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– CLEO DE VERBERENA

Foto:
filmagens de "O Mistério do Dominó Preto" (1930)
O cinema é indústria. Mas é também,
para a grande maioria dos cineastas, a realização de um sonho. Não é a
tôa que a história do Cinema Nacional está cheia de visionárias, como
Carmen Santos e Gilda de Abreu. E antes delas todas, vem o nome da obstinada
Cleo de Verberena, a primeira mulher a dirigir um longa-metragem no Brasil:
´O Mistério do Dominó Preto´, em 1930.
Segundo
registros, as primeiras realizações das mulheres como diretoras na América
Latina datam da década de 10, ainda nos primórdios do cinema, em solo
argentino. No Brasil, Cleo de Verberena dá o toque de caixa na rica trajetória
da presença das cineastas na construção do Cinema Nacional com a realização
de `O Mistério do Dominó preto’.
Ainda adolescente, Cleo de Verberena sai do interior paulista, em Amparo,
onde nasceu em 1909, para morar na capital. A paixão pelo cinema é fulminante,
e todas as publicações - `Enciclopédia do Cinema Brasileiro´, Dicionário
de Atores e Atrizes´ e `Dicionário de Mulheres do Brasil´ - registram
sua fascinação pelo visto na tela, mas também pelo que ocorre atrás das
câmaras. Atriz do teatro de revista, Cleo de Verberena parte então para
a realização de seu grande sonho: o filme ´O Mistério do Dominó Preto´.
Para realizá-lo, ela e o marido, que recebera uma herança, vendem
jóias e propriedades, importa equipamento da França, e monta a `Épica
Film`.
Realizado em 1930, o filme é todo centrado no talento de Cleo de Verberena,
que o escreve, produz, dirige e estrela – seu marido, Laes Mac Reni (nome
artístico) co-protagoniza. `O Mistério do Dominó Preto´ é o único filme
que dirige, já que o seu segundo projeto, `Canção do Destino’, não se
conclui. Cleo de Verberena ainda marca sua presença no cinema brasileiro,
assinando o roteiro de ´Casa de Caboclo´, filme dirigido por Augusto Campos
em 1931.
Cleo
de Verberena faleceu em 1972. Sua investida como cineasta em 1930 fez
escola, marcando a abertura de um ciclo ininterrupto da efervescente contribuição
das mulheres na construção de nossa identidade fílmica. Nessa galeria
estão nomes como Carmen Santos e Gilda de Abreu nos anos 40, a presença
das italianas Maria Basaglia e Carla Civelli no nosso cinema na década
de 50, Zélia Costa e Helana Solberg nos anos 60, e a partir dos anos 70
até os dias atuais de cineastas da envergadura de Ana Carolina, Tereza
Trautman, Suzana Amaral, Lenita Perroy, Tizuka Yamasaki, Maria do Rosário,
Vanja Orico, Vera de Figueiredo, Ana Maria Magalhães, Carla Camuratti,
Tata Amaral, Eliane Caffé, Bia Lessa, Monique Gardenberg, ente outras.
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