena Soares e as duas assinaram o roteiro, que acabou  premiado com o Kikito no Festival de Gramado. Os outros prêmios no Festival foram para Melhor Filme, Fotografia (Pedro Farkas),  Trilha Sonora (Wagner Tiso), Direção de Arte (Beto Mainieri)  e Júri Popular.

Foi realmente uma pena a atriz Ludmila Dayer não receber o prêmio de Melhor Atriz no Festival, apesar da premiação ter sido justa e contemplado os talentos de Ruth de Souza e Léa Garcia, duas das mais importantes atrizes das artes cênicas do país, pelo filme `Filhas do Vento’, de Joel Zito Araújo. O que se há de lamentar em relação à Ludmila Dayer é porque ela é a alma de `Vida de Menina’. A atriz desempenha com brilho o papel de Helena Morley, uma garota que registra em um diário as suas impressões e vivências na cidade mineira de Diamantina logo após a aboliçao da escravatura e a proclamação da República.

Helena Solberg contou também que talvez Ludmila não seria apropriada para interpretar a personagem título devido à idade, fato pelo qual muitos discordaram dessa sua primeira opção. Felizmente, como ela tinha ainda a imagem de Ludmila criança no filme ‘Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati, ela insistiu em escala-la, em um caso de acerto completo entre intérprete e personagem. A atriz sequestra os nossos olhos, seja contracenando com a doce e protetora avó, com a tensa e melancólica, mas afetuosa mãe, ou ainda com as demais personagens do filme.

`Vida de Menina’ é mais um acerto na carreira cinematográfica de Ludmila Dayer. Os outros dois grandes momentos são em `Carlota Joaquina – Princesa do Brasil’ (1995), de Carla Camurati e no episódio `Diabólica’, de Cláudio Torres, do filme `Traição’ (1998).

Para viver Carolina, mãe de Helena, a diretora escalou Daniela Escobar. Revelada para o grande público como a Maysa da novela `O Clone’, de Glória Perez – apesar de ter no curriculo trabalhos anteriores, a atriz faz estréia apropriada no cinema brasileiro. Daniela Escobar dá o tom correto para a personagem, uma mulher que foi rica, mas agora empobrecida, apaixonada pelo marido e entristecida pela atual condição.

Maria de Sá é Teodora, a avó protetora de Helena. Com mais dois filmes no curriculo, `As Alegres Comadres’ (2003), de Leila Hipólito, e `Copacabana’ (2003), de Carla Camurati. A atriz encarna a avó mítica de todos nós o que possibilita uma identificação imediata com a platéia.

Em contraponto às demais personagens está Iaiá, a tia esnobe e egoísta interpretada por Lígia Cortez. Filha de Raul Cortez e da saudosa Célia Helena, Lígia é uma atriz que não nega o talento dos pais. Com cerca de seis filmes no curriculo e algumas novelas, Ligia Cortez brilha também no teatro – sua atuação em `Cacilda!’, de José Celso Martinez Correia é inesquecível. Ainda está faltando na sua carreira cinematográfica um filme que explore todo o seu talento - `A Causa Secreta’ (1994), de Sérgio Bianchi é um de seus bons momentos. A atriz Lolô Souza Pinto completa o elenco como a inglesa Tia Madge.  

No elenco masculino estão as boas presenças de Dalton Vigh como o pai de Helena, Alexandre; Camilo Bevilacqua, como o tio Geraldo, e Benajmim Abras como o professor Teodomiro.

Helena Solberg, uma das nossas poucas cineastas que surgiram nos anos 60, estreou com o curta `A Entrevista’, em 1966, uma crítica sobre as cariocas de classe alta. A partir dos anos 70 se radica  em Nova York, onde dirige vários documentários. Em 1995 realiza o belíssimo `Carmen Miranda: Bananas is My Busines’, uma co-produção Brasil/Estados Unidos.  

Ainda na ficha técnica, as presenças de Marjorie Gueller no Figurino e Diana Vasconcelos na Edição.

‘VIDA DE MENINA”.
Brasil, 2004. Direção: Helena Solberg

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