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O
talento das Fernandas em
Não
é a primeira vez que as duas Fernandas estão no mesmo filme. Antes, atuaram em
“Fogo e Paixão” (1988), de Marcio Kogan e Isay Weinfeld; “O Que É Isso,
Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto; “Traição” (1998), filme em episódios
de José Henrique Fonseca, Arthur Fontes e Cláudio Torres; “Gêmeas”
(1999), de Andrucha Waddington e “Redentor” (2004), de Cláudio Torres. Porém,
em todos os casos citados, elas participaram do mesmo filme, mas não
contracenaram como protagonistas. Em
“Casa de Areia”, as duas interpretam várias personagens em uma história
com roteiro de Elena Soárez e rodado nos lençóis maranhenses, em que suas
personagens têm que enfrentar os desafios físicos e psicológicos em meio a
uma região inóspita. Além da união das duas, o clã familiar conta ainda com
o próprio diretor, Andrucha, que é casado com Fernanda Torres. Fernanda
Montenegro e Fernanda Torres têm talentos mais que reconhecidos, tanto pelo público
quanto pela crítica. A primeira é considerada por muitos como a melhor atriz
brasileira e como a Primeira Dama do nosso Teatro. A segunda, por sua vez, não
se intimida com o gigantismo da mãe e construiu uma carreira notável também
nos palcos, na televisão e no cinema. Por atuações nas telas, as duas,
inclusive, foram laureadas com dois dos mais importantes prêmios internacionais
do cinema: Palma de Ouro para Fernanda Torres por “Eu Sei Que Vou te Amar”
(1986), de Arnaldo Jabor; Urso de Prata para Fernanda Montenegro por “Central
do Brasil” (1998), de Walter Salles – por esse trabalho, Montenegro foi
indicada também ao Oscar de Melhor Atriz. Fernanda
Montenegro tem uma carreira interessante nas telas. Apesar de ter protagonizado
filmes importantes como “A Falecida” (1995), de Leon Hirszman, “Tudo
Bem” (1978), de Arnaldo Jabor, e “Eles Não Usam Black-Tie” (1981), de
Leon Hirszman, foi só a partir de “Central do Brasil” que se apaixonou
mesmo pelo cinema e vem fazendo um filme atrás do outro. Já Fernanda Torres
sempre se identificou com o cinema, veículo em que desenvolveu trabalhos
constantes e de primeira grandeza como “Inocência” (1983), de Walter Lima
Jr., “A Marvada Carne” (1985), de André Klotzel, e “Terra Estrangeira”
(1996), de Walter Salles e Daniela Thomas. Agora
chegou a vez de vê-las juntas em “Casa de Areia” e conferir porque elas são,
com certeza, duas das nossas mais notáveis atrizes. O filme impressiona pela própria
geografia em que a história acontece. Andrucha muda de tom radicalmente entre o
filme anterior, o delicioso “Eu Tu Eles” e esse “Casa de Areia” – o
primeiro é solar, esse é lunar. Apesar de alguns tropeços na direção e uns
outros tantos no roteiro – por exemplo, o maniqueísmo na associação entre o
episódio de sexo na infância e o comportamento na juventude de uma das
personagens, o filme faz-se poderoso no tamanho e fecha em tom alto. Fernanda
Montenegro está melhor em cena que Fernanda Torres, apesar da última estar bem
como sempre. As personagens de Montenegro têm maior espaço em nuances, e um
dos melhores momentos é vê-la interpretando uma das personagens de Torres. É
mesmo delicioso ver Fernanda Montegro interpretando a continuidade da
interpretação de Fernanda Torres. As
presenças masculinas são mais que interessantes: Ruy Guerra, Seu Jorge, Stênio
Garcia, Enrique Diaz, Emiliano Ribeiro, João Acaiabe. Grandes atores
valorizando essa saga existencial. No entanto,
o filme é mesmo para as duas Fernandas, e para os seus talentos. CASA
DE AREIA
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