Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
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"Querô" - trágica crônica no cais do porto de Santos

Foto: Maria Luisa Mendonça em cena de "Querô",
de Carlos Cortez

A adaptação de “Querô”, romance e peça do dramaturgo Plínio Marcos marca a estréia do cineasta Carlos Cortez. E Cortez acertou, o filme tem o corte cru e sem psicologismos do mais maldito da dramaturgia brasileira. A Obra de Plínio Marcos vira e mexe chega ao cinema e, se nem sempre o público reage bem a elas, um olhar em retrospecto mostra que essas adaptações quase nunca fizeram feio. Só de cabeça, vem à mente filmes ótimos como “Navalha na Carne”, de Braz Chediak, “Barra Pesada”, de Reginaldo Farias, e “Dois Perdidos numa Noite Suja”, de José Joffily.

O maior achado de Carlos Cortez foi a escalação do garoto Maxwell Nascimento para viver Querô. Os textos de Plínio Marcos são retratos sociais certeiros e sem meias-palavras, daí sempre demandou grandes atores que têm que carregar nas costas toda a carga dramática e sua poesia do caos. E os cineastas sempre escalaram grandes atores. Glauce Rocha, Emiliano Queiroz e Jece Valadão são alguns intérpretes inesquecíveis da obra do dramaturgo.

Mawxell Nascimento tem presença no filme de cabo a rabo e faz isso com propriedade e verdade cênica. Como esquecer seus olhos, que aliam, ao mesmo tempo, ódio, desamparo, tristeza, esperança e fatalidade? Não à toa, recebeu os prêmios de Melhor Ator no Festival de Brasília, no Festival de Cuiabá e no Cine Ceará. O filme também recebeu prêmios nestes Festivais, respectivamente, Roteiro, Direção de Arte e Som em Brasília; Filme, Direção, Roteiro, Direção de Arte e Produção em Cuiabá; e Filme e Edição em Ceará.

As críticas do Mulheres tem como foco central o trabalho das atrizes e cineastas. Em Quero quase não há espaço para outros além da presença acachapante de Maxwell Nascimento. Isso, se a atriz que faz uma pequena participação como a mãe de Querô, a prostituta suicida Piedade, não fosse Maria Luísa Mendonça. É incrível a capacidade dramática dessa atriz, que consegue, quase fazendo uma ponta, marcar todo o filme. Maria Luísa Mendonça é capaz de revelar apenas com o olhar todo o universo do cais do porto em Santos, retrato por Plínio Marcos.

O elenco feminino coadjuvante também está bem. A jovem Alessandra Santos como a evangélica Lica, paixão e possibilidade frustrada de redenção de Quero, dá a composição fragilizada e ingênua necessária. Cláudia Juliana como Gina, a “mãezona” de Quero, também compõe bem a personagem imprimindo doçura e amor sincero pelo garoto. Já Ângela Leal, como a cafetina Violeta carrega um pouco demais nas tintas, mas ainda assim é bom ver essa grande atriz, tão distante das telas do cinema.

No elenco masculino, além de Maxwell Nascimento, todo o destaque vai para Milhem Cortaz, como o carcereiro da Febem, Edgar. Ator em ascensão no cinema nacional, Milhem dá o tom exato para o sádico personagem, verdadeiro terror para os garotos confinados. Eduardo Chagas como o policial corrupto Sabará também está bem, já Aílton Graça, um grande ator, está caricato demais no filme.

Na equipe técnica feminina do filme, as presenças de Débora Ivanov na produção, ao lado dos irmãos Gullane – Caio e Fabiano; Christiane Rieira na dramaturgia; Samantha Rilo e Tammy Weis na produção de elenco; Cristina Camargo no figurino; Gabi Moraes na maquiagem; Alessandra Casolari e Patrícia Nelly na coordenação de pós-produção; Manuela Mandler na coordenação de lançamento e Sonia Hamburger na coordenação executiva.

QUERÔ, Brasil, 2007, 1h35. Direção: Carlos Cortez


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