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005 – "Cazuza, o tempo não pára" Foto:
Divulgação - com Daniel de Oliveira em cena de "Cazuza, o tempo não
pára" (2004) Dirigido a quatro mãos, Sandra Werneck
e Walter Carvalho, “Cazuza, o tempo não pára”, é a adaptação livre do
livro “Só as Mães São Felizes”, de Lucinha Araújo. Adaptação livre
porque, quando do lançamento em Belo Horizonte, a própria Sandra disse que no
filme tinham cenas inteiras tiradas no livro, mas também outras de fontes de
pesquisa para o filme. “Cazuza, o tempo não pára”
é uma produção da Globo Filmes, e o convite para Sandra Werneck dirigi-lo
partiu do executivo da produtora, o big boss, Daniel Filho. Daí que
Sandra convidou Walter Carvalho para dividir a direção, afim de ajudá-la
tecnicamente e humanamente na empreitada, conforme contou em entrevista ao Mulheres. O filme já uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro
dos últimos anos. Sandra Werneck tem trajetória
premiada como documentarista e dirigiu as comédias românticas de sucesso
“Pequeno Dicionário Amoroso” e “Amores
Possíveis”. Walter Carvalho é um de nossos mais premiados fotógrafos, e
co-dirigiu com João Jardim o belo documentário “Janela da Alma”. No jornal Folha de São Paulo, João
Araújo, pai de Cazuza, declarou que gostou do filme, mas que se surpreendera
com o tom contido sobre a homossexualidade do filho. Na verdade, essa surpresa
foi compartilhada por grande parte da crítica, por parceiros do cantor e
compositor, como Frejat, e por grande parte da platéia contemporânea ao ídolo. Vendo o filme, tem-se a impressão
que se a vida atribulada de Cazuza já seria grande demais para um filme, no
caso, por ser da Globo Filmes, as arestas exageradas do artista ficaram meio que
em camisa-de-força para atingir o público alvo – no entender pelas declarações
dos realizadores, esse público seria, em maior número, a geração pós-Cazuza,
daí o medo da classificação, que acabou ficando em 16 anos, e não os temidos
18. Daniel Oliveira compõe o
personagem título com uma garra surpreendente, e certos momentos do filme,
sobretudo na fase da Aids, tem-se, várias vezes, a impressão de ser o próprio
Cazuza em cena – é uma das maiores interpretações masculinas dos últimos
tempos, e o filme vale nem que seja só por ele. Reginaldo Faria, como João Araújo,
e Emílio de Mello como Ezequiel Neves – parceiro, produtor e uma espécie de
guru de Cazuza - compõem com propriedade seus personagens.. “Cazuza, o tempo não pára”
tem no elenco uma de nossas mais notáveis atrizes, a grande Marieta Severo.
Marieta dá vida a Lucinha Araújo, a mãe-aranha de Cazuza e grande
perpetuadora de sua obra – uma de suas ações fundamentais é a Sociedade
Viva Cazuza, entidade que ampara crianças com aids. Ainda não li todo o livro “Só
As Mães São Felizes”, apenas uma primeira parte. Mas no lido, deu para ver o
tamanho dos tentáculos amorosos da mãe pelo filho, com tudo de bom e ruim que
venha disso. Segundo Marieta Severo, o próprio Cazuza a achava parecida com
Lucinha, daí ela se sentir naturalmente escalada para o papel. E quando Sandra
e Walter colocam Marieta e Lucinha na mesma cena, na platéia de um show de
Cazuza, dá para ver e identificar a forte presença das duas. Apesar do filme ser adaptado do
livro, ainda assim o roteiro não foi muito generoso com a personagem de Marieta.
A personagem do João Araújo dá muito mais possibilidades à interpretação
de Reginaldo Faria do que o de Lucinha. Marieta brilha sempre, mas fica uma
sensação de desperdício de seu talento não explorado pelo filme, muito mais,
parece, um problema de roteiro (Fernando Bonassi e Victor Navas)
que de direção. Um dado curioso é a reunião,
outra vez, de Marieta e Reginaldo como pais de filhos transgressores. A primeira
foi em “Com Licença, eu vou à luta”, de Lui Faria, adaptação cinematográfica
do livro de Eliane Maciel. No elenco feminino, destaca-se
Andréa Beltrão como Malu, amiga um pouco mais velha de Cazuza e sua turma.
Talentosa, Andrea consegue ressaltar, muitas vezes apenas com o olhar, as ambigüidades
da personagem. Já Leandra Leal tem menos chance como a cantora, compositora e
parceira Bebel Gilberto. Apesar de, ao reconstituir com Daniel Oliveira a gravação
garagem de “Eu preciso dizer que te amo”, remeter-nos imediatamente para a
faixa que acabou em CD lançado após a morte do ídolo e ser um bom momento do
filme. Débora Falabella, que faz
participação especial no filme, não tem muito espaço. Linda e boa atriz, ela
parece, na verdade, ser uma espécie de amuleto da sorte nas produções de
Daniel Filho, já que está também no sucesso “Lisbela e o Prisioneiro”,
como protagonista, e em “A Dona da História”, fazendo uma fase da
personagem – a outra atriz é Marieta Severo, que no teatro dividia a
personagem com a Andréa Beltrão. Maria Mariana como Talita, Maria
Flor como a Garota de Bauru e Fernanda Bocchat como a Garota da Ponte são aos
outras atrizes do filme. Na ficha técnica, além de
Sandra Werneck, as presenças de Claudia Kopke nos figurinos e Juliana Mendes na
maquiagem – dois ótimos trabalhos do filme; e Zezé d’ Alice no som. “Cazuza, o tempo não pára”, Brasil, 2004, 1h38, 16 anos.
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