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ANA CAROLINA por ATAÍDES BRAGA
Em
1968, faz seu primeiro trabalho no Cinema Nacional como continuísta de
Walter Hugo Khouri em As Amorosas, e realiza o documentário Indústria
(1968). A partir daí realiza vários curtas e médias, como Guerra do Paraguai
(1970) e Nelson Pereira dos Santos Saúda o Povo e Pede Passagem, e o longa
com Getúlio Vargas(1974). Em
Mar de Rosas (1977), retrata a família da menina Betinha
envolvida com o casamento fracassado dos pais, enfocando a guerra
pelo poder e desmoronamento da Instituição. No
filme seguinte, Das Tripas Coração (1982), escolhe a escola e a igreja
com alvos para apresentar um
interventor da escola, que sonhava
com as moças. Surge nessa abordagem neosonrodrigueana uma desordem amorosa
onde fragmentos do discurso amoroso de Roland Barthes são desconstruídos,
proporcionando uma descida aos infernos da alma. Já
em Sonho de Valsa(1987) a personagem,
adulta, revelava o fim dos sonhos de menina onde a existência de um príncipe
encantado é mito e desencanto que entra literalmente pelo cano. Afastada
por 12 anos da câmera, além de alguns roteiros, se ocupou de uma ópera.
Depois de uma longa ausência apresenta Amélia (2000), revelando o choque
de culturas. Uma série de estados, conflitos, perspectivas, moralidades,
desejos, idealizações, subserviência, contemplação, medo, dilacerações
e ferocidades, fantasias, mitos, desejos, inquietação, autenticidade.
Budista,
seguindo uma linha que propõe o autoconhecimento, pretendia escrever uma
comédia ainda que tenha saído amarga. Uma comédia de
desentendimentos. Amélia é uma ficção que toma como partida um
fato real. Em 1905, a grande Sarah Bernhardt. O rústico versus o sublime. Não
se trata de uma cultura superior e uma inferior, mas de uma cultura mais
frágil, mais gentil, que perece devorada pela cultura mais forte. Em
seguida teatralizou a ferocidade verbal do poeta Gregório de Mattos.
Poesia punho, com golpes desfeixados sobre o moralismo e hipocrisia.
Esgrima literária sem oponente. Que
sobreviva sempre a indignação de Ana Carolina para deleite de seus admiradores. Ataídes Braga
é historiador, professor de cinema e pesquisador. |
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