Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
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018 - ZEZEH BARBOSA DÁ SHOW EM
“BENDITO FRUTO”,
 DESDE JÁ UM DOS MELHORES FILMES BRASILEIROS DO ANO

 

Foto: com Otávio Augusto em "Bendito Fruto" (2005),
de Sérgio Goldenberg

Longa-metragem de estréia de Sérgio Goldenberg, “Bendito Fruto” marca também a primeira protagonista de Zezeh Barbosa nas telas. Notável filme, já candidato a um dos melhores do ano, o que está em cena é o dia-a-dia de personagens de classe-média baixa com fino humor e respeito. Com exceção de “Garotas de ABC”, o belo filme de Carlos Reichenbach, e alguns outros possíveis títulos, há muito tempo não se via o cinema nacional retratar esse universo do chamado “povão” com tanto humanismo e ternura.  

Normalmente, nos últimos filmes, os personagens desse tipo de filme acabam meio que circundantes e subjugados ao universo da violência ou da galera jovem. Em “Bendito Fruto” se dá o contrário, quase todos os personagens estão na idade madura, nenhum deles retrata o padrão de beleza e a violência, que existe – e não poderia deixar de existir – é colocada como um fator indesejavelmente natural das grandes cidades, e não como “pontuador” das vidas daqueles personagens pobres. 

Zezeh Barbosa é Maria, personagem bem diferente dos papéis que ela interpreta na televisão, mais associados à comédia. Nada contra o gênero, pois ela é, inclusive, ótima comediante, mas o cinema, felizmente, bem dando oportunidade da atriz apresentar ao público toda a sua carga dramática. Se ela já havia impressionado em “Paixão Perdida”, de Walter Hugo Khouri, em 1988, quando se revelou uma atriz khouriana perfeita, e também em “Cronicamente Inviável” (2000), de Sérgio Bianchi, em “Bendito Fruto” ela chega ao ápice, em um papel que lhe coube como uma luva – não á toa recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília.  

Mesmo que “Bendito Fruto” seja anunciado como uma comédia, o que se vê na tela é uma tragicomédia pungente, leve, emocionante e muito bem representada. Otávio Augusto é o parceiro de cena de Zezeh Barbosa, mais uma vez está perfeito e é mesmo um dos melhores atores brasileiros. No filme ele é Edgar, um cabeleireiro que não quer assumir seu relacionamento com Maria, provavelmente por ela uma espécie de sua empregada doméstica e também por ser negra. Involuntariamente, ele acaba se envolvendo com Virgínia, interpretada por Vera Holtz, a outra ponta do triângulo. 

Todo o elenco feminino, aliás, foi muito bem escalado. Vera Holtz compõe bem a viúva madura que quer se iludir com a chegada de um possível novo amor. Lucia Alves, que estava há alguns anos afastada das telas, também está muito bem como a cabeleireira Telma, com uma interpretação mais contida, diferente de suas últimas composições – sua Telmna lhe valeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Brasília. E por fim, Camila Pitanga, como a inconseqüente manicure Choquita.  

Mariana Lima faz uma pequena participação na novela que é exibida dentro do filme, protagonizada ainda por Eduardo Moscovis, com quem o filho de Maria, o ator Evandro Machado, vai se envolver. No elenco masculino, a presença ainda de Enrique Diaz, também responsável pela direção dos atores de “Bendito Fruto”. 

“Bendito Fruto” tem roteiro assinado por Sérgio Goldenberg e Rosane Lima. Na ficha técnica, as presenças de Martha Ferraris na produção; Flávia Celestino e Jordana Berg na edição. 

“BENDITO FRUTO”
Brasil, 2005, 1h30. Direção: Sérgio Goldenberg

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