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CARMEN SANTOS por ANTÔNIO LEÃO DA SILVA NETO
‘CARMEN
SANTOS’ Uma mulher guerreira ! assim podemos definir Carmen Santos?, acho pouco, Carmen Santos é daquelas mulheres que deveriam ser lembradas todo dia, por todos. Ela foi mulher com ‘M’ maiúsculo numa época essencialmente machista, onde predominavam os homens e as mulheres eram meras coadjuvantes procriadoras, haja visto que nem votar podiam, mas não, Carmen era diferente e lutou contra tudo e contra todos para provar seu valor e provou, se tornando a Grande Dama do Cinema Brasileiro, primeira produtora independente do Cinema Brasileiro, antes de tudo, uma idealista. Maria do Carmo Santos Gonçalves nasceu em Vila da Flor, Portugal, em 08 de Junho de 1904 e chegou ao Brasil em 1912, aos oito anos de idade. Em 1919, com quinze anos de idade estreou no cinema no filme ‘Urutau’, dirigido pelo americano William A. Jansen, com argumento de Francisco de Almeida Fleming e fotografia de Fausto Muniz. Em 1924 estrela ‘A Carne’, com direção de Léo Marten e logo em seguida, em 1925 faz ‘Mademoiselle Cinema’, também de Léo Marten. Esses três primeiros filmes seus nunca foram lançados comercialmente e foram vistos por poucas pessoas em sessões particulares. Fica conhecia nacionalmente somente em 1929 com ‘Sangue Mineiro’, dirigido por Humberto Mauro. Com personalidade forte e invulgar passa a produzir seus filmes a partir de 1934, pela ‘Brasil Vox Filme’ que no ano seguinte passou a chamar-se ‘Brasil Vita Filme’, com estúdio próprio construído na Rua Conde de Bonfim N° 1331, no Bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, inicialmente produzindo documentários, alguns deles dirigidos pelo amigo Humberto Mauro. Na sequência produz e estrela ‘Favela dos Meus Amores’, em 1935 e ‘Cidade Mulher’, em 1936, ambos também dirigidos por Humberto Mauro. Em 1937 planeja ‘Inconfidência Mineira’, o grande projeto de sua vida. Em 1939 inicia os preparativos e em 1941 começa a filmar, mas teve muitos problemas e só conseguiu concluí-lo em 1948. Carmen transforma sua realização numa grande obsessão e nela produz, roteiriza, dirige e atua. Entre concepção, filmagem e acabamento transcorreram onze anos. Sua personagem, Bárbara Heliodora é tão marcante quanto sua realizadora, mas o filme foi um retumbante fracasso, levando Carmen à falência, forçando-a a vender seus estúdios no início dos anos 50. Em
1952 produz seu último filme, ‘O Rei do Samba’, sobre a vida do compositor
Sinhô, sob direção de Lulu de Barros. Morre em 24 de Setembro de 1952, aos 48
anos de idade no Rio de Janeiro. Em 1969 sua vida é levada às telas no
documentário ‘Carmen Santos’, dirigido por Jurandyr Passos Noronha, que
também dirigiu o documentário ‘Inconfidência Mineira: Sua Produção’, em
1971. No final dos anos 50 os estúdios Brasil Vita Filmes foram comprados por
Herbert Richers e hoje são utilizados pela Rede Globo de Televisão. Os mais jovens talvez nem a conheçam mas com
certeza encontrarão seu nome em qualquer publicação sobre a história do
Cinema Braisleiro, porque Carmen ajudou fazer a história do Cinema Brasileiro.
Obs.: Além do belíssimo texto, Antônio Leão disponibilizou, generosamente, filmografia completa de Carmen Santos (abaixo) nunca publicada, em primeira mão para o Mulheres. Exemplo da seriedade e gentileza que sempre marcam os verdadeiros pesquisadores. Esses dados estarão na versão atualizada do Dicionário de Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro, que será lançado em 2006. Filmografia Completa: Ano
Título Diretor
Cargo de Carmen 1919
Urutau
William H. Jansen
atriz
Antonio
Leão da Silva Neto é Pesquisador de cinema, autor dos livros |
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