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Camila Pitanga exuberante e ótimo elenco feminino em
"Noel - Poeta da Vila"
Fotos: Rafael Raposo e Camila Pitanga em "Noel - Poeta da Vila"
(2006),
de Ricardo van Steern
“Noel
– Poeta da Vila”, primeiro longa do cineasta Ricardo van Steen, começou
de uma forma que me fez logo pensar, apesar da boa expectativa: “Ih, vai
ser mais uma daquelas biografias didáticas”. No entanto, essa primeira
impressão logo se dissipou e pude assistir ao filme com interesse.
Como se sabe, o carioca de Vila Isabel, Noel Rosa, é um dos maiores
compositores da música popular brasileira de todos os tempos. Músicas
como “Último Desejo”, “Com Que Roupa?”, “Pra Que Mentir”, “Três
Apitos” e “Feitio de Oração” são clássicos
eternos da música. Sabe-se também que Noel Rosa morreu com
26 anos, de tuberculose, e que tinha um rosto singular – o queixo retraído,
como conseqüência do parto à fórceps.
No filme, Noel Rosa é interpretado por Rafael Raposo, que tem impressionante
semelhança física com o compositor. O filme focaliza os
últimos anos de vida de Noel, desde a gravação do
primeiro samba, “Com Que Roupa?” até a feitura de “Ùltimo
Desejo”, dedicado à musa Ceci, uma dançarina de cabaré
interpretada por Camila Pitanga.
É incrível como Camila Pitanga está cada vez melhor
como atriz. E cada vez mais linda. Sua composição para Ceci
é perfeita, aliando a precoce sedução ao romantismo
inesperado, malandragem necessária e fatalismo anunciado. Sua presença
é marcante, pois a personagem Ceci tem extrema importância
no filme, já que em volta dela que Noel gravita e compõe
pelos menos duas de suas mais belas músicas, cantadas no filme
– além de “Último Desejo”, ele compõe para ela “Pra
Que Mentir”.
Em “Noel – Poeta da Vila”, é interessante ficar tentando identificar
os sambistas, cantores e compositores famosos aparecerem, ante de se identificarem.
E eles são muitos: Ismael Silva, Wilson Batista, Cartola, Nilton
Bastos, Vadico, Francisco Alves, Mário Reis, Mário Lago.
Dentre as artistas, a única retratada é Aracy de Almeida
- apesar de Marília Batista compor com esta a dupla de maiores
intérpretes do autor, ela não aparece no filme. Carolina
Bezerra é outra bela surpresa do filme. Sua interpretação
de Aracy de Almeida, intérprete que, inclusive, nos anos 1950,
fez ressurgir a obra de Noel para o público, ao gravar várias
de suas músicas, é também marcante e bela presença
em todo o filme – na cena em que vislumbra, de dentro de um bar, Noel
passando de carro e já muito doente, é um comovente momento
do filme.
Ainda no elenco feminino, também se destacam Lidiane Borges como
Lindaura, esposa de Noel – ela tinha apenas 13 anos quando se casaram
por imposição da mãe dela depois dele desvirginá-la,
e depois se torna fiel companheira até a morte do compositor, acompanhando-o
aos sanatórios para recuperar-se da tuberculose; e Laura Lustosa
como a mãe amorosa de Noel. Roberta Rodrigues tem pequena, mas
boa presença, como a prostituta Lola.
“Noel – Poeta da Vila” ganhou os prêmios de Melhor Direção
de Arte, Edição de Som e Prêmio Especial no Festival
de Cinema Brasileiro de Miami. Foi eleito também o Melhor Filme
pelo júri popular na Mostra de Cinema de Tiradentes
Bia Salgado assina o figurino do filme.
Noel – Poeta da Vila
Brasil, 2006 , 99 min.
Direção: Ricardo van Steen
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