Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
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020 - As presenças de Ana Paula Arósio e Andréa Beltrão em
"O CORONEL E O LOBISOMEM" 

 

 Foto: Ana Paula Arósio e Diogo Vilela

O filme “O Coronel e o Lobisomem” reúne nas telas um grupo de sucesso no atual cinema brasileiro: Guel Arraes na direção e/ou roteiro, João Falcão e Jorge Furtado no roteiro, Paula Lavigne na produção, e Caetano Veloso na trilha sonora. Outros sucessos em que esse alguns desse grupo se revezaram foram  “Lisbela e o Prisioneiro” (2003) e "Meu Tio Matou um Cara" (2004). Só que dessa vez quem dirige o filme é Maurício Farias, experiente diretor da Rede Globo, de séries como “Hilda Furacão”, por exemplo. E talvez seja aí que esteja a ponta que enfraquece essa nova produção.  

“O Coronel e o Lobisomem” é a cara de Guel Arraes, que não á toa já dirigiu uma ótima versão desse livro de José Cândido de Carvalho para a televisão. Esse fato ainda fica mais visível na tela por ser o roteiro assinado por ele e seus parceiros habituais João Falcão e Jorge Furtado. Maurício Farias demonstra talento, mas ainda assim parece estar dirigindo um filme de Guel Arraes, sem, no entanto, intimidade com o tema, o universo e a estética que vem pontuando os filmes de Guel.

Representante da safra do cinema brasileiro que vem apostando em efeitos especiais, como "Redentor" (2004), de Cláudio Torres,  “O Coronel e o Lobisomem” é protagonizado por Diogo Vilela e Selton Mello, e no elenco feminino a bela Ana Paula Arósio faz sua estréia em comédias. Diogo se sai melhor que Selton, mas quem brilha mesmo é Pedro Paulo Rangel, que está primoroso no filme, e também Tonico Pereira. Ana Paula Arósio, talvez até pela direção, não demonstra muito vigor na sua composição como Esmeraldina, motivo de disputa entre os personagens de Diogo e Selton, respectivamente, Ponciano e Penambuco.  

Além de bela, Ana Paula Arósio vem crescendo como atriz, e dá para ver o avanço entre a sua estréia nas telas em "Forever", de Walter Hugo Khouri, em 1991, e o filme atual. O mesmo vale para suas atuações na televisão, que tem seu ponto alto como a apaixonante protagonista da minissérie "Hilda Furacão", de Glória Perez, em 1998.

Infelizmente, Ana Paula Arósio vem atuando pouco no cinema - "Celeste & Estrela", de Betse de Paula, é o outro filme em seu currículo. E por isso, talvez, a ainda pouca intimidade com a telona.

Andréa Beltrão, por sua vez, é uma veterana em comédias e brilha em sua pequena, mas marcante participação, como possível pretendente amorosa  de Ponciano de Azeredo Furtado. Andréa é parceira habitual de Guel Arraes e já marcou época em momentos históricos na televisão ao seu lado, como no seriado “Armação Limitada”  (1985)e o atual “A Grande Família”. Daí, imagina-se que para compor sua personagem ficou completamente à vontade, dando a ela um tom divertido e zombeteiro. 

Na ficha técnica, além da produção de Paula Lavigne, nome forte no cinema nacional atual – esteve envolvida em filmes como “Orfeu” (1999), de Carlos Diegues, “Lisbela e o Prisioneiro” (2003), de Guel Arraes, “Benjamin” (2003), de Monique Gardenberg, "Meu Tio Matou um Cara" (2004), de Jorge Furtado e “2 Filhos de Francisco” (2005), de Breno Silveira (leia entrevista ao Mulheres) - “O Coronel e o Lobisomem” conta ainda com a presença de Emilia Duncan no figurino. 

“O CORONEL E O LOBISOMEM”
Brasil, 2005, 1h48. Direção: Maurício Farias

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