Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Nacional

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021 - 9ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES 


Foto: sessão lotada no Cine-Praça com a exibição de "A Máquina" (2005),
de João Falcão.
Fotógrafo Leonardo Lara - site www.mostradetiradentes.com.br

 

A Mostra de Cinema de Tiradentes chegou à sua 9a Edição de forma ampliada e modificações em sua estrutura. O resultado foi altamente positivo, visto a freqüência em massa de moradores, turistas, imprensa e toda a gente do cinema, como cineastas, atores, produtores etc. 

Realizada pela Universo Produção e abrigada na mais charmosa cidade de Minas Gerais, a Mostra vem apresentando uma programação gigantesca, formada por 173 títulos, entre longas, curtas e vídeos, todos eles com entrada franca. Com coordenação geral de Raquel Hallack, a Mostra tem curadoria de Francesca Azzi (longas), Daniela Azzi (curtas), Eduardo Moreira e Cláudia Mesquita (vídeos). 

Os homenageados dessa edição são o cineasta Ruy Guerra e o videoartista Éder Santos, cada um deles com retrospectiva de seus trabalhos mais marcantes. Ruy Guerra, que apresentou seu novíssimo filme, “O Veneno da Madrugada”, na abertura da Mostra na sexta-feira, dia 20, foi a estrela principal do debate do dia seguinte no Cine-Teatro do Centro Cultural Yves Alves. O evento, que foi batizado de “Encontro da Crítica, Diretor e Público” e teve mediação do cineasta Francisco César Filho e participação do jornalista Luiz Zanin Oricchio, estreou em grande estilo. 

Com seu inseparável charuto, Ruy Guerra desfilou toda a sua inteligência, respondendo com atenção, boa-vontade e bom-humor as perguntas da imprensa e do público presente. Aliás, esses debates são uma novidade dessa edição, que tem como tema "Livre Pensar",  e pelo resultado dos primeiros encontros têm toda a possibilidade de permanecerem na programação oficial das futuras edições. 

Entre outras colocações sobre o papel da crítica, Ruy Guerra disse que exige dela criatividade, que ela tem que ser um objeto de arte e não apenas um texto escrito apressadamente em meia-hora sobre um trabalho realizado em três anos. Participou também do debate, dentre outros, Janaína Diniz Guerra, sua filha com a saudosa Leila Diniz e assistente de direção do longa. 

“Veneno da Madrugada” é mais uma incursão do cineasta no universo do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez – as anteriores foram “Erêndira” e “A Bela Palomeira”. O novo trabalho de Ruy Guerra é um belo olhar sobre o tempo em um filme sem concessões fáceis para o espectador. No entanto, caso ele atenda ao chamado, o mergulho pode ser estimulante e sedutor. No elenco feminino, brilham Juliana Carneiro da Cunha, como a velha Assis, e Rejane Arruda como Rosário.  

A exibição de “Veneno da Madrugada” estava lotada, assim como nos filmes dos dias seguintes no Cine-Tenda: “Carreiras”, de Domingos de Oliveira, e “A Concepção”, de José Eduardo Belmonte, no sábado; e “Cafundó”, de Clóvis Bueno e Paulo Betti, e “Mulheres do Brasil”, de Malu di Martino, no domingo. 

“Carreiras” é mais um belo filme de Domingos de Oliveira, que novamente aposta em um cinema de baixo orçamento e centrado no trabalho do ator. No caso desse filme, no talento da atriz, e também sua esposa, Priscilla Rozenbaum, um arraso do início ao final da película – não à toa recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado 2005. 

“A Concepção”, por sua vez, foi uma das maiores e melhores surpresas da programação. Dirigido por José Eduardo Belmonte e protagonizado por Matheus Nachtergaele, Milhem Cortaz, Rosanne Holland, Juliano Cazarré e Gabrielle Lopes, é um filme ousado e inventivo, exigindo uma entrega absoluta do elenco, que protagoniza cenas intensas de drogas e de sexo, algumas delas raramente vistas nas telas do cinema brasileiro. Um filme interessantíssimo, que com certeza vai escandalizar os mais puritanos. 

“Cafundó”, de Clóvis Bueno e de Paulo Betti, nasceu de uma idéia interessante, o que aconteceu com os escravos depois da Abolição, para um resultado decepcionante - mesmo tendo no elenco os sempre ótimos Lázaro Ramos e Leona Cavalli. 

Já “Mulheres do Brasil”, que ao focalizar cinco histórias protagonizadas por mulheres de diferentes cidades do Brasil, Bahia, Fortaleza, Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo, aposta no talento de um grupo de notáveis atrizes, entre veteranas e novatas, como Camila Pitanga, Luana Carvalho, Dira Paes, Roberta Rodrigues, Carla Daniel, Débora Evelyn e Bete Coelho. É um filme que se assiste com prazer e atenção, contando ainda com ótimas atuações de Lea Garcia, Ana Beatriz Nogueira , Thaís Garayp e Marília Medina.

No primeiro final de semana foram exibidos, além dos citados, as pré-estréias de "A Máquina", de João Falcão, e "Depois Daquele Baile", de Roberto Bontempo.

Até o final da Mostra serão exibidos 173 títulos, e muitas mulheres vão marcar presença nas telas e nas ruas de Tiradentes. São elas cineastas, atrizes, produtoras, roteiristas, fotógrafas, e muitas mais.  

As exibições acontecem no Cine-Tenda, Cine- Praça e Cine-Teatro e vão até o dia 28 de janeiro.

O Mulheres do Cinema Brasileiro viajou a Tiradentes a convite da 9ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

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