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CINEBH - Mostra de Cinema de Belo Horizonte

Fotos: Leonardo Lara
Durante quase uma década, a cidade histórica de Tiradentes
era praticamente a única cidade mineira a sediar uma mostra de
cinema brasileiro de peso - a Mostra de Cinema de Tiradentes. Se nos últimos
dois anos, a boa notícia foi a inclusão de Ouro Preto nesse
circuito, com a Cineop – Mostra de Cinema de Ouro Preto, o melhor de tudo
veio agora: Mostra de Cinema de Belo Horizonte, a CineBH. Alegria maior
ainda foi saber que por trás das três está a equipe
da Universo Produção – Raquell Hallack, Quintino Vargas
e Fernanda Hallack. Ou seja, qualidade garantida.
A
CineBH já chegou mostrando a que veio. Muito mais que ocupar o
grande circuito exibidor de Belo Horizonte, a Universo fez o que vem fazendo
nas cidades do interior: a construção de novos espaços.
A CineBH elegeu o tradicional bairro de Santa Teresa para instalar sua
Vila de Cinema. São três espaços onde a extensa programação
foi apresentada: Cine-Tenda – uma sala construída na Praça
Duque de Caxias para exibição de longas, curtas e realização
de debates; Cine-Praça – exibições de longas e curtas
ao ar livre na própria Praça Duque de Caxias; e, o melhor
de tudo, a reabertura do Cine Santa Tereza, cinema de bairro desativado
desde a década de 1980, também para exibição
de longas e curtas.
Os
seminários e debates giraram em torno de questões sobre
cinema popular, com derivações para indagações
como “cinema de mercado ou mercado de cinema?” Para enriquecer a Mostra,
nomes fundamentais do nosso cinema, como José Carlos Avellar e
Inácio Araújo participaram das mesas; a cena mineira também
foi contemplada com discussão entre os cineastas Helvécio
Ratton, Geraldo Veloso, Paulo Augusto Gomes e Cao Guimarães e outros
convidados.
Helvécio
Ratton foi um dos diretores selecionados para mostrar seu filme em pré-estréia,
“Pequenas Histórias”. “Castelar e Nelson Dantas no País
dos Generais”, de Carlos Alberto Prates Corrêa, “A Via Láctea”.
De Lina Chamie, “Garoto Cósmico” de Alê Abreu e “Sem Controle”,
de Cris D´Amato são os outros títulos.
A
Mostra Cine-BH, que tem curadoria de Cléber Eduardo, também
selecionou uma retrospectiva que encheu os olhos: Luís Sérgio
Person com “São Paulo S.A”; Antônio Calmon com o obrigatório
“Eu Matei Lúcio Flávio”; José Mojica Marins com “À
Meia-Noite Levarei Sua Alma; Jorge Bodanzky e Orlando Senna com “Iracema,
Uma Transa Amazônica”; Edgar Navarro com “Superoutro”; Jairo Ferreira
com “Horror Palace Hotel”, Humberto Mauro com “A Velha a Fiar”, e muitos
outros.
As
oficinas, que também não podiam faltar, se dividiram entre
Luiz Carlos Lacerda, Di Moretti, Guilherme Fiúza e Antônio
Carlos da Fontoura. Nem é preciso dizer que esgotadíssimas.
Mostra
sem convidados não é Mostra. Daí, a importância
de ver circulando pela Vila de Cinema nomes como José Mojica, José
Roberto Torero, Edgar Navarro, Neville D´Almeida, Rafael Conde,
Lina Chamie, Domingas Person e muitos outros.
Mais
uma vez a Universo Produção acertou em cheio. Além
da programação e da organização impecáveis,
não poderia mesmo haver cenário mais propício para
uma mostra com esse perfil que Santa Tereza. Só de sentar e apreciar
o vai-e-vem na Vila do Cinema os dias, e as noites, já estavam
ganhos.
Em
tempo: que beleza ver “Samba-Canção”, de Rafael Conde, em
exibição ao ar-livre, e que encerramento admirável
com mais um filme obrigatório de Eduardo Coutinho: “Jogo de Cena”.
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