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017 - DÉBORA
DUBOC Foto:
com Leonardo Medeiros em "Cabra-cega" (2005), Terceiro
filme de Toni Venturi, os outros dois são “O Velho” e “Latitude Zero”,
“Cabra-cega” focaliza o difícil cotidiano dos guerrilheiros que viveram na
clandestinidade durante a ditadura militar. Leonardo Medeiros é Thiago,
ativista baleado que se refugia em um apartamento; Débora Duboc é Rosa,
contato de Thiago com o mundo externo; Michel Bercovitch é Pedro, o dono do
apartamento e simpatizante da causa dos guerrilheiros;
Jonas Bloch é Matheus, um dos líderes dos guerrilheiros. Os quatro
atores estão à frente do elenco, que conta ainda com boa presença da atriz
Milhem Cortaz e pequenas participações dos outros. Ao
confinar seus personagens em um apartamento, Toni Venturi dá o tom propício
para o clima sufocante que a ditadura impôs ao país, e que os clandestinos
vivenciaram no dia-a-dia, tentando escapar das garras da polícia. Leonardo
Medeiros compõe bem o combativo Thiago, que lutando para não perder a razão
entre quatro paredes acaba encontrando o repouso do guerreiro pelas mãos da
doce Rosa. Jonas Bloch mostra, como sempre, o grande ator que é e compõe com
propriedade o líder Matheus. Já Michel Bercovitch é uma presença estranha.
Seu personagem é um quase estranho a tudo aquilo que lhe cerca, mas o
estranhamento que se dá em relação a ele não vem tanto do seu personagem,
mas da composição que ele dá a ele. O resultado não é nem ruim nem bom, mas
estranho. O
grande achado do elenco de “Cabra-cega” e de todo o filme é Débora Duboc,
como Rosa. A atriz faz uma militante humanizada e bem distante dos retratos que
o cinema brasileiro faz, comumente, dessas mulheres, quase sempre duras e sem
nuances. Débora Duboc faz uma rosa de fala interiorana, gestos doces, mas
capaz, como em cena mais adiante de pegar em armas com propriedade. Vinda
do teatro paulista e com atuações em “Através da Janela” (2000), de Tata
Amaral, e “Memórias Póstumas”
(2001), de André Klotzel, Débora Duboc repete em “Cabra-cega” a bem-
sucedida parceria com Toni Venturi iniciada em “Latitude Zero” (2000).
Novamente, ela é a protagonista, sendo que dessa vez com uma interpretação
totalmente diversa da Lena de “Latitude Zero”. Se no primeiro filme, a atriz
faz uma interpretação quase furiosa, em que tem que lutar para dar espaço
para sua doçura, em “Cabra-cega” ela faz o oposto e acerta mais uma vez,
uma personagem doce, mas que terá que pegar em armas.
Como Rosa, Débora Duboc demonstra que é mesmo uma grata surpresa do
cinema nacional dos anos 2000. E cheia de talento. “Cabra-cega”
recebeu cinco candangos no Festival de Brasília: : Melhor Filme - Júri
Popular, Diretor, Ator (Leonardo Medeiros),
Roteiro e Direção de Arte. Na trilha sonora, Fernanda Porto dá sua visão
bastante particular para alguns clássicos da MPB como “Saveiros” e “Roda
Viva” – nessa última fazendo dueto com o autor, Chico Buarque. Na trilha,
tem também a magistral Na Ozzetti com “Teletema”. A ficha técnica
conta ainda com a presença de Cláudia Minari, no desenho de produção. CABRA-CEGA
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