Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
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012 – Dira Paes, Déborah Secco e Sophia Reis em
“MEU TIO MATOU UM CARA”

 Foto: Darlan Cunha e Dira Paes 

No cinema de Jorge Furtado, os longas `Houve Uma Vez Dois Verões’, `O Homem que Copiava’ e `Meu Tio Matou um Cara’, os homens estão no centro da ação – apesar das mulheres serem a motivação para a ação de todos eles. O cineasta, que no formato curta-metragem nos deu a obra-prima `Ilha das Flores’, vem realizando filmes sobre adolescentes bem acima da média da maioria dos títulos americanos que infestam a telona e a telinha. Em `Meu Tio Matou um Cara’ ele repete a bem-sucedida fórmula. Apesar do novo filme ser inferior aos anteriores, é uma boa opção que aborda esse universo tão pouco explorado pelo cinema nacional. 

`Meu Tio Matou um Cara’ é uma comédia romântica e policial sobre um adolescente que, com a ajuda dos amigos, inicia uma trajetória de erros e acertos para provar a inocência do tio acusado de matar o parceiro de sua amante. Para interpretar Duca, Jorge Furtado acertou em escalar Darlan Cunha, ator revelado em `Cidade de Deus’, em interpretação minimalista e convincente. Os outros três personagens masculinos também estão bem, Lázaro Ramos como o tio Eder, Renan Gioelli como o amigo Kid, e, sobretudo, Aílton Graça como o pai Laerte – Graça tem se revelado um dos melhores atores do cinema brasileiro atual (`Carandiru’ e `Contra Todos’). 

Para compor o elenco feminino, Jorge Furtado escolheu Dira Paes, Déborah Secco e a estreante Sophia Reis. 

Dira Paes é Cléia, a mãe de Duca e cunhada de Eder. Mãe carinhosa e receosa com a sorte do cunhada, Cléia é casada com Laerte. Dira Paes é mesmo uma atriz essencialmente cinematográfica, ainda que mais conhecida pelo grande público como a parceira de Cláudia Rodrigues no seriado `A Diarista’.  Revelada no cinema pela produção estrangeira ‘A Floresta das Esmeraldas’, dirigida por John Boorman, em 1885, a atriz vem desenvolvendo carreira importante nas telas em filmes como `Ele, O Boto’ (1987), de Walter Lima Jr., `Corisco & Dadá’ (1996), de Rosemberg Cariry, `Cronicamente Inviável’ (2000), de Sérgio Bianchi, e `Amarelo Manga’ (2002), de Cláudio Assis. 

Em `Meu Tio Matou um Cara’, Dira Paes compõe a personagem com precisão, em um tom que alia preocupação pelos acontecimentos, paixão pelo marido e carinhosa relação com o filho. Déborah Secco, por sua vez, não tem muito espaço para a sua Soraya, pivô do assassinato. Desfilando em trajes mínimos, a atriz não consegue interiorizar a personagem, em uma composição mais externa e que vale de seus atributos estéticos. 

Sophia Reis, que estréia no cinema, é Isa, a paixão de Duca e namorada de seu amigo Kid. A direção de Jorge Furtado dá à Sophia a possibilidade de uma interpretação como a de Darlan Cunha, em que a naturalidade, no bom sentido do termo, dá o tom. Bem distante do naturalismo que infesta as novelas, os dois atores – e também Renan Gioelli, porém com menos brilho – se saem bem e convencem a platéia com as idas e vindas de seus personagens.

`Meu Tio Matou um Cara’ é uma produção da Natasha Filmes e da Casa de Cinema de Porto Alegre. Com roteiro de Jorge Furtado e Guel Arraes, o filme tem na ficha técnica as presenças das seguintes mulheres: Paula Lavigne, Nora Goulart e Luciana Tomasi na Produção – junto com Guel Arraes; e Rosângela Cortinhas no Figurino. 

“MEU TIO MATOU UM CARA”
Brasil, 2004, 1h27. Direção: Jorge Furtado.  

 

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